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Baixar áudioA deputada federal Adriana Ventura (NOVO-SP) protocolou, no final do ano passado, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui um código de conduta para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e demais instâncias do Judiciário. O texto precisa de 171 assinaturas de deputados federais para começar a tramitar na Câmara. Ao Brasil61.com, a deputada defendeu a urgência da proposta.
“A criação de um código de ética é mais do que urgente. Precisamos resgatar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Imparcialidade não é escolha, não é opcional. A lei precisa valer para todos, inclusive para os ministros do STF.”
Segundo Ventura, a PEC não representa afronta à Corte, mas um mecanismo para fortalecer sua credibilidade institucional. “Diante de anulação de condenações e de comportamentos suspeitos, é importante que o país tenha um instrumento que não dependa de humor e boa vontade de ministros. Não tem nada na Constituição que obrigue tribunais superiores a ter regras de conduta”, argumenta.
A deputada também menciona o que considera um cenário de tensão entre os Três Poderes. “Temos visto um poder passando por cima do outro — o Legislativo sobre o Executivo, o Judiciário sobre o Legislativo. É muito importante preservar as nossas instituições para que a nossa democracia continue forte”, declara.
A proposta estabelece cinco diretrizes a serem observadas pelos integrantes da Suprema Corte:
“É importante estabelecer parâmetros claros de conduta para que realmente haja imparcialidade e impessoalidade, para que ninguém fique devendo favor para ninguém”, pontua Ventura.
A parlamentar também destaca a necessidade de transparência na relação entre magistrados e entes privados. “Os magistrados, principalmente do Supremo, precisam demonstrar independência. A partir do momento que eles recebem fortunas de empresas — seja por palestras, eventos ou benefícios — e depois eles julgam casos relacionados, há um comprometimento”, afirma.
Ela reforça que a intenção da PEC não é que o Legislativo elabore o Código de Ética do STF, mas cobrar da própria Corte a adoção de normas internas. “A intenção não é interferir no outro poder, mas questionar: ‘cadê o código de ética de vocês?’”, esclarece.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) lançou, em 12 de fevereiro, um manifesto em defesa de Códigos de Conduta como a materialização de valores que orientam decisões, relações institucionais e a atuação em favor do interesse coletivo.
Para a entidade, o código de conduta para ministros do STF e demais instâncias do Judiciário se consolida como um exemplo institucional relevante. Segundo o documento, “a credibilidade de uma instituição é construída a partir de princípios sólidos, coerência de conduta e responsabilidade pública”.
Ainda de acordo com o manifesto, toda a rede associativista brasileira compartilha desse entendimento.
A apresentação da PEC ocorre em paralelo ao pedido de impeachment contra o ministro do STF Dias Toffoli, protocolado em 12 de fevereiro pelo partido NOVO no Senado Federal. Com a nova solicitação, o ministro soma dez pedidos de impeachment na Casa.
A justificativa do NOVO tem como base a Lei 1079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade. Segundo o partido, quando era relator do processo envolvendo o Banco Master, o ministro Dias Toffoli foi citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira. No mesmo dia, o ministro deixou a relatoria do processo, o que não impede a análise do pedido de impeachment.
“O que que tem nessas gravações? Menções a pagamentos de valores altíssimos. E em momento nenhum o ministro Dias Toffoli negou o recebimento desses valores. Ele é sócio de uma empresa de participações que tem ligação com toda a teia investigada. Existe um grave conflito de interesse. Como que o ministro do STF pode relatar e decidir um caso que ele tem relação financeira com essa pessoa?”, questiona a deputada Adriana Ventura.
Apesar disso, a deputada diz não acreditar que o pedido avance no Senado, sob a presidência de Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP). “Não acredito que haja um real esforço por parte do presidente, do senador Davi Alcolumbre, de levar esse caso à frente. Mesmo na Câmara, há uma tendência de dar uma abafada”, avalia.
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Baixar áudioO número de donas de negócios no Brasil alcançou uma marca inédita em 2022. Segundo o estudo realizado pelo Sebrae, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, no terceiro trimestre do ano passado havia 10,3 milhões de mulheres empreendedoras no país, o maior contingente da história.
