SAMU

29/09/2021 12:30h

Iniciativa é do Ministério da Saúde para o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio

Baixar áudio

Para marcar o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio, o Ministério da Saúde anunciou que planeja implantar uma linha de teleapoio emocional àqueles que necessitam do Serviço Único de Saúde (SUS). Segundo Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, as pessoas com doenças mentais precisam de atendimento técnico especializado e humanizado.

“Até o final do ano nós estaremos entregando a linha 196. É o primeiro suporte de atendimento aos doentes mentais do Brasil. Estamos há um ano construindo essa linha, buscando apoio, expertise, para que o Brasil tenha o melhor serviço de atendimento telefônico de saúde mental do mundo”, disse.

Também em virtude do Setembro Amarelo, o ministério começou uma capacitação dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de todo o Brasil no aprimoramento de acolhimento a pacientes em sofrimento psíquico. O “Curso de Formação de Multiplicadores em Urgências e Emergências em Saúde Mental” já foi iniciado através da plataforma online UniverSUS, separado em três turmas com 108 profissionais ao todo.

Para fortalecer a prática de condutas humanizadas e terapêuticas no âmbito da saúde mental, médicos e enfermeiros do SAMU de todas as capitais brasileiras poderão aprender sobre a assistência mais adequada a pacientes com quadros como ansiedade, depressão, violência autoprovocada e ideação suicida.

A capacitação é ministrada por profissionais especialistas, com aulas teóricas e práticas. Na metodologia, estão incluídas simulações realísticas, que vão desde o atendimento da chamada realizada pelo paciente ou familiar até o devido encaminhamento às unidades de saúde.

Atendimento humanizado em saúde mental

De técnico de enfermagem para enfermeiro, Pedro Palácios faz parte do SAMU de Senador Canedo, em Goiás, desde 2009. Ele destaca a importância da atenção do profissional com o paciente na hora do atendimento:

“Essa capacitação é de extrema importância para enfrentarmos o mal psiquiátrico. Durante os plantões, nós vemos muitos casos que não têm um desfecho legal, mas às vezes os próprios pacientes nos dão alarmes que podem passar despercebidos durante o atendimento clínico, por isso é importante nós sermos treinados para perceber esses detalhes.”

O enfermeiro diz, ainda, que são programas como esse que ajudam na humanização do serviço: “Temos que lembrar que esses pacientes estão ali por uma série de fatores, como o não acompanhamento, abandono do tratamento, falta de medicação, o meio em que se vive. Então, é uma questão de se colocar no lugar do outro mesmo.”

Marcela (nome fictício, personagem preferiu não se identificar) é uma jovem de 22 anos com quadro depressivo e ansioso. Ela conta que já passou por uma crise em que os pais precisaram recorrer ao SAMU: “A minha pressão estava muito baixa e eu desmaiava muito. Minha mãe ligou para o SAMU, que informou que estava sem ambulâncias no local onde eu moro, mas o atendente a auxiliou sobre o que fazer e me levar para o hospital. No fim, deu certo.”

Depressão

Marcela diz que sabia de sua depressão até mesmo antes do diagnóstico em 2014, aos 15 anos. Ela praticava automutilação. Hoje, a jovem afirma ter mais consciência de suas ações e consequências, mas para isso precisa de seus medicamentos.

“Eu tomo remédio há 6 anos e eu tenho plena certeza que sou dependente química, pois sem os remédios eu fui muito mal, tenho crises intensas. Hoje eu tenho uma vida mais calma, então, eu acredito que seja uma dependência em um bom sentido”, conta.

A jovem conta que, depois do início da pandemia, passou a ter pensamentos suicidas. “Com todo esse cenário, eu passei muito tempo com pensamentos de ‘se eu pegar esse vírus, eu vou morrer, então por que não morrer logo agora e acabar com a espera? É uma pessoa a menos para colapsar o SUS.’"

