Hospital

15/07/2021 12:40h

Apenas 3 estados e o DF estão na zona de alerta crítico, diz Fiocruz

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O avanço da vacinação continua a reduzir a internação de pacientes com Covid-19 em unidades de terapia intensiva (UTIs) no país e, pela primeira vez desde dezembro de 2020, nenhuma unidade da federação está com mais de 90% desses leitos ocupados. O dado consta do Boletim Observatório Covid-19, divulgado nesta quarta (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo os pesquisadores da instituição, a vacinação tem feito diferença e traz reflexos positivos ao quadro pandêmico à medida que é ampliada.

O boletim mostra que quatro unidades da federação permanecem na zona de alerta crítico, com mais 80% dos leitos ocupados. A pior situação é a de Santa Catarina (82%), seguida por Goiás (81%), Paraná (81%) e Distrito Federal (80%).

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Os pesquisadores avaliam que a imunização tem feito a diferença para a queda dos percentuais, mas alertam que as vacinas têm capacidade limitada de bloquear a transmissão do vírus, que continua a circular de forma intensa

O relatório destaca ainda que os indicadores de incidência e mortalidade da Covid-19 no país estão em queda pela terceira semana seguida. Apesar disso, a pandemia mantém patamares altos, com média de mais de 46 mil novos casos e 1,3 mil óbitos diários nos últimos sete dias.
 

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Saúde
17/06/2021 04:00h

Só nos quatro primeiros meses deste ano na UTI de queimados, 17 das 41 admissões foram por acidentes envolvendo a substância.

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A pandemia de Covid-19 fez com que aumentasse o uso de álcool, tanto líquido quanto em gel, no ambiente doméstico. Isso fez com que subisse também o número de queimaduras graves causadas pelo inflamável, questão que tem preocupado a equipe da Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, em Minas Gerais, um dos centros de referência no País para esse tipo de atendimento.
 
Os dados de admissão em enfermaria e em terapia intensiva, em 2020 e 2021, demonstram a gravidade das queimaduras causadas por álcool. Só nos quatro primeiros meses deste ano, a unidade recebeu 138 pacientes, sendo 40 por queimaduras causadas por álcool, quase 30% das internações. Já na UTI de queimados, nesse mesmo intervalo de tempo, 17 das 41 admissões foram por acidentes envolvendo a substância. Ou seja, mais de 40% das internações graves, neste ano, ocorrem em razão da má utilização do produto.
 
Segundo a cirurgiã plástica e coordenadora do serviço, Kelly Danielle de Araújo, os acidentes domésticos mais comuns acontecem com crianças.  No caso do álcool, há diversos casos em que a criança higieniza as mãos e coça os olhos logo em seguida, o que pode causar queimadura química na córnea. Ela alertou como prevenir isso. “Dentro de casa não precisa ter álcool, a Anvisa já emitiu uma nota que água e sabão são eficazes para lavar as mãos e os saneantes comuns de limpeza também resolvem a limpeza”, disse. 

 

Mais da metade das queimaduras atendidas no Hospital João XXIII, considerando tanto os casos graves quanto os que nem sempre exigem internação, são causadas por contato com líquidos muito quentes, as chamadas escaldaduras. Em 2020, dos 1.537 atendimentos a queimados na unidade, 922 foram em decorrência desse tipo de acidente. Desse total, 181 foram com crianças de 0 a 11 anos.

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Com o isolamento social, a precaução deve ser aumentada. O cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), José Adorno, destacou que em grande maioria esses acidentes podem ser evitados.  “Evitar que as crianças fiquem na cozinha ou perto do fogão. Os idosos que também são acometidos porque vão lidar com situações de preparo de alimentos e acaba acontecendo acidentes. Então há uma série de medidas que é importante que todos entendam, que é importante ter essa consciência para que se evite as queimaduras”, afirmou.

Junho laranja

Promovido pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o Junho Laranja visa à conscientização da população e das autoridades quanto à prevenção de acidentes com queimaduras. Neste ano, o tema da campanha é “Álcool e fogo: mantenha distanciamento. Contra queimaduras, a prevenção é a vacina”. 
 
