Saúde

18/02/2026 04:55h

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A infecção urinária em crianças ocorre quando bactérias entram no trato urinário, causando sintomas como febre, dor/ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, dor abdominal, urina com cheiro forte ou sangue.

De acordo com a Dra. Lorena Marçalo, médica urologista, o diagnóstico é feito através de exames de urina. Em bebês, pode ser necessária a sondagem. Em crianças maiores, a coleta é feita pós-higiene adequada. 

“O exame de urina mostra sinais inflamatórios, como leucócitos e hemácias. A urocultura confirma a infecção e identifica a bactéria, geralmente a escherichia coli, orientando o antibiótico correto. O tratamento varia. Em casos leves, usa -se antibiótico oral. Casos com febre persistente podem necessitar de internação. Mas um alerta importante: nunca pare o antibiótico antes do tempo. Se a receita é para 7 dias, tome 7 dias completos, mesmo que a criança melhore em 1 ou 2 dias. Parar antes pode causar uma recidiva mais grave”, pontua a médica. 

Para prevenir a infecção urinária, a criança deve beber líquidos adequadamente, urinar de 3 em 3 horas e evacuar diariamente. Mantenha a higiene íntima adequada, use roupas íntimas de algodão e trate o intestino preso. Infecções recorrentes precisam de investigação para alterações anatômicas. Bem tratadas, as infecções raramente deixam sequelas, mas maltratadas podem causar cicatrizes nos rins. 

Se a criança tem sintomas, procure um pediatra ou um urologista. 

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18/02/2026 04:15h

Fase crônica acentua riscos de problemas cardíacos e dificulta diagnóstico; enfermidade também pode afetar intestino e o esôfago, aponta especialista

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Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pela picada do barbeiro ou por alimentos contaminados, a doença de Chagas pode causar  problemas no coração. No Hospital de Base de Brasília, no Distrito Federal, cerca de 90% dos pacientes que recebem implante de marcapasso deram entrada na unidade com dificuldades cardíacas causadas pela doença de Chagas, segundo o chefe do ambulatório de marcapasso do Hospital de Base e cirurgião cardíaco, José Joaquim Vieira Junior.

Como a fase crônica pode ser assintomática, o paciente pode conviver com a doença por anos sem saber e desenvolver problemas como insuficiência e arritmia cardíaca, além de aumento do tamanho do coração. 

O cirurgião cardíaco da unidade, José Joaquim Vieira Junior, destaca que como a fase crônica acentua riscos de problemas cardíacos e dificulta o diagnóstico, os pacientes são tratados de acordo com os sintomas cardíacos que podem matar – tendo ou não a doença de Chagas. Ele ressalta a importância de priorizar o tratamento adequado. 

“Independentemente do diagnóstico do chagásico, e por se tratarem de altos índices na nossa região, a gente trata os pacientes por sinais, sintomas que podem levar à morte. Então, independentemente que tenham o diagnóstico do chagásico ou não, eles farão o tratamento. Já que, às vezes, na fase crônica, fica difícil você diagnosticar. Às vezes você faz o tratamento, um usuário de marcapasso, por exemplo, que só vai descobrir daqui a uns cinco anos que é chagásico, independe, já está tratado”, afirma o cirurgião.

No Hospital de Base de Brasília são realizados 600 implantes anuais do dispositivo marcapasso – que controla os batimentos do coração em casos de arritmias. 

Confira a quantidade de procedimentos cardíacos em pessoas com Chagas ou não nos últimos 3 anos no Hospital de Base de Brasília:

  • 2023: 637 procedimentos cirúrgicos;
  • 2024: 650 cirurgias;
  • 2025: 655 procedimentos.

Os dados foram enviados ao Brasil 61 pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que informou que os procedimentos incluem implantação ou troca de marcapassos, ablações e estudos eletrofisiológicos, além de cardioversões terapêuticas em pacientes com a doença de Chagas. O hospital não faz transplantes cardíacos.

