Máscaras

11/06/2021 10:35h

Por mais que saibamos o que pensa Jair Bolsonaro sobre, por exemplo, a pandemia da Covid-19, sempre nos surpreende quando faz discursos em eventos, nas viagens ou em conversa com seus apoiadores

Por mais que saibamos o que pensa Jair Bolsonaro sobre, por exemplo, a pandemia da Covid-19, sempre nos surpreende quando faz discursos em eventos, nas viagens ou em conversa com seus apoiadores. Foi o que aconteceu nessa quinta-feira ao usar o microfone numa cerimônia sobre novos projetos do Ministério do Turismo no Palácio Planalto.

Disse que encareceu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, uma medida que libere do uso de máscaras as pessoas que já receberam vacinas contra o coronavírus.

As reações à iniciativa de Bolsonaro foram imediatas e partiram de médicos especialistas no assunto, principalmente os infectologistas. Asseguram que, bem ao contrário do que deseja o senhor que preside o país, o uso das máscaras é fundamental para não contrair o vírus corona. Ainda mais nesse momento, quando a possibilidade da onda indiana chegue ao Brasil e aumente ainda mais o número de mortos da pandemia, que já beira 480 mil.

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14/05/2021 03:30h

A eficiência de filtração da máscara N95 foi comprovada por estudo com 227 modelos, coordenado pelo professor do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo

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Após mais de um ano de pandemia, é consenso que o uso de máscaras é um importante aliado no combate ao novo coronavírus. Mas estudos vêm mostrando diferenças consideráveis de proteção em alguns tipos de máscaras. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, avaliou a eficiência de filtração de 227 modelos vendidos no Brasil e percebeu que ela pode ser de 15%, como percebido em certos tipos de máscaras de tecido, até 98%, como avaliado em máscaras cirúrgicas e as do tipo PFF2/N95.
 
Para detalhar esse estudo e elucidar sobre os melhores tipos de proteção contra a Covid-19, o portal Brasil61.com conversou com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador da pesquisa. Paulo cita que um dos principais pontos das conclusões é que a eficiência de proteção pelos diferentes tipos de máscaras tem uma grande variação, mas que as melhores são as chamadas N95, embora custem mais.
 
“Elas têm eficiência de coleção de partículas muito boa, mas custam muito caro. Em segundo lugar, vieram as chamadas máscaras cirúrgicas. São essas máscaras que você compra na farmácia, feitas de tecido não tecido, chamado de TNT, um plástico polipropileno que tem altíssima eficiência de retenção do vírus e tem uma boa respirabilidade. Essas máscaras têm uma eficiência de 80% até 90% de retenção do vírus. E, por último, ficaram as máscaras de pano.”

Máscaras N95 x máscaras de pano

Os estudos conduzidos por Paulo Artaxo foram apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Eles utilizaram um equipamento que produz partículas de aerossol a partir de uma solução de cloreto de sódio e, após o jato de aerossol ser lançado no ar, mediu a concentração de partículas antes e depois de cada máscara.
 
“As máscaras de pano, dependendo de como você faz – se você faz com uma, duas ou três camadas –, têm eficiência de proteção da sua saúde que varia muito. Algumas máscaras de pano, muito porosas, têm eficiência baixa, só de 20% de coleta do vírus. Outras, feitas com tecido com trama mais fechada, têm uma eficiência maior, às vezes na ordem de 60% a 70%”, numera o físico.
 
Esse tipo de máscara começou a ser deixado de lado com o passar da pandemia. Porém, Paulo lembra que quem não tem condições financeiras de custear os produtos mais profissionais, não deve abandonar a já tradicional proteção de pano. “Agora, cuide para que o ajuste da máscara no seu rosto seja o melhor possível. De preferência, use aqueles clipes metálicos no nariz, porque, obviamente, em qualquer buraco que possa ter, o ar vai passar por ali sem ser filtrado.”


 
O tecido também deve ser reforçado. Segundo o professor, três camadas são essenciais. Mais ou menos do que isso pode ser prejudicial, ou atrapalhar a respiração ou deixar com baixa eficiência. “Mas você não dobra a eficiência da máscara se usa duas máscaras. Elas têm que ser confortáveis para o seu uso. E, às vezes, o uso de duas, uma em cima da outra, prejudica a respirabilidade”, lembra.
 
