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Baixar áudioO domingo (24) será marcado por instabilidades em grande parte da Região Sul. A atuação de uma frente fria favorece o aumento da nebulosidade e a ocorrência de chuva em todo o todo o Paraná e parte de Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, o tempo segue firme, com céu entre nuvens. As temperaturas ficam mais amenas devido à cobertura de nuvens.
Em Santa Catarina, o tempo permanece instável em todas as áreas, com céu nublado e pancadas de chuva ao longo do dia.
No Paraná, a instabilidade atinge o sul do estado, com pancadas a partir da tarde.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 13°C em Curitiba; já a máxima está prevista para Porto Alegre, de 22°C. A umidade relativa do ar varia entre 40% e 100%.
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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Baixar áudioA previsão do tempo para a Região Centro-Oeste neste domingo (24), de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), apresenta pancadas de chuva em parte de Mato Grosso do Sul, na região sul onde estão situados municípios de Iguatemi, Coronel Sapucaia, Eldorado, Itaquiraí e Mundo Novo. Nas demais regiões, o tempo fica encoberto por nuvens.
Em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso há variação entre nuvens, mas sem previsão de chuva.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 17°C no Distrito Federal. Já a máxima pode chegar a 29°C, em Goiânia. A umidade relativa do ar varia entre 40% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Copiar o textoNo estado de São Paulo, o tempo segue mais fechado, com possibilidade de chuva ao longo do dia
Baixar áudioA Região Sudeste será este domingo (24) marcada por muita nebulosidade e condições para chuva em diferentes pontos do território.
No estado de São Paulo, o tempo permanece mais fechado, com possibilidade de chuva ao longo do dia, especialmente nas áreas do interior e no oeste paulista. Na capital e faixa litorânea, o sol aparece entre nuvens, mas ainda há chance de pancadas rápidas. Já no noroeste do estado o tempo fica encoberto com nuvens.
A previsão de chuva também se estende ao sul de Minas Gerais. Já no Rio de Janeiro e no Espírito Santo a previsão é de tempo seco com muitas nuvens.
Entre as capitais, mínima de 15ºC em Belo Horizonte. A máxima deve chegar a 28ºC em Vitória. A umidade relativa do ar varia entre 50% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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Baixar áudioA previsão do tempo para a Região Norte neste domingo (24), de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), apresenta pancadas de chuva que podem ser acompanhadas por trovoadas isoladas no Amazonas, Pará, Amapá e Roraima.
No Acre e em Rondônia a previsão é de tempo firme com muitas nuvens. Já em regiões do Tocantins as temperaturas ficam elevadas e o céu, claro.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 20°C em Rio Branco. A máxima pode chegar a 35°C, em Palmas. A umidade relativa do ar varia entre 40% e 100%.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Copiar o textoHá possibilidade de chuvas na região litorânea
Baixar áudioA previsão do tempo para este domingo (24), de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indica céu com poucas a muitas nuvens em toda Região Nordeste.
Há possibilidade de chuvas que podem se tornar pancadas em toda faixa litorânea da Bahia até o litoral sul do Rio Grande do Norte.
Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 23°C em Natal e Recife. Já a máxima pode alcançar os 35 °C em Teresina. A umidade relativa do ar varia entre 40% e 95%, com os índices mais baixos concentrados no interior da região.
As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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Baixar áudioO Brasil recebeu US$ 77 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2025 e passou a ocupar a terceira posição entre os principais destinos globais de capital produtivo, segundo dados preliminares divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O país ficou atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O resultado representa uma mudança relevante na posição brasileira no ranking internacional.
Segundo o gerente de Inteligência de Mercado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Gustavo Ribeiro, os fluxos em 2025 aumentaram em torno de 15%, o que, para ele, se trata de uma alta significativa.
“Mostra uma reativação de fluxos em 2025 em relação a 2024. E os dois países que ficaram na frente do Brasil foram Estados Unidos e China. E o Brasil em terceiro, isso é muito significativo. Historicamente, o Brasil fica em quinto, sexto nessa recepção de fluxo. Então, ele ganha duas posições, excluindo as jurisdições que normalmente são de trânsito de capital, Hong Kong e Singapura”, destaca.