De acordo com a organização, no Brasil, são cerca de 150 mil internações por ano em razão de queimaduras. Desse total, em média, 30% são crianças. Prédios públicos estão sendo iluminados com a cor laranja em razão da data, entre eles, o Hospital João XXIII, Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII) e o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). 

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Saúde
26/05/2021 03:00h

Quadro pode representar um sinal de alerta, tendo em vista que o glaucoma é a principal causa de cegueira evitável

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No Brasil a procura por exames para detecção precoce de glaucoma sofreu uma queda significativa e o motivo pode estar relacionado aos receios impostos pela pandemia da Covid-19. Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) revela que essa redução chegou à marca de 30%. O quadro pode representar um sinal de alerta, tendo em vista que a enfermidade é a principal causa de cegueira evitável.

Essa atenção é destacada no mês em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio. A médica oftalmologista, Keila Prado, entende que essa redução causa uma preocupação, já que o glaucoma é uma doença que, quanto mais cedo for diagnosticada, melhor serão os resultados do tratamento.

“É importante o isolamento e se ter os cuidados, mas as consultas de rotina não podem deixar de ser feitas. Os médicos têm tomado bastante cuidado com a higienização dos consultórios e diminuído o número de pacientes agendados, o que reduz mais a chance de ter aglomeração. É preciso ter cuidado, mas não podemos negligenciar essa visita periódica ao médico”, considera.

Ainda de acordo com o CBO, “quase 1,6 milhão de exames com essa finalidade diagnóstica deixaram de ser feitos somente no Sistema Único de Saúde (SUS)”. O conselho revela, ainda, que, pelo menos 6,7 mil procedimentos cirúrgicos que poderiam reverter e tratar a doença, também deixaram de ser feitos no ano passado.

Jatobá Queiroz, de 49 anos, reforça a importância de se procurar exames para detecção precoce de glaucoma. Ele conta que perdeu a visão total por consequência da doença quando tinha 21 anos de idade. Para o morador de Brasília, as pessoas não podem relaxar quanto a essa questão, pois o glaucoma pode se tornar um problema maior quando menos se espera.

“O glaucoma é muito silencioso. Ele vai dia após dia destruindo o nervo óptico, impedindo a oxigenação, e quando a gente se dá conta, já está sem enxergar completamente. Infelizmente o glaucoma é traiçoeiro e os cuidados não podem ser deixados para depois”, relata.

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Queiroz também diz que, apesar da limitação, tem levado uma vida tranquila. Ele consegue fazer as atividades do dia com certa destreza, com ajuda de ferramentas que facilitam a mobilidade. Apesar disso, ele chama a atenção para a necessidade de o poder público voltar mais os olhos para políticas que facilitem a vida das pessoas com deficiência.

“Em relação ao poder público, fica a expectativa de que a gente consiga acessibilidade no dia a dia para caminhar nas calçadas, que tenha mais rampas de acesso, enfim, mais acessibilidade. De resto, é só agradecer a Deus por tudo e continuar a caminhada”, pontua.

Dados apontados pela entidade também mostram que essa baixa prejudicou a análise de possíveis casos novos da doença. A situação provoca atraso no tratamento e o acompanhamento de casos confirmados, que exigem monitoramento para evitar o agravamento.

Situação por região

Ao se considerar os números do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS, o CBO destaca que em todas as regiões do Brasil foi notada redução na quantidade de exames preventivos para glaucoma. No estado de São Paulo, por exemplo, foram 348,6 mil exames a menos. Já na Bahia, a diminuição ficou em 202,4 mil exames, enquanto no Rio Grande do Sul o registro foi de 122,5 mil exames a menos.

Em termos percentuais, a queda foi maior nos estados do Amazonas e Piauí, onde a baixa foi de 67%. No Acre, por sua vez, o recuo foi de 64%. O estudo aponta também que nas capitais a quantidade de exames sofreu queda em 542.238. O resultado representa uma redução de 33%, na comparação com 2019.

O que causa glaucoma?

O glaucoma é uma doença causada, principalmente, pela elevação da pressão intraocular. Esse aumento provoca lesão no nervo óptico e, consequentemente, acarreta comprometimento da visão.

A médica oftalmologista, Karla Caetano, explica que não há prevenção contra o glaucoma. No entanto, ela afirma que é possível evitar a cegueira decorrente da doença.

