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LOC.: Começa a ganhar velocidade no Congresso Nacional a análise das propostas que acabam com a escala 6x1. Nesta terça-feira, a comissão especial que trata da mudança na jornada de trabalho teve a primeira reunião, um encontro com centrais sindicais, e anunciou audiências públicas em quatro estados brasileiros: Paraíba, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O relator da proposta, o deputado Léo Prates (Republicanos-BA), afirmou haver dois pontos inegociáveis: o fim da escala 6x1 e a manutenção dos salários, e que as demandas do setor produtivo terão de ser acomodadas nesse cenário.
Sobre a regra de transição, o parlamentar disse que o debate dessa parte ainda está ocorrendo. Para Platon Teixeira Neto, ex- juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás e professor de Direito Processual do Trabalho, essa discussão é essencial para evitar o aumento da judicialização nas cortes trabalhistas do país.
TEC./SONORA: Platon Teixeira Neto, ex- juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-18)
“Em primeiro lugar, é preciso verificar se há uma norma coletiva em vigor e o que será necessário fazer para adaptar à nova legislação. Em segundo lugar, os sindicatos profissionais devem ajudar os trabalhadores no cumprimento da nova legislação que virá e os patronais devem verificar os impactos disso e como isso vai afetar as novas negociações.”
LOC.: Dada a ausência de um texto final, é difícil prever os impactos concretos da mudança. Diferentes estudos indicam resultados distintos com o fim da escala 6x1, dependendo também do novo modelo que passaria a vigorar, seja a jornada de 5 dias de trabalho com 2 de descanso, ou 4 de trabalho e 3 de folga.
O que está claro, segundo Azevedo, é que o setor de comércio deve ser o mais afetado.
TEC./SONORA: Platon Teixeira Neto, ex- juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-18)
“Como nos shoppings ou nas lojas de rua como farmácias, restaurantes, supermercados, esse impacto vai ser maior, porque vai haver a necessidade de reorganização com escalas, compensações, banco de horas e, muito provavelmente, haverá o aumento do pagamento de horas extras.”
LOC.: Uma das principais justificativas para redução da jornada laboral é permitir aos empregados descansarem e realizarem outras atividades fora do ambiente de trabalho. Para Azevedo, existe uma possibilidade real dos trabalhadores utilizarem a folga para fazerem bicos e trabalhos temporários e que, apesar de contrariar a intenção da matéria, não há muito o que possa ser feito para impedir.
Reportagem, Álvaro Couto.