Câncer

05/02/2023 18:00h

Em entrevista ao Brasil 61, o médico mastologista da Secretária de Saúde do Distrito Federal, Flávio Vasconcelos, fala sobre a importância da mamografia para o diagnóstico precoce do câncer de mama e esclarece as principais dúvidas sobre o exame

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O câncer de mama é um dos desafios no cenário atual de envelhecimento populacional e enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no país o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. Dados do INCA apontam que no ano de 2022 foram estimados 66.280 novos casos, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 43,74 casos por 100 mil mulheres. 

Atualmente, o diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais cedo um tumor invasivo é detectado e o tratamento é iniciado, maior a probabilidade de cura. Por esse motivo, várias ações vêm sendo implementadas para diagnosticar o câncer nos estágios iniciais. 

Para esclarecer dúvidas sobre diagnóstico precoce e a importância da realização do exame da mamografia, o Brasil 61 recebe o médico mastologista da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Flávio Vasconcelos.

Brasil 61: O que representa o Dia Nacional da Mamografia? 

Flávio Vasconcelos: A mamografia representa o cuidado da mulher para o diagnóstico precoce dessa patologia que é o câncer, que é a doença em termos de câncer que mais afeta as mulheres.

Brasil 61: Qual a idade recomendada para fazer a primeira mamografia?

F.V: A Sociedade de Mastologia, a Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia, a Sociedade de Radiologia e as entidades médicas vinculadas ao tema recomendam que ela seja feita numa paciente que não tenha alto risco para câncer de mama crescente iniciada aos 40 anos de idade. Já o Ministério da Saúde recomenda a partir dos 50 anos.

Brasil 61: Qual é a periodicidade recomendada? 

F.V: A sociedade da mesma forma recomenda que o exame seja feito com periodicidade anual, desde que esteja sem nenhuma alteração ou com alterações benignas. Já o Ministério da Saúde coloca que a periodicidade não deve ultrapassar dois anos, então ele recomenda que o máximo seja de dois em dois anos.

Brasil 61: Como se preparar para o exame e quais cuidados são necessários? 

F.V: Basicamente não tem nenhum cuidado especial. A única coisa que a gente recomenda muito é que qualquer desodorante que possa ter fragmentos de cálcio pode atrapalhar a monografia. Então, evite [usar] um desodorante quando for fazer o exame; no máximo é isso. O resto não tem nenhum cuidado especial a mais.

Brasil 61: A vacina contra a Covid-19 pode interferir no exame de mamografia?

F.V: Pode interferir nas axilas. A axila é preocupante no câncer de mama porque o primeiro lugar que ele vai é para a íngua, debaixo do braço, que nós médicos chamamos de linfonodos. Então, quando você avalia a mama, você também avalia essas ínguas para ver se elas estão com formato normal. E a vacina da Covid-19 pode aumentar esses linfonodos, que são as ínguas, e alterar a forma deles, inclusive pode dar a falsa impressão de ser uma suspeita para câncer. Então o recomendado é que os exames de mama sejam feitos quatro meses após a vacina para evitar essas situações de falso positivo.

Brasil 61: Como é feito o exame de mamografia?

F.V: Primeiramente, tem muito o tabu, o medo da compressão. Mas a compressão é que faz toda a diferença da mamografia, porque o que diferencia a mamografia de um raio x normalmente é justamente a compressão. E a compressão é que torna os nódulos e as alterações mais evidentes. Essa compressão tem legislação para isso. Esses mamógrafos são checados periodicamente. Então é uma compressão que é padrão, não vai trazer nenhum dano ou mal para essa paciente. É um desconforto, sim, mas é um desconforto rápido e não é tão exagerado. Então é importante quebrar esse mito do medo de não fazer pela dor. Outro cuidado importante é evitar fazer a mamografia no período pré-menstrual, porque nessa fase as mamas já estão naturalmente mais sensíveis, então qualquer compressão vai ficar mais sensível. Mas caso você faça o exame nessa fase, o resultado não vai mudar, a imagem não vai alterar, só mesmo o conforto da paciente que vai ser melhor. A paciente chega, entra na sala do exame, o técnico vai posicionar a mamografia sobre o local que vai fazer a compressão na mama e vai fazer o raio x dela em duas posições para poder avaliar direitinho. Não tem nenhum preparo especial, como eu disse, além do desodorante. Acabou, a paciente vai embora para casa, não precisa de nenhum repouso, não atrapalha nenhuma atividade do dia.

