Álcool

15/09/2021 20:00h

Estado possui as maiores alíquotas para a gasolina e o etanol entre todas as unidades da federação. Sefaz/RJ afirma que governo local dialoga com a sociedade em busca de “responsável e gradual” diminuição do imposto

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O Rio de Janeiro avalia seguir o exemplo do Distrito Federal e propor uma redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. A informação é da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz/RJ) em resposta ao portal brasil61.com. O estado fluminense cobra a maior alíquota do imposto sobre a gasolina (34%) e o etanol (32%) do País.
 
Em nota, a Sefaz/RJ afirmou que “o estado está em permanente diálogo com segmentos da sociedade, avaliando cenários que possibilitem, eventualmente, uma responsável e gradual redução da carga tributária que beneficie a população.” 
 
Levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que, entre 5 e 11 de setembro, o Rio de Janeiro foi o estado com o terceiro maior valor médio da gasolina: R$ 6,56 por litro. Na última semana, o governador do estado, Cláudio Castro, admitiu que aceita negociar uma diminuição do ICMS sobre os combustíveis. No entanto, ele condiciona a medida à redução do imposto por outros entes.
 
Enquanto isso, a população reclama do preço da gasolina, que apenas este ano já subiu 31,09%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Maria Cecília Novais, 24 anos, é professora e mora na Tijuca. Ela afirma que é um “absurdo” o estado ter o maior imposto sobre a gasolina mesmo sendo um dos maiores produtores do País. Também reclama do valor cobrado na bomba. 
 
“Fica complicado para mim, porque gasto muito dinheiro com gasolina mensalmente, porque eu uso o carro para me deslocar para o trabalho. Trabalho em três lugares diferentes e, em certos momentos, não tenho como ir de um lugar a outro pelo transporte público, e acaba que gasto muito dinheiro com a gasolina.”

Reação 

Especialistas ouvidos pela reportagem concordam que a iniciativa do Distrito Federal, onde fica a capital do país, poderia desencadear uma reação em cadeia, pressionando outros estados a também reduzirem o preço do ICMS. Hoje, a menor alíquota sobre a gasolina, por exemplo, é de 25%. “As pressões que as próprias populações vão exercer com o exemplo que é dado pelo DF devem provocar alguma reação por parte dos estados que têm alíquotas mais elevadas. A tendência, pelo visto, é que esses estados que cobram até 34% de ICMS ajustem esse percentual ao mínimo praticado pela maior parte dos entes da federação, no patamar de 25%”, afirmou o economista Roberto Piscitelli.  
 
O economista Newton Marques acredita que outros governadores podem seguir o mesmo caminho que o DF, desde que haja algum tipo de apoio da União. “É uma medida que, caso venha a ser aprovada no DF, e que venha a ser compensada pelo Governo Federal, pode se repetir em outras unidades da federação e, com isso, teremos um impacto menor do ICMS sobre o preço final dos derivados de combustível”, avalia. 

GDF apresenta projeto de lei para reduzir ICMS sobre combustíveis

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Arrecadação

A diminuição do ICMS sobre os combustíveis pelos governadores esbarra, principalmente, em um ponto. O imposto é muito importante para a arrecadação dos estados. Diminuir a alíquota, em tese, implica em menos receita para os cofres estaduais.
 
Os combustíveis representam mais de 20% do que os estados arrecadam com ICMS. Por isso, Piscitelli diz que é melhor a população não contar que os gestores locais irão abrir mão de alguns pontos percentuais da alíquota com facilidade.
 
“A gente não pode se iludir muito com isso, porque o ICMS é a fonte mais importante de arrecadação dos estados e eles dependem muito da arrecadação, especialmente sobre alguns desses produtos e serviços, como é o caso do combustível, que representa a maior parte da arrecadação do ICMS.”
 
Segundo a Sefaz/RJ, o estado do Rio de Janeiro produz cerca de 80% do petróleo do País, No entanto, “o ICMS não incide sobre a produção, mas no destino, o que nos “prejudica em termos de arrecadação”.
 
Marques indica que uma forma de a conta fechar é a União entrar com algum tipo de compensação. “As unidades da federação não estão com folga de recurso a ponto de abrir mão de uma importante fonte de recursos, que é o ICMS sobre derivados de combustíveis, mas caso seja aprovado [a diminuição no DF] e o Governo Federal dê algum tipo de compensação, por exemplo, adiando o pagamento das dívidas, isso pode trazer um benefício, porque outras unidades da federação poderiam também seguir o mesmo caminho”, pontua. 

RRF

A Sefaz/RJ também apontou que a adesão do Rio de Janeiro ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) impõe restrições à redução de receitas. O RRF é uma oportunidade para que os estados em situação fiscal deteriorada possam se recuperar com o apoio da União.

