Água Potável

08/11/2022 14:52h

Interessados em contribuir podem participar por meio da plataforma Participa +Brasil

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Termina nesta terça-feira, 8 de novembro, a consulta pública nº 3/2022, que trata da proposta de resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) que estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais que regulamentem e estimulem a prática de reúso direto não potável de água em todo o território nacional, além de recomendar parâmetros mínimos de qualidade para cada modalidade de reúso da água, em atendimento às diretrizes e metas do Plano Nacional de Recursos Hídricos 2022-2040.

As contribuições podem ser realizadas na plataforma Participa +Brasil, por meio deste link, com a indicação de sugestões de nova redação aos artigos e incisos da proposta formulada pelo CNRH.

“Desde 2021, realizamos 19 reuniões do grupo de trabalho que cuida dessa pauta no âmbito da Câmara Técnica de Educação, Informação e Ciência e Tecnologia do CNRH. Nesse período, com apoio de diversos segmentos representados no colegiado, conseguimos avançar significativamente na proposta de uma nova Resolução, aprimorando as modalidades de reúso e trazendo algumas competências e obrigações do produtor, distribuidor e do usuário da água de reúso”, informa o coordenador-geral de Gestão de Recursos Hídricos do MDR, Anderson Bezerra. "Essa resolução apresentará um anexo consultivo, tratando-se de recomendações de parâmetros para a qualidade da água de reúso como boa prática na hora da sua utilização e monitoramento”, completa.

O reúso direto não potável de água, para efeito da proposta de resolução, abrange as seguintes modalidades: para fins urbanos, agrícolas, ambientais, industriais e de aquicultura. O reúso de água, em qualquer modalidade, deverá preservar sempre a saúde humana e os ecossistemas. As modalidades não são mutuamente excludentes, podendo mais de uma delas ser empregada simultaneamente em uma mesma área.

Os órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), no âmbito de suas respectivas competências, avaliarão os efeitos sobre os corpos hídricos decorrentes da prática do reúso, devendo estabelecer instrumentos regulatórios e de incentivo para as diversas modalidades.

Os Planos de Recursos Hídricos deverão contemplar, entre os estudos e alternativas, a utilização de águas de reúso e seus efeitos sobre a disponibilidade hídrica.

As recomendações de parâmetros de qualidade para as diversas modalidades de água de reúso em nível nacional têm um potencial de nortear os órgãos gestores e os possíveis produtores, distribuidores e usuários de água de reúso para garantia da segurança no uso e aplicação dessa água nas diversas modalidades.

Portanto, a consulta pública é uma oportunidade para que os diversos atores interessados apresentem suas contribuições, visando a construção de um normativo que reflita as necessidades de regulação da prática de reúso em âmbito nacional e que apresente recomendações de parâmetros em concentrações equilibradas, que reflitam as peculiaridades regionais e o custo-benefício de se avançar com a prática de reúso não potável no Brasil.

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Desenvolvimento Regional
27/07/2022 18:15h

Quando totalmente concluída, infraestrutura vai atender cerca de 5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza e em outras 24 cidades do estado

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Foi liberado nessa quarta-feira (27) mais R$ 20,7 milhões para a continuidade das obras no Cinturão das Águas do Ceará (CAC), infraestrutura que abastece, desde 2021, a Região Metropolitana de Fortaleza. Realizada pelo governo estadual, a obra conta com 73,27% de execução e já recebeu, desde 2013, cerca de R$ 1,3 bilhão em investimentos federais.

O CAC é a principal estrutura em construção que leva a água do Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco ao Ceará. O ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, explica como o empreendimento hídrico vai atender a população.

“É um projeto que vai levar as águas da transposição do Velho Chico da Barragem de Jati até o Rio Cariús, que historicamente sofre com estiagem nas épocas de seca. Então teremos mais 24 municípios beneficiados pela transposição do São Francisco. É mais engenharia para levar água para as pessoas que mais precisam no nordeste setentrional”, afirmou Daniel Ferreira.