Depois de ser fortemente abalado pelas restrições para combate à Covid-19, o setor de serviços vem se recuperando diante da reabertura econômica. O setor é onde se percebe a maior participação de mulheres (53%). Na sequência, vem comércio (27%), indústria (13%) e agropecuária (7%).

O estudo também aponta as atividades com predomínio de donas de negócios. Elas representam mais de 60% do total nas atividades de cabeleireiros e tratamento de beleza, comércio de vestuário e serviços de catering, bufê e serviços de comida preparada.
Logo em seguida vem o comércio de produtos farmacêuticos, cosméticos e perfumaria, confecção sob medida, profissionais de saúde (exceto médicos e odontólogos), confecção (vestuário), outras atividades de serviços pessoais, outras atividades de ensino e fabricação de artefatos têxteis.
Para a coordenadora Nacional de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Renata Malheiros, apesar do crescimento de mulheres empreendedoras no país, é preciso investir mais no desenvolvimento do empreendedorismo feminino na base tecnológica.
“As mulheres empreendedoras no Brasil empreendem muito no setor de serviços e nos segmentos de alimentos e bebidas, moda e beleza que são setores superimportantes, só que a gente observa ainda que existe um caminho grande para que as mulheres possam desenvolver ainda mais empresas com base em serviços tecnológicos: mulheres na robótica, mulheres nas exatas, mulheres nas engenharias, inteligência artificial, blockchain, ou seja, essas tecnologias disruptivas que de fato trazem muita inovação e dinheiro para os empreendedores que têm os seus negócios vinculados a essas tecnologias”, observa.
Atuando há 25 anos no segmento metalúrgico, Giordania Tavares aprendeu muito do negócio acompanhando o pai, fundador da empresa e incentivador de sua carreira. Hoje, como exemplo de liderança feminina no mercado da construção civil, a CEO da Rayflex destaca que as mulheres devem estar cada vez mais bem informadas.
“É um mundo muito mais masculino, a gente tem que estar sempre antenadas com todas as mudanças, principalmente no que a gente fala em requisitos técnicos. Eu cresci bastante como pessoa e como profissional depois que eu mudei a minha função para a liderança, eu aprendo muito hoje, consigo compartilhar e ensinar bastante também”, aponta.
O número total de donos de negócios (mulheres e homens) foi estimado em cerca de 30 milhões no terceiro trimestre de 2022. É mais um recorde da série histórica, de acordo com o Sebrae.
O levantamento indica que as mulheres representavam 34,4% do universo de donos de negócios no país em 2022, número muito próximo do recorde de 34,8%, verificado no período antes da pandemia.
A pesquisa aponta também que as mulheres conseguiram se recuperar da perda registrada no período da pandemia, quando a proporção de mulheres donas de negócios caiu ao pior nível: 33,4%, no segundo trimestre de 2020.
Para amenizar o efeito da pandemia, foi criado o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. O Pronampe tem como objetivo facilitar o acesso ao crédito às empresas endividadas em decorrência do aumento da necessidade de empréstimos devido à redução no faturamento durante as restrições sanitárias da Covid-19. A medida provisória 1139/2022 estendeu o prazo para pagamento do financiamento de 4 para 6 anos.
A MP prevê ainda uma carência de 12 meses para o início dos pagamentos dessa linha de crédito e estende de 5 para 6 anos o prazo de pagamento nos casos em que a empresa contratante tenha sido reconhecida pelo governo federal com o selo Emprega + Mulheres (Lei 14.457, de 2022). A MP agora está em análise no Senado Federal.
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) defende a importância do empreendedorismo feminino como um meio de transformação social, para que as mulheres se tornem protagonistas de suas próprias vidas.
“Empreendedorismo feminino primeiro é bom para dar autonomia financeira para as mulheres. As pessoas falam muito de violência, mas muitas vezes as violências acontecem porque a mulher não tem como sair de casa e depende de alguém por questões financeiras. Então falar de empreendedorismo, vai além de falar sobre subsistência, vai falar de combater também violência, dar autonomia para as pessoas”, ressalta.
