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01/10/2026 00:06h

CNM registra 35 decretações de anormalidade em 33 municípios entre julho e setembro, com prejuízos de R$ 632 milhões

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Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que a seca e a estiagem provocaram 35 decretações de anormalidade em 33 municípios da Região Norte entre 1º de julho e 15 de setembro de 2026, afetando mais de 426,3 mil pessoas.

O Acre é o estado que mais concentra ocorrências: foram 24 dos 35 registros de anormalidade na região no período, o equivalente a cerca de 69% do total. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando o estado teve 20 casos, o número de decretações no Acre cresceu 20%. O Amazonas aparece em segundo lugar, com seis registros, seguido do Pará, com três. Roraima e Rondônia tiveram um registro cada.

Impacto econômico

Segundo a CNM, os prejuízos econômicos provocados pela estiagem na Região Norte somam R$ 632 milhões no período. O levantamento detalha perdas de R$ 46,8 milhões na agricultura, R$ 32,6 milhões na pecuária e R$ 17 milhões relacionados ao abastecimento de água potável -  setores diretamente afetados pela redução das chuvas e pela queda no nível de rios e reservatórios.

Cenário mais amplo do El Niño

O quadro no Norte integra um alerta mais amplo feito pela CNM sobre os efeitos do El Niño 2026/2027 no país. Segundo boletim da entidade, a previsão sazonal para o trimestre de setembro a novembro deste ano aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte do território nacional, incluindo a própria Região Norte, além de temperaturas acima da média em todo o Brasil.

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há cerca de 69% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro deste ano, podendo superar eventos já registrados desde 1950.

Recomendações aos municípios

Diante desse cenário, a CNM orienta os municípios a fortalecerem a prevenção e a preparação para os próximos meses, com medidas como atualização dos planos de contingência, mapeamento de áreas de risco, reforço das equipes locais de Defesa Civil, realização de vistorias em áreas vulneráveis e manutenção de sistemas de monitoramento e alerta.

A entidade também recomenda maior articulação entre municípios, estados e União para a resposta a situações de emergência.

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30/09/2026 17:06h

Apartamentos beneficiam paraibanos da Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, com renda familiar de até R$ 2.640; investimento no Residencial Belvedere chega a R$ 16,1 milhões

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O governo federal entregou, nesta quarta-feira (30), 92 unidades habitacionais do Residencial Belvedere, em Campina Grande (PB). O investimento no residencial chega a R$ 16,1 milhões e os apartamentos beneficiam famílias da Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, com renda familiar de até R$ 2.640.

A cerimônia foi realizada no bairro Serrotão e teve a participação do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que representou o governo federal.

Durante a entrega, o ministro ressaltou que o programa habitacional tem o papel de mudar a realidade das famílias beneficiadas.

​“Nada dignifica mais uma pessoa, uma família, do que a conquista do seu lar, sua moradia. 92 famílias vão ter um lar novo, uma casa nova, vão ter onde abrigar sua família melhor e onde realizar seus sonhos”, afirmou Gustavo Feliciano.

O ministro também destacou as ações do Ministério do Turismo (MTur) com enfoque no potencial turístico de Campina Grande, especialmente o São João, considerado um dos principais eventos culturais e econômicos da cidade.

​"O país tem vivido o melhor momento do turismo, batendo todos os recordes. Com a contribuição da nossa Campina Grande, aportamos aqui no Maior São João do Mundo R$ 2 milhões do Governo Federal, para que vocês pudessem curtir o Maior São João do Mundo”, mencionou o chefe da pasta.

Beneficiários 

​Entre as famílias que receberam as chaves no Residencial Belvedere está Elaine Maria da Silva, de 43 anos. Ela morou de aluguel por mais de 15 anos e, agora, recebeu o apartamento próprio nesta quarta-feira (30).

Elaine conta que pagava R$ 800 de aluguel, R$ 100 de energia e R$ 100 de água e que agora a realidade dela vai mudar. “Para mim, a casa própria é a realização de um sonho que parecia impossível”, disse.

A beneficiária destacou, ainda, a importância do suporte do programa federal para conquistar o próprio imóvel. "Esse subsídio é uma ajuda gigantesca. Assim como eu consegui, outros também podem conseguir”, completou.

Elaine Maria compartilhou, ainda, que o período em que morou de aluguel resultou em perdas econômicas e de bens materiais. No entanto, comemorou a nova conquista como o início de uma nova etapa. 

