Mineração sustentável

14/11/2022 17:45h

Entre as iniciativas, uma pesquisa do ITV-DS que visa aumentar o estoque de carbono no solo nas práticas de recuperação florestal

A Vale selecionou iniciativas bem-sucedidas de descarbonização, de recuperação de florestas e de mitigação de impactos relacionadas às mudanças climáticas, desenvolvidas nos últimos anos, para apresentar nos painéis e encontros empresariais da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 27ª, que ocorre entre 6 e 18 de novembro em Sharm El Sheikh, no Egito. 

Entre as iniciativas, uma pesquisa inédita do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) que visa aumentar o estoque de carbono no solo nas práticas de recuperação florestal, ajudando a reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera. Os pesquisadores do ITV-DS desenvolveram uma técnica que ajuda na recuperação de florestas e, ao mesmo tempo, potencializa a captura de carbono da atmosfera no solo. O estudo gerou uma solução que permite identificar marcadores moleculares capazes de quantificar genes e proteínas que favorecem o aprimoramento das práticas de manejo e, com isto, ajudam a conservar o carbono na forma orgânica, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa. A adoção da técnica desenvolvida pelo ITV prevê que, em quatro anos, o solo possa voltar a ser saudável e produtivo, com a acumulação de matéria orgânica. A partir daí, será possível mensurar a quantidade de carbono estocada no solo para viabilizar que agricultores possam comercializá-los em mercados de créditos.

A empresa apresentará também os últimos resultados do programa Powershift, que tem como objetivo buscar soluções inovadoras para substituir combustíveis fósseis por fontes limpas em suas operações de mina e ferrovia. Serão exibidos os últimos avanços das parcerias firmadas com clientes siderúrgicos. A estratégia de eletrificação dos ativos, por exemplo, já conta com a adoção de duas locomotivas de pátio a bateria nos portos da empresa em Vitória e São Luís; dois caminhões de 72 toneladas elétricos em operações de minas na Indonésia e em Minas Gerais e ainda cerca de 50 equipamentos de mina subterrânea no Canadá. Em dois anos, a empresa já assinou contratos visando soluções de descarbonização com mais de 30 clientes que representam cerca de 50% das emissões de escopo 3 da empresa. A Vale ainda apresentará o Vale Climate Forecast, uma ferramenta inédita, desenvolvida pela mineradora, que permite identificar potenciais impactos operacionais e financeiros devido às mudanças climáticas nos curto e longo prazos.

A Vale também realizou estudo de caso sobre o impacto do vazamento de metano em estratégias de produção de aço com baixo teor de carbono, além das medidas para ajudar na descarbonização da indústria siderúrgica, com a introdução de soluções na produção de aço, que incluem o minério de ferro de alta qualidade, briquetes verdes metálicos, rotas alternativas de produção e outras iniciativas. A Vale já firmou parcerias visando soluções de descarbonização com mais de 30 clientes que representam cerca de 50% das emissões do seu escopo 3. Recentemente, a Vale firmou acordos com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Sultanato de Omã para a criação de mega hubs destinados à produção de hot briquetted iron (HBI) e produtos de aço de alta qualidade a partir do uso de briquetes verdes. A estimativa é de reduzir as emissões de carbono em, aproximadamente, 60% se comparado com fornos tradicionais siderúrgicos, da rota integrada BF-BOF, que usam coque e carvão metalúrgico. 

Em 2019, a Vale anunciou a meta de reduzir suas emissões de carbono sob sua responsabilidade (escopos 1 e 2) em 33% até 2030, como primeiro passo para zerar suas emissões líquidas até 2050, em linha com o Acordo de Paris. Além disso, se comprometeu em reduzir em 15% suas emissões líquidas de escopo 3 até 2035. A meta será revista a cada cinco anos. Hoje, 98% das emissões de CO2 da Vale são provenientes da sua cadeia de valor.

Na área ambiental, a Vale comprometeu-se, em 2019, a proteger e recuperar voluntariamente mais 500 mil hectares de florestas no Brasil até 2030. Deste total, 100 mil hectares serão recuperados e outros 400 mil com foco na proteção. Neste período, já foram recuperados mais de seis mil hectares a partir de investimentos em cinco negócios agroflorestais de impacto socioambiental positivo e firmados acordos com sete Unidades de Conservação, totalizando 115 mil hectares de proteção. O Fundo Vale é quem lidera e implementa as ações desta meta, em parceria com outros veículos da Vale como a Reserva Natural Vale (RNV) e o ITV.

