Produtor Rural

05/05/2026 04:55h

Primeira participação do ministro no Cosag reúne setor produtivo, bancos e governo para discutir financiamento e desafios do Plano Safra

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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que pretende manter uma interlocução próxima com o setor produtivo e levar as demandas do agronegócio ao governo federal. A declaração ocorre em meio a preocupações do setor com crédito rural e regras ambientais.

A fala foi feita durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O ministro participou do encontro ao lado de sua equipe e foi recebido pela presidente do Cosag, a senadora Tereza Cristina.

Também estiveram presentes o secretário-executivo, Cleber Soares; o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua; o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos; o secretário de Desenvolvimento Rural, Marcelo Fiadeiro; a assessora especial do Mapa, Sibelle Andrade; a chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social, Carla Madeira; e a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

A reunião marcou a primeira participação de André de Paula no colegiado após assumir o ministério. Na ocasião, o ministro e seus auxiliares ouviram representantes de vários segmentos do agronegócio, inclusive de instituições financeiras ligadas à execução do Plano Safra, principal programa público de financiamento rural.

“Estar nesta reunião faz parte da estratégia de escuta adotada desde que cheguei ao ministério. Ouvi atentamente todas as intervenções e tenho dimensão dos desafios que teremos nos próximos meses”, afirmou.

Restrição de crédito a produtores monitorados pelo Prodes

Entre os temas discutidos, ganhou destaque a restrição de crédito a produtores monitorados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O sistema calcula a taxa anual de desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e em outros biomas.

Representantes do setor alertaram que cerca de 28% dos produtores que já acessaram crédito podem ser afetados pela limitação. O problema atinge inclusive casos em que as pendências foram regularizadas, mas continuam registradas devido à metodologia anual de análise.

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Como possível alternativa, a Embrapa apresentou o projeto TerraClass, voltado ao mapeamento da cobertura e do uso da terra nos biomas brasileiros. Atualmente, a ferramenta abrange Amazônia e Cerrado, com previsão de expansão para todo o país.

Segundo o ministro, a presença da equipe técnica reforça o compromisso com o diálogo com o setor produtivo. Ele afirmou ainda que o governo está estruturando um Plano Safra robusto, embora as taxas de juros mais altas representem um desafio para o crédito rural.

O Cosag deve convidar representantes do Ministério da Fazenda para aprofundar a discussão em uma próxima reunião.

À tarde, o ministro e os secretários participaram de outro encontro, desta vez na Sociedade Rural Brasileira (SRB), também na capital paulista.
 

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22/04/2026 04:15h

Sistema previne doenças e pragas, fiscaliza o uso de defensivos e certifica a qualidade sanitária dos produtos

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A falta de recursos para proteção da produção agrícola contra pragas e doenças preocupa o setor. O assunto foi tema de debate entre deputados e especialistas na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (16).

A defesa agropecuária reúne normas e ações que protegem a saúde animal e vegetal e garantem alimentos seguros para consumo e exportação. Esse sistema previne doenças e pragas, fiscaliza o uso de defensivos e certifica a qualidade sanitária dos produtos.

O orçamento da área no ano passado foi de R$ 214 milhões. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, mais de 95% dos recursos são executados anualmente, ao passo que atrasos nos repasses podem causar prejuízos permanentes.

Goulart alertou para os quatro principais riscos no país que exigem atenção imediata:

  • vassoura de bruxa na mandioca;
  • influenza aviária;
  • monilíase do cacaueiro;
  • mosca-da-carambola.

No caso dessa última, Goulart citou o recente foco em Manaus, que exigiu gasto extra de R$ 200 mil para controle. Ele destacou que, para cada R$ 1 investido no combate à praga, se economiza até R$ 34 no futuro.

O presidente da União Nacional dos Fiscais Agropecuários (Unafa), Diego do Amaral, também apontou falta de recursos para financiar ações nos estados. Ele citou prejuízo de R$ 1,5 bilhão causado pela lagarta Helicoverpa armigera, no oeste da Bahia.