VEJA MAIS:

Chagas no Brasil

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) informou ao Brasil 61 que não há registro de internações hospitalares por forma aguda ou crônica da doença de Chagas com comprometimento cardíaco no município do Rio de Janeiro. As informações são do Sistema de Internações Hospitalares do SUS, atualizadas em 08/02/2026. Em 2025, o estado carioca também não registrou casos da doença.

Dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) estimam que em Salvador, entre 2023 e 2025, foram realizados 1.361 procedimentos de marcapasso possivelmente associados à doença de Chagas no município. 

Conforme a Sesab, os números só permitem estimativas e não exatos sobre a quantidade de cirurgias cardíacas e implantes de marcapasso que podem estar relacionados à cardiopatia chagásica no SUS, em Salvador (BA). O sistema registra apenas a complicação mais grave do momento, como arritmia ou insuficiência cardíaca, e não a doença que causou o problema ao longo do tempo.

O farmacêutico bioquímico e pesquisador do Instituto Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia), Fred Luciano Santos, destaca que o Brasil tem registrado diversos surtos esporádicos de contaminação oral da doença de Chagas, com maior frequência na Região Metropolitana de Belém “devido ao consumo artesanal de açaí e outros produtos locais”, diz. 

Pará

Em nota, a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, instituição que presta assistência aos usuários SUS e referência em cardiologia em Belém (PA), informou que tem “o número de cirurgias cardíacas, mas não especificado pela causa da cardiopatia, o que impossibilita numerar as ocorrências de doença de Chagas". 

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, foram 408 infecções pela doença no estado do Pará.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2026, até o dia 4 de fevereiro, o município de Ananindeua (PA) confirmou 42 casos e quatro óbitos – com situação de surto da doença de Chagas decretada pela pasta. 

Um Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em junho de 2025, mostra que foram registrados 5,4 mil casos de doença de Chagas crônica no país, distribuídos em 710 municípios. A Região Norte concentrou a maior proporção de mulheres em idade fértil notificadas, seguida pelas Regiões Centro-Oeste e Sul, com 21%, 18% e 17%.

O documento aponta que, até à época da publicação, 42% dos pacientes notificados apresentavam algum tipo de cardiopatia, sendo 24% leve ou moderada e 18% avançada.

No ano passado, o país registrou 774 notificações da doença. Os dados do Ministério da Saúde são preliminares, coletados até 22 de dezembro, e enviados ao Brasil 61.  

Em 2006, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) uma certificação internacional pela interrupção da transmissão da doença de Chagas pelo barbeiro. No entanto, dois focos permanecem no país, no estado da Bahia – em Tremedal e Novo Horizonte.

Consequências da doença de Chagas

O médico infectologista e pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em doença de Chagas (LapClin Chagas) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Roberto Saraiva, elucida que o coração é um dos órgãos mais afetados porque o parasita infecta, principalmente, as células do músculo cardíaco. A infecção, portanto, enfraquece o órgão.

“Esses miócitos, que são assim chamados, são infectados. Dentro deles o parasita se multiplica e, após sair da célula, essa célula morre e não é reposta. Por isso que, com o tempo, o coração é afetado, e o sistema de condução também, podendo causar arritmias”, esclarece Saraiva.

As consequências mais graves ao coração ocorrem durante a fase crônica da doença de Chagas, com a dilatação e enfraquecimento do órgão.  

O cirurgião José Joaquim Vieira Junior complementa que o parasita atinge a musculatura cardíaca e causa uma espécie de inflamação no músculo cardíaco, levando à degeneração das fibras, causando um aumento da área do coração. Como se você esticasse um elástico por muito tempo e ele ficasse frouxo. Conhecido como o 'mega coração'”, explica.

“É o primeiro acometimento — o coração. Geralmente, é o mais trágico e o que as pessoas se preocupam mais. A maioria dos pacientes que colocam dispositivos cardíacos na nossa região é por doença de Chagas”, complementa o médico do DF. 

Diagnóstico e tratamento precoce

A doença de Chagas apresenta uma fase aguda, que pode ser sintomática ou não.

Confira os principais sintomas na fase aguda:

  • Febre prolongada (mais de 7 dias);
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza intensa;
  • Inchaço no rosto e pernas. 