Paulo também ressalta que a pessoa que está de máscara em um ambiente fechado, sem circulação de ar, pode ser contaminada, independentemente do tipo de proteção que utilizar. “Sem dúvida nenhuma. O ambiente tem que ser o mais ventilado possível para diminuir a propagação do vírus. Muitos exemplos no exterior foram feitos de pessoas contaminadas que vão para o restaurante, por exemplo, e acabam contaminando cinco ou dez pessoas nas mesas próximas”, cita.


 
Assista agora à entrevista completa e exclusiva com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP:

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16/04/2021 00:00h

É preciso ficar atento à qualidade da máscara, para que ela realmente proteja contra a Covid-19

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O Brasil ultrapassou o número de 358 mil mortes por causa da Covid-19 e mais de 13 milhões de pessoas que ficaram doentes pela doença. Com a disseminação do coronavírus por todos os estados do país, o uso de máscaras é uma forma de reduzir as chances de contaminação pela doença.

A grande procura pelo equipamento de proteção individual nas farmácias e lojas especializadas, fez com que os modelos produzidos industrialmente com materiais específicos e descartáveis ficassem escassos no mercado, mesmo para os profissionais de saúde.

Por conta do aumento das dúvidas sobre a correta utilização das máscaras de proteção, qual o melhor tecido ou material de fabricação e como funciona o reuso da máscara, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desenvolveu um documento normativo de referência para orientar a sociedade.

Saiba como usar a máscara para evitar a Covid-19



A ABNT PR 1002/2020 contém recomendações de fabricação, design, desempenho e uso para as máscaras de proteção respiratória de uso não profissional, que podem ser reutilizáveis ou descartáveis. De acordo com o presidente da ABNT, Mario William Esper, as máscaras de proteção respiratória de uso não profissional podem ser produzidas a partir de diversos tecidos e disponibilizadas em diferentes formas. É recomendado atentar-se à qualidade, bem como aos requisitos mínimos de filtração e respirabilidade do produto.

“Temos alguns tipos mais utilizados para prevenir contra a Covid-19. As mais simples e eficazes, quando usadas corretamente, são máscaras cirúrgicas e a não profissional de tecido ou malha. Mas é preciso tomar cuidado para não escolher máscaras com respirador e que permita a entrada de ar, pois esse ar pode estar contaminado”, afirmou Mario Esper.

 

 

Além disso, as máscaras devem ser utilizadas pela população no dia a dia, com objetivo de proteger, evitando a contaminação pelo vírus da Covid-19. Mas não adianta apenas ter a máscara, é preciso fazer o uso da forma correta para que ela seja eficaz na proteção da pessoa. E é isso o que explica o médico infectologista, Francisco Bernardino, chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do Hospital Universitário Lauro Wanderley, que faz parte da Rede Ebserh, em João Pessoa (PB).


“A forma correta de utilizar as máscaras, é sempre proteger de maneira completa a boca e o nariz. E na medida do possível evitar o contato com a superfície externa dessa máscara, que provavelmente é a parte que fica contaminada. É importante sempre evitar esse contato das mãos com a superfície externa. E, se porventura, acontecer esse contato deve-se higienizar as mãos com água e sabão ou álcool 70%”, destacou o profissional de saúde.   

É importante lembrar que a utilização de máscara não invalida a necessidade das ações de distanciamento social e a adoção de medidas de proteção e higiene recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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27/03/2021 00:00h

Regras entraram em vigor nesta quinta-feira (25), sendo mais rígidas

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As regras de utilização de máscaras em aviões e aeroportos ficaram mais rígidas. Aprovadas pela Anvisa nesta quinta-feira (25), as normas levam em consideração o agravamento da pandemia em todo o território nacional e o surgimento de novas cepas da Covid-19.

A partir de agora, os passageiros não podem mais utilizar lenços, bandanas e máscaras de acrílico ou com válvulas. Os protetores faciais, face shield, podem ser usados, desde que a pessoa esteja com uma máscara por baixo.

As máscaras de tecido devem ter camadas de tripla proteção. A norma também informa que aquelas de uso profissional, como as cirúrgicas e as N95/PFF2, são ideais, e que todas as proteções devem cobrir nariz e boca.

Para menores de três anos de idade e pessoas com deficiências que impeçam o uso adequado, as máscaras são facultativas. 