Na metodologia utilizada pela OCDE, foram desconsideradas jurisdições financeiras que funcionam principalmente como centros de trânsito de capital. Com isso, o Brasil superou economias como Alemanha e Reino Unido.
O desempenho ocorre em meio à retomada do fluxo global de investimentos e ao aumento das ações de promoção comercial conduzidas pelo governo brasileiro nos últimos anos.
Por meio de parcerias entre a ApexBrasil, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foram realizadas 22 missões empresariais acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras cinco com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
As agendas reuniram ministros e mais de 10 mil empresários brasileiros e estrangeiros. Segundo a ApexBrasil, os encontros resultaram em anúncios de aproximadamente R$ 250 bilhões em investimentos previstos para o país.
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As missões tiveram foco na abertura de mercados, ampliação de parcerias comerciais e atração de investimentos para setores estratégicos da economia brasileira.
Entre os países em desenvolvimento, o Brasil ampliou a distância em relação a concorrentes equivalentes na disputa por capital estrangeiro. O México, apontado como o mercado emergente mais próximo do país nesse ranking, ficou na sétima posição global em 2025.
O relatório da OCDE também aponta crescimento de 15% nos fluxos internacionais de investimento em comparação com o ano anterior. Entre os principais emissores de capital para outros países aparecem Estados Unidos, Japão e China.
A China, ao mesmo tempo em que figura entre os maiores receptores de investimento do mundo, também amplia sua presença como investidora internacional. No Brasil, os aportes chineses têm sido direcionados principalmente a projetos de infraestrutura, transição energética e neoindustrialização.
Entre os setores que mais receberam investimentos estão os de veículos elétricos, energia eólica e energia solar, áreas frequentemente incluídas nas rodadas de negócios promovidas pela ApexBrasil.
Os dados de fluxo global de investimento são divulgados periodicamente por organismos internacionais como a OCDE e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). No Brasil, o Banco Central acompanha os indicadores internos de entrada de capital estrangeiro, mas não produz rankings comparativos entre países.
A ApexBrasil atua na promoção de produtos e serviços brasileiros no exterior e na atração de investimentos estrangeiros para setores estratégicos. A agência também desenvolve ações de inteligência de mercado, capacitação empresarial e rodadas de negócios voltadas à inserção de empresas brasileiras no comércio internacional.
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Baixar áudioA economia brasileira vive um cenário de “equilíbrio precário”, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal. A avaliação consta no mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado pela entidade na última quinta-feira (21).
Segundo a IFI, o atual arcabouço fiscal continua se sustentando porque o governo consegue cumprir as metas por meio do uso de descontos legais previstos na legislação — mecanismos que permitem excluir determinadas despesas do cálculo oficial do resultado primário.
Além disso, o cumprimento das metas também é favorecido pelo uso da banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal. Na prática, isso significa que, mesmo sem atingir exatamente o objetivo de déficit zero, o governo ainda pode ser considerado dentro da meta caso permaneça nos limites permitidos pela regra fiscal.
Apesar disso, a IFI alerta que os déficits primários efetivos seguem recorrentes. Em outras palavras, o governo continua gastando mais do que arrecada nas despesas primárias, enquanto a dívida pública mantém trajetória preocupante de crescimento.
O relatório também destaca que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e derivados abriram espaço para medidas mitigadoras, renúncias fiscais e concessão de subvenções. Segundo a entidade, esse cenário também favoreceu discussões como o fim da “taxa das blusinhas” e contribuiu para a formação de uma margem de segurança para o cumprimento das metas fiscais de 2026.
Para os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de medidas mais profundas de ajuste fiscal.
“Além da votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027) e da Lei Orçamentária Anual (LOA 2027), teremos apenas decisões inevitáveis, como a regulamentação do Imposto Seletivo (IS), que substituirá, no próximo ano, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme previsto na Reforma Tributária”, afirmam os diretores.