Prevenção 

O Ministério da Saúde indica que a prevenção está ligada a proteger a residência da presença de barbeiros. Algumas ações são recomendadas, como:

  • Usar telas em portas e janelas ou mosquiteiros
  • Utilizar repelentes e roupas de manga longa, principalmente à noite e em áreas de mata.

Prevenção da transmissão oral

Para evitar a transmissão pelos alimentos:

  • Lave bem frutas, verduras e legumes com água potável;
  • Observe os alimentos antes de triturar ou bater;
  • Mantenha o local de preparo limpo e protegido;
  • Guarde alimentos em recipientes fechados;
  • Realize orientações e treinamentos para quem manipula alimentos.
     
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17/02/2026 04:55h

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É possível que, mesmo bebendo bastante água e passando protetor, você sinta seus lábios sempre ressecados. O Dr. Ali Mahmoud, médico otorrinolaringologista, explica quais são os principais motivos para isso acontecer. 

  • Respiração pela boca: o ar resseca os lábios constantemente, principalmente durante o sono. 
  • Lamber os lábios com saliva: parece que ajuda, mas na verdade piora o ressecamento. 
  • Deficiência de vitaminas: especialmente do complexo B, ferro ou zinco.
  • Produtos com álcool: como alguns batons, protetores labiais ou pasta de dente com lauril sulfato. 
  • Alergias: alimentares ou a medicamentos, como isotretinoína para acne e anti-histamínicos. 
  • Condições de saúde: como diabetes, hipotiroidismo ou síndrome de Jogren, que reduzem a produção de saliva. 

Para melhorar, use protetor labial sem álcool, respire pelo nariz, evite lamber os lábios e mantenha a alimentação balanceada. Dica importante: se o problema persistir por mais de duas semanas, mesmo com hidratação adequada e cuidados locais, procure um médico para investigar possíveis deficiências ou condições subjacentes.

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16/02/2026 04:45h

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A gastrite é qualquer inflamação do revestimento interno do estômago. Existem gastrites agudas, com sintomas mais intensos, e crônicas, com sintomas mais arrastados.

De acordo com a Dra. Beatriz Azevedo, médica cirurgiã do aparelho digestivo, o principal sintoma é uma queimação na boca do estômago.

“Você sente saciedade precoce, náuseas, especialmente pela manhã, e tem arrotos frequentes e digestão lenta. Em casos graves, pode haver sangramento com vômitos com sangue ou fezes escuras”, diz a especialista. 
Mas por que isso acontece? 

O estômago produz ácido para combater bactérias e digerir proteínas, mas tem mecanismos de proteção. A gastrite surge no desequilíbrio entre produção ácida e fatores protetores. 

“As principais causas são álcool, refrigerantes, cafeína, frituras, medicamentos anti-inflamatórios, estresse, infecção por H.pylori e doenças autoimunes”, fala Dra. Beatriz.

Se você tem sintomas persistentes de dor no estômago, procure um gastroenterologista para avaliação adequada.

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14/02/2026 04:45h

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A síndrome da fibromialgia (FM) é uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura. Uma característica importante da doença é a grande sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura pelo examinador ou por outras pessoas.

Segundo o Dr. André Franco, reumatologista, o tratamento é multidisciplinar e individualizado. 

“Primeiro, é necessária a educação sobre a doença. Entender que é uma doença benigna e que não causa deformidades. Segundo, atividade física é o tratamento mais eficaz. Exercícios aeróbicos leves, musculação adaptada, yoga e hidroginástica reduzem dor e fadiga. Comece devagar e aumente gradualmente. Terceiro, medicamentos quando necessários, como antidepressivos específicos e anticonvulsivantes, sempre com orientação médica. Quarto, terapias complementares como psicologia, meditação, acupuntura e técnicas de relaxamento. Importante novidade”, explica o médico.

Em 2025, foi sancionada a lei que permite que pessoas com fibromialgia sejam reconhecidas como pessoas com deficiência, após avaliação por equipe multiprofissional. Isso pode dar acesso a benefícios como cotas em concursos e adaptações no trabalho. 