“Quem faz o tratamento precocemente e o acompanhamento adequado, pode evitar a cegueira. Os pacientes que precisam de uma atenção maior são os com idade acima de 40 anos, também os que têm histórico familiar de glaucoma, os que fazem uso de colírio corticoide prolongado ou com traumas oculares”, destaca a especialista.

Outra causa possível da doença é alteração no fluxo sanguíneo que nutre o nervo óptico. Quando esse nervo não é bem nutrido de sangue por determinado motivo, aos poucos ele pode ir perdendo suas funcionalidades.

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Saúde
11/04/2021 00:00h

O Brasil possui cerca de 4 mil profissionais na área de infectologia e em alguns municípios eles não existem

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Desde o início da pandemia do novo coronavírus a sociedade passou a necessitar, ainda mais, de médicos infectologistas. É perceptível que esses profissionais ganharam um espaço merecido não só na mídia, mas até mesmo de reconhecimento e respeito na sociedade.

O Brasil possui cerca de 4 mil profissionais em infectologia, número pequeno quando comparado a especialidade em pediatria, que possui mais de 43 mil profissionais. Os dados são do estudo em Demografia Médica no Brasil 2020 realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Com a baixa de especialistas no mercado e a grande demanda durante o período da pandemia, alguns municípios não possuem profissionais da área na rede de saúde pública. Como é o caso de Goianésia, em Goiás. A vereadora Salete Carrilho (MDB), solicitou à prefeitura a contratação de médico infectologista para o município, pois, segundo ela, a cidade sofre com aumento de casos de hanseníase, leishmaniose, sífilis e Covid-19. Além disso, quem necessita desse atendimento precisa se locomover até Goiânia (GO).

“Muitas vezes a comunidade precisa buscar atendimento na capital [Goiânia] em busca de tratamento com infecto. Então existe esse deslocamento que causa dificuldade e desconforto aos pacientes”, diz. 

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O Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Julival Ribeiro, destaca que é fundamental a necessidade de ter um especialista na área em todos os hospitais. “É fundamental que todo hospital tenha um infecto, pois ele tem uma gama de afazeres, como tratar hepatite, AIDS, infecção bacteriana grave, entre outros. Além disso, ele coordena o controle de infecções, avalia o paciente e decide o melhor tratamento.

O município de Pirassununga (SP), possui três infectologistas para atender a demanda de 76 mil habitantes. Sendo dois na prefeitura e somente um no único hospital da cidade, o Santa Casa de Misericórdia. 

Apesar da pequena quantidade de profissionais, o prefeito de Pirassununga, Milton Dimas Tadeu, diz que a orientação desses especialistas é fundamental para tomar as medidas corretas no que diz respeito a Covid-19 e demais doenças. “Indiscutivelmente os infectologistas são imprescindíveis para tocar essa área da saúde, tanto no município, quanto no hospital.  São eles que fazem, através de pesquisas e estudos, os protocolos de atendimento aos pacientes”, elogia. 

Os médicos infectologistas ganharam maior notoriedade no tratamento contra a Covid-19, mas esses profissionais trabalham contra uma lista longa de enfermidades.  Eles atuam na identificação, prevenção, tratamento e controle de doenças infecciosas. Além de auxiliar, também, em imunizações. 



Julival Ribeiro relembrou a importância do trabalho dos infectologistas durante a descoberta da AIDS e no constante tratamento. “Ainda não temos a cura, mas como foi importante o apoio da infectologia na prevenção e tratamento da AIDS, esse é um exemplo muito importante aqui no Brasil em relação a esse problema”, destacou o representante da SBI.

Trabalho em destaque na capital federal

A infectologista Ana Helena Germoglio vem ganhando destaque pelo seu trabalho em Brasília (DF). Com 16 anos de carreira, a profissional se formou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em janeiro de 2005, e no mês seguinte do mesmo ano foi para a capital federal assumir a residência médica em infectologia.  

Atualmente ela atua no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN-DF), referência no tratamento da Covid-19 na capital, também em um hospital particular e em sua própria clínica. Além disso, é professora de pós-graduação em controle de infecção hospitalar. 