Segundo eles, a reestruturação fiscal e orçamentária mais ampla deverá ficar para o próximo mandato presidencial.
Mesmo após a reforma estrutural de 2019, as despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) voltaram a crescer em termos reais depois de 2021. De acordo com o RAF, os gastos previdenciários corresponderam, em 2025, a 8,1% do PIB e a 42,9% das despesas primárias totais da União.
O relatório aponta que o aumento do número de aposentadorias urbanas e rurais, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas.
Para a IFI, diante do envelhecimento populacional e do peso crescente da Previdência no orçamento, o tema continuará no centro do debate fiscal nos próximos anos.
O RAF também analisa o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A IFI avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta, como projeções de crescimento do PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, arrecadação e desemprego.
A entidade também examinou as projeções fiscais derivadas dessas estimativas, incluindo receitas, despesas, resultado primário e trajetória da dívida pública.
Segundo a IFI, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário:
“Inevitável assinalar que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela IFI”, ressaltam Pestana e Andrade.
Os diretores acrescentam que as divergências nas projeções para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio produzem diferenças relevantes nas estimativas de arrecadação, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública nos próximos anos.
O relatório completo pode ser consultado no portal da Instituição Fiscal Independente.
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Copiar o textoO setor mineral brasileiro vive um momento de inflexão na sua relação com o sistema financeiro. Pela primeira vez em duas décadas, grandes bancos comerciais estruturam áreas dedicadas à mineração, fundos de private equity especializados captam recursos em escala e o BNDES posiciona minerais críticos como prioridade estratégica do banco. O diagnóstico, porém, é de um mercado ainda em construção — pressionado por incertezas regulatórias, volatilidade de commodities e pela tensão entre o tempo geológico dos projetos e o tempo financeiro dos investidores.
Esse foi o tom predominante do painel sobre financiamento à mineração realizado durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (SIMEXMIN 2026), promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) entre 17 e 20 de maio em Ouro Preto, edição que celebra os 30 anos da entidade. O debate, articulado pela Rede Invest Mining— iniciativa colaborativa que reúne ABPM, ADIMB e IBRAM com apoio do BNDES, Apex Brasil, ANM, Ministério de Minas e Energia e Serviço Geológico do Brasil —, colocou frente a frente representantes do principal financiador público do setor, gestoras especializadas em mineração e CEOs de empresas em diferentes estágios de maturidade.
A frase que sintetizou o momento atual veio de Eduardo Cardoso, CIO e sócio da Ore Investiments no painel: "Estamos no momento em que o recurso financeiro está correndo atrás do recurso mineral." A inversão, segundo ele, é histórica. Em ciclos anteriores, eram os mineradores que perseguiam capital. Hoje, com a corrida global por minerais críticos e estratégicos para a transição energética, ativos brasileiros entraram no radar de fundos internacionais, tradings, OEMs de tecnologia e até de governos”.
O dado mais expressivo do novo ciclo veio da apresentação de Flávio Mota, chefe do Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES. Ele informou que a chamada pública lançada pelo banco no final de 2024 para apresentação de planos de negócio em transformação mineral — desde o upstream até o produto manufaturado — esperava atrair R$ 5 bilhões em propostas. Recebeu R$ 85 bilhões em 124 planos de negócio, dos quais 56 foram selecionados, totalizando R$ 46 bilhões em investimentos previstos. Minas Gerais e Bahia concentram parcela majoritária dos projetos.
"O BNDES, que estava muito próximo dos grandes atores do setor, passa a se aproximar das junior mining companies, que são as principais detentoras dos direitos minerários sobre ativos de minerais críticos e estratégicos", explicou o executivo do banco. O movimento se materializou no FIP Mineral, fundo de investimento em participações estruturado em parceria com a Vale para apoiar micro, pequenas e médias empresas de mineração, com foco em minerais críticos, estratégicos e da segurança alimentar — potássio, fósforo e remineralizadores.