A meta de 500 mil hectares vai se somar aos mais de 1 milhão de hectares que a Vale já ajuda proteger no mundo por meio de ações de compensação ou voluntárias. Deste total, 800 mil hectares estão na Amazônia, onde a mineradora está presente há quase 40 anos. As seis unidades de conservação formam o chamado Mosaico de Carajás, que a empresa ajuda a proteger em parceria com o ICMBio, o órgão ambiental federal. De lá, saem mais de 60% da produção de minério de ferro da Vale, embora suas atividades ocupem menos de 2% do total do Mosaico, mostrando ser possível fazer uma mineração sustentável. A Vale tem investido em pesquisa e desenvolvimento para entender a biodiversidade do bioma por meio do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS). Nos últimos onze anos, o ITV-DS investiu US$ 141 milhões, que resultaram no apoio a 154 projetos. O instituto já mapeou 9.500 mil referências genéticas de espécimes de plantas e 3.500 de animais (códigos de barra de DNA), transformando as Cangas da Amazônia no único bioma brasileiro a ter uma flora com uma referência genética.

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09/11/2022 13:00h

Foi o que defenderam dirigentes das principais mineradoras que atuam na região, durante painel realizado na Exposibram 2022

A atividade de mineração está contribuindo para manter a floresta em pé na Amazônia. Foi o que defenderam dirigentes das principais mineradoras que atuam na região, durante painel realizado na Exposibram 2022, moderado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Estado do Pará, José Fernando Gomes Júnior.

A Vale, com mais de 40 anos de atuação na Amazônia, é a maior empresa em operação no bioma, particularmente na região do mosaico de Carajás, que tem seu epicentro no município de Parauapebas (PA) mas que inclui outros municípios como Canaã dos Carajás, Marabá, Ourilândia, todos no estado do Pará. Mas a área de influência da empresa no bioma é bem maior, se incluídas as operações logísticas, como a Estrada de Ferro Carajás, com 892 km de extensão, que atravessa boa parte dos estados do Pará e do Maranhão, ligando a mina de minério de ferro de Carajás ao porto de Ponta da Madeira, no litoral maranhense.

Atualmente, o complexo de mineração de Carajás, incluindo Serra Norte e S11D, responde por aproximadamente 60% do total da produção de minério de ferro da Vale e se caracteriza como um “modelo de mineração sustentável”, segundo Hugo Barreto, diretor de Investimento e Desenvolvimento Social da Vale, já que a atividade de extração que ocorre dentro da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca) impacta apenas 2% do mosaico. “É um modelo de mineração sustentável, convivendo com reservas indígenas e unidades de conservação. Na questão da mineração com a floresta em pé, o Brasil tem um exemplo a mostrar para o mundo”, diz Barreto.

Mas para isso, segundo ele, foram anos de aprendizado. “É a maior mina de ferro do planeta e que traz inovação, tecnologia, inteligência ambiental que permitem uma operação com maior eficiência e menor impacto”, salienta. A Vale adotou, na região, um modelo de mineração inovador que permitiu evitar o uso intensivo de caminhões fora-de-estrada, o que possibilitou diminuir a quantidade de resíduos gerados, o consumo de combustível em 70% e as emissões de gases de efeito estufa em 50%.

O beneficiamento a umidade natural também dispensa o uso de barragens e diminui o consumo de água em 93%, o que equivale ao abastecimento de uma cidade de 400 mil habitantes.

Para o diretor da Vale, essa convivência da mineração com a floresta é possível graças a uma parceria muito importante com o ICMBio e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará para o trabalho de controle e vigilância da floresta através de um modelo que combina “engenharia avançada com responsabilidade e em articulação com o poder público”.

Lembrando que a conservação do bioma Amazônia é imperativo para a continuidade do próprio negócio da Vale, Barreto informa que a empresa realiza, anualmente, quantias expressivas em projetos e programas, obrigatórios ou voluntários. Em 2021, o montante investido foi de US$ 545 milhões.