Embora não tenha cura, é possível ter qualidade de vida com tratamento adequado. O diagnóstico precoce é fundamental. Se você tem os sintomas, procure um reumatologista ou fisiatra especializado em dor.

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13/02/2026 04:35h

Principais complicações são arritmias, insuficiência cardíaca, aumento do tamanho do coração e, ainda, risco de morte súbita; diagnóstico precoce é essencial para evitar formas graves

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Silenciosa na maior parte do tempo, com sintomas semelhantes aos de outras enfermidades, a doença de Chagas pode provocar inflamação do músculo cardíaco ainda na fase aguda. Anos depois, a doença pode evoluir para arritmias, insuficiência cardíaca, aumento do tamanho do coração e risco de morte súbita, atingindo cerca de 30% a 40% dos pacientes na fase crônica, segundo pesquisadores da Fiocruz. 

Apesar de possuir uma certificação internacional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pela interrupção da transmissão da doença de Chagas pelo barbeiro, o Brasil segue registrando novos casos. Em 2026, até o dia 4 de fevereiro, o município de Ananindeua (PA) confirmou 42 casos e quatro óbitos – com situação de surto decretada pelo Ministério da Saúde. 

Fases da doença e seus impactos nos pacientes

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, presente nas fezes do popularmente chamado “barbeiro”. O inseto pica e defeca ao mesmo tempo e, nesse processo, transmite a doença. A contaminação também pode ocorrer via oral, com o consumo de alimentos contaminados pelo protozoário causador da doença. 

Doença de Chagas: surto em Ananindeua (PA) acende alerta para prevenção da contaminação oral no Brasil

A enfermidade possui duas duas fases: aguda e crônica. A fase aguda ocorre logo após a infecção, com sintomas específicos:

  • Febre por mais de 7 dias e dor de cabeça;
  • Fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas;
  • Ferida parecida com furúnculo no local da picada do barbeiro.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Santos, explica que os sintomas são similares aos de outras doenças – o que pode prejudicar o diagnóstico precoce.

“Por isso que muitas vezes a doença nem é diagnosticada na fase aguda. Depois da fase aguda, que demora entre dois e quatro meses, os indivíduos infectados desenvolvem a forma crônica, que pode durar décadas, anos, e o indivíduo pode até falecer por outras causas já idoso, sem nunca saber que teve a doença de Chagas, porque não vai ter sintomas”, diz Fred.

A fase crônica pode ser assintomática. Mas, com o tempo, podem surgir problemas no coração, como insuficiência cardíaca, bem como problemas digestivos – aumento do intestino ou do esôfago.

“O grande problema da doença nessa fase [crônica] é que cerca de 30% a 40% das pessoas vão desenvolver alguma forma grave da doença, e as principais complicações são os problemas do coração, como arritmias, insuficiência cardíaca, aumento do tamanho do coração, e também o risco de morte súbita”, pontua o especialista da Fiocruz Bahia.

Já o médico infectologista e pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em doença de Chagas (LapClin Chagas) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Roberto Saraiva, ressalta a importância do diagnóstico precoce para evitar agravamentos ao coração.

“Por isso, o diagnóstico da doença de Chagas é importante para que possamos identificar pacientes que já tenham problemas no coração, mesmo que não sintam nada, para que tomemos medidas para prevenir a insuficiência cardíaca, morte súbita e acidente vascular cerebral”, frisa Saraiva.

Impactos no sangue e no coração

O especialista Roberto Saraiva elucida que, durante a fase aguda, os parasitas são facilmente identificados no sangue. Já na fase crônica, o T. cruzi prevalece nas células e nos órgãos – afetando, principalmente, o coração.

Conforme Saraiva, o coração é um dos órgãos mais afetados porque o parasita tem a propensão de infestar as células do músculo cardíaco, enfraquecendo o órgão.

“Esses miócitos, que são assim chamados, são infectados. Dentro deles o parasita se multiplica e, após sair da célula, essa célula morre e não é reposta. Por isso que, com o tempo, o coração é afetado, e o sistema de condução também, podendo causar arritmias”, esclarece Saraiva.

As consequências mais graves ao coração ocorrem durante a fase crônica da Doença de Chagas, com a dilatação e enfraquecimento do órgão. 