O banco também atualizou em 2025 sua Política Socioambiental e Climática para a Mineração, incorporando a esfera climática às dimensões de meio ambiente, comunidade e segurança do trabalhador. Para Flávio Mota, esse regulamento passa a ser o direcionador de todas as análises de projetos do setor.
O executivo do BNDES sintetizou em três blocos os desafios para destravar capital no setor: mercado, geopolítica e questões socioambientais e climáticas. No primeiro pilar, a ausência de contratos de off-take com volume, preço e prazo definidos para minerais críticos foi apontada como o principal obstáculo à estruturação de project finance — modelo que funciona no setor elétrico brasileiro graças a contratos de longo prazo, mas que ainda precisa ser adaptado à realidade da mineração de commodities.
No campo geopolítico, ele posicionou o Brasil em meio à disputa entre Estados Unidos e União Europeia pelo controle das cadeias de minerais críticos. Os EUA anunciaram o Projeto Vault, com previsão de US$ 10 a 12 bilhões para construção de reservas estratégicas, enquanto a UE estrutura uma rede de instrumentos financeiros da ordem de € 3 bilhões para viabilizar projetos. "Estamos no meio de uma briga de gigantes, mas isso não nos torna pequenos. Detemos grandes reservas minerais, e essa rigidez locacional coloca o Brasil como ator importante na equação geopolítica internacional", afirmou.
Ricardo Fonseca, da Prisma Capital — gestora que administra uma carteira de US$ 5,5 bilhões em setores que incluem a mineração — foi categórico ao identificar as principais barreiras para alocação de capital em projetos juniores. A primeira delas, para ele, não está na geologia, mas na percepção subjetiva do risco-jurisdição. "Quando temos um atraso de 1, 2, 3 anos no licenciamento, impacta a taxa interna de retorno mínima esperada. E isso afasta o investidor estrangeiro do empreendedor doméstico", explicou.
A segunda barreira é estrutural à economia brasileira. "Historicamente, o Brasil é um país de taxas de juros altas, rentista e curto-prazista. Não temos cultura de investimento de alto risco e longo prazo." A consequência prática é a fuga de capital doméstico para renda fixa toda vez que o CDI sobe — um risco recorrente que penaliza a captação de projetos de mineração no mercado de capitais nacional.
A bolsa de Toronto, lembrou Fonseca durante o debate, abriga dez vezes mais companhias do setor mineral do que a B3. Reverter esse desequilíbrio é parte da agenda da Rede InvestMine. Ele fez um alerta direto aos empreendedores: "Quando o projeto chega na nossa mesa, um projeto bem feito em geologia, engenharia, parte ambiental, gera impacto muito positivo e facilita a decisão de investimento. Não adianta enfeitar a noiva se o projeto não está bem desenvolvido." Ele citou ainda a moda dos minerais em alta — terras raras, lítio — como gatilho para projetos com qualidade técnica insuficiente: "Um furinho para cá, outro para lá, e o empreendedor já se anuncia como produtor de terras raras."
A diversidade de estratégias de capitalização ficou clara no segundo painel, que reuniu CEOs de mineradoras em diferentes estágios. Marco Túlio, da Fides — empresa privada com 15 anos no setor e projetos no norte do Mato Grosso, incluindo o Projeto Jaca, primeiro pórfiro de cobre descoberto no Brasil, com recursos inferidos superiores a 1 bilhão de toneladas dentro da cava —, traduziu o desafio das chamadas "empresas de bolso": "Representamos mais de 90% das empresas de mineração atuantes no Brasil, mas não temos a mesma visibilidade das listadas." Ele estima necessidade de US$ 30 a 40 milhões nos próximos dois anos para concluir PEA e PFS do Jaca, considerando listagem em Toronto ou trazer investidor privado estratégico — possivelmente asiático.