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Baixar áudioO tempo médio para abertura de uma empresa no Brasil foi de 24 horas em 2022. É o que aponta o Mapa de Empresas, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O boletim do 3º quadrimestre de 2022 mostra que a demora na abertura de empresas caiu da faixa de 2 dias, em 2021, para 1 dia, no ano de 2022.
Unidades federativas com menor tempo para abertura de empresas
Em Roraima, Mato Grosso, Maranhão, Pernambuco, Paraíba e Mato Grosso do Sul a média também foi menor que 20 horas.
Unidades federativas com maior tempo para abertura de empresas
Nos estados de São Paulo, Ceará, Piauí e Santa Catarina a média de tempo também ficou acima de 1 dia. O Centro-Oeste é a região com o menor tempo de abertura, 19 horas, enquanto o Sudeste apresenta o maior tempo médio entre as regiões, 1 dia e 3 horas.
Os dados mostram que o empresário individual apresentou tempo de abertura de empresas de 22 horas e se destacou como a modalidade com o menor período. O economista da Cooperativa Brasileira de Serviços Empresariais (CBRASE) Guidi Nunes afirma que o processo simplificado de cadastro de microempreendedores individuais (MEI) é fundamental.
“É importante essa simplificação para facilitar as condições de quem precisa empreender por necessidade e não tem capital ou recurso financeiro para estruturar um negócio de maior porte. O pessoal tem dificuldade de emprego, então vai lá e abre o negócio para empreender, gerar uma renda para ele e a família. É um porta de entrada no meio empresarial, onde ele vai conseguir se estruturar na medida em que consiga aglutinar mais pessoas e atrair capital para a sua atividade empresarial”, explica.
Tipos de empresa e tempo de abertura
Abertura de empresas em 2022
Segundo o Mapa de Empresas, o país registrou em 2022 quase 20,2 milhões de empreendimentos ativos. Mais de 3,8 milhões de empresas foram abertas e quase 1,7 milhões fecharam as portas no Brasil, em 2022. Na comparação com 2021, houve queda de 4,8% no número de aberturas, enquanto 19,8% a mais foram fechadas.
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP), que participa da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, comenta que o ambiente de negócios no Brasil ainda é “extremamente árido”.
“Querer empreender no Brasil você precisa ser herói. Primeiro, uma carga tributária absurda, que tira realmente a gente do foco que deveria ser o negócio, você fica preocupado como eu vou pagar isso, porque é uma coisa que extrapola e tira a competitividade, o que a gente chama de Custo Brasil. Segundo essa insegurança, um dia de um jeito, outro dia de outro, daí na semana seguinte mudaram de ideia. Então, além de você batalhar para gerar emprego, gerar renda, gerar riqueza, você ainda dorme com o risco de no dia seguinte você ter dívidas, estar criando dívidas e não saber. Então isso é um problema.”
Em tramitação no Congresso Nacional, a reforma tributária visa reduzir o entrave gerado pelo sistema de cobrança de tributos à criação de novas empresas. São três as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) mais adiantadas. A PEC 45/2019, da Câmara, propõe substituir cinco impostos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por um único imposto sobre bens e serviços (IBS).
No Senado, a PEC 110/2019 pretende extinguir nove tributos: sete federais — IPI, IOF, PIS/Pasep, Cofins, Salário-Educação e CIDE Combustíveis; o ICMS estadual; e o Imposto sobre Serviços (ISS) municipal. O texto prevê a substituição desses tributos por dois novos impostos: um sobre o valor agregado sobre bens e serviços; e outro voltado para determinadas atividades, o Imposto Seletivo, em substituição ao IPI.
O imposto sobre valor agregado é uma forma de estabelecer transparência para o consumidor. O valor da mercadoria é pago por fora e o contribuinte pode ver exatamente quanto está pagando além do valor do produto. Também no Senado, a PEC 46/2022 traz em seu texto a unificação de leis estaduais, distritais e municipais que regulam ICMS e ISS, com o objetivo de simplificar a tributação sobre o consumo.