“É um novo caminho. Daqui para a frente, só espero melhorias. Aluguel, nunca mais. Já mandei fazer toda a mobília. Vou deixar do jeito que eu quero. Porque quem vive de aluguel sabe que a gente perde muito. Tanto em valor, como em bens materiais. E agora eu vou fazer a mobília do meu gosto. Vou deixar do jeito que eu quero”, mencionou a beneficiária.

Na última terça-feira (29), o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, também participou da entrega de apartamentos no Residencial Villa Bela, em João Pessoa (PB).

    

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29/09/2026 22:00h

Apartamentos no bairro das Indústrias beneficiam cerca de 896 moradores; investimento no residencial chega a R$ 37,6 milhões

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O governo federal entregou, nesta terça-feira (29), 224 unidades habitacionais do Residencial Villa Bela, em João Pessoa (PB). Os apartamentos, localizados no bairro das Indústrias, são destinados a famílias da Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, com renda familiar de até R$ 2.640.

A cerimônia foi conduzida pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que representou o governo federal. O empreendimento é formado por sete blocos, com 32 apartamentos cada, e deve beneficiar cerca de 896 pessoas.

Durante a entrega, o ministro destacou o papel do programa habitacional na melhoria das condições de vida das famílias beneficiadas.

“E é isso que o programa Minha Casa, Minha Vida faz: dar dignidade às pessoas que não têm a oportunidade de ter a sua habitação, de não ter o seu lar, de construir e realizar a sua casa própria, o seu lar. Dar uma dignidade melhor para a sua família”, disse Feliciano.

O investimento no residencial é de R$ 37,6 milhões, sendo R$ 5,6 milhões em contrapartida do governo da Paraíba.

Segundo o ministro, a entrega das moradias também faz parte de uma ação conjunta entre os governos federal e estadual para ampliar a inclusão social e gerar oportunidades na Paraíba.

“A entrega aqui das unidades do Villa Bela é mais um passo no trabalho conjunto do Governo Federal e do Governo da Paraíba para proporcionar inclusão social e a geração de oportunidades para o nosso povo”, disse.

Beneficiários

Entre as famílias que receberam as chaves está a de Maciele Alves Braz, de 26 anos. Ela morou de aluguel durante cinco anos e, agora, recebeu o apartamento próprio nesta terça-feira.

“Foi um momento que eu sonhei por muito tempo da minha vida. Eu passei por um longo processo de preparação, um ano procurando até encontrar essa oportunidade. E é uma realização muito grande para mim e para a minha família”, contou.

Para Maciele, a nova moradia representa também o início de uma nova fase. “O seu lar representa a sua identidade. E a minha casa, eu quero que ela tenha a minha identidade, a minha personalidade e que ela represente um acolhimento pra mim e pras pessoas que eu amo”, afirmou.

A entrega do Residencial Villa Bela integra a agenda do governo federal na Paraíba nesta semana. 

Para esta quarta-feira (30), está prevista a entrega de apartamentos do Residencial Belveder, em Campina Grande.
 

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29/09/2026 00:07h

Presidentes de entidades em Lages (SC) e Maringá (PR) defendem correção dos tetos, congelados desde 2018. Movimento liderado pela CACB reúne mais de 1,5 mil associações em defesa do reajuste do MEI e demais faixas

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Presidentes de entidades empresariais do Sul do país reforçaram a cobrança à atualização dos limites do Simples Nacional e do Microempreendedor Individual (MEI). A Associação Empresarial de Lages (ACIL), de Santa Catarina, e a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), no Paraná, fazem parte das mais de 1,5 mil federações e associações em todo o país que assinaram o manifesto "Um Brasil que não pode ser esquecido", liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Para Antonio Wiggers, presidente da ACIL, o prejuízo de não corrigir os limites de faturamento vai além da arrecadação. "Não existe nenhum benefício social mais importante e mais duradouro do que o emprego. Os pequenos negócios são o motor de qualquer comunidade, sua expansão está diretamente ligada a esse aumento de limites do MEI e do Simples. Todos no Brasil inteiro aguardam por esta decisão há muito tempo", afirmou.

Já José Carlos Barbieri, da ACIM, destaca que os limites estão sem correção desde 2018, período em que preços, salários e custos subiram, fazendo empresas mudarem de faixa e pagarem mais tributos sem terem crescido de fato. "Reconhecemos a preocupação fiscal do governo, mas os pequenos negócios são 24 milhões de empresas, 95% do total, 26,5% do PIB e 80% dos empregos gerados em 2025. Corrigir a tabela não é privilégio, é preservar o critério original do regime", pontuou.