Luís Albano Tondo, CEO da Jaguar Mining, ilustrou o ciclo oposto. Produtora de ouro há mais de 20 anos no Quadrilátero Ferrífero, com operações listadas na TSX, a companhia produziu 40 mil onças em 2025 e projeta entre 50 e 60 mil onças em 2026. A meta é alcançar 150 mil onças por crescimento orgânico até 2030 e 250-300 mil onças incluindo M&A. A estratégia em três pilares — maximizar produção das plantas existentes (hoje com grande de capacidade ociosa), explorar os 46 mil hectares de direitos minerais (com 400 alvos já identificados, mais de 220 mil metros de sondagem planejados em cinco anos a US$ 60 milhões) e aquisições — sustentou a captação de US$ 28 milhões via bought deal na TSX (Toronto Stock Exchange) no final de 2025. "Não basta ter um bom projeto. É preciso saber comunicar com os investidores", resumiu Tondo.
Klaus Petersen, da Viridis Mining — junior australiana listada em Perth — apresentou o caso de maior velocidade do painel. Em menos de três anos no Brasil, a empresa transformou o depósito de argila iônica de Poços de Caldas em projeto pré-operacional, com 500 milhões de toneladas a 2 kg/t de óxido de terras raras, planta piloto demonstrativa já comissionada (a maior fora da China), DFS (Definitive Feasibility Study) previsto para junho, licença de instalação prevista para setembro/outubro e Final Investment Decision em novembro. O Capex de US$ 356 milhões deve gerar 1.500 empregos durante dois anos de construção, com início de operação em 2028, projetando entregar 5% das terras raras magnéticas globais — somadas às da Meteoric, vizinha em Poços de Caldas, podem chegar a 15% do mercado mundial.
A Viridis tornou-se, segundo Petersen, uma das poucas empresas a captar capital brasileiro em fase pré-operacional. "É uma novidade. Temos orgulho de estar abrindo essas portas, com fundos privados começando a avaliar projetos desse tipo e a pegar o risco em equity."
Elton Pereira, CEO da Bahia Níckel, narrou a transição "do bolso para a bolsa" mais inusitada do painel. Após a Appian Capital descartar o projeto Mangueiros — sulfetado de níquel descoberto pela CBPM, com potencial de 600 a 800 milhões de toneladas e relação estéril/minério inferior a um — por ser considerado early stage demais, um grupo de 40 profissionais da própria gestora, incluindo o próprio Elton, montou uma estrutura privada com 7,5 milhões de dólares canadenses para tocar o projeto. Em fevereiro deste ano, com a recuperação do preço do níquel de US$ 15 mil para US$ 18-19 mil por tonelada, a empresa concluiu IPO com 5,75 milhões de dólares canadenses captados. "Investidores tomam decisão com preço de hoje, num projeto que ficará pronto em cinco anos e vai operar por mais 20 ou 30 anos", observou.
Em diferentes momentos, executivos e gestores convergiram sobre a principal incerteza regulatória em curso: o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados que cria o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, agora em tramitação no Senado. A principal preocupação é a previsão de ingerência sobre mudança de controle e aprovação de contratos de off-take pelo colegiado.
"Quem traz um investidor que está considerando vir para o Brasil, correr o risco junto conosco, não pode descobrir daqui a seis meses que ele não é bem-vindo e que o investimento não vai ser aprovado por A ou B", alertou Marco Túlio, da Fides. Klaus Petersen, da Viridis, foi mais direto: "O único risco que vejo hoje no nosso projeto é uma ação desastrosa que assuste o mercado. Soberania é importante e todos os países têm. Mas precisamos de previsibilidade."
Para Flávio Mota, do BNDES, a expectativa é de amadurecimento dessas discussões à luz de outros setores regulados brasileiros. "É algo que precisa ser equilibrado. Diante de regras claras, do entendimento de que a decisão será tomada por um colegiado técnico respeitando o que foi previamente acordado, isso tende a convergir para um período de estabilidade."
Provocados sobre o tempo do licenciamento ambiental como gargalo crítico, executivos defenderam que prazos razoáveis são alcançáveis quando o empreendedor cumpre o by the book. Klaus Petersen citou o caso da Viridis, que obteve licença preliminar da FEAM em 11 meses — "recorde na minha carreira" — sem pular etapas. O atraso final, segundo ele, veio da entrada do Ministério Público em momento avançado do processo, gerando custo adicional estimado em R$ 1 milhão para uma empresa pré-operacional sem fluxo de caixa. "Deveria haver uma janela com previsibilidade dentro do processo: aqui entra o MP, se necessário. Não de surpresa."