Todo o projeto do CAC tem 145,2 km de extensão, compreendendo segmentos de canal a céu aberto, túneis e sifões. Em fevereiro, foi inaugurado o primeiro trecho, que corresponde aos lotes 1, 2 e 5, que faz a transposição de água para o Riacho Seco, seguindo por leito natural até os rios Salgado e Jaguaribe e, por fim, ao Açude Castanhão, que posteriormente transfere água para a Região Metropolitana de Fortaleza, atendendo 4,5 milhões de pessoas.

Além da capital e Região Metropolitana, também receberão as águas do CAC 24 cidades localizadas entre a Barragem de Jati e a Travessia do Rio Cariús, atendendo mais de 560 mil pessoas.

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Transposição do Rio São Francisco

O CAC é uma obra complementar ao Projeto de Integração do Rio São Francisco, que conta com os dois eixos, Leste e Norte, concluídos. No caso do Eixo Norte, que abastecerá o CAC, as águas saem de Cabrobó, em Pernambuco, passam por Jati, no Ceará, e chegam à Paraíba e ao Rio Grande do Norte.

Além dos dois eixos, o projeto original da transposição do São Francisco inclui também o Ramal do Agreste, em Pernambuco, concluído no ano passado; o Ramal do Apodi, que vai atender 750 mil pessoas na Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte, já em obras; e o Ramal do Salgado, no Ceará, que está em fase de licitação.

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18/07/2022 03:45h

Os investimentos das concessionárias privadas já alcançam 16% do total investido pelas companhias do setor. Em um dos contratos firmados para o estado o investimento chega a R$ 3 bilhões

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As operadoras privadas de saneamento possuem, até o momento, 199 contratos firmados no Brasil, entre as modalidades de concessões plenas e parciais, PPPs e subdelegações. É o que revela um levantamento divulgado no último dia 6 pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).  

De acordo com o balanço, os investimentos das concessionárias privadas já alcançam 16% do total investido pelas companhias do setor. Desde a entrada em vigor do novo marco legal do saneamento já foram realizados pelo menos 16 leilões. O Amapá está entre os contemplados com esses investimentos. 

O estado conta com investimento de R$ 3 bilhões. Do total, R$ 1 bilhão será destinado às obras. O projeto é composto por uma concessão plena de serviços de água e esgoto para áreas urbanas nos 16 municípios do estado. Para a superintendente técnica da Abcon, Ilana Ferreira, a atuação das empresas privadas no saneamento traz mais eficiência para o setor.

“No caso da operação privada, a tarifa é definida antes, e a atuação com as metas de qualidade, atendimento e investimento são atendidas e cumpridas do ponto de vista contratual”, explica.  

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A pesquisa também mostra que a média de investimento por ligação entre as operadoras privadas é 131% superior à realizada pelas companhias estaduais e 326% superior à média de serviços municipais.

Desestatização

Outro levantamento que trata da situação do saneamento básico é a “Agenda de privatizações: avanços e desafios", divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, até 2026, dez desestatizações serão conduzidas pelo BNDES ou municípios. 

O especialista em Infraestrutura da CNI, Matheus de Castro, afirma que, para este ano, devem ocorrer seis concessões e PPPs de empresas estaduais e autarquias microrregionais. 

“Sabemos das dificuldades que o setor público encontra há mais de uma década na realização desses investimentos, e isso penaliza muito nossa capacidade de modernizar nossa infraestrutura. Então, precisamos aumentar a participação privada na gestão dos ativos de infraestrutura. Mas, apesar de o caminho ser esse, sabemos da importância de aumentar também os investimentos públicos. Nós investimos tão pouco, que não podemos contar só com um tipo de investimento”, destaca. 

Após dois anos da entrada em vigor do novo marco legal do saneamento, as operadoras privadas do setor ampliaram sua participação e passaram a atender 46,1 milhões de pessoas com serviços de água e esgotamento sanitário no Brasil. Em relação a 2021, quando essas companhias atendiam 31,6 milhões de usuários, o aumento foi de 45%.
 