A carta foi formalmente encaminhada aos candidatos à Presidência da República — Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado — e a ministérios responsáveis pelo tema, como o da Fazenda e o do Empreendedorismo e da Micro e Pequena Empresa, além do Sebrae Nacional e dos órgãos estaduais, 

Proposta

O Simples Nacional é o regime tributário simplificado destinado a microempresas e empresas de pequeno porte, unificando o pagamento de tributos e reduzindo a burocracia para quem empreende. A última atualização das faixas foi aprovada em 2016 pelo Congresso Nacional, mas só passou a valer dois anos depois. Os limites vigentes são de R$ 81 mil para o MEI, R$ 360 mil para a microempresa e R$ 4,8 milhões para a empresa de pequeno porte.

Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021 discute hoje o reajuste do teto do MEI para R$ 110 mil em 2026 e para R$ 140 mil a partir de 2027 — valores mais baixos do que os defendidos pelas entidades. As entidades patronais pressionam para que a atualização das demais faixas do Simples Nacional seja incluída, e o relatório do deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC) deve atender ao pedido.

A CACB defende a atualização imediata dos tetos em cerca de 83%: o do MEI passaria para R$ 144,9 mil, o da microempresa iria para R$ 869,4 mil, e o da empresa de pequeno porte subiria para R$ 8,69 milhões, além de uma regra permanente de correção automática pela inflação, prevista em lei. 

"No Brasil, tudo muda, tudo corrige, mas a tabela do Simples não. Estamos desde 2018 com essa tabela sem nenhuma atualização e estamos pleiteando a correção pela inflação", destacou Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O impasse tem raiz fiscal: o Ministério da Fazenda estima impacto de aproximadamente R$ 50 bilhões nas contas públicas caso todas as faixas de enquadramento do Simples sejam contempladas, e a equipe econômica calcula custos de R$ 8,1 bilhões aos cofres públicos até 2029 apenas com o aumento do teto do MEI. Diante da falta de acordo, o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu adiar a votação do PLP 108/2021 para depois das eleições.

A tramitação já teve o regime de urgência aprovado pela Câmara, o que permitiria votação direta em plenário, mas os parlamentares optaram por instalar uma comissão especial para aprofundar o debate antes da decisão final. Depois de eventual aprovação na Câmara, o projeto ainda precisa passar pelo Senado Federal.

Enquanto o Congresso não define o texto final, associações como a ACIL e a ACIM seguem reforçando, junto à CACB, que corrigir o Simples Nacional não é conceder privilégio, mas reparar uma defasagem que penaliza quem gera trabalho e renda — e que o pequeno empreendedor precisa estar no centro da agenda econômica do país, não apenas lembrado em ano eleitoral.

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23/09/2026 19:08h

Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2005, o ofício reúne conhecimentos sobre o preparo dos alimentos, a religiosidade, as roupas tradicionais e a venda em tabuleiro

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O Ofício das Baianas de Acarajé mantém vivos saberes de matriz africana transmitidos entre gerações. Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2005, o ofício reúne conhecimentos sobre o preparo dos alimentos, a religiosidade, as roupas tradicionais e a venda em tabuleiro. 

O reconhecimento foi concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Preparado com feijão-fradinho e frito no azeite de dendê, o acarajé tem origem na África Ocidental. Os conhecimentos sobre seu preparo chegaram ao Brasil com africanos escravizados.  Esses saberes foram preservados principalmente por mulheres negras. 

O alimento também mantém vínculos com as religiões de matriz africana e com práticas do candomblé. 

Nas ruas, praças, feiras e festas populares, os tabuleiros reúnem acarajé, abará, cocadas, mingaus e outras preparações da culinária afro-brasileira. 

Cada elemento faz parte dessa tradição, da escolha dos ingredientes à organização do tabuleiro. 

O aprendizado acontece entre familiares e também na troca de conhecimentos com outras baianas. 

Em 2022, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título. A decisão também ampliou a abrangência do registro para todo o território nacional, onde a prática tenha sido ou venha a ser identificada. As ações de salvaguarda buscam apoiar a continuidade do ofício e a transmissão dos conhecimentos às próximas gerações. 

A participação das próprias baianas faz parte desse processo de preservação. 

Mais informações em gov.br/cultura. 
 

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23/09/2026 10:50h

Além do novo prazo, o processo eleitoral teve mudanças nas regras de participação e de envio de documentos.

