GEOCIÊNCIAS

12/09/2026 00:04h

Estado soma 34 abalos em quase 40 anos e o registrado no início deste mês é o mais forte desde 2015

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Um tremor de terra de magnitude 3,7 foi registrado na madrugada de sexta-feira (4), próximo ao município de Sandolândia, no sul do Tocantins, às 5h45 (horário de Brasília). O abalo na cidade com menos de 4 mil habitantes foi detectado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Não há relatos de danos materiais ou sequer de moradores que tenham sentido o tremor com intensidade. O fenômeno, no entanto, motivou a divulgação de um suposto novo tremor, previsto para ocorrer na próxima sexta-feira (18). “Esse alerta é falso, é uma alucinação. Os tremores são impossíveis de prever, e talvez nunca seja possível prever data, local e magnitude exatos. Isso é uma alucinação, não temos tecnologia para isso", alerta Bruno Colaço, sismólogo da RSBR e do Centro de Sismologia da USP.

Histórico

O tremor de Sandolândia não é um episódio pontual na história do estado. Desde 1988, a RSBR catalogou 34 abalos sísmicos no Tocantins, concentrados principalmente nas regiões central e sul. Neste ano apenas, foram 3, sendo o de Sandolândia o de maior magnitude desde 2015.

Segundo Colaço, o histórico indica que o evento não é isolado, tampouco está fora do padrão e, ao mesmo tempo, não compõe um enxame sísmico — termo técnico para se referir a uma localidade com tremores em sequência. "O que mais chama atenção é essa magnitude de 3,7 — ela difere um pouco do que o Tocantins está acostumado, é um pouco mais alta. Esse é o maior tremor desde 2015 e está entre os três maiores desta última década", diz. 

Desastres naturais

A posição geológica e formação rochosa do Brasil é privilegiada: estamos fora das zonas de riscos da atividade vulcânica, de furacões e de grandes terremotos. Catástrofes como sismos, vulcanismo e tsunamis (ondas gigantes) estão ligadas aos movimentos das placas tectônicas, que se movem na crosta da Terra por até 20 cm ao ano.

O Brasil não está localizado sobre a borda dessas placas, onde esses fenômenos são mais comuns e intensos, o que não significa que não haja atividade sísmica. A placa Sul-Americana, onde o país está localizado ao centro, é pressionada pelos movimentos das placas de Nazca e a Africana.

"Essas tensões se distribuem por toda a crosta e vão se acumulando durante anos; quando ficam muito grandes, as rochas não conseguem suportar esses esforços e quebram. Quando acontecem essas quebras, ao longo de falhas geológicas, se originam essas fraturas, e as ondas se espalham em todas as direções — é isso que as pessoas eventualmente podem sentir", explica Colaço.

Esses episódios são chamados de sismicidade intraplaca, que podem ocasionar tremores em qualquer parte do Brasil, mas normalmente em magnitudes mais baixas. Por isso, são raros os casos de danos sérios à construções civis ou até mesmo estruturas como barragens, reservatórios e usinas. Ainda assim, o país possui mais de 120 estações de monitoramento da atividade, o que permite expandir os conhecimentos na área e registrar mais abalos.

Nos últimos meses, países da América do Sul sofreram uma sequência de terremotos de grandes magnitudes, que ultrapassam os 7 pontos. Os sismos na Colômbia, Venezuela e no Peru deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados mas, apesar da proximidade temporal e de terem sido originados pela atividade da mesma placa tectônica, Colaço avalia que eles não guardam qualquer relação entre si e muito menos ao tremor sentido no Tocantins.

Previsões

Diferentemente da previsão climática, que estima a probabilidade da ocorrência de eventos como sol, chuva ou neve, o sismólogo é categórico ao afastar a hipótese de se prever terremotos. "Com a tecnologia de hoje, não existe nenhum método científico capaz de prever, com precisão, a data, o local e a magnitude que um terremoto vai ocorrer — como fazemos, por exemplo, com a previsão de chuva ou neve. Muitos cientistas, e me incluo entre eles, acreditam que talvez nunca seja possível isso acontecer", frisa. 

