Saúde - Varíola dos macacos·17 de agosto de 2022

No Brasil, mais de 50% dos infectados pela varíola dos macacos afirmam manter relação sexual com homens

Dados do Ministério da Saúde revelam que homens representam 95% dos casos da doença no país. Apesar dos dados, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirma que não se deve cometer os mesmos erros do passado relativos à discriminação

Por Katrine Tokarski Boaventura
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Os dados mais atualizados sobre a varíola dos macacos no Brasil, também chamada de monkeypox, revelam que mais da metade dos infectados (50,7%) afirmam ter relações sexuais com homens. E 42,6% preferiram não informar sobre o comportamento sexual. Do total de 2.833 casos confirmados, 1.124 declaram ter esse comportamento sexual, 75 afirmaram manter relações com mulheres e 74 com homens e mulheres. Outros 946 não informaram.

Os homens representam 95% dos casos em território nacional e a maior parte (93,87%) tem entre 18 e 49 anos. Sobre a orientação sexual, 18,5% afirmaram serem homossexuais e 75,6% não informaram. Em todo o mundo, os dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 97,2% dos infectados são homens que fazem sexo com homens. Apesar dos dados, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirma que não se deve cometer os mesmos erros do passado relativos à discriminação.

“Essas referências feitas a homens que fazem sexo com outros homens é uma constatação tão somente epidemiológica. Já sabemos o que aconteceu na década de 1980 com HIV/Aids. Não é para discriminar as pessoas e, sim, para protegê-las”, disse o ministro em entrevista coletiva na sede do Ministério da Saúde nesta semana.

VARÍOLA DOS MACACOS: Drª Natalia Pasternak esclarece dúvidas sobre a doença

Homens representam 95% dos casos de varíola dos macacos no Brasil, diz Ministério da Saúde 

Em entrevista ao Portal Brasil 61, a Drª Natalia Pasternak, bióloga e pesquisadora da Universidade de Columbia, presidente do Instituto Questão de Ciência, autora e comunicadora científica, afirmou que não há grupo de risco específico para a varíola dos macacos. 

"Ela é uma doença contagiosa que passa de pessoa para pessoa, por contato íntimo prolongado. Então, contato de pele: se você abraça, beija, tem contato sexual, qualquer tipo de contato íntimo e prolongado, demorado - não é uma coisa rapidinha -, você pode pegar a varíola símia”, disse. 

Mesmo com a prevalência da doença entre homens, a Drª Pasternak destaca que qualquer pessoa pode ser infectada pelo vírus. “Qualquer um pode pegar. Essa doença tem sido prevalente, nesse último surto, em homens que fazem sexo com homens, por causa da presença das lesões na região genital e anal. Só por isso que temos feito um alerta mais específico para que as pessoas prestem atenção. Se você é um homem, que faz sexo com homem, tem ou teve múltiplos parceiros, parceiros anônimos, nos últimos 15 dias, então você deve redobrar a sua atenção para os sintomas dessa doença, para a presença de lesões”, conclui. 

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SOBRE

Katrine Tokarski Boaventura

Formada pela Universidade de Brasília (2000-2004), passou por redações de TV, nas emissoras TV Globo, Rede TV!, TV Brasília, SBT, Rede 21. e rádio (EBC e Agência do Rádio Brasileiro - ARB), além de trabalhos como freelancer em diferentes áreas. Doutora em Comunicação pela Universidade Brasília (2010-2014), dedicou-se a pesquisas em Comunicação e Interdisciplinaridade. No mestrado, pela mesma instituição (2007-2009), discutiu os Estudos Culturais Latino-americanos e sua influência nas pesquisas de recepção midiática. Professora de cursos de pós-graduação e graduação há mais de 12 anos, ministrou cursos de televisão e rádio para estudantes de Jornalismo e Publicidade, além de Teorias da Comunicação

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