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O prazo de inscrição para o processo eleitoral dos representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) foi estendido até o dia 30 de setembro de 2026. A data inicial estava prevista para o dia 22 de setembro, mas a Comissão Eleitoral  entendeu que o prazo maior amplia a participação da sociedade civil no processo.

A alteração no  Edital de Chamamento Público MinC nº 9 também altera o período da análise documental, que deve ocorrer entre os dias 1º e 13 de outubro de 2026. Clique aqui para acessar a íntegra do documento.

Todo o processo continua sendo realizado por meio da plataforma digital Vota Cultura e definirá a composição de 21 Colegiados Nacionais de Participação Social e do Plenário do CNPC para o mandato de 2026 a 2029.

Envio de documentos e recursos 

Além do calendário, a alteração do edital modifica o anexo que trata das comprovações documentais. Ele foi reestruturado para permitir a inclusão de novos documentos, como portfólios, vídeos e complementos, após finalizada a inscrição. Essa inclusão, no entanto, deve estar estritamente relacionada à correção dos motivos que geraram a inabilitação pela comissão avaliadora, ou seja, durante a fase de recursos.

O edital retificado também estabelece que, caso a pessoa precise alterar dados cadastrais ou anexos, será possível fazer uma nova inscrição. Nesse caso, o cadastro anterior será totalmente cancelado e todos os documentos deverão ser anexados novamente. Esse processo poderá ser refeito quantas vezes necessário, sendo válida apenas a última inscrição enviada.

Validação de cotas e declarações coletivas 

Há mudanças também no procedimento de confirmação complementar para pessoas negras. Agora, ela será realizada de forma remota e assíncrona, por meio do envio de fotos e vídeo. A sessão telepresencial por videoconferência que estava prevista será utilizada apenas para a resolução de eventuais problemas técnicos.

Para povos e comunidades tradicionais, será permitido o uso de formulários de declaração de pertencimento em formato coletivo. Isso significa que é possível utilizar uma única declaração com assinaturas das lideranças para atestar o pertencimento de várias pessoas. O nome e o CPF de cada uma delas deve constar na lista. A medida foi adotada em respeito à dinâmica de organização de aldeias, quilombos e terreiros.

Participação de servidores 

Também houve mudança referente à participação de servidores públicos na eleição. Servidores da União que atuam nas áreas finalísticas da cultura seguem proibidos de votar e de se candidatar. Já servidores de estados e municípios ligados à cultura podem se inscrever para votar, mas não podem concorrer. E os servidores, inclusive da União, vinculados a áreas não finalísticas (áreas meio) estão liberados tanto para votar quanto para se candidatar.

Por fim, o texto regulamenta que a promoção e a campanha eleitoral ficam permitidas imediatamente após a efetivação da inscrição da pessoa candidata. 

Lembrando que todas as inscrições serão avaliadas e posteriormente declaradas habilitadas, se cumprirem todos os requisitos. A previsão é que a lista seja divulgada no dia 14 de outubro.

Materiais de orientação, guias informativos e tutoriais em vídeo estão disponíveis na página do CNPC. Clique aqui para acessar. Pedidos de informações e dúvidas podem ser enviados para [email protected]

Com informações do Ministério da Cultura.

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22/09/2026 14:32h

Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008, bem reúne conhecimentos transmitidos pela oralidade, pela prática e pela convivência entre gerações

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Antes que um jogo comece na roda, há conhecimentos que orientam cada movimento, canto e toque de instrumento. São saberes construídos ao longo de anos de prática, convivência e aprendizado e transmitidos entre diferentes gerações de capoeiristas. No centro desse processo estão os mestres e mestras de capoeira, reconhecidos por suas comunidades como detentores de conhecimentos relacionados à manifestação cultural afro-brasileira.

O conjunto dessas práticas constitui o Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O bem possui abrangência nacional e está inscrito no Livro de Registro dos Saberes desde 21 de outubro de 2008.

Exercer esse ofício vai além de ensinar golpes, esquivas ou sequências de movimentos. Mestres e mestras transmitem fundamentos da capoeira, orientam rodas, compartilham histórias e cantigas, ensinam os toques dos instrumentos e participam da formação de novos praticantes. Também cabe a eles interpretar e manter em circulação códigos, rituais, valores e referências construídos ao longo da trajetória da manifestação.