Proposta

Os participantes defenderam a criação de um fundo para uso imediato em caso de emergências, além da não limitação dos recursos. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 95/24, que proíbe o contingenciamento destas verbas, foi citado como uma alternativa.

“O impacto na economia, na vida das pessoas, na segurança alimentar e na imagem do país não pode ser colocado em risco”, disse o deputado Márcio Honaiser (PDT-MA), autor do requerimento para realização do debate.

O assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rafael Ribeiro de Lima Filho, afirmou que a entidade propõe todos os anos a proibição de contingenciamento de recursos para defesa agropecuária e seguro rural.

Segundo ele, a incerteza orçamentária pode aumentar gastos futuros, como renegociação de dívidas, além de pressionar a inflação de alimentos e a balança comercial.

O representante da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários, Ricardo Aurélio Pinto, defendeu a verba obrigatória, para dar previsibilidade ao planejamento.

Ele também ressaltou que o Brasil precisa manter serviços robustos para cumprir acordos internacionais de exportação. Para ele, a defesa agropecuária deve ter status equivalente ao de segurança nacional.

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19/04/2026 04:00h

Após aprovação na Comissão de Agricultura, proposta deve ser analisada pelas comissões de Meio Ambiente e de Assuntos Econômicos

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Produtores que preservam o meio ambiente poderão acessar benefícios fiscais, como o abatimento dos gastos no imposto de renda. O Projeto de Lei 3.784/2024, que inclui o serviço de preservação ambiental à lei do imposto de renda sobre as atividades rurais (Lei nº 8.023 de 1990), foi aprovado na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, na última quarta-feira (15).

Na prática, a matéria coloca as atividades de preservação, recuperação e reflorestamento no mesmo patamar da agricultura e pecuária, por exemplo, para as deduções previstas no pagamento do tributo. 

Relator da proposta na CRA e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) da Região Norte, o senador Alan Rick (União-AC) destacou que a medida cria um estímulo à preservação ambiental dentro das propriedades rurais. 

“Com esta medida, os produtores rurais que optem pelo regime simplificado de tributação rural poderão deduzir, de imediato, as despesas operacionais da receita bruta com serviços ambientais para apuração do Imposto de Renda. Portanto, isso resultará em menor carga tributária para aqueles que desenvolvam ações que gerem ganhos ambientais”, analisou.

O relatório do senador não propôs alterações ao texto original. Ao defender a aprovação da matéria, explicou como o benefício deve ajudar produtores que ainda não contam com mecanismos bem estabelecidos de pagamento por serviços ambientais.

“Esse é um tema que, há muito tempo, responde a um anseio do produtor rural: poder caracterizar a prestação de serviços ambientais como atividade rural para fins de abatimento no Imposto de Renda. Nada mais justo e coerente, diante de tantas obrigações que o produtor rural brasileiro tem e pelas quais sempre é penalizado”, disse.

Os imóveis rurais preservam aproximadamente 29% de toda a vegetação nativa do Brasil. Os dados constam da edição mais recente do levantamento Atribuição, Ocupação e Uso das Terras no Brasil, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apresentada no ano passado. Ao todo, isso representa 246,6 milhões de hectares. 

Tramitação

Com a aprovação na CRA, o texto segue agora para análise na Comissão de Meio Ambiente (CMA) e para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Se também receber pareceres positivos nessas comissões, o texto segue direto para análise no plenário da Câmara dos Deputados, já que tramita em caráter terminativo.

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14/04/2026 04:30h

Proprietários devem localizar, resgatar e realocar espécies nativas e sem-ferrão para que sobrevivam à transferência

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Abelhas-sem-ferrão devem ser resgatadas antes do desmate das áreas onde são nativas. A obrigatoriedade está prevista na norma publicada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) na última quinta-feira (9) e passa a valer em 180 dias, ou seja, a partir de 6 de outubro.

A nova regra determina que, sempre que houver autorização para desmatamento, o responsável deve localizar, resgatar e realocar as colônias encontradas na área. O processo inclui busca ativa antes e durante a retirada da vegetação, transporte adequado e destinação para áreas semelhantes da origem, seguras ou instituições autorizadas.