O governo fluminense aderiu ao regime em junho e, com isso, não precisará pagar, por um ano, as dívidas com a União e as garantidas pelo Governo Federal. Depois, passa a ter 30 anos para saldar os débitos. A dívida do estado é superior a R$ 172 bilhões.

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Economia
25/08/2021 20:10h

Proposta do Executivo local é diminuir imposto em 3% até 2024. Especialistas afirmam que impacto para os consumidores será pequeno, mas que medida pode pressionar governadores de outros estados a fazerem o mesmo

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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, enviou à Câmara Legislativa, nesta terça-feira (24), um projeto de lei que visa reduzir a alíquota de ICMS cobrada sobre os combustíveis na capital do País. Com a proposta, o GDF espera minimizar o impacto dos aumentos constantes no preço da gasolina sobre o bolso dos brasilienses. Na manhã desta quarta-feira (25), era possível encontrar postos vendendo o litro da gasolina a R$ 6,63.
 
A ideia do Executivo é que a alíquota de ICMS diminua 3 pontos percentuais em três anos, a partir de janeiro de 2022. A alíquota atual para o álcool e a gasolina no DF é de 28% e passaria para 25% até 2024, reduzindo 1 ponto percentual por ano. Já o tributo cobrado sobre o diesel cairia de 15% para 12%.
 
Segundo André Clemente, secretário de Economia do DF, mais de dois milhões de consumidores e 10 mil empresas serão beneficiados com a medida. “Essa redução da alíquota de combustíveis vai proporcionar não só uma redução da pressão inflacionária em cima de produtos essenciais da cesta básica, como os alimentos, que utilizam o transporte rodoviário, muito onerado pelo preço dos combustíveis, como também vai aliviar o bolso do consumidor e do funcionário público que, ao abastecer seu carro, sentirá menos efeitos desse aumento do combustível no seu bolso”, aposta.
 
Presidente do Sindicombustíveis DF, Paulo Tavares comemorou a proposta que pode baixar o preço dos combustíveis. “Esses 3% de diferença hoje podem significar até R$ 0,20 de redução no preço da bomba. Esperamos que isso se consolide e haja esse grande avanço na redução dos impostos. Como eu sempre digo: o problema não é o posto, mas o imposto”, defende.

Efeitos

O portal Brasil61.com procurou o GDF para questionar se não haveria alguma forma de reduzir a alíquota do ICMS de imediato, uma vez que o projeto de lei enviado à Câmara Legislativa será apreciado e deve ser votado até a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022 para que, só então, o tributo diminua. No entanto, o Palácio do Buriti não respondeu ao pedido.
 
Segundo Roberto Piscitelli, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), embora seja sempre agradável uma medida que reduza os tributos, o corte de 3% na alíquota do ICMS em três anos terá impacto sutil para os consumidores. 
 
“Na ponta do lápis é uma coisa muito pequena. Supondo que o preço do litro da gasolina é R$ 6 — no mercado de Brasília está até acima desse valor —, essa redução corresponderia aproximadamente a seis centavos a menos em cada ano”, exemplifica.
 
O especialista diz que o dono de um carro que possua um tanque com capacidade para 50 litros de combustível, por exemplo, e abasteça o veículo semanalmente, economizaria R$ 3. Considerando-se o ano todo, resultaria em uma economia de R$ 156. “Não é muito, mas é alguma coisa positiva em termos de redução da pressão inflacionária do combustível, que se eleva com muita facilidade. Apenas teria o efeito de amenizar um pouco o aumento que tem ocorrido continuamente”, explica.
 
Motorista de aplicativo há três anos e meio, Aloizo Leite, 57, diz que a gasolina representava de 15% a 20% do seu faturamento mensal. Hoje, o combustível já impacta entre 40% e 50% do que ele obtém de receita, o que está inviabilizando a atividade. 
 
Morador de Taguatinga Sul, a cerca de 25 km de Brasília, ele está cético quanto ao real efeito da medida. “Segundo o projeto do governo é para começar a partir de janeiro de 2022. Isso deveria começar imediatamente. A gasolina está subindo semanalmente e acho que representa muito pouco, não representa quase nada”, destaca. 
 
Para William Baghdassarian, professor de economia do Ibmec Brasília, a medida pode parecer simpática à população, mas terá eficácia limitada. “Apesar de o governo conseguir reduzir o seu ICMS, ele não consegue obrigar o posto de gasolina a baixar o preço. Então, o que vai acontecer na prática é uma pequena redução na bomba, se acontecer, e um aumento na margem dos postos de combustível”, avalia.
 
A solução para o economista é mais concorrência entre os postos de gasolina e na própria cadeia de produção dos combustíveis. Ao consumidor, ele diz, cabe o papel de pesquisar qual estabelecimento está comercializando os produtos a um preço menor. “Se a gente acaba se acostumando com aquele posto que a gente sempre vai e aceita esses aumentos de preço de combustível, pode não ter incentivo nenhum para reduzir o preço. Pelo contrário, ele vai manter o preço enquanto eu estiver gastando.”