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14/07/2022 03:30h

De acordo com levantamento da Abcon, em 2022, as operadoras privadas do setor ampliaram sua participação em 45%, na comparação com o ano passado

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As operadoras privadas de saneamento possuem, até o momento, 199 contratos firmados no Brasil, entre as modalidades de concessões plenas e parciais, PPPs e subdelegações. É o que revela um levantamento divulgado no último dia 6 pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).  

De acordo com o balanço, os investimentos das concessionárias privadas já alcançam 16% do total investido pelas companhias do setor. Desde a entrada em vigor do novo marco legal do saneamento já foram realizados pelo menos 16 leilões. Mato Grosso do Sul está entre os contemplados com esses investimentos. 

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O estado conta com investimento de R$ 3,8 milhões. Do total, R$ 1 bilhão será destinado às obras. O projeto engloba 68 municípios e deve beneficiar cerca de 1,7 milhão de pessoas. Para a superintendente técnica da Abcon, Ilana Ferreira, a atuação das empresas privadas no saneamento traz mais eficiência para o setor.

“No caso da operação privada, a tarifa é definida antes, e a atuação com as metas de qualidade, atendimento e investimento são atendidas e cumpridas do ponto de vista contratual”, explica.  

A pesquisa também mostra que a média de investimento por ligação entre as operadoras privadas é 131% superior à realizada pelas companhias estaduais e 326% superior à média de serviços municipais.

Desestatização

Outro levantamento que trata da situação do saneamento básico é a “Agenda de privatizações: avanços e desafios", divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, até 2026, dez desestatizações serão conduzidas pelo BNDES ou municípios. 

O especialista em Infraestrutura da CNI, Matheus de Castro, afirma que, para este ano, devem ocorrer seis concessões e PPPs de empresas estaduais e autarquias microrregionais. 

“Sabemos das dificuldades que o setor público encontra há mais de uma década na realização desses investimentos, e isso penaliza muito nossa capacidade de modernizar nossa infraestrutura. Então, precisamos aumentar a participação privada na gestão dos ativos de infraestrutura. Mas, apesar de o caminho ser esse, sabemos da importância de aumentar também os investimentos públicos. Nós investimos tão pouco, que não podemos contar só com um tipo de investimento”, destaca. 

Após dois anos da entrada em vigor do novo marco legal do saneamento, as operadoras privadas do setor ampliaram sua participação e passaram a atender 46,1 milhões de pessoas com serviços de água e esgotamento sanitário no Brasil. Em relação a 2021, quando essas companhias atendiam 31,6 milhões de usuários, o aumento foi de 45%.
 

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11/07/2022 19:00h

Em um dos contratos firmados para o estado serão investidos R$ 2,6 milhões no setor de saneamento, de acordo com levantamento da Abcon

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As operadoras privadas de saneamento possuem, até o momento, 199 contratos firmados no Brasil, entre as modalidades de concessões plenas e parciais, PPPs e subdelegações. É o que revela um levantamento divulgado na última quarta-feira (6) pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).  

De acordo com o balanço, os investimentos das concessionárias privadas já alcançam 16% do total investido pelas companhias do setor. Desde a entrada em vigor do novo marco legal do saneamento já foram realizados pelo menos 16 leilões. O estado de Alagoas está entre os contemplados com esses investimentos. 

Em um dos casos (Bloco A), o estado contará com investimento de R$ 2,6 bilhões. O projeto contempla a concessão dos serviços de distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto e gestão comercial dos usuários. Pelo menos 13 municípios serão beneficiados com a medida. Para a superintendente técnica da Abcon, Ilana Ferreira, a atuação das empresas privadas no saneamento traz mais eficiência para o setor.

“No caso da operação privada, a tarifa é definida antes, e a atuação com as metas de qualidade, atendimento e investimento são atendidas e cumpridas do ponto de vista contratual”, explica.  

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A pesquisa também mostra que a média de investimento por ligação entre as operadoras privadas é 131% superior à realizada pelas companhias estaduais e 326% superior à média de serviços municipais.

Desestatização

Outro levantamento que trata da situação do saneamento básico é a “Agenda de privatizações: avanços e desafios", divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, até 2026, dez desestatizações serão conduzidas pelo BNDES ou municípios. 