MEI
Os empresários individuais e microempreendedores individuais (MEI) se destacam nos números. Respondem juntos por quase 14 milhões de empresas ativas no país e por mais de 3 milhões dos novos empreendimentos registrados em 2022. Desses, 2,9 milhões são MEIs. O número pode ser explicado pela facilidade de abertura, crédito simplificado e regime especial de tributação aos quais os interessados em ser MEI têm acesso. Para Guide Nunes, os benefícios deste tipo de empresa contribuem para a parcela mais vulnerável da população.
“A proteção social, a oportunidade de pagar menos impostos na medida em que precise renovar o seu estoque de mercadoria, caso a pessoa venda mercadoria, ou de compra de insumos que é o caso dos prestadores de serviços. A existência do MEI veio para formalizar aquela parcela da economia brasileira que empreende por necessidade”, afirma.
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Baixar áudioO Brasil ocupa o 7º lugar no ranking mundial de empreendedorismo feminino. Os dados são do Instituto Rede Mulher Empreendedora, que apontam também um número superlativo em relação às mulheres gestoras do próprio negócio no Brasil: são 30 milhões de empresárias brasileiras. A busca de independência financeira e crescimento profissional são alguns dos motivos para essa arrancada no mercado, segundo o estudo.
A pesquisa também destaca os desafios a serem enfrentados no empreendedorismo feminino, como o baixo faturamento, a informalidade e a falta de conhecimento em tecnologias para alavancar os negócios, como ferramentas de redes sociais. O faturamento mensal ainda é uma das maiores barreiras. De acordo com os índices da Rede Mulher Empreendedora, 63% das brasileiras que empreendem ganham até R$ 2.500 por mês. Por outro lado, 50% dos homens conseguem ganhar mais do que esse valor, ultrapassando a marca dos R$ 10 mil, enquanto apenas 38% do sexo feminino atingem esse valor.
A informalidade também é uma das barreiras para as empreendedoras no Brasil. O levantamento mostrou que o percentual de mulheres que não possuem CNPJ varia nos estados. Na região Sudeste, elas são 41%; no Sul, 43%; na região Centro-Oeste, 49%; no Nordeste, 63%; e na região Norte, 75%.
Já o número médio de mulheres donas do próprio negócio por estado é de 34% segundo outra pesquisa do Sebrae, intitulada “Empreendedorismo Feminino no Brasil em 2021”. O levantamento tem base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. Os maiores índices foram registrados no estado do Rio de Janeiro: 38%. Em seguida vêm Sergipe e o Distrito Federal, com 37% e, na sequência, Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul e São Paulo, com 36%.
Em 2015, Jailza Oliveira decidiu começar o próprio negócio, em São Paulo. A empreendedora teve a ideia quando se casou, pois não encontrava lembrancinhas compatíveis com o orçamento disponível para a festa. Jailza resolveu, então, fazer os presentes, aprendeu pela internet a produzir mini aromatizadores e, com o sucesso, abriu o Cravo da Índia Difusores. Para a empresária, a importância do empreendedorismo feminino está na independência financeira e na redução das diferenças entre homens e mulheres. Mas ela destaca que ainda há muitos obstáculos.
“O desafio de ser uma mulher empreendedora é o preconceito. As pessoas não acreditam no seu potencial. E é difícil o preconceito familiar, que acha que não é um trabalho e falta apoio em casa, com filhos e marido. Para a mulher é mais difícil que para o homem, porque a mulher é vista na sociedade com uma imagem de fragilidade. Acham que a mulher não é capaz de resolver muitas coisas, mas a gente consegue. O conselho que eu dou (à mulher que deseja empreender) é que ela seja persistente naquilo que se dispôs a fazer. Não dê ouvido às coisas que não acrescentam em nada. Se você tem um objetivo, um projeto, vá e faça”, ressalta.