A escolha da profissão veio de uma inspiração muito pessoal, a mãe de Ana Helena também é infectologista. Ela conta que desde criança acompanhava a mãe trabalhando no hospital. “Até hoje lembro bem dela me ensinando sobre a área, sinais típicos de crianças com escarlatina [doença bacteriana rara]. E hoje, mesmo estando em cidades distantes, eu em Brasília e ela em João Pessoa, formamos uma grande dupla de infectologistas”, afirma.



Ana Helena conta que a rotina profissional mudou bastante com a pandemia do novo coronavírus, e por isso, teve que abrir mão de momentos da vida com os filhos. “Tento fazer com que eles entendam, ainda são crianças, mas espero que assim como entendi a minha mãe, no futuro eles possam me entender e, se Deus quiser, terão orgulho de mim como tenho da minha mãe.”

Para a médica, o que mais mudou na profissão foram as demandas por celular. Ela explica que mesmo com toda a facilidade tecnológica, alguns casos não podem ser tratados de forma virtual. Mas que, orientar os colegas de profissão, se tornou muito mais fácil. 

Ana Helena diz que a especialidade ganhou muito mais destaque e as pessoas passaram a entender melhor o trabalho dos infectologistas. “Nunca antes se falou tanto em infectologia como hoje, todos os olhos do mundo se voltaram a essa especialidade. Mesmo sendo uma das áreas menos valorizadas no setor médico”. Segundo ela, a especialidade trata doenças negligenciadas e permeia por muitos segredos e intimidades dos pacientes, por isso, é menos comum as pessoas falarem que vão ao infectologista. 

Para ela, a área possui três grandes desafios: cuidar dos pacientes sem um tratamento sabidamente eficaz, proteger os colaboradores da saúde e tentar da melhor forma possível orientar corretamente a população. “Se eu pudesse escolher novamente, mais uma vez eu escolheria a infectologia.”

Neste domingo (11/04) é comemorado o dia do infectologista. O Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Julival Ribeiro parabeniza todos os profissionais pelo trabalho prestado à sociedade, principalmente durante a pandemia de coronavírus.

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09/04/2021 00:00h

Novo boletim da Fiocruz aponta colapso no sistema de saúde brasileiro. Taxa de letalidade aumentou de 3,3% para 4,2% em abril

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O Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 divulgado, nesta terça-feira (6), pela Fiocruz, aponta que ao longo da última semana o Brasil bateu recordes no número de óbitos causados pelo coronavírus. A sobrecarga dos hospitais, principalmente observada pela ocupação de leitos de UTI, se mantém em níveis críticos. 

Dezenove estados e o Distrito Federal se encontram com taxas de ocupação superiores a 90%. São eles: Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Em contrapartida, entre os dias 29 de março e 5 de abril, cinco estados apresentaram redução nas taxas de ocupação de leitos de UTI adulto no SUS. Roraima (de 62% para 49%), Amapá (de 100% para 91%), Maranhão (de 88% para 80%), Paraíba (de 84% para 77%) e Rio Grande do Sul (de 95% para 90%). Assim, Roraima saiu da zona de alerta intermediário para fora da zona de alerta, e a Paraíba da zona de alerta crítico para a zona de alerta intermediário, juntando-se ao Amazonas (75%). 



Na última pesquisa realizada pela Fiocruz foi observado um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%. A instituição aponta que o resultado pode ser consequência da falta de isolamento social, capacidade de diagnóstico correto e oportunamente aos casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais. No final de 2020, este indicador estava em torno de 2%. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil chegou a marca de 336.947 óbitos em decorrência da doença.

O coordenador do Observatório Fiocruz Covid-19, Carlos Machado, destaca que a abertura de novos leitos é necessária, mas que medidas para evitar o contágio são mais eficientes, pois o país se encontra no limite das equipes que estão na linha de frente há mais de um ano. “É preciso usar as medidas de prevenção que são o fortalecimento da atenção primária para evitar que os casos se agravem, conectados também com a vigilância para o isolamento e quarentena. Tudo isso associado às medidas de bloqueio são fundamentais agora para reduzir a carga sobre os hospitais”, pontua.

A aposentada de 76 anos, Elena Gomes, é uma das tantas brasileiras que aguardam um leito de UTI. Durante tratamento para trombose em um hospital do Distrito Federal, a aposentada contraiu o vírus da Covid-19. Mas, por não haver vaga, teve que se cuidar em casa. Na sexta-feira (2) Elena teve piora nos sintomas e foi encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No domingo (4), a aposentada já necessitava de intubação.