Para impedir que a prática vire atividade econômica irregular, também fica proibida a comercialização das colônias resgatadas. Os enxames ainda devem ser monitorados por, pelo menos, seis meses após a realocação, para verificar se sobreviveram. Todo o processo deve ser documentado e informado aos órgãos ambientais.

Ficam isentas do cumprimento das regras pequenas propriedades rurais, áreas em recuperação de solo (pousio) e atividades de manejo florestal sustentável.

O objetivo, segundo o texto, é reduzir os impactos ambientais e garantir a sobrevivência das espécies. O prazo de 6 meses para entrada em vigor da norma foi estipulado para a adaptação de empreendedores e órgãos ambientais às exigências.

Adaptação

Para a Confederação Nacional de Municípios (CMN), a nova regulamentação representa um avanço do ponto de vista da proteção da biodiversidade. Abelhas, especialmente as nativas, são essenciais para o controle e estabilidade do ecossistema, por serem responsáveis pela polinização da flora e, consequentemente, pela fauna que se alimenta dessas plantas.

Por outro lado, a entidade alerta que a medida amplia as responsabilidades das prefeituras. A implementação da resolução exigirá que as administrações regionais revisem procedimentos e fluxos de análise.

A orientação do CNM é que os municípios iniciem o quanto antes a avaliação dos impactos da medida em suas rotinas administrativas. A antecipação desse debate é considerada fundamental para evitar dificuldades na aplicação da norma e garantir maior segurança na atuação dos gestores municipais.

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07/04/2026 04:25h

A irregularidade das chuvas e as altas temperaturas também limitam o potencial produtivo das lavouras

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A safra de verão 2025/2026 na Região Sul do Brasil tem sido marcada por desafios causados por uma queda de braço entre a produtividade e o clima. Sob a influência do fenômeno La Niña, que historicamente reduz o volume de chuvas na parte meridional do país, produtores gaúchos, catarinenses e paranaenses enfrentam um ciclo de chuvas mais irregulares e a redução dos acumulados em relação às taxas normais para o período, impactando boa parte da safra.

O monitoramento do Inmet indicou que, apesar das dificuldades, o centro-sul e leste da região ainda conseguiram volumes pontuais de até 457,4 mm em estações como Morretes (PR), devido a instabilidades locais, contrastando com o quadro geral de seca imposto pelo fenômeno de larga escala.

No Rio Grande do Sul, o impacto do fenômeno foi sentido com maior rigor. O estado registrou volumes de chuva consideravelmente inferiores à média histórica durante meses cruciais para o enchimento de grãos. Embora fevereiro de 2026 tenha apresentado uma leve melhora em relação a janeiro, as precipitações ocorreram de forma concentrada, mantendo períodos prolongados de solo seco. Esse cenário de escassez hídrica severa resultou em perdas irreversíveis na produção de soja, especialmente nas regiões oeste e noroeste do estado, onde o armazenamento de água no solo caiu para níveis críticos.

Em Santa Catarina, a irregularidade das chuvas também impôs desafios severos às colônias agrícolas. No extremo oeste catarinense, os acumulados de chuva ficaram abaixo de 150 mm, o que limitou o potencial produtivo das lavouras de primeira safra. As temperaturas máximas médias elevadas, que em algumas localidades superaram os 33 °C , aceleraram a evapotranspiração, reduzindo rapidamente a reserva hídrica disponível. O cenário só não foi mais grave devido a pancadas de verão isoladas que, embora intensas em curto período, garantiram uma sobrevivência mínima em áreas do centro-leste do estado.

No Paraná, o panorama apresentou maior contraste regional. Enquanto o centro-sul e o leste paranaense conseguiram manter níveis satisfatórios de armazenamento de água no solo (acima de 70%), beneficiando a maturação e colheita, as porções oeste e noroeste sofreram com a influência direta do tempo seco. Em Marechal Cândido Rondon, por exemplo, as temperaturas máximas chegaram a médias de 34,4 °C, intensificando o estresse térmico sobre as plantas. O tempo firme, se por um lado agilizou a entrada das colheitadeiras no campo, por outro, limitou drasticamente o estabelecimento inicial das culturas de segunda safra.