A deputada federal Adriana Ventura (NOVO-SP) defende que o Congresso precisa discutir todas as propostas que possam ajudar a destravar a economia, como as reformas administrativa e tributária, entre outras ações para melhorar a vida da mulher empreendedora. Tornar o estado menos pesado, segundo a parlamentar, é a maneira mais eficiente para que os negócios consigam prosperar. Mas ela também sugere outras propostas.
“A gente precisa facilitar o acesso das mulheres ao crédito, por isso é preciso que mulheres, que são ótimas credoras, responsáveis, muitas são arrimo de família, a gente precisa que elas consigam pegar dinheiro emprestado para começar um negócio, para ampliar seu negócio. E que ela possa seguir assim. Então, é muito importante que o Congresso faça um esforço para melhorar a vida dessa mulher que quer empreender.”
Ainda de acordo com dados da Rede Mulher Empreendedora, o desemprego e a falta de renda durante a pandemia impulsionaram 26% das mulheres a dar o pontapé inicial no negócio. A pesquisa aponta ainda que 77% delas avaliam que são totalmente ou parcialmente independentes financeiramente.
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Baixar áudioCriar um negócio, gerir, vender, empreender. Palavras-chave para quem, por vontade própria ou por necessidade, deixa as certezas da carteira assinada de lado e corre atrás do próprio sonho.
De acordo com o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), este ano, cerca de 10 milhões de mulheres são empreendedoras no Brasil. Ainda segundo o estudo, mulheres representam 34% dos empreendedores do nosso país. A consultora de imagem Nara Moura faz parte desse grupo.
Funcionária de um jornal por 10 anos, a publicitária de formação tinha a segurança de uma carteira assinada e a tranquilidade de um salário fixo no fim do mês. Mas nunca amou o que fazia. Há dois anos criou coragem para mudar de carreira e, finalmente, se tornar empreendedora.
Passou mais de um ano se especializando em consultoria de imagem, fez cursos, estudou. O começo não foi fácil: trabalhou mais de 12 horas por dia, correu atrás de clientes e divulgou seu trabalho, superando todas as dificuldades.
“Estudo, dedicação e intuição. Uma equação bem feminina. O que fez toda diferença nessa transição de carreira foi a determinação. Quando resolvi que iria empreender, não houve nenhum dia que fiquei esperando algo acontecer. Eu fiz acontecer. Estudo, vontade, coragem e atitude, sem sombra de dúvida são ações que fazem com que o empreendedorismo saia do papel e, de fato, aconteça.” Explica a, hoje, empreendedora.
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com instituições globais que incentivam a criação de negócios próprios sob o comando de mulheres, o Dia do Empreendedorismo Feminino (19 de novembro) levanta questões importantes sobre a participação da mulher no mercado de trabalho. A data promove o debate na sociedade sobre os desafios, as batalhas e as conquistas de mulheres que administram seus próprios negócios.
Segundo dados do Sebrae, do total de Micro Empreendedores Individuais (MEI) registrados no Brasil em dezembro de 2021, 46,7% eram do sexo feminino. E uma pesquisa feita pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora 2022 traz o perfil desta mulher: 60% delas se declaram negras.
Metade (50%) das mulheres pertencem à classe C. O levantamento mostra ainda que 55% delas estão no setor de comércio, ou seja, vendem produtos feitos por elas mesmas ou por outras pessoas. A pesquisa ainda perguntou às 3.386 mulheres o que elas achavam sobre o cenário político atual. Entre as entrevistadas, 70% responderam que gostariam de participar mais ativamente da vida política, até mesmo se candidatando a algum cargo público.
Para a deputada federal pelo partido Novo, Adriana Ventura, discutir empreendedorismo é fundamental porque vai além da renda, trata-se de liberdade. Segundo ela, “a mulher, quando consegue se sustentar sozinha, ela conquista um bem muito maior que ela poderia para sua vida, que é conquistar a liberdade. Ela se torna a dona do seu nariz, das suas discussões, da sua vida. Ensinar uma mulher a empreender é ajudá-la a ser livre e forte. O empreendedorismo é a saída orgânica para tão almejada igualdade entre gêneros”.