Pressão sobre outros estados

Há quem acredite que a redução da alíquota do ICMS sobre os combustíveis na capital federal pode pressionar governadores de outros estados a fazerem o mesmo. Atualmente, a menor alíquota do País é de 25% e a maior, no Rio de Janeiro, é de 34%. 
 
“Eu acho que é possível um efeito em cadeia. As pressões que as próprias populações vão exercer com o exemplo que é dado pelo DF devem provocar alguma reação por parte dos estados que têm alíquotas mais elevadas. A tendência, pelo visto, é que esses estados que cobram até 34% de ICMS ajustem esse percentual ao mínimo praticado pela maior parte dos entes da federação, no patamar de 25%”, afirma Piscitelli.  

Saiba quanto o seu estado cobra de ICMS sobre a gasolina, o etanol e o diesel e o impacto dessa alíquota em reais. 

Arrecadação

De acordo com a equipe econômica do Palácio do Buriti, a diminuição do imposto fará com que o governo local abra mão de R$ 345,4 milhões em receitas tributárias até 2024. A medida, segundo o GDF, foi possível graças ao aumento de 14% na arrecadação tributária no primeiro semestre de 2021. 
 
Além disso, Clemente acredita que as consequências financeiras para os cofres locais são reversíveis. “Os estudos econômicos demonstram que a redução proporcionará um aumento da demanda. Essa redução de tributos com o aumento da demanda vai repercutir também em um aumento da arrecadação”, diz. 
 
Baghdassarian diz que o Governo do Distrito Federal está arrecadando mais do que esperava com impostos, o que permite a renúncia fiscal proposta à CLDF. “No último ano, a gente observa que uma série de tributos federais e estaduais vêm crescendo acima da inflação e isso é uma coisa que é boa para os governos, que acabam arrecadando um pouco mais. Na conta do GDF, ele deve ter compensado um pouco desse aumento de arrecadação com uma redução do preço do ICMS”, avalia. 

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Por que a gasolina está tão cara?

Desde janeiro, a Petrobras já reajustou o preço da gasolina nove vezes. A alta acumulada até o momento é de 51%. A partir de 2019, a companhia passou a alinhar o preço dos combustíveis no Brasil ao que é praticado no mercado internacional.
 
Baghdassarian explica que o petróleo é uma commodity (matéria-prima) internacional cotada em dólar. Assim, se o valor sobe lá fora, há reflexos diretos no Brasil. Outro fator de extrema importância para explicar o aumento dos combustíveis está relacionado à taxa de câmbio.
 
Ou seja, toda vez que a taxa de câmbio (preço do dólar com base no real) sobe, o petróleo, que é cotado em dólar, também aumenta em reais. Os especialistas acreditam que a instabilidade política que o Brasil atravessa há alguns anos tem impacto direto no câmbio e, por consequência, no preço dos combustíveis. 
 
“Essas instabilidades políticas, esse clima político que a gente está vivendo há algum tempo no Brasil tem um reflexo direto nas oscilações e especialmente na elevação do preço do real, do preço da moeda, ou seja, nas elevações do dólar”, diz Piscitelli. 
 
Vale lembrar que o álcool anidro (substância adicionada à gasolina), os tributos federais e estaduais e a margem das companhias distribuidoras e revendedoras também compõem o valor dos combustíveis. 

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31/07/2021 18:00h

Hospitais credenciados pelo SUS registraram alta de 54% no atendimento a pessoas por causa do uso de alucinógenos em 2020

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A Covid-19 vitimou mais de 555 mil brasileiros, mas também causou impactos sobre aqueles que sobreviveram. A pandemia fez suas vítimas invisíveis, como os desempregados, aqueles que perderam familiares ou amigos queridos, estudantes e as pessoas que passaram a conviver com quadros de ansiedade e depressão, por exemplo. No entanto, especialistas e autoridades de saúde também alertam para as consequências da pandemia sobre os dependentes químicos. 

De acordo com o Ministério da Saúde, os hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) registraram aumento de 54% no atendimento a pessoas por causa do uso de alucinógenos, entre março e junho de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior, ainda sem pandemia. 

Para Andrea Gallassi, professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas, a relação da pandemia com o aumento no consumo de drogas e, por consequência, com maiores índices de atendimento na rede de saúde existe, mas com ressalva. 

Segundo ela, estudos internacionais apontam que a Covid-19 não teve impacto significativo sobre as pessoas que consumiam drogas, como o álcool, de forma “moderada e social”, mas sim sobre quem já estava vulnerável. “Alguns estudos demonstraram que aquelas pessoas que já apresentavam problemas relacionados ao uso de álcool e de outras drogas tiveram um agravamento de seus quadros [na pandemia]. Elas passaram a usar mais álcool ou qualquer outra droga, o que resultou na necessidade de mais serviços hospitalares”, avalia.