A depressão é um transtorno mental comum que atinge pessoas por todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas sofram de quadro depressivo. Sem tratamento, o transtorno pode afetar a vida cotidiana e causar disfunção no trabalho, escola, relacionamentos e, na pior das hipóteses, levar ao suicídio.

Ainda segundo a OMS, menos de 10% das pessoas com sintomas depressivos recebem o tratamento indicado. Cerca de 800 mil pessoas no mundo morrem por suicídio todos os anos, sendo a terceira principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos.

Tratamento

A psicóloga Amanda Oliveira destaca que, para o tratamento correto, é preciso avaliar o grau da depressão: “Dependendo do nível, o cérebro sofre modificações quimicamente. Então, consequentemente se faz necessário o uso de medicamentos prescritos por um psiquiatra.”

Entre as técnicas utilizadas pela psicologia com estes pacientes está a psicoeducação. Nela, o profissional assume o papel de orientar, trabalhar as crenças, a visão do paciente de si mesmo, do mundo e do outro. Porém, mesmo sendo feito este acompanhamento psicológico, é importante que a pessoa tenha uma rede de apoio dentro de casa, principalmente aqueles com tendência de automutilação ou suicida. 

“Essas práticas vêm do querer reduzir ou eliminar a dor emocional, ou seja, a pessoa causa dor física para poder mudar o foco da dor emocional. Então, ter rede de apoio e permanecer em terapia é muito importante. E não levar os sinais como ‘frescura’, porque as pessoas realmente dão sinais antes de cometer qualquer tipo de ato.”

Segundo a psicóloga, por mais que a discussão sobre saúde mental esteja crescendo no Brasil, ainda é necessário lutar contra muitos tabus presentes na sociedade: “Muitos acham que terapia é só para ‘doidos’, como eles dizem”, conta a profissional. Outro problema seria a disponibilidade do acompanhamento para as classes mais baixas.

“Tratar desse assunto, ampliar essa temática e disponibilizar para todas as classes seria primordial para que a gente tenha uma sociedade mais saudável e as próximas gerações também”, destaca.

Linha de apoio

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem conversar por telefone, e-mail ou chat on-line. Disque 188 ou acesse www.cvv.org.br e procure ajuda.

Copiar o texto
03/07/2021 16:35h

Em recente audiência na Câmara dos Deputados sobre o tema, foi destacado a defasagem de valores e o crescimento da demanda

Baixar áudio

Na última sexta-feira (2), o Ministério da Saúde e a Confederação Nacional de Municípios (CNM) voltaram a se reunir com representantes de consórcios municipais para debater repasses ao Serviços de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em recente audiência na Câmara dos Deputados sobre o tema, foi destacado a defasagem de valores e o crescimento da demanda.

Por isso, o objetivo dos encontros é discutir a possibilidade de promover reajustes nos repasses mensais aos Samus municipais. A defasagem estimada nos valores é de 78%. O pleito é para um incentivo financeiro de custeio específico para o Samu, no âmbito do enfrentamento à pandemia da Covid-19 em 2021, além da promoção de reajustes orçamentários para 2022.

Ministério da Saúde repassa R$ 1,3 bilhão de reais para o SAMU anualmente

Portaria direciona recursos de emendas parlamentares para a Saúde

Com o objetivo de subsidiar a pauta e justificar o pleito, consórcios públicos estão produzindo um estudo que comprove esta defasagem de aporte de recursos para custear o serviço nos municípios brasileiros. 
 

Copiar o texto
08/06/2021 17:35h

Reajuste dos repasses ao serviço é tema de audiência pública na Câmara dos Deputados

Baixar áudio

Ministério da Saúde repassa R$ 1,3 bilhão de reais para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) anualmente. O valor foi anunciado pelo coordenador-geral de Urgência da Secretaria Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Rafael Agostinho, durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, realizada na última segunda-feira (7), para tratar dos reajustes de repasses ao serviço. 