Leia a matéria completa na edição 424 de Brasil Mineral

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03/08/2022 16:04h

A iniciativa visa garantir o fornecimento do carvão vegetal como diferencial competitivo na produção de ferro-gusa

A ArcelorMittal recebeu o Prêmio ECO 2022, da Amcham (Câmara Americana de Comércio), na categoria Processos, com o case “Uso sustentável do carvão vegetal para a estratégia de descarbonização”. O projeto tem como foco a estratégia adotada nas unidades da ArcelorMittal BioFlorestas e na planta industrial de Juiz de Fora (MG), que desde 2011 utiliza o carvão vegetal produzido nas florestas sustentáveis do grupo como matéria-prima na produção de aços.

A iniciativa visa garantir o fornecimento do carvão vegetal como diferencial competitivo na produção de ferro-gusa, com excelência operacional, de forma segura, inovadora e sustentável, com foco na descarbonização do aço. 

“Globalmente, o Grupo ArcelorMittal foi pioneiro no setor ao lançar a meta de ser carbono neutro até 2050 e, como passo intermediário, reduzir em 25% suas emissões específicas até 2030. A prática apresentada comprova mais uma vez a nossa atuação de vanguarda na produção de carvão vegetal no mundo”, aponta Jefferson De Paula, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Longos e Mineração LATAM.

A ArcelorMittal tem estratégia de atuação baseada nas dez Diretrizes do Desenvolvimento Sustentável (DDS), estabelecidas a partir dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). As Diretrizes estão fundamentadas nas melhores práticas e tendências da gestão de questões sociais, econômicas e ambientais relacionadas ao negócio. 

Soluções digitais para mineração com base em IA

USIMINAS: Ebitda ajustado soma R$ 1,9 bilhão no trimestre

A edição de 2022 do Prêmio ECO recebeu 108 projetos de 86 empresas, avaliados por um time de aproximadamente 50 jurados e especialistas. No total, 28 iniciativas de 27 empresas de todos os portes e segmentos da economia foram premiadas.

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Brasil Mineral
27/07/2022 14:48h

O revestimento é denominado biofuncionalização e feito por um processo de eletrodeposição com tratamento químico.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um implante bioativo capaz de desativar vírus e matar bactérias. O dispositivo funciona com um fino filme à base de cobre, com espessura 15 vezes menor do que um fio de cabelo. O revestimento é biocompatível e previne a contaminação do material por microorganismos causadores de infecções, como a osteomielite, que afeta os ossos, e a peri-implantite, no caso de próteses dentárias. 

A fabricação de ligas metálicas biomédicas com adição de cobre e prata não é uma novidade nos meios acadêmicos, mas em vez de misturar o cobre de forma homogênea na liga, os pesquisadores propuseram uma fase de recobrimento para os implantes já em estágio avançados de fabricação. A vantagem dessa tecnologia é que não será necessário alterar a matéria-prima, que é normalmente utilizada na produção de implantes metálicos, o que torna a implementação no processo produtivo mais viável. “Os implantes metálicos bactericidas e virucidas foram feitos com titânio e ligas comerciais e, com isso, não é preciso modificar as linhas de produção da indústria. A empresa fabricante do dispositivo só precisa incorporar a nova etapa no processo de fabricação já utilizado”, diz Éder Sócrates Najar Lopes, professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM Unicamp). O revestimento poderia ser incluído, por exemplo, em implantes permanentes, como os odontológicos, que usam parafusos de titânio para substituir a raiz de dentes, e os ortopédicos.

O revestimento é denominado biofuncionalização e feito por um processo de eletrodeposição com tratamento químico. A técnica permite o beneficiamento de peças em diferentes geometrias, das mais simples às mais complexas. Para agregar o cobre na superfície dos implantes, os pesquisadores aplicaram um tratamento térmico. As peças com a cobertura metálica foram aquecidas para que as partículas da película protetora se integrassem ao titânio. “Esse cobre que está na superfície começa um processo de difusão atômica, sendo transportado para dentro do titânio. Dessa forma, o revestimento passa a fazer parte do implante”, explica o pesquisador Luiz Antônio Côco. Isso evita que o implante sofra com a corrosão ao ser colocado em contato direto com os tecidos humanos. 