A tendência se observa também na rede privada de saúde, confirma Tiago Soares Lima, psicólogo e coordenador de uma clínica de reabilitação particular. Ele estima um aumento de 50% nas internações para dependentes químicos na unidade onde trabalha desde o início da pandemia. “A gente está tendo uma grande procura, não só por atendimento ambulatorial, como também por internação, devido ao aumento significativo, principalmente, no consumo de bebida alcoólica”, destaca. 

No período pré-pandemia, a clínica atendia 80 pessoas, em média, entre dependentes químicos e pacientes com transtornos psiquiátricos. Hoje, Tiago diz que a unidade acolhe cerca de 130 pessoas. 

O psicólogo diz que há, sim, ligação da pandemia e seus efeitos sobre as diversas esferas da vida dos indivíduos com o maior número de internações para dependentes químicos. Segundo o profissional, o isolamento social e o menor contato entre as pessoas contribuíram para o entristecimento, a depressão e outros gatilhos para o consumo de drogas, em busca do que ele chama de “prazer imediato”. 

“[Para eles] é muito mais fácil estar em casa, sem ter contato com as outras pessoas que eu gostaria de estar tendo, se eu estiver sob efeito de alguma substância, em vez de procurar um atendimento”, exemplifica. 

Tiago diz que os idosos estão entre aqueles que mais recorreram ao consumo excessivo de álcool durante os últimos meses. “A gente vê um aumento muito expressivo na questão do consumo de álcool, principalmente na terceira idade. Pessoas que realmente foram forçadas a seguir as medidas sanitárias e estarem dentro de casa”, conta. 

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Medo

Célia Moraes trabalha há 32 anos com a reabilitação de dependentes químicos. Atualmente, ela é presidente do Desafio Jovem de Brasília, uma comunidade terapêutica do DF fundada em 1972. Ela conta que a procura por acolhimento aumentou bastante nesse tipo de instituição. É comum, diz Célia, comunidades com todas as vagas ocupadas e ainda listas de espera. 

Segundo ela, dois fatores também contribuíram para essa corrida às unidades de tratamento e reabilitação: o medo da morte e a sensação de proteção. “Eles estão vendo familiares, amigos, jovens saudáveis morrendo e, então, eles olham para si e pensam ‘bom, eu tenho que me cuidar’, e o dependente químico busca esse cuidado na rede de atendimento”, acredita. 

Célia ressalta que o aumento da apreensão de drogas pelas forças policiais no último ano também indica crescimento na procura por drogas, desde as que são legalizadas, como o álcool e o tabaco, até as demais, incluindo alucinógenos, tendo a maconha como destaque. “Isso é um indicativo para dizer que o consumo também aumentou, porque se não tem o consumo não tem a oferta da droga”, relaciona. 

O Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas, o Vigia, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, apreendeu 111% mais drogas no período que vai de junho de 2020 a junho deste ano se comparado aos doze meses anteriores. Foram 673 toneladas de drogas, sendo a principal a maconha. 

Desafio local

A resposta aos problemas envolvendo a dependência química tem nas gestões municipais o ponto de partida. Embora muito diferentes entre si, eles têm semelhanças quando assunto é o consumo de drogas pela população. De acordo com o Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 85,44% das cidades brasileiras enfrentam problemas devido ao uso dessa substância. 

Saúde, assistência social, educação e segurança pública são as áreas mais afetadas, de acordo com a entidade. A nível público, a rede de assistência aos dependentes químicos conta com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), os Conselhos Municipais de Políticas sobre Drogas (Comad), entre outras. 

Na opinião da professora Andrea Galassi, o Brasil deixou de dar atenção a um formato que funcionaria melhor, com investimentos sobretudo nos Caps. 

“O Caps é o modelo psicossocial em que a pessoa é atendida no serviço perto da casa dela. Ela volta para casa e se precisar de uma internação, ela vai ser internada por um curto espaço de tempo, seja no próprio Caps, que tem leito em que a pessoa pode ficar 15, 20 dias, seja num hospital geral, que tem uma internação psiquiátrica. A gente entende que a pessoa sai da crise, fica internada ali num tempo pequeno. Saiu da crise, volta para o atendimento no CAPs, para sua vida”, diz.

Segundo Galassi, o recuo da pandemia e o avanço da vacinação em paralelo ao funcionamento dos serviços de apoio aos dependentes químicos deve melhorar os indicadores. “A minha expectativa é que, com o retorno dos atendimentos de uma maneira mais sistemática nos serviços, eu imagino que essas pessoas voltem para os atendimentos nos Caps, que elas retomem essa frequência e que isso diminua a exposição delas ao uso das substâncias”, conclui. 
 

