Sociedade

Saúde
18/06/2022 04:00h

Diagnóstico precoce e acompanhamento multiprofissional fazem a diferença para que os autistas consigam superar dificuldades e desenvolvam habilidades

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“É mais comum do que a gente gostaria”. É assim que Raquel Marinucci define a frequência com que o filho, Francisco Marinucci, 19 anos, é vítima de preconceito por ter o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A história de vida de Francisco se confunde com a de outros dois milhões de brasileiros, número estimado de pessoas com autismo no país. 

Comemorado neste sábado, 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o transtorno e contribuir para a queda de estigmas associados às pessoas autistas. 

De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o TEA se caracteriza por atrasos e comprometimentos do desenvolvimento, seja na linguagem, seja no comportamento social. Os sintomas podem ser emocionais, cognitivos, motores ou sensoriais e o diagnóstico costuma ocorrer por volta dos três anos de idade. 

Lucinete Ferreira Andrade, diretora da Associação Brasileira de Autismo Comportamento e Intervenção (Abraci), explica que, não necessariamente, um autista vai apresentar todos esses sinais. “A gente está falando de um espectro, que é amplo. Não necessariamente todos têm as mesmas dificuldades ou deficiências. Varia de quadro para quadro. Por isso, o acompanhamento vai do quadro de cada indivíduo, em geral, por meio de atividades que vão dar mais qualidade de vida”, afirma. 

A dificuldade de Francisco se comunicar e o atraso na fala foram percebidos pela família Marinucci quando ele tinha entre dois e três anos. O diagnóstico de que o filho é autista se deu em meio ao nascimento de Clara, conta Raquel. A mãe lembra que a família teve que se dividir entre os cuidados que um recém-nascido exige e a atenção para Francisco. “Nosso maior temor era perder uma janela de desenvolvimento que [é importante] para qualquer criança, ainda mais para uma criança neurodiversa”, afirma. 

Aprendizado

O diagnóstico de que Francisco é autista foi seguido de acompanhamento multiprofissional, que o ajudou a superar as limitações iniciais, descobrir hobbies, como natação e música, e socializar. “Gosto de ir na casa dos amigos”, declara. O jovem concluiu o ensino médio, mas agora tem dificuldade para dar o próximo passo, conta a mãe. 

“Acho que agora a gente está vivendo um dos momentos mais complicados, porque tem um limbo entre alguém terminar o ensino médio e quem não está dentro do que seria o caminho para a universidade ou algum curso técnico, que pra ele não é uma possibilidade no momento. A gente não tem muitas alternativas”, diz. 

Raquel conta que embora Francisco ainda sofra com discriminação por causa do transtorno, a conscientização das pessoas sobre o TEA aumentou se comparada ao que era 20 anos atrás. “As pessoas entenderam que aquele comportamento que parece estranho é um jeito diferente das pessoas [autistas] se comportarem. Entenderam que isso pode ser nomeado e como que a gente pode tornar os ambientes mais acolhedores. Faz com que quem quer ser consciente e inclusivo possa também entender as melhores maneiras de atender [essas pessoas]”, avalia. 

Não apenas as pessoas ao redor, mas principalmente a família aprende com Francisco. “É uma pessoa completamente amorosa, pura, que não está muito preocupada com as convenções sociais e consegue ver a felicidade em coisas simples da vida. O autismo entrando na nossa vida fez a gente olhar o mundo, de fato, com olhar mais aberto, mais singelo, menos preocupado com o que as coisas deveriam ser ou onde que a gente teria que se encaixar. O Francisco ensina isso pra gente no dia a dia”, diz. 

Acompanhamento

Lucinete explica que a análise comportamental aplicada (ABA) é a abordagem que mais se utiliza para o acompanhamento de pessoas autistas. “É uma terapia que tem uma eficiência bastante evidente com autismo. É cientificamente comprovada. Ela também produz dados efetivos sobre o desenvolvimento da criança”, diz. 

Ela afirma que é importante que as pessoas com TEA tenham assistência de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e outros profissionais. “Todo esse suporte precisa ser pensado desde a primeira infância da vida da pessoa com autismo”, diz. 