Os testes realizados em laboratório simularam o ambiente de um organismo vivo, o biomaterial, que se mostrou promissor. Os implantes revestidos pelo biomaterial registraram um leve aumento de resistência à corrosão, quando comparados com as ligas sem tratamento, e não apresentaram alteração das propriedades mecânicas. Os resultados foram verificados durante o doutorado de Luiz e a tecnologia teve o pedido de patente depositado pela Inova Unicamp no INPI. Os ensaios biológicos de biocompatibilidade com bactérias e vírus foram realizados pelas equipes dos professores Augusto Ducati Luchessi e Laís Pellizzer Gabriel, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA Unicamp), e Clarice Weis Arns, do Instituto de Biologia (IB Unicamp).

Produção brasileira cai 2,8% no semestre

A Política Mineral Brasileira

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O corpo humano tem uma tolerância alta ao cobre, mas em grandes concentrações esse metal pode matar as células saudáveis. O dispositivo intrauterino (DIU) é um exemplo do uso controlado do cobre para fins médicos. Introduzido no útero, o metal contido no aparato impede o encontro do espermatozóide com o óvulo. No caso dos implantes bioativos revestidos, o objetivo é impedir que vírus e bactérias se depositem no metal. No estudo desenvolvido pela Unicamp, os pesquisadores conseguiram controlar a quantidade de cobre exposta na superfície do implante, de forma a reduzir possíveis efeitos colaterais e toxicidade às células humanas. 

Já os implantes de titânio são normalmente fixados em contato com o osso, um tecido com pouca circulação sanguínea. A baixa vascularização dificulta a chegada de remédios, como antibióticos, no caso de infecções. Nesses casos, o tratamento pode incluir a retirada do implante, com nova cirurgia. “Isso pode levar a perdas ósseas e abrir a possibilidades de novas infecções, mas se o paciente tem um implante com o revestimento bioativo você consegue reduzir esse risco”, comenta Luiz. A dição do cobre libera lentamente íons que garantem os benefícios antibacterianos de ação prolongada. O revestimento impede o crescimento de microrganismos na superfície do implante e mantêm a atividade inibitória ou destrutiva antes, durante e depois das cirurgias, diminuindo assim a probabilidade da colonização por bactérias. As peças funcionalizadas também tiveram atividade virucida comprovada após seis horas. “Esse é um ótimo resultado, pois se equipara ao do cobre puro”, afirma Eder. 

A próxima fase dos estudos prevê testar os implantes bioativos em modelos animais e humanos. Empresas interessadas em explorar a tecnologia devem procurar a Agência de Inovação Inova Unicamp para negociações. “Estamos traçando um protocolo para ensaios in vivo”, diz o professor, que busca parceiros para o projeto. “Se tivermos uma empresa que invista nos testes, podemos acelerar o processo de validação, necessário para que a tecnologia chegue ao mercado”, completa.

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13/06/2022 19:07h

O seminário vai apresentar e debater tecnologias inovadoras visando à criação de solos saudáveis a partir de rejeitos e estéreis da mineração

O Ministério de Minas e Energia (MME), por meio da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, realiza, dia 29 de junho, das 9h às 11h30, o Seminário Virtual “Criação de solos saudáveis a partir de rejeitos e estéreis da mineração”. O evento acontece no formato on-line, via canal do YouTube da Revista Brasil Mineral, apoiadora do evento. 

O seminário vai apresentar e debater tecnologias inovadoras visando à criação de solos saudáveis a partir de rejeitos e estéreis da mineração e, desta forma, facilitando a reabilitação da biodiversidade e utilização como substrato agrícola. O uso de certos estéreis e rejeitos de mina no desenvolvimento de solos saudáveis impacta também a estabilização do carbono em solos, o que possibilita mitigar as emissões de gases do efeito estufa do setor mineral. 

Outros pontos debatidos no evento serão os benefícios do planejamento – desde o início do empreendimento – para uso futuro de rejeitos e estéreis, o que permite a melhor adoção de soluções sob o ponto de vista geotécnico. As novas tecnologias têm como meta mitigar o impacto ambiental associado à mineração, além de auxiliar na estabilidade geotécnica das barragens.  

O seminário terá a participação da Agência Nacional de Mineração (ANM), Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Embrapa, Universidade de Brasília (UnB), Esalq/USP, Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Socidade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas (Sobrade) e Pimenta de Ávila Consultoria.