La Niña

O fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, foi o principal motor dessa dinâmica. Mesmo em fase de transição para a neutralidade climática no final do primeiro trimestre de 2026, os efeitos residuais da seca acumulada durante o verão deixaram um rastro de prejuízos.

O Inmet aponta que a baixa trafegabilidade e as janelas de plantio apertadas para a safrinha são consequências diretas desse ciclo, exigindo que o agricultor sulista adote, cada vez mais, estratégias de manejo de solo e seguro agrícola para mitigar a volatilidade climática que se tornou a marca desta temporada.

 

As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

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06/04/2026 04:30h

Elevação das temperaturas e mudanças no regime de chuvas deve gerar mais doenças e perda de produtividade nas hortas

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A maior intensidade do El Niño deve prejudicar a horticultura brasileira em 2026. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), o novo cenário climático para este ano tende a ampliar riscos e exigir um nível ainda maior de planejamento técnico, leitura regional do clima e gestão de custos.

As projeções indicam temperaturas médias mais elevadas ao longo do ano e mudanças no regime de chuvas a partir do inverno, com efeitos diferenciados dentre as regiões do país. Como consequência, produtores devem perceber intensificação de problemas fitossanitários, aceleração de ciclos e comprometimento da qualidade, especialmente quando associadas ao excesso de umidade. Em áreas com menor disponibilidade hídrica, o custo e a viabilidade da irrigação tornam-se fatores centrais para a manutenção da produção.

Nem mesmo os ganhos de produtividade compensam as perdas. A experiência recente mostra que o aumento de oferta, a perda de qualidade e a maior pressão sobre os custos podem pressionar a rentabilidade do produtor, como evidenciado ao longo de 2025.

Prevenção

Com esse cenário, a prevenção e o planejamento são as estratégias mais eficazes. O monitoramento climático contínuo, o manejo mais preciso, o escalonamento de plantios e a avaliação criteriosa de riscos serão determinantes para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade na horticultura brasileira em 2026.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que não há um efeito único sobre todas as frutas e hortaliças. Os impactos do El Niño variam conforme a cultura, a região e o sistema produtivo.

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05/04/2026 04:00h

Normas do CMN passaram a valer no dia 1º com travas para empréstimos a produtores com desmatamento na Amazônia

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pediu o adiamento das novas exigências ambientais para financiamentos a produtores rurais. As regras impostas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) passaram a valer a partir de 1º de abril e travam a concessão de novos financiamentos agrícolas aos produtores da Amazônia Legal que tiverem áreas desmatadas após 31 de julho de 2019 de forma irregular.

A base de dados utilizada é o Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). A ferramenta emite alertas de desmatamentos de corte raso ocorridos em extensões superiores a 6,25 hectares na região. Para a bancada, no entanto, não há distinção entre desmates legais e ilegais.

No ofício enviado aos ministros do CMN, a FPA entende que o Prodes apresenta ainda "imprecisões de georreferenciamento, o que pode gerar restrições indevidas inclusive para produtores regulares".

A medida é vista como uma fonte de insegurança jurídica e econômica porque há produtores que conseguem licença para realizar desmatamentos, obtêm crédito rural após análise ambiental dos bancos, e ainda assim podem depois ser impedidos de acessar financiamento por causa da nova resolução.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além das limitações técnicas, a norma transfere ao sistema financeiro a responsabilidade de exigir dos agricultores verificações ambientais para a liberação da operação.

Isso tende a ampliar a insegurança jurídica das operações e elevar os custos operacionais, sem necessariamente garantir maior efetividade na política de proteção ambiental.

Postergação

A demanda da FPA é de que a aplicação da regra seja postergada por "ao menos" seis meses. Até lá, as autoridades ficariam encarregadas de desenvolver mecanismos considerados mais precisos e confiáveis para a verificação de desmatamentos ilegais, incluindo procedimentos simplificados que permitam ao próprio produtor comprovar a regularidade ambiental da área.