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11/03/2021 00:00h

Cristina Albuquerque, chefe de saúde do UNICEF no Brasil, explica como pais, professores e alunos devem lidar com o uso seguro de máscaras nas escolas

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As aulas estão de volta em vários municípios pelo País, com novas regras para proteger alunos, educadores e demais profissionais do novo coronavírus. Uma das principais recomendações é o uso da máscara. Mas você sabe como é a utilização correta para cada idade?

Cristina Albuquerque, chefe de saúde do UNICEF no Brasil, explica que a máscara é um aliado importante no combate à pandemia, mas deve ser introduzida no cotidiano das crianças com cuidado. 

“Em geral, crianças de até cinco anos não devem usar máscaras também no ambiente escolar, mas isso depende das circunstâncias locais, como, por exemplo, uma determinação da autoridade sanitária local. Para as crianças de seis a 11 anos, as máscaras podem ser utilizadas, desde que supervisionadas sempre por um adulto. Para os adolescentes a partir de 12 anos, vale toda e qualquer recomendação para o adulto. Em média, nós precisamos trocar as máscaras, no mínimo, de três em três horas ou quando elas estiverem sujas ou úmidas.” 

Nessa volta às aulas, cada um faz a sua parte. Use máscara, lave sempre as mãos, mantenha a distância e siga as orientações da escola.

Saiba mais em unicef.org.br.

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02/12/2020 01:00h

Máscaras feitas com tecidos porosos como tricô e crochê não funcionam na prevenção

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Após nove meses de pandemia, mais de 6 milhões de casos da Covid-19 e quase 173 mil mortes causadas pelo vírus no Brasil, o País deu início a um processo de flexibilização do isolamento e retomada econômica. Ainda assim, gestores e profissionais da saúde recomendam que as medidas de proteção contra o coronavírus não devem ser relaxadas igualmente. Uma pesquisa do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos Estados Unidos, reuniu uma série de cuidados extras que devem ser aplicados na hora de confeccionar e escolher um dos principais equipamentos de proteção: a máscara. 

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O estudo destaca a importância de se procurar por materiais flexíveis, prendedores que se fixem atrás da cabeça, e pontua que três camadas devem proteger melhor que apenas duas. Sobre o material, a pesquisa destaca que não é necessário comprar máscaras de laboratório, como a N95, para ter segurança contra o vírus. Máscaras de tecido também protegem com eficiência.

De acordo com a infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi, é necessário ter atenção ao tipo de tecido utilizado na confecção do protetor. 

“Elas podem ser feitas em casa e podem ser feitas de tecido. O tecido ideal é o algodão e a melhor máscara, que vai proteger mais, é aquela que tem uma camada dupla. Se for possível, dá para colocar uma camada intermediária de um outro tecido, se não for possível alguns até recomendam que se coloque, por exemplo, uma folha de filtro de papel”, indica. 

A especialista explica que tecidos como crochê, tricô, renda ou outros com furinhos não servem para proteger contra o coronavírus. Segundo Raquel o tecido precisa ter uma trama mais fechada para impedir a passagem do vírus.  

Renato Kfoure, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que a máscara é o meio mais eficaz de se evitar a Covid-19 porque protege quem usa e quem se aproxima. 

“A máscara, ou qualquer método de barreira, protege tanto o indivíduo de transmitir a doença, quanto de adquirir a doença. Devemos salientar que indivíduos que estão naquela fase antes dos sintomas, chamados pré-sintomáticos, já podem ser transmissores. Além daqueles que são assintomáticos, que tem a doença e não têm sintomas e ainda assim podem transmitir”, ressalva.

Os especialistas recomendam que o indivíduo deve sempre andar com uma máscara reserva e trocar o equipamento de proteção individual a cada quatro horas. As máscaras também só devem ser utilizadas quando secas. A umidade pode ajudar o coronavírus a entrar no sistema imunológico. 

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26/08/2020 12:00h

Cada mesário receberá também um protetor de face e um frasco de álcool em gel, entre 100 ml e 200 ml

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, afirmou que, para as eleições municipais deste ano, vão ser necessárias 7,5 milhões de máscaras para os mais de um milhão e oitocentos mil mesários que devem integrar as seções eleitorais. Serão três máscaras para cada mesário, para substituição a cada quatro horas. Barroso destacou também que as pessoas que vão trabalhar nas eleições vão receber um protetor de face e um frasco de álcool em gel, entre 100 ml e 200 ml. 

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Em reunião com representantes dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), o presidente do TSE ressaltou que haverá a doação, pela iniciativa privada, de um milhão de litros de álcool em gel para a higienização das mãos dos eleitores, antes e depois de votarem na urna eletrônica, como medida preventiva à propagação do coronavírus nos locais de votação.