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27/05/2022 15:49h

A avaliação é do diretor da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), Luiz Antônio Vessani, após o término das programações da Feira da Indústria da Mineração e do 7º Encontro Nacional da Média e Pequena Mineração

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Dinamismo e crescimento farão parte do futuro das micro e pequenas minerações. É o que projeta o diretor da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) e presidente do Sindicato da Mineração de Goiás e Distrito Federal, Luiz Antônio Vessani. 

“Na realidade é um conjunto de 10 mil empresas que fazem a geração de produtos fundamentais para a sociedade, desde argila e areia para a construção civil, até argila para cerâmica, bauxita para uma série de aplicações. Nesse sentido, estamos otimistas. O setor pequeno está mostrando sua cara, o que é importante para toda a sociedade”, destacou. 

A conclusão veio após o fim da programação do 7º Encontro Nacional da Média e Pequena Mineração, e da BRASMIN – Feira da Indústria da Mineração. Os dois eventos, que ocorreram em Goiânia, começaram nesta terça-feira (14) e terminaram nesta quinta (26)

Ainda segundo Vessani, entre os pontos de maior destaque nos eventos esteve a abordagem de questões ligadas ao licenciamento ambiental. “Sempre, no setor mineral, nos últimos 20 anos, contamos com a questão do licenciamento ambiental. Trata-se de um ponto fundamental para o setor. Isso porque todos os procedimentos que existem no Brasil, começando pela Lei Federal, são muito restritivos ou abrangentes demais. E, o Licenciamento Ambiental tem um aspecto muito temeroso. Ela permite uma discricionariedade na interpretação dos projetos que apresentamos para licenciar”, considerou. 

O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral também afirmou que a BRASMIN deverá ter uma nova edição em 2023. Depois, a ideia é que a Feira da Mineração ocorra a cada dois anos. 

A programação também contou com a presença do diretor editorial da revista Brasil Mineral, Francisco Alves. Na ocasião, ele defendeu que o futuro da mineração brasileira vai passar, necessariamente, pela média e pequena mineração. Além disso, ele concluiu que a política mineral deve distinguir as grandes das médias e pequenas minerações. 

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Da forma como está, segundo Alves, os menores empreendimentos sofrem com desvantagens consideráveis. Outro ponto de destaque, na avaliação do diretor, foi a relevância atribuída aos minerais industriais e dos chamados minerais de futuro, úteis, principalmente, nos processos que envolvem mudanças climáticas. 

“O evento também mostrou boas perspectivas para o setor. As grandes empresas, um dia, também foram pequenas. E, essas pequenas empresas de hoje podem se tornar grandes empresas no futuro. O importante é saber que a pequena mineração tem esse papel relevante dentro do setor tanto quanto as gigantes”, destacou. 

Os eventos contaram com parceria da Associação de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM) e contam com o patrocínio da FFA Legal, Geosol, Metso:Outotec e o Serviço Geológico do Brasil - CPRM. Há, ainda, o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG). 

Números do setor

Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revelam que o saldo das exportações do setor mineral do país foi de cerca de US$ 49 bilhões em 2021. O resultado corresponde a um aumento de 51% em relação a 2020.  O saldo mineral respondeu por 80% do saldo comercial brasileiro no ano passado, que foi de US$ 61 bilhões. 

Minas Gerais foi o estado que contou com o maior crescimento no faturamento em 2021, de 87%. O valor passou de R$ 76,4 bilhões, em 2020, para R$ 143 bilhões no ano passado. Com isso, a Unidade da Federação passou a responder por 42% do faturamento global da indústria da mineração brasileira em 2021. Os estados que aparecem na sequência são Bahia, com 67% de aumento de faturamento; Pará, com 51%; Goiás, com 36%; Mato Grosso, com 35% de elevação; e São Paulo, 28%.

Em relação aos projetos de investimento, a expectativa é de que sejam aplicados cerca de US$ 41 bilhões até 2025, aproximadamente US$ 6 bilhões em projetos socioambientais. Outras ações devem ser executadas pelo setor até 2030, com aportes que ultrapassam US$ 18 bilhões. 

Sobre a empregabilidade, dados oficiais do Governo Federal apontam que foram geradas 14.869 vagas, entre janeiro e novembro de 2021. Com isso, no penúltimo mês do ano passado, o setor mineral contou com mais de 200 mil empregos diretos. 
 