O especialista em Infraestrutura da CNI, Matheus de Castro, afirma que, para este ano, devem ocorrer seis concessões e PPPs de empresas estaduais e autarquias microrregionais. 

“Sabemos das dificuldades que o setor público encontra há mais de uma década na realização desses investimentos, e isso penaliza muito nossa capacidade de modernizar nossa infraestrutura. Então, precisamos aumentar a participação privada na gestão dos ativos de infraestrutura. Mas, apesar de o caminho ser esse, sabemos da importância de aumentar também os investimentos públicos. Nós investimos tão pouco, que não podemos contar só com um tipo de investimento”, destaca. 

Após dois anos da entrada em vigor do novo marco legal do saneamento, as operadoras privadas do setor ampliaram sua participação e passaram a atender 46,1 milhões de pessoas com serviços de água e esgotamento sanitário no Brasil. Em relação a 2021, quando essas companhias atendiam 31,6 milhões de usuários, o aumento foi de 45%.
 

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01/07/2022 18:00h

Após o processo de dessalinização, a água se torna potável

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A comunidade do Barbaço, localizada em Brejinho, no Rio Grande do Norte, vai ter, a partir de agora, fornecimento regular de água de qualidade. Nesta sexta-feira, primeiro de julho, foi instalado no local um sistema de dessalinização, que permite o aproveitamento sustentável de poços abandonados no semiárido brasileiro em razão das águas subterrâneas serem salobras e salinas. Após o processo de dessalinização, a água se torna potável.

Presente à inauguração do sistema, o ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, destacou a estratégia para aumentar a segurança hídrica no país.

"O novo marco do saneamento se propôs a olhar isso de cima e resolver o problema de 35 milhões de pessoas que não têm água. E fixa a meta de em 2033, 99% das pessoas terem água tratada nas suas torneiras”.

Wilson Melo, diretor do Departamento de Recursos Hídricos e Revitalização de Bacias Hidrográficas do Ministério do Desenvolvimento Regional, destacou a importância dos sistemas de abastecimento de água para as comunidades beneficiadas.

"São comuns na região semiárida apresentarem altos índices de salinidade, águas salobras que geralmente têm impacto negativo para a saúde caso venha a ser consumida. Então, com esses sistemas implantados se tem a garantia de fornecer água de altíssima qualidade".

Líder da comunidade de Barbaço, João Maria Lima também comemorou a instalação do sistema.

"Esperava há muito tempo por isso, pois aqui só tem água salgada, salobra e agora teremos água doce, vai ser bom demais. Estamos todos muito animados".

Para saber mais sobre ações para aumentar a segurança hídrica, acesse mdr.gov.br.

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08/06/2022 16:20h

Para evitar perdas, é preciso ampliar a infraestrutura hídrica do país até 2035, apontam especialistas. CNI lança estudo sobre recursos hídricos e discute o tema em seminário

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Caso não se amplie a infraestrutura hídrica do país até 2035, o déficit hídrico pode ocasionar perdas superiores a R$ 518 bilhões ao setor produtivo. É o que afirma o diretor de Revitalização de Bacias Hidrográficas do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Wilson Melo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu, nesta terça-feira (7), o seminário “Segurança Hídrica para a Indústria”, para discutir estratégias que garantam água para todos e o desenvolvimento sustentável da indústria.

Wilson Melo ressaltou que, segundo o Plano Nacional de Segurança Hídrica, a questão é crítica: aproximadamente 61 milhões de brasileiros vivem em cidades com baixa garantia de abastecimento de água.

“Desafios com uma necessidade de ampliar a oferta em razão do aumento da população, aumentar a resiliência para enfrentar tanto secas quanto cheias, garantir a disponibilidade hídrica para o desenvolvimento regional, da indústria, da irrigação, do comércio, ampliar o financiamento da implantação, a operação e manutenção de novas infraestruturas hídricas. Incentivar o reuso e aproveitar o potencial da dessalinização”, destaca. “Também temos de contribuir para mantermos a qualidade dos corpos hídricos e, por último, reconhecer a água como um bem, um recurso limitado e dotado de valor, para, assim, estimularmos o uso racional da água.”