A ocupação de leitos de UTI no Distrito Federal chegou a 99% e, assim como Elena, outros 263 pacientes aguardam uma vaga em leito na capital, de acordo com o painel InfoSaúde. Diante disso, o representante comercial Antônio Carlos Gomes, filho da aposentada, fez um apelo público com faixas próximo a UPA em que a mãe se encontra internada para pedir ajuda. “Ela precisa dessa UTI para ontem. Peço para a UPA me fornecer o relatório médico para entrar com pedido judicial na defensoria pública e eles me tratam com descaso. Estou desesperado, fico o dia inteiro tentando ajuda e não consigo”, diz. 

Além do pedido de socorro, o representante comercial também fez uma homenagem à mãe. “Era aniversário dela e quis fazer algo para minha mãe ainda em vida. Fiquei das 6h às 18h com as placas pedindo ajuda, mas ninguém apareceu.”



O Ministério da Saúde autorizou a reabilitação de 4.418 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto do SUS para assistência às pessoas com infecção pela Covid-19. De acordo com as portarias publicadas pela pasta (472, 478, 499, 501), esses leitos voltam a ter financiamento federal de custeio a partir das competências de fevereiro e de março de 2021. Apenas o estado de São Paulo habilitou leitos de UTI Pediátrico para Covid-19.

Os valores mensais somam quase R$ 212,5 milhões e serão transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) no bloco de custeio aos Fundos de Saúde dos Estados e dos Municípios. Esses valores equivalem ao incentivo financeiro diário de R$ 1,6 mil para cada leito.

Reabertura de hospitais de campanha

Com a alta demanda de pacientes que precisam de tratamento para o coronavírus, estados e municípios optaram por reabrir os hospitais de campanha. O governo do Ceará, por exemplo, já iniciou a montagem no município de Sobral, anexo ao Hospital Regional Norte. 

Serão 60 novos leitos de enfermaria exclusivos para atender pacientes com a Covid-19 e todas as unidades são construídas com recursos do governo cearense. O estado já entregou à população outras unidades de campanha nos municípios de Fortaleza, São José, Sertão Central e Messejana. 

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O governo do Distrito Federal prometeu entregar três novos hospitais de campanha na primeira quinzena de abril. Cada hospital deve ter 100 leitos de UTI para infectados com a Covid-19 em estado grave.

Na semana passada, a Secretaria de Saúde do DF publicou o edital para contratação emergencial da empresa que vai gerir os novos hospitais de campanha. Caberá à contratada oferecer serviços de gestão integrada de leitos hospitalares, com suporte ventilatório pulmonar e terapia renal substitutiva beira-leito.

Para implantar uma unidade de saúde temporária o município deve observar alguns critérios elencados na Portaria 1.514/2020, como buscar outras estratégias para ampliação da oferta de leitos; priorizar a estruturação e ampliação dos leitos clínicos e de UTIs, exclusivos para pacientes da Covid-19, em unidades permanentes e já existentes; considerar a contratação de leitos clínicos e de UTI na rede de saúde privada, entre outros. 

O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire, acredita que a mobilização dos municípios pode diminuir os casos da Covid-19. “Esperamos que os estados e cidades que tiveram o maior cuidado nesse momento em proteger e aplicar as medidas restritivas, principalmente as de isolamento social, tenham uma virada positiva no mês de abril.”

Hospitais em 35 dias

Para que o processo de construção de hospitais de campanha seja mais ágil, prefeituras estão investindo em empresas privadas que entregam a obra em 35 dias. A startup Brasil ao Cubo trabalha com essa agilidade e já construiu hospitais em tempo recorde no Distrito Federal, São José dos Campos, Porto Alegre, São Paulo e Rondônia.

O Hospital de Retaguarda em São José dos Campos, por exemplo, teve um custo de R$12,9 milhões, sendo 4,5 milhões da prefeitura do município e o restante de empresas parceiras. Inicialmente foi construído para auxiliar no enfrentamento da pandemia e, futuramente, vai se tornar Pronto Socorro do Hospital Municipal. 