Diagnóstico tardio 

Roberto Saraiva ressalta que a falta de tratamento adequado na fase aguda pode contribuir para a evolução do quadro.

“Na maioria das vezes, a fase aguda pode evoluir para a fase crônica, mesmo sem tratamento. E nessa fase crônica tem uma primeira forma que não tem sintomas, que é chamado de indeterminado, mas depois de anos e décadas, pode haver forma cardíaca, com complicações no coração, ou formas digestivas com complicações no esôfago e intestino”, salienta Saraiva.

De acordo com os especialistas da Fiocruz, a maior parcela dos diagnósticos é feita já na fase crônica da doença, principalmente por exame de sangue, que detecta anticorpos contra o parasita.

O especialista da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Santos, elucida que existem várias formas de diagnosticar a doença, porém todos os testes são feitos em laboratórios. 

Considerando que estão concentrados em cidades de médio e grande porte, “o indivíduo que mora em pequenas cidades, em zonas rurais e remotas, o diagnóstico por si só acaba sendo um obstáculo de acesso do indivíduo a conhecer seu estado sorológico. Por isso é importante a implementação de testes rápidos”, avalia Fred.

“Um diagnóstico precoce com acompanhamento vai, como consequência, levar a um tratamento adequado e a melhoria da qualidade de vida dessa pessoa”, expõe Fred.

Outras formas de transmissão

Embora sejam mais incomuns na atualidade, as transmissões também podem ocorrer pela transfusão de sangue, doação de órgãos ou de forma congênita – durante a gestação. 

No entanto, Fred Luciano Santos, da Fiocruz Bahia, aponta que o rastreio sorológico e o exame pré-natal têm combatido essas vias de transmissão de forma eficiente no Brasil. 

Doença de Chagas no Brasil

Em 2025, o país registrou 774 notificações da doença. Os dados do Ministério da Saúde são preliminares, coletados até 22 de dezembro, e enviados ao Brasil 61. Segundo o órgão, as informações sobre os óbitos provocados pela doença no país ainda estão em consolidação.
 

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12/02/2026 04:55h

Banco de sangue é o primeiro do Brasil a obter a certificação concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) a instituições que seguem critérios específicos de qualidade

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O Hemocentro de Goiás recebeu, nesta quarta-feira (11), o Selo ONA 3 – uma certificação de qualidade concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O banco de sangue público é o primeiro do Brasil a obter a certificação de excelência, que contempla instituições de saúde que alcançam uma série de padrões em relação à atuação e gestão.

Entre os padrões considerados para conceder o Selo ONA a instituições de saúde estão: 

  • gestão integrada;
  • cultura organizacional voltada para a melhoria contínua;
  • excelência nos processos e 
  • elevados padrões de segurança assistencial. 

Presente ao evento, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, celebrou a conquista pioneira do hemocentro goiano. Segundo ele, a atuação da unidade é referência em todos os serviços e no atendimento prestado à sociedade. 

“O acolhimento às pessoas, o atendimento na nossa transfusão, em todos os derivados, o hemocentro é uma referência em tudo. É um agrupamento de critérios que o ONA avalia para dar esse nível de reconhecimento. Muito bem estampado ali, o ONA 3. Goiás é mais uma vez primeiro lugar no Brasil”, destacou Caiado.

Na avaliação do governador, a certificação reconhece o esforço da atual gestão em reestruturar a rede desde 2019. Nos últimos anos, o Hemocentro de Goiás passou por avaliações criteriosas que analisaram desde a assistência prestada até os resultados alcançados, além da governança dos processos internos.

Entrega do Selo ONA 3

A diretora executiva do Instituto Brasileiro de Excelência em Saúde (IBES), instituição acreditadora da metodologia ONA, Vivíam Giudíce, entregou o selo ONA 3 e elogiou o sistema goiano. 

"Essa certificação representa não só a qualidade e segurança do paciente, mas a eficiência dos processos de gestão, a inovação e a tecnologia empregada para que ciclos de melhoria sejam implementados e gerem cada vez mais resultados para o hemocentro e para a saúde pública aqui de Goiânia”, disse Giudíce. 