O reconhecimento como mestre ou mestra não depende, necessariamente, de um diploma ou título formal. Ele é construído ao longo do tempo, a partir da experiência, da dedicação à capoeira e, sobretudo, do reconhecimento dos próprios pares e da comunidade na qual aquele conhecimento é praticado e compartilhado.

Um saber que passa de pessoa para pessoa

A oralidade ocupa lugar central na transmissão da capoeira. Parte do aprendizado acontece pela palavra, mas outra parcela é assimilada ao observar, ouvir e participar.

Um movimento pode ser compreendido pela repetição. Uma cantiga pode ser aprendida acompanhando a roda. O momento adequado para determinado toque de berimbau é reconhecido pela experiência. Histórias sobre antigos mestres, acontecimentos e transformações da capoeira circulam nas conversas e nos ensinamentos compartilhados entre praticantes.

Nesse processo, corpo, memória e convivência tornam-se formas de transmissão do conhecimento. Segundo o Iphan, os saberes podem ser comunicados por gestos, olhares, palavras, ladainhas e narrativas contadas entre uma roda e outra.

Os espaços de aprendizagem também são diversos. Terreiros, praças, ruas, academias, escolas, centros culturais e comunidades podem receber rodas, treinamentos e encontros nos quais esses conhecimentos continuam circulando.

Mestres e mestras acompanham ainda diferentes etapas da formação dos praticantes. Podem acolher iniciantes, orientar discípulos, conduzir batizados e cerimônias, organizar rodas e reconhecer outros integrantes que, depois de anos de trajetória, também passam a ocupar posições de referência dentro da comunidade.

O conhecimento dentro da roda

Embora sejam bens culturais registrados separadamente, o Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira e a Roda de Capoeira estão diretamente relacionados.

É na roda que muitos dos conhecimentos transmitidos pelos mestres e mestras se encontram. Canto, instrumentos, movimentos, golpes, jogo, dança, improvisação, brincadeira e ritual passam a funcionar simultaneamente. A roda também possui códigos próprios, formas de organização e relações entre os participantes.

O berimbau exerce papel importante na condução desse ambiente. Seus diferentes toques ajudam a orientar o jogo, enquanto cantigas e instrumentos como atabaque, pandeiro, agogô e reco-reco participam da construção da musicalidade. O mestre ou a mestra precisa conhecer não somente a execução dos instrumentos, mas a relação entre música, movimento e momento ritual.

As cantigas também funcionam como espaços de memória. Elas podem narrar episódios, lembrar personagens, transmitir ensinamentos, provocar os jogadores ou comentar aquilo que acontece dentro da própria roda.

Assim, ensinar capoeira envolve transmitir uma linguagem formada por corpo, som, palavra, memória e interpretação. O conhecimento não permanece restrito a uma técnica: está relacionado a maneiras de compreender e participar daquele universo cultural.

Ancestralidade e resistência

A trajetória da capoeira está diretamente relacionada à história da população negra no Brasil. Desenvolvida a partir de referências africanas recriadas em território brasileiro, a manifestação atravessou períodos de repressão, criminalização e estigmatização.

No período posterior à abolição da escravidão, a capoeira chegou a ser criminalizada pelo Código Penal de 1890 e permaneceu associada à marginalidade durante parte de sua história. A continuidade da prática, mesmo diante das perseguições, ajuda a compreender a atuação de gerações de capoeiristas na manutenção e transmissão desses conhecimentos.

Ao longo do século XX, diferentes processos contribuíram para transformações na capoeira e em sua presença na sociedade brasileira. Entre as referências dessa trajetória estão as tradições conhecidas como Capoeira Angola e Capoeira Regional, que convivem atualmente com outras formas e experiências desenvolvidas em diferentes localidades.

Nesse percurso, mestres e mestras tiveram participação na formação de grupos, espaços de ensino e redes de capoeiristas, além de transmitir conhecimentos recebidos de gerações anteriores.

A presença da capoeira também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Atualmente, a manifestação é encontrada em todo o território nacional e em mais de 150 países, segundo levantamento do Iphan.

Patrimônio Cultural do Brasil

O Ofício dos Mestres de Capoeira e a Roda de Capoeira tiveram seus registros aprovados em 2008. Embora relacionados, os dois bens foram inscritos em livros diferentes: o Ofício, no Livro de Registro dos Saberes, e a Roda, no Livro de Registro das Formas de Expressão.

O registro do Ofício ocorreu em 21 de outubro de 2008 e reconheceu os mestres como detentores dos conhecimentos tradicionais da manifestação e responsáveis pela transmissão de práticas, rituais e referências culturais.