De acordo com o presidente do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgência do Sudoeste do Paraná (CIRUSPAR), Disnei Luquini, a portaria n° 1.473/2013, determina que a União repasse 50% para custeio do SAMU e que 25% fique a cargo dos municípios. Mas segundo ele, a parcela municipal tem chegado próximo aos 50%, atualmente.

“Desde 2013, esses valores não são reajustados. Não tivemos outra alternativa senão os municípios bancarem essa conta. Muitas vezes, tirando de outras secretarias, deixando [de fazer] o planejamento de organização municipal, para investir esse recurso para que essas unidades continuem trabalhando em prol da nossa população”, comenta. 

A secretária executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense (CISBAF), Rosângela Bello, afirma que os municípios da região e o estado do Rio de Janeiro são responsáveis por 68% do custeio do SUS.

Investimentos do Ministério da Saúde

Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência atende 85,45% da população nacional. Desde 2004, a pasta doou aos municípios e estados 10.433 unidades móveis para implantação, ampliação e renovação da frota. O investimento anual do MS no serviço é de mais de R$ 1,3 bilhão.

Gastos com a pandemia impactam orçamento público nos últimos 12 meses

No entanto, o coordenador-geral de Urgência da Secretaria Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Rafael Agostinho, destaca que alguns entes federados não habilitaram as unidades móveis doadas pela pasta e, por isso, os recursos destinados ao SAMU tiveram que ser devolvidos à União.

“Temos 257 unidades, que nós, do Ministério da Saúde, doamos a estados e municípios e elas não entraram em funcionamento. Isso é um impacto muito grande para a assistência, porque conseguiríamos renovar mais veículos. E lembrando que essa restituição de recurso não volta para o programa; ela vai pra União. Então, temos um prejuízo assistencial e financeiro”, comenta.

"Temos 257 unidades, que nós, do Ministério da Saúde, doamos a estados e municípios e elas não entraram em funcionamento. Isso é um impacto muito grande para a assistência, porque conseguiríamos renovar mais veículos."

Pandemia

Segundo a Pesquisa CNM Covid-19, edição 11, dos 693 municípios que afirmaram possuir SAMU (de um total de 2.418 entrevistados), 61,9% relataram aumento de gasto com o serviço e 58% com a equipe. 

A secretária executiva do CISBAF, Rosângela Bello, destaca a sobrecarga do SAMU desde o ano passado.

“Particularmente, em 2020 e 2021, nós tivemos uma grande demanda importantíssima, conferida por essa pandemia. Nós observamos aqui, praticamente 30% de aumento da demanda em todas as APHs [Unidade de Atendimento Pré-Hospitalar]. Também tivemos um aumento expressivo no transporte inter-hospitalar, que é aquele transporte que leva o paciente de uma unidade de menor complexidade para de maior complexidade. E tivemos unidades que foram definidas como de referência para atendimento da Covid-19”, destaca.

Consórcios

Os consórcios são mecanismos que permitem que dois ou mais entes federados desenvolvam ações em comum, em âmbito regional, para prestação de serviços públicos, como é o caso dos consórcios intermunicipais de saúde. 

O diretor-geral do Consórcio de Saúde dos municípios do Oeste do Paraná (CONSAMU), João Gabriel Avanci, destaca os benefícios dessas parcerias.

“Os consórcios têm essa característica de agilidade, resolutividade e padronização. Não faz sentido cada município, principalmente os de menor porte, terem um SAMU todo estruturado para atender uma pequena população. O consórcio pacifica isso, torna mais barato e é uma maneira mais colaborativa dos municípios poderem fazer efetivamente essa gestão”, afirma.

Nove cidades e um consórcio receberão capacitação e mentoria em desenvolvimento sustentável

Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras será instituído nesta segunda-feira (22)

A audiência pública pode ser conferida na íntegra no portal e-democracia

Copiar o texto
Brasil 61