O evento, que celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5, promoveu o lançamento do “Estudo sobre a Cobrança pelo Direito de Uso dos Recursos Hídricos”. A diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mônica Messenberg, explicou o objetivo do relatório.

“A CNI desenvolveu esse estudo em parceria com especialistas com o intuito de fornecer respostas mais ágeis e efetivas aos problemas de segurança hídrica. Mais especificamente quanto à cobrança pelo uso de cursos hídricos, um dos cinco instrumentos da política nacional de recursos hídricos. Essa política, como sabemos, impacta diretamente setores usuários de água no país, em especial a indústria, que é a terceira maior consumidora desse insumo.”

Segundo a pesquisa, a cobrança pelo uso de recursos hídricos deverá criar efetivamente condições para reconhecer a água como um bem econômico, incentivar a racionalização do seu uso e criar recursos para o financiamento dos programas e das intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos.

Fontes alternativas

Vitor Saback, diretor da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), falou sobre a necessidade do uso de fontes alternativas de água para a construção da segurança hídrica e o importante papel da indústria neste passo.

“Estudos apontam para uma necessidade maior de adaptação e aumento de resiliência. De conciliação de usos e também da incorporação na matriz hídrica brasileira de novas estratégias tecnológicas, como a dessalinização e o reuso de água, por exemplo, como forma de se ampliar o leque de alternativas para garantir segurança hídrica para os usos múltiplos”, apontou Saback. 

“O reuso da água, que ainda corresponde a 1,5% do esgoto tratado, é importante que seja considerado como parte da estratégia de universalização dos serviços de esgotamento sanitário no país e não apenas como uma possibilidade em futuro distante. E tanto na institucionalização da prática como na formatação dos futuros de negócio, a indústria é parceira extremamente estratégica.”

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Águas subterrâneas

O evento também contou com a apresentação do “Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (WWDR)”, pelo oficial de projetos de ciências naturais da Unesco, Glauco Kimura. O tema deste ano foi Águas Subterrâneas que, segundo a Unesco, por ser “invisível”, é um recurso mal compreendido, subestimado e mal gerenciado.

De acordo com Kimura, as águas subterrâneas têm o potencial de aumentar as adaptações aos eventos climáticos extremos, além de promover o desenvolvimento socioeconômico da sociedade, gerando empregos e apoiando a segurança hídrica e energética.

“Com as mudanças climáticas, as crises hídricas se tornando cada vez mais recorrentes, não podemos nos darmos ao luxo de tratarmos as águas subterrâneas como temos tratado até o momento, afinal, será um recurso valiosíssimo para não só a promoção do desenvolvimento socioeconômico, mas também para as adaptações às mudanças do clima”, relata.

O relatório também enfatiza a necessidade de ampliar a noção de “valor” da água, com abordagens para valorar o insumo sob diversas perspectivas nos mais diversos setores, tema principal do estudo apresentado pela CNI.

Segurança Hídrica para a Indústria

O evento tratou sobre as questões estratégicas que envolvem a água e a crise hídrica, que já afeta diversas partes do planeta, e as questões de demanda e oferta, que dão sinais de desequilíbrio em algumas regiões brasileiras. Diante desse cenário, estudiosos e representantes do setor apontaram os desafios para se construir a segurança hídrica do Brasil, como uma melhor gestão do recurso e a discussão de temas estratégicos, como os eventos críticos globais e a agenda nacional de águas.

O seminário ainda contou com a presença de Thelma Krug, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), e José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, que debateram sobre os eventos climáticos extremos e como eles impactam sobre os recursos hídricos, além de Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da CNI, Thadeu Abicalil, especialista em Água e Saneamento do Banco do BRICS, João Bosco Reis da Silva, gerente de Sustentabilidade e Relações Institucionais da ArcelorMittal, Ana Silvia Santos, professora da UERJ, Gesner José de Oliveira Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e Eduardo Pedroza, representante Brasileiro da Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reúso de Água (ALADYR).