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Saúde
17/06/2021 04:00h

Só nos quatro primeiros meses deste ano na UTI de queimados, 17 das 41 admissões foram por acidentes envolvendo a substância.

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A pandemia de Covid-19 fez com que aumentasse o uso de álcool, tanto líquido quanto em gel, no ambiente doméstico. Isso fez com que subisse também o número de queimaduras graves causadas pelo inflamável, questão que tem preocupado a equipe da Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, em Minas Gerais, um dos centros de referência no País para esse tipo de atendimento.
 
Os dados de admissão em enfermaria e em terapia intensiva, em 2020 e 2021, demonstram a gravidade das queimaduras causadas por álcool. Só nos quatro primeiros meses deste ano, a unidade recebeu 138 pacientes, sendo 40 por queimaduras causadas por álcool, quase 30% das internações. Já na UTI de queimados, nesse mesmo intervalo de tempo, 17 das 41 admissões foram por acidentes envolvendo a substância. Ou seja, mais de 40% das internações graves, neste ano, ocorrem em razão da má utilização do produto.
 
Segundo a cirurgiã plástica e coordenadora do serviço, Kelly Danielle de Araújo, os acidentes domésticos mais comuns acontecem com crianças.  No caso do álcool, há diversos casos em que a criança higieniza as mãos e coça os olhos logo em seguida, o que pode causar queimadura química na córnea. Ela alertou como prevenir isso. “Dentro de casa não precisa ter álcool, a Anvisa já emitiu uma nota que água e sabão são eficazes para lavar as mãos e os saneantes comuns de limpeza também resolvem a limpeza”, disse. 

 

Mais da metade das queimaduras atendidas no Hospital João XXIII, considerando tanto os casos graves quanto os que nem sempre exigem internação, são causadas por contato com líquidos muito quentes, as chamadas escaldaduras. Em 2020, dos 1.537 atendimentos a queimados na unidade, 922 foram em decorrência desse tipo de acidente. Desse total, 181 foram com crianças de 0 a 11 anos.

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Com o isolamento social, a precaução deve ser aumentada. O cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), José Adorno, destacou que em grande maioria esses acidentes podem ser evitados.  “Evitar que as crianças fiquem na cozinha ou perto do fogão. Os idosos que também são acometidos porque vão lidar com situações de preparo de alimentos e acaba acontecendo acidentes. Então há uma série de medidas que é importante que todos entendam, que é importante ter essa consciência para que se evite as queimaduras”, afirmou.

Junho laranja

Promovido pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o Junho Laranja visa à conscientização da população e das autoridades quanto à prevenção de acidentes com queimaduras. Neste ano, o tema da campanha é “Álcool e fogo: mantenha distanciamento. Contra queimaduras, a prevenção é a vacina”. 
 
De acordo com a organização, no Brasil, são cerca de 150 mil internações por ano em razão de queimaduras. Desse total, em média, 30% são crianças. Prédios públicos estão sendo iluminados com a cor laranja em razão da data, entre eles, o Hospital João XXIII, Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII) e o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). 

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20/05/2021 19:50h

Especialistas afirmam que não há nenhuma relação entre o álcool e a eficácia da vacina. No entanto, o consumo excessivo da substância pode ser nocivo ao sistema imunológico

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O Brasil já aplicou 55.146.751 doses de vacinas contra o coronavírus, até o fim da tarde desta quinta-feira (20). Entre os imunizados está Paula Felice, brasiliense de 53 anos, que tomou a primeira dose nesta semana e vai celebrar o momento.

“Eu tomei a vacina da AstraZeneca e estou me sentindo muito bem. Vou agir com todas as precauções: máscara, álcool gel. Mas com certeza, sexta-feira, a cervejinha é de praxe, para celebrar a minha e as nossas vidas”, comenta.

Mas será que pode ingerir bebida alcoólica logo após tomar a vacina contra a Covid-19?

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz informa que “não foi identificada nenhuma interação entre a vacina e o consumo de bebidas alcoólicas nos estudos clínicos já realizados com a vacina Oxford/AstraZeneca/Fiocruz. Por não ser uma avaliação prevista nas pesquisas, não há qualquer informação sobre essa interação na bula da vacina”. 

“Além disso, não existe plausibilidade biológica que justifique uma eventual relação entre consumo de álcool e vacinação contra Covid-19, ou mesmo com outras vacinas. Considerando o mecanismo de ação da vacina e as consequências da ingestão moderada social de bebidas alcoólicas, não se espera que haja interferência”.