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23/03/2022 20:50h

Documento facilita o acesso de mineradoras e produtores rurais a linha de crédito para apoio na produção e comercialização de remineralizadores

Com o objetivo de incentivar o uso dos remineralizadores de solo como recurso sustentável para a produção agrícola no País, a Prefeitura de Uberlândia (MG) firmou acordos com o Banco do Brasil e o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) durante a abertura da Feira do Agronegócio Mineiro (Femec 2022), que se realiza na cidade.  

Segundo o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, “estamos passando por um momento grave no agronegócio, que precisa de apoio, políticas públicas e inovação. Juntos podemos revolucionar o campo com o pó de rocha. O agronegócio depende de todos nós”.  

Com o Banco do Brasil, representado pelo superintendente estadual Gustavo Henriques da Rocha, o Município assinou um termo de cooperação para o desenvolvimento da cidade como Polo Agromineral Verde. Na prática, o documento facilita o acesso de mineradoras e produtores rurais a linha de crédito para apoio na produção e comercialização de remineralizadores de solo como o pó de basalto - abundante em Uberlândia. 

Já com o SGB-CPRM, que foi representado por seu diretor presidente, Esteves Pedro Colnago, foi firmada uma carta de intenções para expansão das pesquisas na região em torno das rochas ricas em minerais necessários à fertilização do solo.

"Estamos vivendo um momento ímpar para o agronegócio brasileiro e o Serviço Geológico do Brasil está comprometido em contribuir com o trabalho desenvolvido aqui em Uberlândia", disse Colnago.

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10/12/2021 14:13h

O objetivo é tornar o município referência nacional na produção e distribuição dos remineralizadores de solo no país

O prefeito de Uberlândia (MG), Odelmo Leão, lançou o marco fundamental do primeiro Polo Agromineral Verde do Brasil, com o objetivo de tornar o município referência nacional na produção e distribuição dos remineralizadores de solo no país. 

O evento celebrou a assinatura da ordem de serviço para que a Prefeitura e empresa Companhia de Promoção Agrícola e Tecnologia Campo formalizem um acordo de cooperação para novas ações no segmento.

"Uma vez que nossa cidade seja reconhecida como centro de processamento e comercialização do pó de rocha, todos sairão ganhando. Isso vai desde a questão econômica até a qualidade do alimento produzido e fornecido para a nossa população. Como polo logístico e avançado nos estudos sobre a aplicação desse recurso natural na lavoura, Uberlândia tem expertise para promover o impulso de que o setor precisa. Alavancando, assim, não só a economia local, mas de toda a região, incluindo o Noroeste mineiro", disse Odelmo Leão.

Para estabelecer Uberlândia como Polo Agromineral Verde, o prefeito apresentou, no final de outubro, junto a outros parceiros relatório técnico para que as mineradoras interessadas registrem o basalto de Uberlândia junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para processamento do pó de rocha. 

O engenheiro-agrônomo e diretor da Campo, Marcos de Matos Ramos, elencou algumas ações viabilizadas a partir do lançamento do polo. "Entre outras atividades, vamos mapear e quantificar o potencial basáltico e de outros tipos de rocha, orientar as mineradoras quanto ao registro no Mapa e atrair novas empresas, orientar o desenvolvimento de plano de negócios para a cadeia produtiva e identificar e atrair investidores", explicou.

Por ser rico em minerais, o pó de rocha auxilia na recuperação da terra da forma mais natural possível e com viabilidade econômica. No caso específico do pó de basalto, abundante no solo uberlandense, o destaque está nas concentrações de cálcio, magnésio, potássio e silício. Os estudos, conduzidos pelo município com apoio da Campo, apontam para aumento de rendimento na produção e melhora de sanidade das plantas, com maior resistência a pragas e doenças. 

O pó de rocha contribui para a otimização do uso de fertilizantes sintéticos, que encarecem os custos da lavoura. Outro ponto positivo é o sequestro de carbono, já que para cada tonelada de pó de basalto adicionada na terra, estima-se que 180 kg de CO2 deixem de ir para atmosfera, pois são fixados no solo.

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Brasil Mineral
08/12/2021 18:19h

O mapa aponta áreas mais favoráveis para a exploração mineral, a partir do processamento de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) vai lançar um novo mapa de favorabilidade para depósitos minerais com potencial para exploração de cobre e ouro entre o oeste da Província Mineral de Carajás até as províncias minerais de Tapajós e Alta Floresta, nos estados do Pará e Mato Grosso. 