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30/05/2022 04:00h

Em entrevista ao Brasil61.com, o gerente de águas da TNC Brasil, Samuel Barrêto, explica que o país precisa realizar uma série de ações para evitar novas crises hídricas

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Após a crise hídrica que assolou o país nos últimos anos, o Brasil tenta reunir esforços para garantir água para as pessoas, o meio ambiente e as diversas atividades econômicas. Segundo especialistas, o aumento populacional, a ocupação desordenada de área urbana e o crescimento econômico são fatores que ameaçam a segurança hídrica, já que a demanda por água cresce a cada ano. Além disso, os impactos das mudanças climáticas no ciclo da água e a ausência de planejamento e gerenciamento coordenados, investimento em infraestrutura hídrica e saneamento também causam insegurança hídrica.

Em entrevista exclusiva ao Brasil61.com, o gerente de águas da TNC Brasil, Samuel Barrêto, explica que o Brasil precisa estar atento a uma série de agendas para garantir a segurança hídrica, como a recuperação das bacias hidrográficas, melhor infraestrutura de saneamento, despoluição de rios e o uso de fontes alternativas, como o reúso de água.

Brasil61: Barrêto, o crescimento populacional e, por consequência, a maior demanda por água é um dos fatores que ameaçam a segurança hídrica? Quais seriam os outros problemas?

Samuel Barrêto: No século XX, a população mundial cresceu cerca de três vezes, enquanto o consumo de água, seis vezes. E a tendência é de aumento desse consumo até 2050. Em torno de 50% deve ser a média de consumo mundial. Países como o Brasil devem ter aumento em torno de 80%. O ponto é que em muitas localidades essa água não vai estar disponível, porque além de se usar além da capacidade de reposição, nós estamos também degradando esses ambientes. Desmatando, poluindo, e aí começa a haver as questões de conflito por escassez. E ao mesmo tempo, a interface desses efeitos de mudança de uso do solo, de poluição da água com os efeitos climáticos, desses extremos climáticos, que pode ser o excesso ou a falta.

Brasil61: Muitos especialistas falam em recuperação das bacias hidrográficas. O quanto essa ação é importante para contornar futuras crises hídricas?

Samuel Barrêto: As soluções baseadas em natureza, como a restauração florestal e medidas de adaptação às mudanças climáticas baseadas em ecossistemas respondem por uma parte significativa do problema, quase 40%. As bacias hidrográficas que estão degradadas precisam ser recuperadas e a recuperação como essa de restauração florestal em áreas prioritárias, como as áreas de nascentes, as áreas de mananciais, as matas ciliares, as áreas de recarga, que é aquela área que vai fazer com que a água infiltre para a água subterrânea, reabastecendo o lençol para que essa água possa voltar para o rio, principalmente no período da seca. São medidas que vão contribuir para ampliar essa resiliência climática.

Brasil61: Parte desse problema pode ser resolvido com uma melhor governança das águas por parte dos estados e municípios? Que outras instituições podem ajudar nesse quesito?

Samuel Barrêto: A governança das águas é um aspecto muito relevante. Em todas as situações onde nós observamos um bom gerenciamento da água, tem uma liderança. E por trás dessa liderança tem um mecanismo de governança das bacias hidrográficas com os diversos atores envolvidos, porque ninguém sozinho vai dar conta desses desafios. Com a participação de governo, da sociedade civil e da iniciativa privada em torno de um objetivo comum é que se chega à segurança hídrica.

Brasil61: Uma das soluções apontadas para se buscar a segurança hídrica é o uso de fontes alternativas. Essas fontes também podem ajudar o Brasil nessa missão?

Samuel Barrêto: Todas as boas práticas são necessárias na luta pela segurança hídrica do país e o reúso, por exemplo, é uma delas. Em muitos lugares ela já vem sendo utilizada e não podemos abrir mão de nenhuma boa prática. Porque você pode ter um uso para fins menos nobres que não o abastecimento para alguma atividade, como por exemplo algumas atividades industriais e, dessa maneira, você acaba tirando a pressão, por exemplo, para o abastecimento doméstico. Você acaba recuperando essa água, reciclando esse elemento para outras finalidades, para a própria agricultura.