Segundo ele, o que a ciência consegue fazer atualmente é estimar risco de ocorrência dos tremores em determinada área a partir do movimento das placas ou alertar populações próximas após um abalo ser captado pelos sistemas de monitoramento. "Isso não prevê nada, o tremor já aconteceu. O sistema automático detecta que o tremor já ocorreu e tenta avisar as comunidades vizinhas da chegada desse tremor. Dependendo da magnitude e da distância, pode haver alguns segundos ou minutos para as pessoas procurarem abrigo, e isso pode salvar vidas", conclui.

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15/02/2026 04:15h

Estudo apresentado pelo Ministério das Cidades visa guiar futuras obras de prevenção e trazer recomendações para o contingenciamento dos riscos geológicos apresentados

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O Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, entregou, nessa quarta-feira (11), o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Goiânia. O documento, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em conjunto com a Defesa Civil, apresenta um diagnóstico detalhado das ameaças geológicas e hidrológicas na capital goiana, servindo como guia para futuras obras de prevenção.

O estudo técnico identificou 120 setores de risco na zona urbana de Goiânia, evidenciando a urgência de intervenções estruturais e sociais. Na classificação por nível de perigo das áreas mapeadas, 44 foram consideradas áreas de risco muito alto, 49 são áreas de risco alto e 27 são áreas de risco médio.

A estimativa é de que mais de 6.400 pessoas vivam nessas localidades — sendo mais de 2.300 em setores de risco muito alto, 2.152 em risco alto e 2.008 em risco médio —, sujeitas a fenômenos como inundações, enxurradas, deslizamentos e erosões (voçorocas). Entre os bairros citados no plano estão o Jardim Novo Mundo, Jardim América, Setor Bueno, Campinas, Parque Amazônia e Vila Romana.

As principais recomendações do PMRR são o fortalecimento da Defesa Civil, com a criação de uma equipe técnica permanente, a implementação de um sistema de alerta, com planos de contingência e rotas de evacuação, e a realização de obras estruturantes para estabilizar encostas e margens de rios em todos os setores de risco alto e muito alto.

Durante a audiência pública na Câmara Municipal, na qual o PMRR foi entregue, o secretário Nacional de Periferias, Guilherme Simões, destacou que a iniciativa vai além da engenharia. "A prevenção de riscos é uma questão de justiça social", afirmou, ressaltando que o objetivo principal é salvar vidas e proteger a população mais vulnerável que habita as periferias.

Os dados são do Ministério das Cidades.

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08/04/2022 14:17h

Alerta é do ex-diretor de Planejamento e Gestão do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Álvaro Rodrigues dos Santos. Para ele, é preciso que municípios respeitem técnicas de edificações adequadas, para que não sejam "indutores de tragédias". Com cerca de 500 quilômetros de extensão, a faixa litorânea apresenta instabilidade geológica e geotécnica

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Petrópolis (RJ) vivenciou duas tragédias causadas por deslizamentos após alto volume de chuvas: uma em fevereiro e outra no mês de março. Cerca de 250 pessoas morreram no estado do Rio de Janeiro em decorrência das chuvas apenas neste ano. 

O risco de deslizamentos vai além de Petrópolis e região, atinge toda a região da Serra do Mar - a faixa litorânea que tem cerca de 500 quilômetros de extensão e abarca parte das regiões Sudeste e Sul. O alerta é do ex-diretor de Planejamento e Gestão do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia, Álvaro Rodrigues dos Santos. 

“É uma área com instabilidade geológica e geotécnica, natural de encostas, com um dos maiores índices pluviométricos do país”, pondera o geólogo. Ele acrescenta que, na região, são frequentes os deslizamentos mesmo onde não há ocupação. “Por isso, se compreende que as intervenções humanas, sejam por obras viárias ou por urbanização, têm como decorrência a potencialização dessa grande instabilidade que já é natural”, complementa.

Santos pondera que os locais podem ser habitados, mas com técnicas de edificações adequadas. “Para que não fossem indutores de tragédias como vêm sendo”.

Para áreas de encostas, o arquiteto Benny Schvarsberg, doutor em Sociologia Urbana, orienta que são fundamentais sistemas públicos de abastecimento de água e drenagem, captação de esgoto, coleta e destinação adequada de lixo. “Muitas edificações em encostas possuem amarrações especiais e fortalecidas na estrutura, mas não é o que acontece com as casas das pessoas de baixa renda”, lamenta Schvarsberg. 

Boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) para esta quarta-feira (06) aponta para o risco moderado para a possibilidade de ocorrência de deslizamentos de terra no Litoral Sul Fluminense e Litoral Norte Paulista, "com destaque para os municípios de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, devido aos elevados acumulados observados nos últimos dias (superiores a 800 mm em Angra dos Reis em 120h e superiores a 600 mm em Paraty em 120h) e à possibilidade de chuva fraca ao longo do dia", diz a nota. No dia 16 de fevereiro, quando choveu em Petrópolis - em apenas três horas o volume esperado para todo o mês, o boletim do CEMADEN alertou para risco muito alto na região.

A prefeitura de Petrópolis afirmou que possui um sistema de alertas por meio de sirenes em localidades vulneráveis às intempéries, avisos por SMS e equipes capacitadas para atendimento emergencial de campo e vistorias técnicas de terrenos e edificações afetados por ocorrências geológicas causadas por temporais. Informou ainda que, desde 2013, vem aprimorando e fortalecendo o Plano de Contingência de Petrópolis para deslizamentos e inundações. "O documento define o que cabe a cada órgão municipal, estadual e federal em uma situação de desastre natural", esclareceu o órgão em nota. Além disso, capacitou - entre 2013 e 2016 - quase 600voluntários, de 61 comunidades, e 300 estudantes para atuar na prevenção de desestressa e chuvas. 

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Erros conscientes 

Os recursos técnicos para a tomada de decisão já existem. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) já entregou mais de mil cartas de recomendações geológicas para municípios conhecidamente susceptíveis a deslizamentos e enchentes. “Do meio técnico não falta mais nada. Nós fizemos tudo que pudemos fazer - a um nível de excelência internacional reconhecido - e disponibilizamos para administração pública, especialmente para municipal e estadual. Praticamente nada foi feito para implantação dessas recomendações”, denuncia o geólogo. 

As recomendações técnicas abrangem medidas de ordem emergencial, corretiva e preventiva. Uma medida emergencial, por exemplo, é a colocação de sistema de alarme em áreas de risco. Mas muitos municípios tornam esse método uma medida preventiva permanente, o que é um equívoco. 

Um plano de gestão de risco elaborado para a prefeitura de Petrópolis, em 2013, apontou que 28% do município estava em situação de perigo e risco alto ou muito alto. “Anos acumulados de crescimento das ocupações irregulares e incompreensão de como lidar com a questão do risco geológico-geotécnico geraram um enorme passivo a Cidade”, apontou o relatório (que tem caráter corretivo), assinado pelo engenheiro Luis Carlos Dias de Oliveira. Em 2011, a região serrana do Rio de Janeiro havia enfrentado grandes deslizamentos acarretados por fortes chuvas, o que deixou 918 mortos. A prefeitura informou que veio aperfeiçoando o instrumento, capacitando a comunidade para prevenção e mitigação de desastres. 

Na opinião do geólogo Álvaro Santos, do ponto de vista preventivo, as gestões públicas pouco fazem com os instrumentos técnicos que têm à disposição, o que poderia salvar vidas. “Nem sequer a elementar interrupção de novas ocupações em áreas impróprias e feitas com técnicas inadequadas foi implementada. Quer dizer, áreas de risco, nessas regiões, continuam sendo multiplicadas e acontecendo.” 

Doutor em Sociologia Urbana, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, Benny Schvarsberg, defende que a solução para o problema é uma política de habitação eficiente. “Em geral, no Brasil, o mercado habitacional atende populações de rendas médias e altas e ele não oferece, em geral, produtos imobiliários acessíveis à população de baixa renda. Isso tem um impacto muito grande porque mais de 70% das necessidades habitacionais são de populações de 0 a 3 salários mínimos”, contextualiza. 