Covid-19: cerca de 18% da população já tomou a primeira dose da vacina e 9% a segunda

Aumento do consumo de álcool na pandemia pode levar à dependência e outros problemas de saúde

Malefícios do Álcool

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, apesar de não haver estudos que apontem qual volume de álcool seria prejudicial para a eficácia da vacina, o consumo excessivo da substância pode ser nocivo ao organismo.

“O que a gente sabe é que a ingestão crônica e abusiva do álcool é um hábito prejudicial a todos os sistemas do organismo, incluindo o sistema imune. Então a gente pode incluir a resposta imune à vacina nesse bojo”, ressalta. 

De acordo com a especialista, o mesmo se aplica às bebidas energéticas, que em excesso podem prejudicar o organismo. “Elas podem ter muita cafeína, muitos sais e componentes que podem ser agressivos para o organismo; mas não têm nenhuma correlação com a vacina”.

O epidemiologista da Sala de Situação em Saúde da Universidade de Brasília (UnB), Mauro Sanchez, também reforça os prejuízos do consumo excessivo de álcool.

“Se você abusa de álcool - principalmente se esse abuso acontece durante um período prolongado - isso pode causar imunossupressão, o que afeta biologicamente o organismo. O que se deve ter é o bom senso de não abusar de bebida alcoólica, como sempre deve ser feito”, recomenda.

Arte - Brasil 61

O consultor de tabaco, álcool e outras drogas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), Diogo Alves, elenca alguns problemas de saúde provocados pelo consumo de bebidas alcoólicas.

“O álcool está associado a mais de 200 problemas de saúde, incluindo doenças hepáticas, lesões gerais, segurança viária, violência, câncer, doenças cardiovasculares, auto violência ou suicídio, tuberculose e várias outras doenças sexualmente transmissíveis”. 

Recomendações Pós-Vacina contra Covid-19

A diretora da SBIm, Flávia Bravo, explica que após tomar a vacina contra a Covid-19, não é necessário fazer repouso ou evitar pegar peso. No entanto, é preciso ficar atento caso apareçam efeitos adversos.

“Você deve respeitar se tiver algum evento adverso: se tiver febre, se tiver mal-estar; tratando os sintomas. O mesmo vale para quem tem comorbidade: dedicar atenção e o cuidado específico a sua comorbidade”, explica. 

Além disso, os cuidados contra o coronavírus devem continuar mesmo após a vacinação, já que nenhum imunizante é 100% eficaz e, portanto, parte das pessoas vacinadas ainda são capazes de transmitir o vírus.

Cuidados com a Covid-19 devem continuar após a vacinação

#Pátria Vacinada

O Ministério da Saúde lançou o novo portal com dados sobre a vacinação no Brasil. A plataforma disponibiliza informações atualizadas sobre as doses disponíveis e aplicadas em cada estado brasileiro; quando os laboratórios devem entregar novas doses; ranking mundial de vacinação; recomendações de proteção contra o coronavírus e outras informações sobre a pandemia.

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19/04/2021 18:30h

Projeto Cuidar foi divulgado hoje (19), data em que se comemora o Dia do Índio

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Os ministérios da Cidadania e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançaram hoje (19) o Projeto Cuidar, que tem como objetivo conscientizar povos tradicionais e as comunidades indígenas sobre os efeitos do uso de álcool e outras drogas.

O início do projeto está previsto para o segundo semestre deste ano, caso as condições em relação a pandemia da Covid-19 permitam. O primeiro público a ser beneficiado será o da população indígena e, na primeira fase, as ações devem ser desenvolvidas no município de Dourados (MS).

De acordo com o ministro da Cidadania, João Roma, a parceria entre os ministérios atuará na capacitação de profissionais que possam mostrar novos caminhos e tratar diretamente na prevenção do uso de drogas e de álcool nas comunidades e povos tradicionais.

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18/02/2021 00:00h

Perigo é silencioso, pois há dificuldade em perceber hábitos como prejudiciais

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A pandemia do novo coronavírus acende um alerta para um perigo silencioso: o aumento do consumo de álcool. Uma pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), de 2020, mostra que o abuso de bebidas alcoólicas foi alto na pandemia para 42% dos brasileiros. Segundo o levantamento, 52,8% usam a substância como método para relaxar de algum sintoma emocional, como ansiedade, nervosismo, insônia, preocupação e irritabilidade.

É o caso de Jorge Queiroz, vendedor paulistano de 29 anos, que sentiu os impactos emocionais da pandemia. “Durante a quarentena, eu aumentei o consumo de álcool, devido à solidão, rotina totalmente alterada, tédio, ansiedade, angústia. Acabou sendo uma fuga para os sentimentos ruins da pandemia”, conta.