O secretário de Estado da Saúde, Rasível dos Santos, também esteve no evento e destacou o trabalho das unidades de saúde regionais que focam na centralidade do paciente e na oferta de qualidade no serviço prestado.

“Nós temos 17 unidades de saúde, dos nossos 25 hospitais, que são acreditados. Isso significa que a gente tem padrões de cuidado, processos bem desenhados, seguros, colocando foco no paciente e uma questão com compromisso inadiável, com a melhoria contínua. Então temos esse compromisso pela melhoria contínua, o foco no paciente, a centralidade do paciente e a segurança e a qualidade como elementos intrínsecos da prática assistencial”, pontuou Rasível.

Satisfação do usuário

Além da entrega da certificação, o dia foi marcado pela exposição de resultados de uma pesquisa sobre a percepção dos usuários em relação aos serviços prestados pela Rede Hemo. Os dados apontam 95,17% de satisfação. 

Em relação ao serviço ambulatorial, que reúne as consultas aos pacientes com hemofilias, coagulopatias e hemoglobinopatias, houve aprovação de 91,05%. 

Já a avaliação do atendimento no Ciclo do Doador registrou aumento em relação ao último estudo – subindo de 96,23% para 96,86%. 

O levantamento foi realizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e ouviu 478 pessoas nas nove unidades da Rede Hemo em novembro de 2025. 

Estrutura

O Hemocentro de Goiás fica localizado em Goiânia e integra a Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo). Entre 2019 e 2021, a unidade passou por reforma, o que triplicou sua área. O investimento foi de R$ 9,3 milhões.

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09/02/2026 04:55h

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O molusco contagioso é uma infecção dermatológica viral consideravelmente comum e altamente contagiosa. A doença é causada por um vírus da família poxvírus e se caracteriza por aparecimento de pequenas lesões elevadas e arredondadas, que podem ser da cor da pele, rosadas ou esbranquiçadas. Têm aparência de pequenas “pérolas” ou “bolinhas” e possuem depressão central ou “umbilicação” no meio da lesão. Geralmente não coçam e não causam dor. 

“Apesar de poder desaparecer espontaneamente em alguns meses a anos, costumamos indicar tratamento, pois se trata de uma condição contagiosa. O tratamento pode incluir curetagem, que é a remoção mecânica das lesões, crioterapia com nitrogênio líquido e pomadas específicas. Mais de uma sessão pode ser necessária, dependendo do número de lesões. Nunca esprema ou cutuque as lesões. Isso espalha o vírus e pode causar infecção. Tratamentos caseiros geralmente não funcionam”, comenta Dra. Vivian Loureiro, dermatologista.

Para prevenir, evite contato direto com pessoas infectadas, não compartilhe toalhas ou roupas, mantenha boa higiene após piscina e academias. Evite coçar e procure um dermatologista ou pediatra para confirmação do diagnóstico e orientação adequada. Lembre-se, é uma condição benigna com excelente prognóstico.

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09/02/2026 04:25h

Ministério da Saúde confirma 42 casos e quatro mortes na cidade; especialistas da Fiocruz descartam epidemia e sugerem que gestões municipais apoiem vigilância epidemiológica para evitar novos surtos pelo país

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No ano passado, 774 casos da doença de Chagas foram notificados no Brasil. Só no município de Ananindeua (PA), até o momento, foram confirmados 42 casos e quatro óbitos. Apesar de o Ministério da Saúde decretar surto no município, especialistas da Fiocruz descartam o risco de epidemia no país e alertam que a doença permanece ativa no Brasil, sendo impulsionada, principalmente, pela transmissão oral.

Os dados de 2025 são preliminares e foram enviados ao Brasil 61 pelo Ministério da Saúde. Segundo o órgão, as informações sobre os óbitos em 2025 no país ainda estão em consolidação – já que as secretarias têm até o final do ano para enviar as informações à pasta.

Conforme a Agência Brasil, o número de casos em Ananindeua (PA) supera em 30% os notificados no município no mesmo período do ano passado.