O ministro disse também que haverá marcadores de chão nas seções eleitorais para o distanciamento e álcool para a desinfecção de mesas e de outros espaços no local de votação. 

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11/07/2020 00:00h

Sancionada na última sexta (3), Lei 14.019/2020 agora passa a vigorar com mais vetos, publicados nessa segunda (6); presídios e estabelecimentos de cumprimento de medidas socioeducativas entram na lista de locais que não são obrigados a usar máscara

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A lei que obriga o uso de máscaras de proteção individual em locais públicos e privados acessíveis à população, sancionada na última sexta-feira (3) pela Presidência da República, sofreu mais alterações. Nessa versão, Jair Bolsonaro havia vetado a obrigação do uso de máscaras em “estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas.” A justificativa é que a imposição poderia ferir o artigo 5º da Constituição Federal, caracterizando possível violação de domicílio. Nessa segunda-feira (6), o presidente estendeu a desobrigação para presídios e estabelecimentos de medidas socioeducativas.

“É crescente o número de casos de coronavírus nos presídios brasileiros. Dispensar a exigência do uso de máscaras nesses estabelecimentos é facilitar a proliferação do vírus nas celas e nas demais áreas de convívio, uma vez que nosso sistema prisional é lotado, botando em risco também os servidores”, avalia o deputado federal, Gil Cutrim (PDT-MA). 

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são mais de 9,5 mil casos confirmados da covid-19 nos presídios brasileiros e 114 já perderam a vida desde o início da doença no Brasil. Segundo Cutrim, o esforço dos parlamentares será agora para derrubar os vetos do presidente da República. “Em nossa relatoria do PL das máscaras, queremos enfatizar que o uso delas é a melhor forma de prevenção. Vetar parte importante do seu uso em presídios, igrejas, escolas é ir contra essa eficiente forma de se proteger”, pontua.  

Na versão publicada no Diário Oficial da União dessa segunda, o representante do Executivo Federal desobriga, ainda, entidades e estabelecimentos de afixar cartazes informativos sobre a forma de uso correto de máscaras e o número máximo de pessoas permitidas ao mesmo tempo dentro do local. O veto se estendeu também à obrigação de estabelecimentos comerciais fornecerem álcool em gel e máscaras a funcionários.

“O veto do presidente da República naturalmente gera percepções distintas em panoramas distintos. Preponderantemente, há um conflito possível entre as legislações estaduais e municipais com a nova norma federal, porque havia uma expectativa de unificar a política no que se refere ao combate à doença. Mas o STF já se pronunciou a respeito da competência dos estados e municípios para tratar do assunto”, esclarece o advogado e professor de direito constitucional, André Lopes. 

Ele confirma que estados e municípios não perderam a competência em editar decretos que obriguem o uso de máscaras em locais públicos e fechados, mesmo com a sanção da lei federal. “As leis locais não perderam suas eficácias pelo advento da norma federal. No que se refere à temática da saúde, especificamente no que diz respeito a EPIs, estados e municípios podem coordenar essas ações, de acordo com a Constituição Federal”, reforça o advogado. 

O uso de máscaras ainda é obrigatório em “veículos de transporte remunerado privado individual de passageiros por aplicativo ou por meio de táxis” e “ônibus, aeronaves ou embarcações de uso coletivo fretados.” A obrigação, segundo o texto, fica dispensada no caso de “pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial.” 

Preocupação 

O deputado Dr. Zacharias Calil (DEM-GO) avalia os vetos do presidente “com muita preocupação”. “Como médico, sabemos que o distanciamento social, o isolamento e o uso da máscara são de suma importância para evitar a propagação da doença. O vírus se propaga pelas gotículas de saliva, pelo espirro, por uma série de fatores dos quais a pessoa tem que se proteger e proteger outras pessoas também”, frisa. 

Por se tratar de uma patologia ainda desconhecida, a melhor forma de evitar que a doença se propague, segundo o médico e parlamentar, é manter o distanciamento – e usar a máscara. “Seria interessante que os prefeitos fizessem a conscientização com as pessoas sobre a necessidade do uso, mesmo que não seja obrigatório”, sugere Calil. As secretarias estaduais e municipais de Saúde têm um papel importante nessa campanha, segundo o deputado. 