Já a Roda de Capoeira recebeu, em 2014, o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O título internacional diz respeito especificamente à Roda de Capoeira, enquanto o Ofício dos Mestres e Mestras permanece como bem registrado como Patrimônio Cultural do Brasil.

Mestres e mestras

Em 11 de novembro de 2024, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil atribuído ao Ofício. Na mesma decisão, foi aprovada a alteração da nomenclatura oficial de “Ofício dos Mestres da Capoeira” para “Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira”.

A mudança explicita a presença e a atuação das mulheres na transmissão dos conhecimentos e na continuidade da capoeira. O processo de reavaliação considerou transformações ocorridas desde o registro inicial e reuniu informações de diferentes materiais, planos de salvaguarda, consultas aos detentores e ações desenvolvidas nos estados.

A revalidação faz parte do acompanhamento dos bens culturais registrados. O procedimento permite observar mudanças ocorridas ao longo do tempo, identificar condições relacionadas à continuidade das práticas e reunir recomendações para as ações de salvaguarda.

No caso da capoeira, essas ações podem envolver produção e preservação de acervos, pesquisas, mapeamentos, documentação, fortalecimento da participação dos detentores e articulação entre grupos e comunidades.

A transmissão, porém, continua acontecendo sobretudo no encontro entre pessoas. Quando um mestre ou uma mestra ensina um toque, explica uma cantiga, conta a trajetória de quem veio antes, orienta um jogo ou forma novos praticantes, conhecimentos acumulados ao longo de gerações encontram outros corpos, vozes e experiências. É assim, entre memória e reinvenção, que o ofício segue sendo compartilhado.

Com informações do Ministério da Cultura.

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20/09/2026 00:03h

Pesquisa com mais de 2 mil pessoas mostra que 59% avaliam a própria saúde como ótima ou boa, mas 63% estão acima do peso e 42% nunca praticam atividade física, dois dos principais fatores de risco para o câncer

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A percepção que o brasileiro tem da própria saúde nem sempre corresponde aos indicadores de saúde, o que pode dificultar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer. É o que revela a pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.

De acordo com o levantamento, 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa. Os dados de peso e altura declarados pelos próprios participantes, porém, mostram um retrato mais preocupante: 63% da população adulta está acima do peso ideal, sendo 37% com sobrepeso e 26% com obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros 42% afirmam nunca praticar atividade física.

O excesso de peso e o sedentarismo estão entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de câncer. Segundo especialistas do A.C.Camargo, o excesso de peso já é reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos da doença, entre eles os cânceres de intestino, mama, pâncreas e esôfago.

Percepção muda com a idade, mas otimismo persiste

A pesquisa mostra que, à medida que envelhecem, os brasileiros tendem a piorar a própria percepção sobre a saúde. As respostas, no entanto, continuam concentradas nas categorias ótima, boa ou regular, mesmo entre os mais velhos.

O levantamento identificou ainda que o otimismo em relação à própria saúde aparece mesmo entre grupos expostos a fatores de risco conhecidos: entre os fumantes, por exemplo, 63% avaliam a própria saúde como ótima ou boa, percentual até um pouco maior do que o registrado entre quem nunca fumou (61%).

Descompasso entre percepção e prevenção

Outros resultados da mesma pesquisa reforçam esse descompasso entre a forma como os brasileiros se percebem e os hábitos que de fato adotam. Levantamento anterior, divulgado a partir da mesma base de dados, mostrou que 69% da população acredita que o câncer é uma doença evitável, mas 65% afirmam não saber bem como se prevenir. O câncer também é a doença que mais preocupa os brasileiros, citada por 60% dos entrevistados à frente de diabetes (14%) e doenças cardíacas (13%).

Metodologia

A pesquisa foi realizada pela Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, com entrevistas presenciais com  2.015 pessoas  com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da federação. A amostra foi controlada por cotas de sexo, idade, condição socioeconômica, região e porte do município, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026.

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17/09/2026 20:00h

Unidade da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) já atende diferentes perfis de empreendedores e prevê alcançar 5 mil empresas da região

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Os empreendedores em uma das mais movimentadas vias do país, a Avenida Paulista, já contam com um novo espaço para serviços empresariais. O Balcão do Empreendedor, instalado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), iniciou os atendimentos há mais de três semanas e colhe os primeiros resultados. 