Luís Albano, da Jaguar, reforçou a corresponsabilidade do setor: "As empresas tendem a tomar atalhos, pular etapas e depois esperar resposta rápida do órgão. São duas mãos de via."
A ANM emergiu como ponto sensível. Executivos relataram que técnicos e diretores da agência têm postura pró-mineração, mas a falta de orçamento limita a capacidade de fiscalizar e responder. "É o órgão que imploramos para nos fiscalizar, mas estão sem recurso", disse Petersen.
Flávio Mota detalhou o portfólio atual de instrumentos do banco para o setor: operações de equity via FIP Mineral (operação indireta) e participação direta via BNDESPAR; dívida estruturada e automática; o Fundo Garantidor de Operações em Minerais Críticos, atualmente em discussão no PL; e estruturação de modelo de project finance para mineração inspirado no que existe no setor elétrico. Para aquisição de equipamentos, a FINAME oferece linhas com taxa a partir de 6,5% ao ano para máquinas com conteúdo tecnológico intensivo, escalando até 8,5-10% para equipamentos com menor pegada de emissões.
A mensagem aos empreendedores foi clara: "Não há trade-off entre projetos no BNDES. Cada um é analisado por mérito. Para projeto bom, sempre tem dinheiro."
Questionamento do conselheiro econômico da Embaixada da Alemanha trouxe à mesa o tema mais sensível para a estratégia industrial brasileira: por que o downstream — refino, ímãs, produtos finais — ainda não avança no país? Hoje, 90% do refino e da produção mundial de ímãs de terras raras está na China.
Flávio Mota respondeu que o desenvolvimento da cadeia downstream depende, antes, da consolidação do upstream em escala. Ricardo, da Prisma, foi mais incisivo: "Não tem bolo sem farinha de trigo. A mineração é a farinha. Vamos colocar as minas de pé primeiro. Veja os desafios que a Serra Verde teve. Já é muito difícil colocar uma operação dessa de pé."
A construção da planta demonstrativa da Viridis — projeto de US$ 4 milhões em Belo Horizonte, com engenharia da Hatch e construção da Parex —, somada à futura planta de reciclagem de ímãs (em joint venture com a Ionic, já operando em Belfast, na Irlanda) e à planta de extração por solventes prevista para o fim do ano, sinalizam, segundo Petersen, que o downstream começa a ganhar tração quando o ativo upstream amadurece em condições competitivas.
O painel encerrou com convergência clara entre os participantes: o Brasil vive a janela mais favorável das últimas décadas para destravar projetos de mineração de minerais críticos. Há capital interessado, instrumentos públicos sendo criados, demanda global pressionada por geopolítica e ativos minerais de classe mundial. O risco de a janela se fechar, contudo, é real.
"Um atraso de um ano, uma parada no investimento, e a África ou o Sudeste Asiático tomam conta. A gente fica para trás. Não tem segundo lugar", advertiu Petersen. "Quem comandar essa produção é quem vai comandar a indústria nos próximos 5, 10 anos. Se a gente não estiver nisso, outro estará."
Para Miguel Nery, coordenador da Rede Invest Mining e homenageado durante o evento pela ADIMB por sua trajetória no setor, o trabalho do coletivo segue centrado em criar as melhores condições para atrair investimento — costurando agentes públicos, financeiros e empresariais em um diálogo que, há poucos anos, sequer existia em escala nacional.