O novo mapa para sistemas tipo epitermal-pórfiro do sul do Cráton Amazônico, executado na escala de 1:1.000.000, será lançado dia 9 de dezembro, a partir das 15h, no Canal da TV CPRM no Youtube, durante o evento Desenvolvendo a Indústria Mineral Brasileira, promovido pelo SGB-CPRM e Mineronegócio. 

A descoberta de depósitos de cobre-pórfiro em ambientes geológicos do Proterozóico é pouco comum em nível global. Essas ocorrências são comuns em ambientes geológicos mais recentes como na Cordilheira dos Andes. Um mapa de favorabilidade mineral é o resultado da avaliação de potencial mineral de uma determinada região para uma determinada substância. 

O mapa aponta áreas mais favoráveis para a exploração mineral, a partir do processamento de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos, ranqueando-as em termos da sua prospectividade.

O cobre representa 7,9% da produção mineral comercializada no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), mas o País detém apenas 1,8% dos recursos conhecidos globalmente. O modelamento de potencial mineral para o sul do cráton amazônico executado pelo SGB-CPRM mostrou que, além das áreas conhecidas no Tapajós e Alta Floresta, ainda há grande potencial para novas descobertas de cobre e ouro em outras regiões. 

“Os produtos do programa Cobre Brasil podem contribuir para a descoberta de novos depósitos. O mapa aborda tanto áreas conhecidas pelo seu potencial exploratório como regiões pouco exploradas, mas com alto potencial para os mesmos sistemas mineralizantes. O produto permite a delimitação de alvos para estudos de maior detalhe, que eventualmente podem levar à descoberta de novos depósitos minerais na região no médio-longo prazo”, explicou o pesquisador do SGB-CPRM, Divisão de Geologia Econômica, Felipe Tavares. 

A delimitação de novas áreas potenciais com as mesmas características geológicas-geoquímicas-geofísicas das áreas conhecidas foi executada pelos pesquisadores Rafael Bittencourt Lima, Raul Eigenheer Meloni, Isabelle Serafim, Wilson Lopes e Anderson Dourado Rodrigues da Silva. 

O mapeamento de potencial mineral foi executado a partir de modelamento espacial de dados, sob a ótica dos sistemas mineralizantes, no qual a distribuição dos depósitos em nível regional é controlada por critérios geológicos mapeáveis, conforme explica Rafael Bittencourt Lima, chefe do projeto. O conjunto de mapas evidenciais é transformado por operações de álgebra de mapas, utilizando-se metodologias como multiclass overlay e lógica fuzzy. 

“As metodologias de modelamento de potencial mineral e de processamento de dados aplicadas possuem diversas inovações desenvolvidas pelo time de pesquisadores e pesquisadoras da SGB. O desenvolvimento de novas metodologias de processamento de dados aerogeofísicos usando algoritmos de aprendizado por máquinas e inteligência artificial são um exemplo”, avaliou Rafael.

Para o diretor-presidente do SGB-CPRM, Esteves Colnago, o novo mapeamento é importante para o desenvolvimento regional e proporcionará um aumento na atividade de exploração mineral em curto e médio prazos, empregos diretos e indiretos em áreas distantes de grandes centros urbanos, além de desenvolvimento econômico e social do interior do país. “Também há o incremento na arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais, contribuindo para a arrecadação fiscal nacional. Caso parte dos projetos de exploração se viabilize como mina, os ganhos em termos de desenvolvimento serão imensos em longo prazo”, ressaltou.

O lançamento representa o primeiro produto do Programa Cobre Brasil, desenvolvido pelo SGB-CPRM para contribuir com a expansão das fronteiras exploratórias para cobre e metais associados. O produto envolve vários projetos de modelamento de potencial mineral com o objetivo de desenvolver mapas de favorabilidade para cobre e metais associados em escalas regionais. 

Outros produtos do Programa Cobre Brasil possuem entregas escalonadas para os próximos cinco anos. “Diversas estratégias de mapeamento de recursos minerais foram aplicadas de forma a se chegar ao produto final. Os resultados também serão apresentados na forma de um artigo científico, que irá contribuir para o avanço da metodologia de modelamento de potencial mineral de sistemas minerais pré-cambrianos”, finalizou Felipe Tavares.