Um dos empreendedores atendidos no local é Antônio Gonçalves, que buscou o serviço para abrir uma empresa no ramo de contabilidade. Ele recorreu ao AC Legal, serviço de assessoria jurídica da ACSP, para conduzir todo o processo de formalização do negócio. "Foi uma experiência ótima. Equipe super qualificada, tiraram todas as minhas dúvidas lá, fiz todos os processos, orientaram. Foi uma experiência muito gratificante e mais barata que o mercado e mais ágil", relata.

Segundo o superintendente de Serviços Institucionais da ACSP, Renan Luiz Silva, a experiência inicial tem sido positiva, com procura de diferentes perfis de profissionais. "A Av. Paulista é uma região muito pujante, tem uma demanda empresarial expressiva, e a gente já tem atendido casos relacionados a advogados, contadores e aos próprios empresários locais", afirma.

A expectativa dos organizadores é que 5 mil das 15 mil empresas que operam na região sejam atendidas diretamente pelo novo Balcão, especialmente em negócios dos setores financeiro, jurídico, contábil, de consultoria, saúde e varejo. O espaço é voltado tanto a quem deseja abrir um novo negócio e precisa de suporte nos primeiros passos, quanto a quem já atua no mercado e busca manter sua formalização, aprimorar a atividade ou gerar novas oportunidades — não sendo exigida associação prévia à ACSP para todos os serviços disponíveis.

Silva comenta que tanto as necessidades dos empreendedores locais quanto a demanda do público haviam sido mapeadas pela equipe da ACSP antes mesmo da implantação do Balcão. “São basicamente quatro principais necessidades: a formalização de empresa, a resolução de conflitos, a geração de novos negócios e as informações. A capacitação a gente tem levado também”, disse.

Expansão

O Balcão do Empreendedor da Av. Paulista é o primeiro instalado fora de distritais da ACSP. A intenção da entidade é ampliar esse modelo, com novos pontos de atendimento, feiras e parcerias com outras entidades ao longo dos próximos meses para aproximar seus serviços de regiões de forte concentração empresarial.

O presidente da ACSP, da Confederação das Associações Comerciais e Empresarias do Brasil (CACB), e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (FACESP) Alfredo Cotait Neto, ressaltou que a unidade integra a estratégia de expansão da instituição. 

“Temos um projeto muito maior, vamos também instalar nas nossas distritais, estar em feiras, e tentar incluir em outras entidades. O projeto tende a expandir cada vez mais. O nosso objetivo, evidentemente, é facilitar a vida do empreendedor”, destacou o presidente. 

O espaço fica na sede da Câmara de Comércio Brasil-Líbano (CCBL), no endereço Av. Paulista 688, 16º andar, na Bela Vista. A unidade reúne cerca de 19 serviços voltados à formalização, à gestão e ao atendimento de demandas empresariais, entre eles acesso à Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), emissão de certificado digital, legalização de empresas, portal do Microempreendedor Individual (MEI), emissão de declaração de exclusividade, atendimento da Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial (Cemaac), posto da Receita Federal, consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e à plataforma Boa Vista, além do AC Marcas, para registro de marcas e patentes.

Para Silva, os resultados e depoimentos recebidos nas primeiras semanas de trabalho só reforçam as expectativas dos organizadores. “A gente imagina que a Paulista, por ter a sua demanda empresarial, um dos principais centros empresariais da cidade de São Paulo, vai contar com esse aparelho de suporte, apoio e estímulo. A expectativa é que a gente tenha uma participação muito importante no desenvolvimento ainda maior da atividade empresarial da Avenida Paulista", conclui.
 

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17/09/2026 17:36h

Segundo a entidade, juros altos pressionam crédito, consumo e investimentos

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que passou para 13,75% ao ano. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão é acertada, mas ainda excessivamente cautelosa. A entidade defende a continuidade do ciclo de flexibilização monetária. 

Segundo a CNI, o excesso de prudência adotado pelo Copom não se justifica diante da desaceleração da inflação, que acumulou alta de 4,22% em 12 meses até agosto. A entidade também destaca a melhora das expectativas do mercado, que apontam para uma convergência gradual da inflação em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária. 

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o Banco Central deve dar continuidade ao ciclo de redução da Selic. “Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, defende.

A entidade ressalta que a Selic está 3,45 pontos percentuais acima da taxa considerada ideal, calculada em 10,3% com base na Regra de Taylor. Este parâmetro permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. 