No estado goiano, já são quase 30 mil casos confirmados e pouco mais de 650 mortes. Desde as primeiras semanas de abril, um decreto do governo local obriga a população a sair de máscara na rua. Para o médico Zacharias Calil, o bom senso pode contar como fator positivo nessa conscientização. Mesmo que o estado ou município desobrigue o uso, é importante que a população e o comércio em geral conheçam melhor o potencial de danos do novo coronavírus. 

“Vejo como uma medida de conscientização, de prevenção e de esclarecimento, de falar sobre a importância da máscara. Pode ser um fator opcional? Pode, mas depende da aceitação, o que também é preocupante”, analisa.  

Fausto Pinato, deputado federal pelo PP de São Paulo, defende que as decisões acerca do novo coronavírus sejam tomadas a partir de embasamento científico. “Sempre defendi que toda decisão sobre a pandemia deve estar amparada na ciência – e não no achismo. Ainda não tive contato com as justificativas dos vetos, mas a meu ver não foi uma decisão embasada na ciência”, observa. 

Em relação a normas municipais e estaduais sobre o uso de máscaras e outras medidas relacionadas à doença, Pinato se mostra tranquilo, já que os tribunais reconhecem a competência dos entes. “Isso é bom, principalmente para os prefeitos, que estão mais próximos da população e entendem melhor as peculiaridades da doença. O ideal seria União, estados e municípios juntos, formando uma verticalização de comando, para que o povo tenha mais confiança nas decisões tomadas”, reflete. 

O deputado avalia a atuação do governador de São Paulo, João Dória, como “agindo dentro do que pede a ciência.” Mas, segundo ele, “deveria fiscalizar melhor”. Segundo dados oficiais, o estado já tem contabilizados 323 mil casos confirmados da doença e mais de 16 mil mortes. Só na cidade de São Paulo, já são mais de 140 mil casos e 7,6 mil mortes até 7 de julho. 

Coronavírus

Nesta terça (7), o presidente Jair Bolsonaro confirmou, em rede nacional, que foi infectado pela doença. Disse que recebeu o resultado com “naturalidade” e que teve sintomas como febre, tosse e mal estar. O Brasil já está em segundo lugar no número de casos (1,6 milhão) e já contabiliza 65,6 mil mortos.

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22/06/2020 00:00h

Falhar na confecção, no uso, na lavagem ou até no armazenamento do item pode pôr todo o trabalho por água abaixo

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De uso obrigatório na maior parte dos estados brasileiros devido à pandemia do novo coronavírus, as máscaras de proteção têm diversos tipos, tamanhos e até públicos específicos. Parece não haver muito segredo para se cuidar do item. E, de fato, não há. No entanto, isso faz com que muita gente relaxe e a proteção se torne pouco eficaz. Acaba por gerar uma falsa sensação de proteção, como já apontou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Antes de mais nada, é preciso conscientização, conforme orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades no assunto. Isso quer dizer que o cidadão deve saber qual máscara é a mais apropriada para o seu uso. 

As máscaras cirúrgicas e as do tipo N95, que rapidamente acabaram nos estoques das farmácias logo no início da pandemia, devem ser priorizadas para os profissionais de saúde, pacientes com o coronavírus, pessoas que apresentam os sintomas ou familiares que cuidam dessas pessoas. A falta desses itens é prejudicial para quem está na linha de frente de combate à Covid-19. 

É por isso que após comprovação científica de sua eficácia, o Ministério da Saúde passou a recomendar que as pessoas produzam as próprias máscaras em casa. A internet tem tutoriais aos montes de como cada cidadão pode fazer a própria máscara, mas vale se atentar para as recomendações dos órgãos oficiais. 

É o que explica Mayara Lima, professora de medicina da Unifacisa e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Biossegurança e Segurança do Paciente. “Recentemente, a OMS fez uma recomendação de que essas máscaras fossem feitas em três camadas para aumentar a eficiência no momento da respiração. As camadas podem ser duas de algodão e a mais externa de um tecido, como o poliéster, por exemplo. É preciso se atentar que ela cubra o nariz e boca e não deixe espaço nas laterais do rosto.”

Arte: Brasil 61

Dicas para o uso 

Não é só confeccionar a máscara que o problema está resolvido. Para que o item seja eficaz e impeça a propagação do coronavírus, é importante estar alerta aos cuidados básicos de uso, higienização, armazenamento e, se necessário, descarte do item. A primeira dica das autoridades é: nada de compartilhar o item. Ele é individual. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que o uso do item deve ser acompanhado de outras medidas preventivas. “É importante ressaltar que a gente higieniza as mãos antes de colocar, antes e após retirar e se durante o uso eu precisar ajustá-la e tocar na parte frontal, também preciso fazer a higienização das mãos”, orienta Mayara. 