A diretora da Abraci também destaca a importância de que as políticas públicas, que já estejam postas em lei, sejam cumpridas. “Que a legislação tenha aplicabilidade no sentido de que, uma vez que você receba o diagnóstico, tenha esses direitos fundamentais, como educação e saúde, garantidos”, pede. 

Rede

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 282 Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPS iJ), 47 oficinas ortopédicas e 2.795 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Há também 263 Centros Especializados em Reabilitação (CER). Esses locais compõem a atenção especializada da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência e oferecem assistência às pessoas autistas.   

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08/11/2021 19:25h

Programa Melhor em Casa completa 10 anos e está ampliando o número de equipes para atender às crescentes solicitações de pacientes que preferem ficar junto aos familiares.

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Pacientes que estão internados em hospitais, mas que têm condições de continuar o tratamento em casa, podem contar com o Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde. O programa completou 10 anos e está ampliando o número de equipes para atender às crescentes solicitações desses pacientes que preferem ficar junto aos familiares. Até o momento, mais de 500 mil pacientes receberam cuidados em casa.

Como parte das comemorações pelos 10 anos do programa, o Ministério da Saúde realizou uma apresentação para  mostrar os dados do programa em um evento que ocorreu no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (08). Durante a apresentação, o ministro comentou a importância de ações como essa para a população. “É um programa muito abrangente, é uma política de saúde, portanto, é um direito de todos e um dever do Estado. O SUS é obrigado a prover políticas sociais e econômicas e será através de políticas públicas como essa que nós vamos melhorar a vida dos brasileiros”, avaliou. 

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Desde o início do programa, o Ministério da Saúde repassou quase R$ 3,5 bilhões para a iniciativa - recursos que serviram para dar apoio aos 732 municípios participantes do programa, o que corresponde a cerca de 40% da população brasileira coberta por esse tipo de atendimento. Além disso, nos últimos cinco anos foram realizados mais de 14 milhões de atendimentos, desde a coleta de sangue até a colocação do ventilador mecânico (aparelho que ajuda o pulmão a funcionar). 

A coordenadora geral da Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Mariana Borges, explica como funciona o programa Melhor em Casa. “O Melhor em casa faz essa desospitalização, tira de dentro do hospital, o que propicia a rotatividade daquele leito para outras pessoas que precisam mais, que têm estado de saúde mais grave e evita, também, a permanência exagerada que leva muitas vezes a pegar infecção hospitalar. Então, o paciente vai antes para casa, a equipe acompanha ele à residência quantas vezes forem necessárias, o leito hospitalar é rodeado e ainda há uma economia de recurso em cima disso”, destacou.

Atualmente o programa conta com 11.715 profissionais que trabalham diretamente nas visitas aos pacientes. Os profissionais se dividem em equipes que trabalham 12h por dia, durante os sete dias da semana e têm fluxos organizados com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e hospitais locais, servindo como apoio a qualquer tipo de intercorrência apresentada por um desses pacientes em acompanhamento.

O encaminhamento do paciente ao Melhor em Casa deve ser feito por profissionais dos hospitais, UPAs ou Unidades básicas de Saúde (postos de saúde) que identifiquem no paciente o perfil e a necessidade do programa, que está presente no Distrito Federal e em 25 estados do País - apenas Roraima não oferece esse tipo de atendimento. 

Para aperfeiçoar o atendimento dos profissionais de saúde no campo da Atenção Domiciliar, o Ministério da Saúde mantém parceria com a Universidade Aberta do SUS (UNASUS) e outras oito universidades, onde é realizado um programa de qualificação à distância especializado em Atenção Domiciliar.

Cuidados durante a pandemia

O programa Melhor em Casa não parou de funcionar durante a pandemia da Covid-19, mas mudou a forma como as equipes realizam o monitoramento diário dos pacientes - agora por telefone. Apesar disso, os atendimentos presenciais que exigiam procedimentos foram mantidos para não prejudicar os tratamentos dos pacientes. Outro ponto importante é que algumas equipes passaram a colher o teste RT-PCR e, nos pacientes recuperados do coronavírus, intensificaram as reabilitações respiratória, funcional, nutricional e psicológica.

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Brasil 61