Já a taxa real de juros, próxima de 9%, permanece muito acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central, em torno de 5%. Esse nível é considerado compatível com uma política que não estimula nem freia a atividade econômica. Para a CNI, esse diferencial indica que há margem para cortes mais expressivos da Selic sem comprometer o processo de convergência da inflação para a meta. 

Juros elevados pressionam crédito e endividamento

A entidade chama atenção para os efeitos da taxa de juros elevada sobre o custo do crédito. Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano, alta de 1,8 ponto percentual em 12 meses. O avanço foi mais intenso entre as pessoas físicas, cuja taxa média alcançou 60% ao ano. Entre as empresas, os juros médios chegaram a 25,4% ao ano. 

O encarecimento do crédito também tem pressionado a capacidade de pagamento dos tomadores. Nas operações com recursos livres, a inadimplência atingiu 7,8% entre as pessoas físicas, o maior nível da série histórica, e 4,2% entre as pessoas jurídicas. 

Entre as famílias, o endividamento correspondia a 49,8% da renda em junho, próximo ao recorde da série histórica, de 49,9%. Já o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9%, também o maior nível da série. Para a CNI, os indicadores mostram que o aperto monetário continua impondo custos elevados às famílias e às empresas.

O superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, afirma que a manutenção dos juros em níveis elevados pode contribuir para uma desaceleração maior da economia, mesmo diante da perda de ritmo da inflação. 

“O consumo das famílias vem retraindo. Então, pelo lado do consumo, existe uma tendência de desaquecimento da inflação. Por outro lado, esse patamar elevadíssimo de juros vem trazendo consequências diretas sobre as famílias e sobre as empresas”, avalia. 

Segundo Guerra, o custo elevado do crédito também afeta as empresas que precisam de recursos para manter as operações ou realizar investimentos. 

“Investimento esse que tem um papel importantíssimo se nós estamos pensando em crescimento econômico. Ou seja, a taxa de juros hoje, nesse patamar, faz com que ocorra um desestímulo significativo do investimento e, com isso, a economia anda de lado”, afirma. 

Indústria prevê maior necessidade de crédito

A indústria está entre os setores diretamente afetados pelo custo elevado do crédito, segundo a nova edição da Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, realizada pela CNI. 

Para os próximos três meses, as empresas projetam aumento da necessidade de capital de giro e encarecimento do crédito. A pressão é maior sobre as obrigações correntes: 

  • 56% das empresas esperam maior necessidade de financiamento para contas a pagar;
  • 50% preveem aumento da demanda por crédito para manutenção de estoques;
  • 49% esperam maior necessidade de financiamento para contas a receber.

Entre as empresas que projetam demandar mais crédito, cerca de 60% também esperam aumento das taxas cobradas. 

O cenário tende a pressionar as margens das empresas. Segundo a pesquisa, 57% projetam redução da margem líquida, enquanto cerca de um terço prevê aumento do endividamento bancário. 

No entanto, a possibilidade de repassar os custos aos preços é limitada. Mais da metade das empresas (53%) pretende manter os preços inalterados para preservar a competitividade, enquanto 35% planejam reajustá-los para cima. 

Para a CNI, o resultado indica que uma parcela relevante da indústria deverá absorver o aumento dos custos financeiros, com impacto sobre a rentabilidade e a capacidade de investimento. 

Atividade econômica perde ritmo

Os dados mais recentes da atividade econômica também apontam desaceleração do crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. 

A demanda interna perdeu força no período. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto a indústria de transformação ficou estagnada. O crescimento da atividade industrial foi concentrado na indústria extrativa, que avançou 3,4%. Os dados são do IBGE. 

Para a CNI, o enfraquecimento da demanda doméstica, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao custo do crédito, reforça a necessidade de continuidade da flexibilização monetária. 

O PMI Industrial do Brasil, elaborado pela S&P Global, também apontou deterioração das condições da indústria de transformação. O índice caiu de 47,5 pontos em julho para 46,3 em agosto, o menor nível em 40 meses. 

Mercado de trabalho não impede desaceleração

Apesar da resiliência do mercado de trabalho, com ocupação e renda em níveis elevados, o desempenho não tem se traduzido em aumento da demanda doméstica. O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, indicando que a transmissão dos ganhos de renda para o consumo tem sido limitada, entre outros fatores, pelo elevado custo do crédito.

Na avaliação da CNI, a resistência do mercado de trabalho, isoladamente, não caracteriza um quadro de excesso de demanda que justificaria a interrupção do ciclo de cortes da Selic. 

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