Uma vez no rosto, nada de tocar a máscara, dizem os especialistas. O uso também não pode ser prolongado. A recomendação de tempo de troca da máscara varia entre duas a três horas, no máximo. Ou sempre que o tecido estiver úmido. 

Limpeza e armazenamento

O Ministério da Saúde recomenda deixar a máscara de molho em água sanitária por 30 minutos. Após isso, enxaguar bem com água corrente e sabão. Depois é só deixá-la secar e passá-la com um ferro quente. A última tarefa consiste em guardar a máscara em algum recipiente fechado e limpo, como um saco plástico, por exemplo. 

Embora simples, o processo de higienização da máscara após o uso e devido armazenamento pode ser cansativo, mas é fundamental para minimizar as chances de contaminação, explica Mayara. “Se a gente falha em algum passo desses, seja no momento da lavagem da máscara ou da sua utilização, aumenta muito o risco de contaminação, principalmente nesse momento, em que tem bastante vírus circulando. Seguir todos os passos é essencial para reduzir o risco de infecção pela Covid-19.  

Erros mais comuns

Mayara explica que entre os erros mais comuns envolvendo a máscara estão: o posicionamento inadequado do item (algumas pessoas não cobrem o nariz, por exemplo), a falta de higienização das mãos ao manipulá-la e o uso da máscara por mais de duas horas. “Muitas pessoas têm utilizado a mesma máscara por muito tempo. Precisa fazer a troca da máscara sempre que o tecido apresentar algum tipo de desgaste”, complementa. 

Segundo a Anvisa, o ideal é que a máscara caseira ou comprada seja descartada após 30 lavagens. Se isso não for feito, o risco de ineficiência do item aumenta. 

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Brasil
17/06/2020 11:00h

Mentorias on-line serão oferecidas até 30 de junho; no RN, 18 indústrias já conseguiram vagas para aumentar fabricação de máscaras, capotes e propés

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Na luta contra o novo coronavírus, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) lançou uma ação para apoiar empresas de todos os tamanhos que quiserem iniciar, ampliar ou adaptar as linhas de produção para fabricação de equipamentos de proteção individual (EPIs). 

De acordo com o edital, as mentorias vão até dia 30 de junho e a indústria pode receber auxílio de algum Instituto SENAI de Inovação, de Tecnologia ou de outra unidade. A duração de cada mentoria é de oito horas, com recursos de até R$ 400 mil distribuídos nas 250 vagas disponíveis. Não haverá contrapartida financeira dos participantes selecionados.

Dezoito indústrias do Rio Grande do Norte, localizadas em 15 municípios, abocanharam uma vaga nessas oficinas virtuais. As empresas selecionadas optaram pela fabricação de materiais em tecido, como máscaras comuns e cirúrgicas, capotes e propés.

“Isso vai ampliar cada vez mais a capilaridade de atuação do SENAI no combate ao novo coronavírus”, afirma o gerente regional da entidade no estado, Emerson Batista. Para ele, foi motivo de orgulho ver tantas empresas locais procurando mentoria. “A participação foi louvável. Apesar de termos uma grande massa e fama na área de confecção, não temos tantas indústrias de grande porte nesse setor”, pontua.

Com a pandemia, o gerente observa que o setor se mostrou uma área importante, mas deficitária. “Agora, pode ser um novo nicho de mercado para o futuro das empresas de confecções, independentemente de pandemia. Elas poderão se especializar na produção não só de tecido, mas de materiais hospitalares”, sugere.

Batista acredita que essa iniciativa pode, inclusive, voltar a movimentar a economia local. “Isso vai permitir que as empresas possam se capacitar, mesmo que remotamente, de maneira a gerar produtos e receitas. Dependendo do porte e das condições, elas podem negociar diretamente no mercado ou por meio de parcerias”, completa.

As empresas podem optar pela comercialização ou pela doação das peças produzidas com o apoio da equipe do SENAI. As indústrias potiguares serão atendidas no Centro de Educação e Tecnologias Clóvis Motta, em Natal, e no Centro de Educação e Tecnologias Aluísio Bezerra, em Santa Cruz. 
 

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Brasil 61