Entre as ações para melhorar a vida da mulher empreendedora, o congresso precisa discutir todas as propostas que possam ajudar a destravar a economia, como as reformas administrativa e tributária. Tornar o estado menos pesado, segundo a deputada, é a maneira mais eficiente para que os negócios consigam prosperar. Mas ela também sugere outras propostas.
“A gente precisa facilitar o acesso das mulheres ao crédito, por isso é preciso que mulheres, que são ótimas credoras, responsáveis, muitas são arrimo de família, a gente precisa que elas consigam pegar dinheiro emprestado para começar um negócio, para ampliar seu negócio. E que ela possa seguir assim. Então é muito importante que o Congresso faça um esforço para melhorar a vida dessa mulher que quer empreender.
A ONU Mulheres e o Pacto Global estabeleceram uma lista com sete Princípios de Empoderamento das Mulheres. A ideia é que funcionem como orientações para empresas que busquem estabelecer a equidade de gênero entre seus funcionários.
Conheça os sete Princípios de Empoderamento das Mulheres:
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Baixar áudioA indústria de transformação do estado de São Paulo teve saldo de 20.435 vagas de emprego com carteira assinada em janeiro. O setor ficou atrás apenas do de serviços (27.618) entre aqueles que mais geraram novas oportunidades de trabalho no estado. No entanto, se somadas as contratações da construção (13.864), a indústria sobe para o primeiro lugar. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O desempenho do setor no estado reflete a performance da indústria no nível nacional. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o emprego no setor aumentou 0,1% no primeiro mês do ano. O índice vem subindo desde novembro e acumula alta de 0,5% no período.
Além disso, o faturamento real da indústria de transformação cresceu 2,8% em janeiro de 2022. Foi a terceira alta consecutiva do indicador, que já havia crescido em novembro e dezembro. A alta acumulada nesse período é de 6,6%. Apesar do bom resultado em ambos os indicadores, o economista Benito Salomão destaca que é preciso esperar mais para ver se a retomada da atividade industrial é sustentável.
“Eu acho que ainda é cedo para falar em uma recuperação da indústria, porque você está utilizando só dois indicadores: faturamento, que cresceu, e emprego, que cresceu, mas levemente, uma alta de 0,1%, praticamente uma estabilidade. Se você olhar as horas trabalhadas, esse indicador está estável. Se você olhar a produção, a produção está em queda”, avalia.
“Esse aumento do faturamento, na verdade, pode estar significando simplesmente uma alta de preço e não, necessariamente, uma expansão do setor como a gente gostaria”, completa Benito.
SC: Indústria gerou mais empregos que todos os outros setores somados em janeiro
Contraponto
Na contramão dos bons resultados, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 0,3% entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, e chegou a 79,1%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em junho do ano passado — último mês em que o indicador subiu — a UCI alcançou 83,3%, o ponto mais alto desde 2014.
A UCI é o índice que mede a quantidade de máquinas e equipamentos da indústria que estão em uso para atender à demanda. Quanto menor esse indicador, mais ociosidade há nas empresas. Na prática, significa que há mais máquinas e equipamentos parados do que havia em junho de 2021.
Essa foi a sétima queda consecutiva da UCI da indústria brasileira. Para a deputada federal Adriana Ventura (Novo/SP), isso é sintoma de um problema antigo: a desindustrialização da economia nacional. “A gente está passando por um processo de desindustrialização há muito tempo, até por conta desse Custo Brasil. Então, existe uma capacidade ociosa que nós precisamos ocupar”, afirma.
A parlamentar alerta que é preciso incentivar as pessoas e as empresas a produzirem. “Hoje, ninguém tem incentivo para produzir sem que isso implique num custo pessoal que tira a pessoa do seu prumo, uma vez que ele não consegue atender e não é competitivo”, destaca.
“Nosso trabalho é incentivar a indústria, gerar emprego, riqueza, diminuindo esse Custo Brasil, que é o que a gente tenta fazer através das reformas tributária e administrativa. A gente tem um Estado inchado, que sobrecarrega demais os empresários, os industriais e quem quer produzir”, conclui.
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