Brasil61: Por fim, mas não menos importante, o quanto um melhor saneamento básico pode ajudar a segurança hídrica do Brasil?

Samuel Barrêto: Essa é uma área que precisa de uma mudança muito estruturante no Brasil, afinal de contas 35 milhões de pessoas não têm acesso a água potável e mais da metade da população não tem acesso a coleta e tratamento de esgoto. Quando a gente coloca isso em escala, apenas em abastecimento de água, estamos falando algo equivalente a um país como a Argentina. É preciso avançar com a implementação desse marco legal, porque vai ser uma transformação muito importante do ponto de vista da recuperação dos rios, porque quando a gente fala de poluição de água, um relatório da ANA mostra que nós temos algo em torno de 116 mil quilômetros de rios com algum comprometimento. Isso é quase um terço do caminho entre a Terra e a Lua. É o que temos de rios com algum tipo de poluição no Brasil. Investir no saneamento e no acesso à água é fundamental.
 

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17/05/2022 03:06h

O aumento médio do consumo mundial de água nos próximos anos deve ser de 50%. Universalização dos serviços de saneamento deve levar água potável a 99% dos brasileiros

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O aumento médio do consumo mundial de água nos próximos anos deve ser de 50%. E países como o Brasil devem ter aumento em torno de 80%. A tendência de aumento do consumo até 2050 se deve tanto ao crescimento da população como à maior demanda provocada pela universalização do saneamento. É o que aponta o gerente da TNC Brasil, organização não governamental que promove a preservação da água, Samuel Barreto.

“O ponto é que em muitas localidades essa água não vai estar disponível, porque além de se usar além da capacidade de reposição, nós estamos também degradando esses ambientes. Desmatando, poluindo, e aí começa a haver as questões de conflito por escassez”, alerta Barreto.

Segundo o especialista, mais da metade da população brasileira não tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, mas terá nos próximos dez anos, com os investimentos previstos no setor, e isso vai gerar um círculo virtuoso: com menos esgoto sendo despejado nos rios, o Brasil conseguirá despoluir mais cursos d’água e, consequentemente, haverá mais do recurso para atender ao aumento da demanda por água potável. Ele destaca a importância do novo marco legal do saneamento nesse processo.

“É preciso avançar com a implementação desse marco legal, porque vai ser uma transformação muito importante do ponto de vista da recuperação dos rios. Porque quando a gente fala de poluição de água, um relatório da ANA (Agência Nacional de Águas) mostra que nós temos algo em torno de 116 mil quilômetros de rios com algum comprometimento. Isso é quase um terço do caminho entre a Terra e a Lua. É o que temos de rios com algum tipo de poluição no Brasil. Investir no saneamento e no acesso à água é fundamental”, destaca o gerente de águas da TNC.

O novo marco legal do saneamento estabelece que 99% dos brasileiros devem ter acesso à água potável até 2033 – hoje, mais de 35 milhões não têm isso. Segundo dados da Agência Nacional de Águas, o atual consumo para abastecimento urbano de água é de 482 mil litros por segundo, algo em torno de 29 milhões de litros por minuto. A previsão é de que esse consumo aumente para 537 mil litros por segundo até 2040. Isso sem contar o aumento da demanda para o setor produtivo e a agropecuária. Atualmente, a irrigação consome 964 mil litros de água por segundo, mas esse número pode saltar para quase 1,8 milhão de litros nos próximos 18 anos.

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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) destaca que o Brasil tem muita disponibilidade de água, mas sofre com escassez hídrica por causa do pouco investimento em infraestrutura, principalmente de saneamento.

“A gente não pode ignorar que o baixo investimento em infraestrutura é tão responsável pela crise quanto quaisquer outros agentes. O Brasil tem um índice pluviométrico intenso e a gente é a maior reserva hidrológica do mundo. Se existe crise hídrica, isso se dá por sucessivos governos que deixaram de cuidar desse item tão caro à vida das pessoas. E você pode ter certeza, o maior problema é o saneamento básico”, aponta a parlamentar.