Segundo a psiquiatra Fernanda Benquerer, Referência Técnica Distrital de psiquiatria da Diretoria de Saúde Mental (Dissam) do Distrito Federal, a situação de Jorge se repete entre milhões de brasileiros, que precisam lidar com fatores de risco para a saúde mental, tais como a necessidade do isolamento, que reduz as redes de suporte social; sentimentos de medo e ansiedade por se contaminar ou contaminar outras pessoas; medo de perder entes queridos; o próprio luto, com restrições aos processos de despedidas; interrupção de tratamentos de transtornos mentais que já estavam em curso antes da pandemia; e o impacto econômico que gera desemprego e dificuldades para suprir necessidades básicas, como moradia e alimentação.

“Isso tudo pode ter aumentado, tanto o consumo de substâncias, quanto o risco do aparecimento de outros transtornos mentais”, comenta. A psiquiatra também chama a atenção para o risco de desenvolver dependência ou vício do álcool. “Esse aumento de consumo pode mesmo levar à dependência do álcool. A gente sabe que a dependência se desenvolve a partir do consumo frequente. É uma síndrome que a pessoa apresenta uma necessidade de aumento das quantidades ingeridas, ela bebe cada vez mais, para ter o mesmo efeito que tinha antes”, avalia.

O médico do Hospital das Forças Armadas de Brasília, doutor Hemerson Luz, explica que o desequilíbrio emocional e os fatores ambientais, nos quais o indivíduo está inserido durante a pandemia, podem levá-lo à dependência crônica e progressiva do álcool, a despeito de todos os efeitos prejudiciais à saúde provocados pelo excesso da substância no organismo.

Beber Pesado Esporádico

A pesquisa da OPAS também ressalta os problemas do “beber pesado esporádico” (BPE), caracterizado como consumir mais de 60 gramas de álcool puro, ou cerca de cinco doses, em pelo menos uma ocasião, durante os últimos 30 dias. O indicador busca detectar pessoas que consomem álcool em quantidade grande o suficiente para resultar em intoxicação e/ou dano, mas pode variar de acordo com o grupo sociodemográfico. 

O consultor de tabaco, álcool e outras drogas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), Diogo Alves, também comenta alguns problemas de saúde provocados pelo uso da substância. 

“O álcool está associado a mais de 200 problemas de saúde, incluindo doenças hepáticas, lesões gerais, segurança viária, violência, câncer, doenças cardiovasculares, auto violência ou suicídio, tuberculose e várias outras doenças sexualmente transmissíveis”. 

Alves também aponta os impactos socioeconômicos do consumo de bebidas alcoólicas. “Aqui na região das América [o álcool] é atribuído a pelo menos 5,5% do total de óbitos. Então todos esses óbitos acabam tendo um impacto no desenvolvimento dos países. Você tem perda de produtividade, aposentadoria precoce. Impactos econômicos e sociais”, comenta.

Tratamento

Vanessa Soublin, diretora de Serviços de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do DF, diz que a relação com o álcool precisa ser constantemente avaliada em nossas vidas, e pontua que reconhecer o consumo exagerado como uma patologia depende de uma avaliação profissional. 

“Não há uma 'quantidade segura' do consumo de álcool. O que a gente precisa usar como sinal de alerta são as repercussões negativas na nossa vida que o consumo pode estar fazendo. Se eu me envolvo em um acidente, se deixo de ir ao trabalho ou se meu consumo gerou conflito familiar, por exemplo. Qualquer uma dessas repercussões já pode ser um indicativo de que nosso uso deixou de ser recreativo”, ressalta.

A especialista orienta que a população com esse tipo de dependência conta com o apoio da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). “As pessoas podem procurar as unidades básicas de saúde (UBS) para avaliação do consumo e posteriores orientações. Se a gente já tem uma dependência química de maneira mais forte ou se tem essa suspeita, temos os Caps AD, que são Centros de Atenção Psicossocial. Eles são de porta aberta, ou seja, não é necessário agendar atendimento”.

Nos Caps, são realizados diversos tipos de atendimentos multidisciplinares, para que o paciente consiga ser avaliado e atendido dentro de um plano terapêutico adequado. Como pessoas que têm problemas mais graves enfrentam dificuldade de perceber o quadro, há ainda grupos orientativos para os familiares dos dependentes dentro dos Centros de Atenção.

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13/11/2020 14:00h

A medida fica em vigor até às 18h de domingo (15) em razão das Eleições Municipais de 2020

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O consumo de bebidas alcoólicas estará suspenso, a partir das 22h de sábado (14) até às 18h de domingo (15) em razão das Eleições Municipais de 2020. Bares, restaurantes, supermercados, mercearias e estabelecimentos similares não poderão vender os produtos alcoólicos. 

No Estado do Amazona a Portaria Conjunta n. 859/20 que retífica a decisão já foi publicada e assinada pelo presidente do TRE-AM, desembargador Aristóteles Thury e pelo Secretário de Segurança Pública, Louismar Bonates.