Defesa

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), as identificações do Prodes indicam apenas a interseção entre as bases geoespaciais utilizadas na análise. A avaliação quanto à conformidade legal depende da consideração de fatores adicionais, como autorizações válidas e o contexto jurídico da área. Ademais, a pasta assegura que a metodologia adotada apresenta consistência espacial, transparência nos critérios e padronização dos resultados. 

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31/03/2026 04:30h

Colegiado aprova Relatório do PL 4.812/2025 para adaptar o tecnologias no campo

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A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou, na última quarta-feira (25), o relatório do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) ao Projeto de Lei 4.812/2025, que estabelece um novo marco legal para o trabalho rural no país.

A proposta, entre outros pontos, revoga a legislação vigente desde 1973 e consolida, em um único texto, normas sobre as relações de trabalho no campo. O projeto tem 221 artigos e trata de temas como contratos, jornada, saúde e segurança, negociação coletiva e fiscalização.

O texto, de autoria da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), também cria a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, com previsão de ações de capacitação e incentivo à adoção de tecnologias no setor.

Para Zequinha, o parecer aperfeiçoa a proposta para garantir sua aplicação prática no campo. Entre as mudanças, o relatório retira ou modifica dispositivos considerados de difícil execução no campo, como regras sobre teletrabalho,  indenização ao fim de contratos de safra - por considerá-la incompatível com a natureza temporária desse tipo de vínculo - e exigências administrativas em ambientes com limitações logísticas.

O projeto prevê ainda a criação de instrumentos como um programa de gerenciamento de riscos no trabalho rural e comissões internas de prevenção de acidentes e assédio, além de regulamentar modalidades de contratação, como trabalho intermitente, temporário e por safra.

A proposta segue agora para as comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Serviços de Infraestrutura (CI) da Casa. Por ter caráter terminativo, se aprovada, poderá ser encaminhada diretamente à Câmara dos Deputados, sem necessidade de análise pelo plenário do Senado.

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29/03/2026 04:00h

Fenômeno deve provocar seca no Norte e Nordeste e excesso de chuvas no Sul, com reflexos diretos na produção agrícola

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A possível formação do El Niño em 2026 acende um alerta para o setor agrícola brasileiro. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), há 62% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre junho e agosto, com chances superiores a 80% até o fim do ano.

Antes disso, a tendência é de transição da atual La Niña para uma condição de neutralidade entre março e maio, com mais de 90% de probabilidade. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, influenciando padrões climáticos em várias partes do mundo. No Brasil, os efeitos são distintos entre as regiões.

No Norte e Nordeste, além de parte do Centro-Oeste e Sudeste, o fenômeno costuma reduzir as chuvas e aumentar a frequência de períodos de estiagem. Esse cenário pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho, principalmente em sistemas de sequeiro.

Já na Região Sul, o El Niño está associado ao aumento das chuvas, especialmente durante o inverno e a primavera. Embora isso possa favorecer a disponibilidade hídrica, o excesso de umidade no solo pode causar encharcamento, dificultar o manejo agrícola e favorecer doenças fúngicas.

Para culturas de inverno no Sul, como os cereais, os meses mais críticos costumam ser setembro e outubro, quando há maior volume de chuvas. Nessas condições, fases importantes como floração e enchimento de grãos podem ser comprometidas, reduzindo a produtividade e a qualidade das lavouras.

Na safra de verão, os impactos variam. Enquanto o déficit hídrico no Norte e Nordeste pode dificultar o estabelecimento das lavouras, no Sul o excesso de chuva pode atrasar o plantio e prejudicar a colheita.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno, se confirmado, deve influenciar principalmente o final do inverno e a primavera de 2026. Os impactos, no entanto, também dependem de fatores como a intensidade do evento e as condições dos oceanos Atlântico Tropical e Sul.