O recado final, em coro entre executivos privados e gestores de fundos, foi para Brasília: clareza na composição e nas atribuições do Conselho Nacional de Minerais Críticos, e equilíbrio na construção do marco regulatório, são condições sem as quais o capital — que finalmente começou a correr atrás do recurso mineral brasileiro — pode mudar de direção. (Brasil Mineral)
Copiar o textoA expectativa é de que cerca de 3 mil municípios sejam beneficiados com a medida
Baixar áudioMunicípios com até 65 mil habitantes que possuem pendências fiscais poderão voltar a firmar convênios com o governo federal e receber recursos de programas e emendas parlamentares. A medida foi retomada pelo Congresso Nacional na quinta-feira (21), após deputados e senadores derrubarem quatro vetos da Presidência da República à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.
Os dispositivos restaurados agora seguem para promulgação. A decisão foi aprovada em sessão conjunta do Congresso por maioria absoluta de deputados federais e senadores.
Segundo o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, a pressão de prefeitos e representantes municipais pela derrubada dos vetos aumentou nos últimos meses diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelas prefeituras.
“É do conhecimento de todos o atual quadro de desafios orçamentários e fiscais que as prefeituras por todo o país têm enfrentado para implementar políticas públicas. E, por isso, neste cenário, esta sessão congressual, com esta pauta previamente estabelecida, esta deliberação é de extrema importância para que os pequenos municípios brasileiros possam ter acesso aos convênios”, afirmou.
Alcolumbre também lembrou que a Lei 9.504/1997 impede transferências voluntárias da União para municípios nos três meses que antecedem as eleições. Segundo ele, por isso havia urgência na votação da matéria para garantir que os repasses fossem viabilizados dentro do prazo.
Além da flexibilização para municípios inadimplentes, o Congresso restaurou outros dispositivos da LDO. Entre eles, a autorização para doações de bens, dinheiro e outros benefícios durante o período eleitoral, desde que exista condição previamente definida pelo doador. Também voltou ao texto a possibilidade de a União destinar recursos para obras e manutenção de rodovias estaduais e municipais, além da malha hidroviária.
Ao todo, o Palácio do Planalto havia vetado 44 trechos da LDO de 2026, reunidos no VET 51/2025. Desses, quatro foram retomados pelo Congresso.
Segundo Davi Alcolumbre, a expectativa é de que cerca de 3,1 mil municípios sejam beneficiados com a medida. O compromisso de derrubar o veto já havia sido anunciado pelo parlamentar na terça-feira (19), durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
Pelas regras da LDO, a transferência voluntária de recursos federais ocorre no momento da assinatura do convênio. Isso significa que a verificação das exigências para recebimento dos recursos é feita apenas nessa etapa, sem necessidade de nova checagem no momento da liberação do dinheiro.
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Uma dessas exigências envolve o CAUC, sistema do Tesouro Nacional que reúne informações fiscais, previdenciárias e administrativas de estados, municípios e organizações. Com o dispositivo restaurado, municípios de até 65 mil habitantes ficam dispensados de comprovar regularidade no CAUC em casos de transferências e doações de bens, materiais e insumos.
Em 2025, um dispositivo semelhante também havia sido vetado pela Presidência da República e posteriormente restabelecido pelo Congresso.
O governo federal argumenta que a flexibilização contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige regularidade fiscal e financeira para a celebração de transferências voluntárias. O Executivo também sustenta que a dispensa pode violar a Constituição ao permitir benefícios públicos a entes com débitos junto à Seguridade Social.
Copiar o textoSaiba quando suspeitar de berne
Baixar áudioVocê já viu aquela espinha com um furinho no meio que não sara e só piora com o tempo? Pode ser um berne, ou miíase furunculoide, causada pela larva da mosca Dermatobia hominis.
"A lesão parece um furúnculo, mas tem um ponto escuro no centro por onde a larva respira e causa dor que piora com o movimento", explica a Dra. Paula Sanchez, Dermatologista (CRM: 144.418/SP).
Outros sinais incluem secreção serosa, sensação de formigamento e ausência de melhora com antibióticos. O tratamento exige a remoção da larva, por compressão ou asfixia com curativo oclusivo.
A prevenção inclui repelente, roupas compridas e evitar acúmulo de lixo, que atrai mosquitos usados pela mosca para depositar seus ovos. Se notar esses sinais, não esprema. Procure um médico para avaliação.
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