O médico infectologista e pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em doença de Chagas (LapClin Chagas) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Roberto Saraiva, explica a classificação de surto:

“Foi classificado como um surto porque houve um aumento dos números de casos em relação ao que costuma acontecer no município, mas não há riscos de epidemia no Brasil”, diz Saraiva.

Já o farmacêutico bioquímico e pesquisador do Instituto Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia), Fred Luciano Santos, destaca que o Brasil tem registrado diversos surtos esporádicos, com maior frequência na Região Metropolitana de Belém “devido ao consumo artesanal de açaí e outros produtos locais”, menciona.

Como a doença segue ativa no país, Fred avalia que há um risco de ocorrência de novos surtos. “Especialmente em áreas com condições sanitárias mais precárias, com produção artesanal de alimentos e sem fiscalização adequada”, completa.

A situação no Pará conta com a investigação de vários órgãos, como a Secretaria Estadual de Saúde do Pará, a Anvisa e o os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde.

Surto e contaminação oral

A transmissão da doença de Chagas por via oral possui relação direta com o consumo de alimentos contaminados pelo protozoário trypanosoma cruzi – causador da doença. O fruto pode ser contaminado com as fezes do chamado “barbeiro” ou durante a manipulação do açaí – que pode esmagar o inseto. 

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Santos, destaca que a principal preocupação hoje é a transmissão oral. 

“Essa via de transmissão tem sido apontada como a principal causa de surtos recentes no Brasil, especialmente relacionada ao consumo de alimentos preparados e consumidos in natura ou preparados de forma artesanal, como açaí, caldo de cana, suco de frutas ou água contaminada”, pontua Fred.

Para evitar esse tipo de transmissão, a população deve consumir produtos de origem confiável. É indicado observar a adoção de boas práticas de higiene, como pontua Saraiva. 

“Para frear a transmissão oral da doença de Chagas é necessário que a população procure comprar seu alimento de quem o prepara adequadamente. Com isso, você pode reduzir a forma de transmissão da doença de Chagas  através da colheita adequada, do transporte adequado, do preparo adequado do alimento, para que não haja contaminação em nenhuma das etapas do ciclo do açaí”, salienta Saraiva.

O Setor Casa do Açaí, do Departamento de Vigilância Sanitária de Belém (PA), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Devisa/Sesma), capacita os batedores de açaí profissionais na região. Em Ananindeua (PA), o projeto Casa do Açaí capacitou 840 pessoas em 2025 e outras 130 em 2026.

Outra medida voltada a garantir boas práticas práticas de manipulação do açaí é o decreto estadual (n° 326/2012), cujo cumprimento é fiscalizado pelas autoridades competentes.

A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão de sangue, doação de órgãos ou de forma congênita – de mãe para filho, durante a gestação. No entanto, Fred ressalta que o rastreio sorológico e o exame pré-natal têm combatido essas vias de transmissão de forma eficiente no Brasil.

Desigualdade social

Os pesquisadores destacam que os casos da doença de Chagas têm diminuído ao longo dos anos em função das campanhas de combate e da melhoria das condições de vida da população.

Em contrapartida, os casos ainda ocorrem com maior frequência em áreas rurais, remotas e de preparação artesanal de alimentos.

A permanência da contaminação ocorre em locais com pouco acesso a saneamento básico e serviço de saúde. Nesse cenário, a população fica vulnerável tanto ao inseto quanto à dificuldade de diagnóstico. 

“É uma doença que está intrinsecamente relacionada com condições sociais, ambientais e de moradia da população. Em muitas regiões do Brasil ainda existem  casas fabricadas com parede de barro, com frestas, telhados improvisados e pouca infraestrutura – o que facilita com que o barbeiro se esconda e se reproduza nesses ambientes”, explica Fred.

O pesquisador da FioCruz Bahia avalia que a doença de Chagas é uma “doença negligenciada que nunca deixou de existir”. Para ele, o enfrentamento à enfermidade deve ser priorizado com políticas públicas eficientes e voltadas a:

  • Fortalecer a vigilância sanitária;
  • Oportunizar o diagnóstico precoce;
  • Melhorar as condições de vida da população;
  • Capacitar profissionais de saúde; e
  • Orientar a população sobre como prevenir a contaminação pela doença.