Ele também cita as Cartas Geotécnicas, elaboradas também pelo Serviço Geológico do Brasil. Elas são mapas de ações preventivas, que mostram locais que não podem ser ocupados de forma alguma, mas também trazem as áreas passíveis de ocupação urbana, desde que sejam obedecidos uma série de critérios. “A tragédia envolve problemas geológicos mas ela tem um fundamento social. Não há família que ocupe uma área de risco que não sabia que o risco que vai ocorrer, mas a ocupação está sendo a solução de baixa renda para ter a casa própria ou alugada no orçamento compatível com a renda familiar.” 

Acerca da política habitacional, em nota a prefeitura de Petrópolis, reiterou que a responsabilidade é compartilhada com o estado e a União. "Entre 2001 e 2008, a Prefeitura construiu mais de 600 moradias populares nas regiões do Carangola, Quitandinha, Castelo São Manoel e Pedras Brancas. O governo municipal também viabilizou o uso de um terreno na localidade de Vicenzo Rivetti para a edificação de 776 apartamentos, da faixa popular do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Outro empreendimento destinado a famílias desalojadas pelas chuvas foi a construção de 144 casas na Posse – 72, pela Prefeitura; e 72, pelo Estado", registra a nota. 

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04/06/2021 16:27h

O Serviço Geológico do Brasil, por meio do Centro de Geociências Aplicadas (CGA), e o instituto de Geociências (IG) da Universidade de Brasília (UnB) estão prestes a assinar um amplo acordo

O Serviço Geológico do Brasil, por meio do Centro de Geociências Aplicadas (CGA), e o instituto de Geociências (IG) da Universidade de Brasília (UnB) estão prestes a assinar um amplo acordo de cooperação técnico-científica na área de geociências. O objetivo maior é o compartilhamento de equipamentos de isotopia e geocronologia de seus laboratórios e o desenvolvimento de pesquisas conjuntas em várias áreas das geociências, como água, sustentabilidade e energia. A parceria entre as duas instituições viabilizará um centro laboratorial de alta performance analítica que deverá resultar na ampliação do conhecimento geológico do Brasil.

“Esta parceria é um passo importante para que as duas instituições se tornem um centro de referência em geodinâmica, províncias minerais e estudos referentes à geologia de petróleo e gás”, afirmou o chefe do CGA, o geólogo Noevaldo Teixeira. O geólogo explica que as províncias minerais e os reservatórios em rochas carbonáticas deverão constituir as duas principais linhas de pesquisa deste novo centro analítico nacional. Apesar de ainda não consolidada, Teixeira afirma que a parceria já começa com uma importante contribuição à pesquisa científica no setor mineral: o SGB/CPRM e a UnB realizarão, entre os meses de junho e julho, um seminário sobre processos geodinâmicos com a participação de pesquisadores de universidades de outros países. 

O seminário terá a participação de pesquisadores e pesquisadoras do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), da Universidade de Alberta (Canadá), da Universidade de Lausanne (Suiça), da Universidade Monash (Austrália), da Universidade Nacional Australiana (Austrália), da Universidade Grenoble Alpes (Alpes Franceses) e da Universidade de Estrasburgo (França), entre outras instituições. Serão 40 minutos de palestra, seguidos de 20 minutos para debate com espaço para perguntas. “As palestras acontecerão em dias alternados, com início no dia 08 de junho, com a palestra do pesquisador Taras Gerya e encerramento no dia 13 de julho. Durante o evento, os palestrantes abordarão temas diversos para esclarecer, por exemplo, como o nosso planeta começou a se formar, quais eram as condições de habitabilidade no início da formação da crosta, como os depósitos minerais são formados, o que diferencia a terra dos outros planetas, como os magmas migram por dezenas de km até chegarem à superfície, por que alguns magmas são capazes de gerar um depósito mineral e outros não, como os fluidos são formados e como a deformação contribui para a sua canalização, como os levantamentos de sísmica passiva podem contribuir na exploração mineral, quando a tectônica de placas pode ter começado efetivamente, quais são os processos geodinâmicos que tornam o nosso planeta tão especial, entre outros questionamentos”, explicou Noevaldo Teixeira. 

As palestras serão transmitidas por meio do link https://www.youtube.com/tvcprm. Além desta edição, outros seminários estão previstos para acontecer ao longo do ano, também com transmissão do canal TVCPRM. O evento, que acontecerá entre os meses de junho e julho, é gratuito e não requer inscrição prévia.

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