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16/11/2021 17:25h

O projeto que aumenta eficiência e reduz a emissão de carbono, é um dos ganhadores do Wind Propulsion Innovation Awards

O projeto da Vale para a criar o primeiro mineraleiro de grande porte do mundo equipado com sistema de velas rotativas (rotor sails) ganhou o Wind Propulsion Innovation Awards, premiação anunciada pela International Windship Association em Glasgow, na Escócia, durante evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26). 

A organização, que estimula globalmente o uso de propulsão a vento na navegação comercial, concedeu à Vale o prêmio na categoria destinada às empresas que fomentam a adoção deste tipo tecnologia por meio de protótipo ou uso comercial - desde maio, a frota de navios a serviço da empresa conta com um Guaibamax equipado com as velas rotativas.

Vale e BNDES fecham parceria para projeto que irá investir R$ 500 milhões em recuperação de florestas

Cimento: vendas caem 9,5% em outubro

Alumínio: CBA bate recorde de receita a R$ 2,3 bi no trimestre

No total, 84 nominações foram submetidas a um painel formado por membros da indústria, academia, apoiadores da tecnologia de propulsão a vento e pessoas ligadas às áreas de energia e sustentabilidade. A Vale foi vencedora em uma das quatro categorias que foram abertas à votação do público. Segundo os organizadores, foram reconhecidos projetos pioneiros, tecnologias inovadoras, pessoas e empresas que estão fazendo a diferença no avanço da propulsão a vento como uma opção eficiente de baixo carbono e sustentável para a frota comercial de navegação.

“Essa escuta ativa e engajamento com a sociedade é muito importante, e não só reconhece o nosso trabalho dos últimos anos, mas principalmente nos envia uma mensagem forte de como a agenda de mudanças climáticas e a transição para um mundo de baixo carbono é importante e como devemos ser parte da solução”, afirma o gerente de engenharia naval da Vale, Rodrigo Bermelho.

As velas rotativas são rotores cilíndricos, com quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura — equivalente a um prédio de sete andares. Durante a operação, os cinco rotores giram em diferentes velocidades, dependendo de condições ambientais e operacionais do navio, para criar uma diferença de pressão de forma a mover o navio para a frente, a partir de um fenômeno conhecido como efeito Magnus. 

Ainda em fase de testes, as velas rotativas podem oferecer um ganho de eficiência de até 8% e uma consequente redução de até 3,4 mil toneladas de CO2 equivalente por navio por ano. Caso o piloto mostre-se eficiente, estima-se que pelo menos 40% da frota esteja apta a usar a tecnologia, o que impactaria em uma redução de quase 1,5% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro da Vale.

Meta Carbono

O projeto de utilização das velas rotativas faz parte do Ecoshipping, programa criado pela área de navegação da Vale para atender ao desafio da empresa de reduzir suas emissões de carbono, em linha com o que vem sendo discutido no âmbito da Organização Marítima Internacional (IMO). No ano passado, a companhia anunciou um investimento de pelo menos US$ 2 bilhões para reduzir em 33% suas emissões de escopos 1 e 2 até 2030. Anunciou ainda que irá reduzir em 15% as emissões de escopo 3 até 2035, relativas à cadeia de valor, das quais as emissões de navegação fazem parte, já que os navios não são próprios. As metas são alinhadas com a ambição do Acordo de Paris.

Em agosto deste ano, a Vale recebeu o primeiro navio Guiabamax com air lubrication instalado. A tecnologia cria um carpete de bolhas de ar na parte de baixo do navio, permitindo reduzir o atrito da água com o casco. Expectativas conservadoras apontam para uma redução de combustível em torno de 5 a 8%,
com potencial de redução de 4,4% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro da Vale.

Eficiência

Com a adoção de novas tecnologias e renovação de sua frota, a Vale tem investido fortemente para incorporar o estado da arte em termos de eficiência e de inovação ambiental na área de navegação. Desde 2018, a empresa opera com Valemaxes de segunda geração e, desde 2019, com os Guaibamaxes, com capacidade de 400 mil toneladas e 325 mil toneladas, respectivamente. Essas embarcações estão entre as mais eficientes do mundo e conseguem reduzir em até 41% as emissões de CO2 equivalente se comparadas com as de um navio capesize, de 180 mil toneladas, construído em 2011.
 

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Brasil 61