Vigilância epidemiológica 

A vigilância epidemiológica reúne um conjunto de ações do SUS que investiga os focos de doenças para planejar e adotar medidas de prevenção e controle.  

“A vigilância epidemiológica precisa ser contínua. E é de extrema importância que a população fique atenta, que avise a equipe de saúde se encontrar barbeiros em suas residências e que os municípios também executem atividades, ações regulares de monitoramento, controle e também de melhoria das condições de moradia”, pondera Fred.

Diagnóstico e tratamento precoce

A doença de Chagas apresenta uma fase aguda, que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar de maneira assintomática, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.

Entre as consequências da doença estão a insuficiência cardíaca, dificuldade de engolir e prisão de ventre. Na fase crônica, os problemas cardíacos ou digestivos podem permanecer pelo resto da vida.

Confira os principais sintomas na fase aguda:

  • Febre prolongada (mais de 7 dias);
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza intensa;
  • Inchaço no rosto e pernas. 

O tratamento deve ser indicado por um médico. O SUS fornece o medicamento benzonidazol gratuitamente. 

Conforme os especialistas, o diagnóstico e o tratamento precoce evitam a evolução para formas graves da doença e até mesmo o óbito.

Confira o mapa da Incidência da doença de Chagas (aguda) no Brasil

Doença de Chagas no Brasil

Em 2006, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) uma certificação internacional pela interrupção da transmissão da doença de Chagas pelo Triatoma infestans – popularmente chamado de barbeiro.

Porém, dois focos permanecem no país no estado da Bahia – em Tremedal e Novo Horizonte. Nos municípios, o Projeto Oxente Chagas da Fiocruz tem atuado com o rastreamento sorológico em toda a população urbana e rural com vistas a combater e controlar a doença.

A expectativa é de que cerca de 30 mil habitantes sejam testados nas duas cidades até 2027.

Já no Rio de Janeiro, o LaPClin Chagas acompanha cerca de 800 pacientes com doença de Chagas crônica, com a oferta de diagnóstico, tratamento e suporte.

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08/02/2026 04:00h

Casos caem no país, mas influenza A cresce no Norte nas últimas semanas, aponta Fiocruz

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A edição mais recente do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (5) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alerta para os cuidados que devem ser adotados durante o Carnaval para prevenir a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

A recomendação é feita apesar da queda dos casos no país, atribuída à baixa circulação da maioria dos vírus respiratórios como influenza A, Covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR).

A exceção é a Região Norte. Estados como Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia vêm apresentando incidência elevada de SRAG e tendência de crescimento nas últimas semanas.

A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, Tatiana Portella, reforça as orientações que devem ser seguidas durante o Carnaval, especialmente nos estados do Norte. Segundo ela, pessoas com sintomas gripais devem, de preferência, permanecer em casa e em repouso. Caso participem dos festejos, mesmo com sintomas, a recomendação é utilizar uma boa máscara e priorizar locais bem arejados, para reduzir as chances de transmissão.

Diante do aumento de casos de influenza A no Norte, Tatiana destaca ainda a importância de que os grupos prioritários da região — como idosos, indígenas, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde — se vacinem o quanto antes contra o vírus.

Além disso, com a aproximação do período sazonal do VSR, a pesquisadora ressalta que é essencial que gestantes a partir da 28ª semana se vacinem, garantindo proteção aos bebês após o nascimento.

Prevalência dos vírus

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos de SRAG foi a seguinte:

  • 19,3% de influenza A
  • 2% de influenza B
  • 11,2% de VSR
  • 32% de rinovírus
  • 22,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19)

Entre os óbitos, a presença dos mesmos agentes foi:

  • 24,3% de influenza A
  • 5,4% de influenza B
  • 1,8% de VSR
  • 16,2% de rinovírus
  • 45% de Sars-CoV-2 (Covid-19)

O levantamento do InfoGripe tem como base os dados inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, atualizados até 31 de janeiro, e é referente à Semana Epidemiológica (SE) 4. Confira outros detalhes no link.

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