A ideia da empresa é elevar a capacidade de produção para auxiliar nesse período que o país enfrenta e que as estruturas montadas possam ser usadas pela população no pós-covid.

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31/03/2021 16:00h

Repasse mensal será de mais de R$ 48 milhões

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Ministério da Saúde autoriza abertura de 967 leitos de UTI adulto e 34 leitos de UTI pediátrica para atendimento exclusivo de pacientes com Covid-19. A medida tem caráter excepcional e temporário, mas dará reforço a estrutura hospitalar de vários municípios dos estados do Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo.

Conforme portarias publicadas no Diário Oficial da União (PT 567 e PT 568), o valor do repasse mensal será de mais de R$ 48 milhões, retroativo à competência de março.

Hospital Universitário de Sergipe tem cirurgia pioneira para tratar perda de olfato causada pela Covid-19

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O pedido de autorização para custeio dos leitos é feito pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, que devem garantir a estrutura necessária para o funcionamento dessas unidades.

A solicitação deve ser cadastrada na plataforma SAIPS, observando os critérios como curva epidemiológica do coronavírus na região, estrutura para manutenção e funcionamento da unidade intensiva e corpo clínico para atuação em UTI.

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31/03/2021 00:00h

O serviço é disponível a qualquer cidadão que preencha os requisitos e tenha encaminhamento médico emitido pelo SUS

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O Hospital Universitário de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede Ebserh/MEC, desenvolveu técnica cirúrgica para tratar pacientes que tiveram como sequela da Covid-19 a perda do olfato definitiva. A cirurgia é pioneira no Brasil e realizada por meio de encaminhamento médico emitido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo realizado pela equipe responsável chegou à conclusão de que pacientes que tiveram anosmia (perda total do olfato) realizavam tratamento clínico convencional a base de uso de medicamentos e treinamento olfativo, mas não prosseguiam o tratamento até o final, pois a recuperação total pode durar até 2 anos. Com isso, a cirurgia para anosmia definitiva foi desenvolvida baseada em conceitos das cirurgias micro e transnasal.

A anosmia definitiva é quando o indivíduo tem por diferentes razões a perda do olfato. Diversas viroses ocasionam o sintoma, bem como traumas cranianos e cirurgia de retirada de tumor na base da cabeça. Mas a Covid-19 aumentou a incidência nos casos de perda de olfato. Como explica o cirurgião otorrinolaringologista responsável pelo procedimento no Hospital Universitário de Sergipe (HU-UFS), Ronaldo Carvalho.

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“De 2 terços a 85% das pessoas que tiveram a Covid-19 sintomática desenvolveram a anosmia. Desses, 30% têm recuperação parcial e 5 a 10% desenvolvem a perda definitiva. Apesar de treinamentos olfativos e medicações, os pacientes não recuperam”, diz. 

Os primeiros pacientes serão submetidos a cirurgia a partir da segunda quinzena de abril, pois ainda estão em fase de exames. O procedimento é minimamente invasivo, envolvendo a transferência de nervos da perna para o nariz. “Pegamos o nervo funcionante e transportamos para a região do epitélio neuro olfatório que está destruído, para que o nervos funcionantes, com a liberação de funções neurotransmissoras e modeladoras, restabeleçam o funcionamento do olfato”, explica o otorrino Ronaldo Carvalho.

Se no prazo de 6 meses o paciente não demonstrar melhora no retorno da função olfativa, o procedimento cirúrgico é oferecido. Para isso, é necessário encaminhamento médico emitido pelo SUS ao Hospital Universitário de Sergipe, onde os candidatos são avaliados.

Nesse primeiro momento, grande parte dos pacientes são da região sergipana, mas a oportunidade é oferecida a qualquer cidadão. Ronaldo Carvalho acredita que com o aumento no número de casos da Covid-19, a procura pela cirurgia será grande. “A incidência de anosmia é muito alta pós Covid, precisamos avaliar se os pacientes conseguem se recuperar com tratamentos corriqueiros, ou se vão ser caracterizados por anosmia persistente e definitiva, podendo ser candidatos ou não ao procedimento”.