O descumprimento da determinação caracterizará a prática do crime de desobediência, previsto no artigo 347 do código eleitoral brasileiro (Lei nº 4.737/1965).

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05/10/2020 16:00h

Visando a prevenção durante as eleições deste ano, medida viabiliza o envio a Alagoas de itens como álcool em gel, máscaras e protetores faciais

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Em virtude da pandemia de Covid-19, um decreto estadual assinado no início de outubro isenta a cobrança do ICMS das doações de itens de proteção individual ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas. A medida visa garantir a segurança contra o coronavírus nas eleições municipais de 2020. A isenção incorrerá sobre todas as possibilidades de tributação do imposto, seja na chamada diferencial de alíquota, sobre o transporte da mercadoria ou quanto ao imposto antecipado.

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O projeto decorre de uma deliberação nacional do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), com a participação de secretários de Fazenda de todo o país. Com o decreto, Alagoas internaliza a isenção do ICMS, que passa a vigorar para a entrada dos produtos no território alagoano. 

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Alunos criaram o Limogel, álcool em gel à base de casca de laranja que evita incêndios e não resseca as mãos

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Alunos da Escola SESI Planalto, em Goiânia, foram premiados no Torneio SESI de Robótica – Desafio Covid-19. O torneio nacional contou com quase dois mil estudantes e 400 times inscritos em todo o país. A equipe TITANS desenvolveu o Limogel, álcool em gel à base de casca de laranja que evita incêndios e não resseca as mãos. O produto rendeu ao grupo o segundo lugar na competição, ficando atrás apenas da equipe do SESI Birigui, em São Paulo, que criou um filtro sanitizante para vasos sanitários.  

O Limogel é feito à base do limoneno – substancia encontrada na casca da laranja – capaz de afetar e desestabilizar vírus, bactérias, fungos e micróbios. A substância já havia sido testada contra alguns vírus como o da dengue, da febre amarela e da gripe aviária. Apresentando atividade na fase inicial da multiplicação viral, o produto pode ser utilizado como potencial agente antiviral. Componente natural, o limoneno é atóxico e ininflamável, bloqueando a propagação dos problemas apresentados. 

“A gente já tinha alguns estudos com o limoneno e sabíamos que era bactericida. Quando saiu a proposta desse desafio, a gente resolveu pesquisar mais a fundo para saber se tinha ação antiviral. Começamos nossas pesquisas sobre o limoneno em agosto do ano passado”, diz a aluna participante do projeto, Lorrany Gonçalves Cirqueira, de 16 anos. 

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O professor Fernando da Silva Barbosa, de 30 anos, trabalha na unidade SESI Planalto desde 2014. Ele destaca que a participação no torneio nacional serve de preparação para os jovens para o futuro. Barbosa chama atenção ainda para a importância do projeto além da premiação na competição.

“O projeto prepara esses adolescentes para a universidade, para a graduação. Já os deixa preparados para a área de pesquisa. Acredito que esse projeto tem uma relevância muito grande, porque pode ajudar pessoas que estão sofrendo com Covid-19. Nosso foco não foi só o torneio, mas sim ajudar pessoas no combate à pandemia e também baratear o custo. Minimizar a questão dos incêndios causados pelo álcool em gel, já que esse produto é ininflamável. Também a questão da alergia e do ressecamento das mãos, que o nosso produto não causa”, explica o professor. 

Barbosa diz ainda que o grupo precisou se adaptar ao trabalho remoto para dar continuidade à pesquisa. "Estamos acostumados a treinar 36 horas por semana. Os alunos estavam em um ritmo muito avançado de treinos. Tivemos que fazer 90% dos treinos online, tivemos pouquíssimos momentos presenciais. Conseguimos esse bom resultado e acredito que foi por conta do trabalho deles com outros torneios que já tínhamos participado”, completa. 

A equipe TITANS surgiu em 2015 e já havia participado de outros torneios nacionais e internacionais de robótica. Neste ano, os alunos participaram de três torneios virtuais. Em todos, saíram com prêmios. “Foi muito gratificante ficar em segundo lugar no Desafio Covid-19 de Robótica. Muito gratificante poder representar a nossa unidade do SESI”, diz Bianca Cristina da Silveira, de 16 anos, participante da TITANS. 



Premiação

Sete equipes foram premiadas: primeiro, segundo e terceiro lugares no geral, e ainda prêmios para o Melhor Projeto de Pesquisa; Melhor Projeto em Criatividade e Inovação; Melhor Proposta de Empreendedorismo e, também, de Impacto Social.

Todas as sete vencedoras receberam medalhas individuais por competidor e um troféu por equipe, da respectiva categoria conquistada. Além disso, as três primeiras colocadas foram convidadas a expor seus projetos em um stand exclusivo, durante o próximo Festival SESI de Robótica, previsto para ocorrer em maio de 2021.
 

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Brasil 61