O novo marco do saneamento, sancionado em 2020, e o Plano Nacional de Segurança Hídrica, publicado em 2019, preveem investimentos superiores a R$ 500 bilhões em infraestrutura nos próximos 11 anos para garantir a universalização dos serviços de saneamento básico e a conquista da segurança hídrica. Segundo o setor de Planejamento de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas, caso os investimentos não sejam feitos, estima-se que o Brasil vai chegar a 2035 com mais de 70 milhões de pessoas em situação de risco hídrico, além de acumular perdas econômicas da ordem de R$ 518 bilhões para a indústria e o setor agropecuário.
 

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12/05/2022 14:45h

Polo petroquímico localizado em São Paulo transforma esgoto em água industrial

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O Aquapolo é a maior estação de reúso de água da América do Sul e uma das maiores do mundo. Ele fornece água de reúso para o Polo Petroquímico de Capuava e indústrias da região do ABC Paulista. O projeto sustentável tem capacidade de produzir até mil litros de água de reúso por segundo, utilizando vários métodos para tratar parte do efluente descartado pela Estação de Tratamento de Esgoto ABC da Sabesp, e que seria destinado ao Córrego dos Meninos. Esse volume equivale ao do abastecimento de uma cidade de 500 mil habitantes.

O gerente da TNC Brasil, organização não governamental que promove a preservação da água, Samuel Barreto, explica que o Brasil precisa de mais investimentos em infraestrutura de saneamento e, ao mesmo tempo, não pode esquecer de nenhuma boa medida na busca pela segurança hídrica, como o reúso de água. Ele explica que a prática evita que um esgoto tratado de forma secundária seja descartado em um rio, reciclando essa água, ao mesmo tempo em que atende ao setor produtivo e alivia a pressão da demanda pelo abastecimento humano.

“Ao utilizar essa água, imagina a quantidade de água necessária para esse polo petroquímico, então, você está tirando esse volume, essa demanda, para levar ao abastecimento das pessoas. Você acaba podendo ter uma maior disponibilidade e diversificação das fontes. Sem dúvida nenhuma é importante considerar também essa alternativa do reúso, que precisa ganhar escala não só no estado de São Paulo, mas em outras regiões do Brasil”, explica Barreto.

Alguns países, como Cingapura, utilizam a água de reúso para consumo humano, mas, na maioria dos casos, a prática entrega água tratada para fins menos nobres, como a chamada água industrial, utilizada em torres de resfriamento e caldeiras. No Aquapolo de São Paulo, mais de 20 quilômetros de adutoras passam pelos municípios de São Caetano do Sul, Santo André e Mauá, abastecendo os clientes do polo.

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Desperdício

Um dos passos mais importantes do Brasil rumo à segurança hídrica foi o novo Marco Legal do Saneamento, que promete universalizar os serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto à maioria da população brasileira até 2033. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), publicados em 2021, mais de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável e cerca de metade da população não conta com esgotamento sanitário.

Um dos problemas mais sérios é a falta de qualidade da infraestrutura atualmente instalada, que permite, por exemplo, o desperdício de 40% da água coletada, água que simplesmente se perde nos canos. Sancionado em 2020, o novo marco estabeleceu metas de eficiência e prevê investimentos superiores a R$ 590 bilhões nos próximos 12 anos para universalizar os serviços de saneamento. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de R$ 42 bilhões desse montante devem ser investidos apenas para reduzir o índice de perdas de água.

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) destacou que o Brasil precisa administrar melhor o recurso e parte dessa boa administração depende dos governos estaduais e municipais.

"Não há dúvida de que a gente precisa usar água de modo mais eficiente, mas, ao mesmo tempo, é importante destacar que as soluções mais eficientes do ponto de vista legislativo passam pelos estados e municípios", destaca Zambelli.

Após o Marco do Saneamento, o Congresso Nacional continua discutindo várias alternativas para assegurar o abastecimento de água e um deles, o Projeto de Lei 10108, de 2018, trata da regulamentação da atividade de reúso. A ideia do projeto, que ainda passa por comissões na Câmara dos Deputados, é apontar fontes alternativas para o abastecimento de água, tais como reúso, água de chuva e águas residuais.
 

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Brasil 61