Normalmente, o indivíduo que foi infectado com a Covid-19 recupera o olfato em 15 dias, mas não é difícil encontrar casos que perduram por mais tempo. A artesã Sabrina Silva Duarte contraiu o vírus em 2020, mas alega que ainda não recuperou esses sentidos de forma integral. “Já faz 8 meses que estou sem olfato e paladar desde que contraí o vírus. Para melhorar, faço treinamento olfativo com óleos essenciais. Porém, é muito ruim não sentir o sabor dos alimentos e tenho medo do meu paladar não voltar por um vírus que ainda não sabemos de tudo”, lamenta a artesã. 



A infectologista Ana Helena Germoglio destaca que na maioria dos casos a anosmia causada pela Covid-19 é quase sempre reversível. “Na maioria dos pacientes ela é de instalação súbita, de um dia para o outro, mas de recuperação lenta e gradual, porém, relativamente rápida por durar cerca de duas semanas. Em uma pequena parcela de pacientes essa alteração pode persistir”. A médica disse ainda que existe a possibilidade do indivíduo se recuperar duas vezes da Covid-19 e perder o olfato e paladar novamente. 

O olfato é um sentido que protege o ser humano em situações do dia a dia, como perceber o gás vazando, sentir o cheiro de comida estragada ou até mesmo queimada. Além da cirurgia pioneira oferecida, o tratamento convencional consiste em medicamentos e treinamento olfativo, que consiste em inalar diferentes odores, pelo menos duas vezes ao dia, como café, limão, óleos essenciais e até chocolate. 

Outros sintomas também estão atrelados à Covid-19, como falta de ar, fadiga, febre, diarreia e dor de cabeça. As sequelas da doença são determinadas pelo tipo e força do vírus que o indivíduo contraiu, podendo levar a perda de massa muscular, fibrose pulmonar e acometimento cardíaco e renal.
 

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22/03/2021 11:50h

Pauta da semana prevê ainda recursos para entrega de cestas básicas a indígenas e quilombolas

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Projeto que amplia número de doenças rastreadas pelo teste do pezinho chega à Câmara dos Deputados. Votação está marcada para terça-feira (23), às 15h. Segundo o Projeto de Lei 5043/20, torna-se obrigatória a triagem neonatal ampliada na rede pública de saúde, passando a englobar 14 grupos de doenças. A versão atual do teste do pezinho só detecta seis tipos de enfermidades (Fenilcetonúria; Hipotireoidismo congênito; Deficiência de biotinidase; Fibrose cística; Anemia falciforme; Hiperplasia adrenal congênita).

Se aprovadas, as mudanças feitas pelo projeto entrarão em vigor 365 dias após sua publicação.

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Pauta da semana 22 a 26 de março

Consta ainda na pauta da semana, de 22 a 26 de março, a Medida Provisória 1008/20, que abre crédito extraordinário de R$ 228 milhões para o Ministério da Cidadania distribuir cestas básicas para povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e extrativistas.

A pauta completa está disponível no link.

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19/03/2021 18:00h

UPAS 24h, Unidades Mistas, Hospitais de Pequeno Porte e Prontos Socorros também podem solicitar os leitos

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Ministério da Saúde amplia uso de Leitos de Suporte Ventilatório Pulmonar para Hospitais Especializados, Unidades Mistas, Hospitais de Pequeno Porte, Prontos Socorros e Unidades de Pronto Atendimento. Até então, somente Hospitais Gerais e de Campanha poderiam solicitar esses leitos, que são voltados para pacientes com Covid-19, que não evoluíram para estado grave, mas que necessitam de suporte de oxigênio.

O objetivo da pasta é ampliar a assistência aos pacientes com a doença, através do Sistema Único de Saúde, e ajudar a aliviar a rede de saúde em todo o país, levando atendimento qualificado à população.

Amapá endurece lockdown a partir desta quinta-feira (18)

Alagoas restringe circulação de pessoas e reduz funcionamento do comércio

Segundo o Ministério da Saúde, apesar de os Leites de Suporte Ventilatório Pulmonar terem uma estrutura mais simples que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), eles estão aptos a receber pacientes moderados para tratamento adequado.

Levantamento mais recente da pasta, compilado no início da noite de quinta-feira (18), mostra que o Brasil tem 11.780.820 casos confirmados de pessoas que contraíram a Covid-19. Desses, 1.153.889 estão em acompanhamento médico, 10.339.432 já se recuperam e 287.499 morreram.

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Brasil 61