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24/03/2026 15:45h

Modelo reúne Embrapa, universidades e associações de produtores para transformar conhecimento em resultados concretos no campo

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) inaugurou a nova Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) da Baixada Cuiabana, no município de Nossa Senhora do Livramento (MT). O espaço reúne diversas instituições de pesquisa que compartilham a infraestrutura e recursos humanos e financeiros em prol do desenvolvimento da atividade agropecuária nas comunidades rurais do estado.

A abertura do local contou com a participação do ministro da pasta, Carlos Fávaro, e da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá. Fávaro destacou o papel da comunidade local para a definição das prioridades e as melhorias que devem surgir da iniciativa. “Nós começamos as visitas nos municípios para ver onde e como deveria ser feito para mudar a condição econômica, transformar isso em oportunidade e melhoria de vida das pessoas aqui na Baixada Piratuba. E quando aprofundamos, depois de todo o diagnóstico, o direcionamento, sabendo o que deveria ser feito, elencar as prioridades, porque governar é escolher as prioridades dentre tantas propostas, nós fomos escolhendo o que era mais importante”, afirmou.

A unidade está instalada em uma área de cerca de 200 hectares e faz parte da estratégia do Mapa de promover a inovação e o fortalecimento da agricultura familiar em uma das regiões estratégicas de Mato Grosso. O local recebeu investimentos de cerca de R$ 53 milhões para ser referência em pesquisa agropecuária aplicada, desenvolvimento sustentável e promoção da segurança alimentar.

O ministro, que está de saída da pasta para concorrer às eleições de outubro, relembrou do próprio passado para demonstrar que entende as necessidades das políticas públicas de fomento chegarem aos produtores rurais. “Eu não poderia perder a oportunidade de ter a caneta de ministro e não fazer nada para a agricultura familiar do estado, só porque eu não sou ministro do Desenvolvimento [Agrário]. Eu não sairia deste ministério com a minha consciência em paz. Eu que saio de uma pequena propriedade, de um pequeno sítio, que sentia a ausência do poder público estender a mão, principalmente, aos pequenos produtores”, frisou.

A presidente Silvia Massruhá ressaltou a importância estratégica da medida e o papel da ciência para o desenvolvimento regional. “Essa inauguração é muito mais do que a entrega de um espaço físico. É a presença da ciência na Baixada Cuiabana, levando conhecimento, tecnologia e soluções para os produtores rurais”, celebrou.

Ela também enfatizou o potencial da unidade para fortalecer a agricultura familiar, representando um espaço de transformação. “Esse é um ambiente que vai além da pesquisa. É um espaço que promove desenvolvimento, gera oportunidades e contribui diretamente para a segurança alimentar, que é uma questão central para o Brasil e para o mundo”, concluiu.

Inovação

A ocasião marcou ainda a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que cria um núcleo de inovação agropecuária na Baixada Cuiabana. O tratado foi assinado pelo o Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no estado de Mato Grosso (SFA-MT), a Embrapa e outras instituições estratégicas, como a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e Mato Grosso (Senar-MT).

O objetivo é consolidar a região como um polo de conexão entre ciência, governo e setor produtivo para transformar conhecimento em resultados concretos no campo. A iniciativa integra pesquisa, assistência técnica e formação, para desenvolver e levar tecnologias diretamente aos produtores rurais, impulsionando produtividade, sustentabilidade e geração de renda. O acordo também estabelece uma governança colaborativa entre os parceiros, fortalecendo a atuação conjunta e a sustentabilidade das ações.

Umipi

A unidade mista é um arranjo institucional de atuação no qual há cooperação entre instituições por meio do compartilhamento de infraestrutura e recursos humanos e financeiros. Iniciado em 2012, esse modelo permite expandir a atuação da Embrapa e demais instituições parceiras, sem a necessidade da criação de novos centros de pesquisa com estrutura completa. 

Com a inauguração da Unidade Mista em Mato Grosso, a Embrapa passa a contar com nove Umipis no Brasil e ainda uma no Uruguai, implantada em 2025 em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária do Uruguai (Inia) e os ministérios da Agricultura dos dois países.

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