Brasil 61: Somente o exame da mamografia é capaz de diagnosticar o câncer de mama ou é preciso exames complementares?

F.V: Se eu tenho condições de fazer apenas um exame, a mamografia, que é o exame de eleição. É o único exame até hoje que é capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama em pacientes que realizam exames de maneira frequente. [ A mamografia] não evita de aparecer o câncer, ela reduz a mortalidade, que permite pegar as lesões mais iniciais, e quanto mais inicial você pega, maior a chance de cura. É sabido que pacientes jovens, gestantes, lactantes têm as mamas muito densas, ou seja, aquela mama jovem, que tem bastante glândulas mamárias. Então, com essas pacientes, a mamografia pode não evidenciar todas as alterações, por isso seria recomendado uma ultrassonografia para complementar essa mamografia. E nos pacientes de alto risco para câncer de mama, existem várias definições do que é alto risco. Na consulta médica, a gente consegue estabelecer bem, tanto o generalista, quanto o mastologista, ou ginecologista. Nesses casos é indicado a ressonância nuclear magnética de mamas para complementação.

Brasil 61: O autoexame substitui a mamografia? 

F.V: Não, tanto que hoje a gente não tem mais aquele ato de fazer o autoexame regularmente. O que a gente recomenda às pacientes hoje é um autocuidado corporal. O que é isso? É conhecer o próprio corpo, estar familiarizada com o corpo dela, porque à medida que detecta alguma alteração, é mais fácil abrir, porque a paciente conhece o corpo dela. Então o autoexame é mais no sentido de conhecimento corporal e identificar-se nas alterações pela própria paciente. Mas sem aquela neura, aquele excesso de todo sétimo dia pós menstrual, é usar o seu dia a dia mesmo. Não substitui a mamografia, desde a década de 1980, os estudos mostraram que não é eficaz e não diminui a mortalidade por câncer de mama.

Brasil 61: Qual a importância do exame? 

F.V: A importância é o diagnóstico precoce do câncer de mama. O câncer de mama é o câncer mais frequente nas mulheres. A cada dez mulheres com câncer, três vão ter câncer de mama, então é um índice alto, e é o que a gente mais tem que fazer ações de detecção precoce. A gente não consegue evitar que ele apareça, a gente trabalha com diagnóstico precoce e para fazer o diagnóstico precoce, o melhor exame é a mamografia. Então isso é o principal argumento. Faça a mamografia para que a gente consiga, caso aconteça, identificar o câncer de maneira mais precoce. Diagnosticado precocemente, nós conseguimos salvar a mama da paciente, retirando menos fragmentos, a gente consegue ter tratamentos menos agressivos, evitar a quimioterapia, radioterapia e a gente consegue fazer uma gama de atitudes que preservem a qualidade de vida, a saúde e a feminilidade que a mama representa para as pacientes.

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04/02/2023 17:17h

Segundo especialista, 40% dos casos de câncer e metade das mortes causadas pela doença são resultados de hábitos de vida

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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2025. Desse número, 70% estão previstos para as regiões Sul e Sudeste.

Ainda segundo o Inca, o tumor maligno mais incidente no Brasil é o de pele não melanoma, que totaliza 31,3% dos casos. É seguido pelos cânceres de mama feminina (10,5%), de próstata (10,2%), do cólon e reto (6,5%), de pulmão (4,6%) e de estômago (3,1%).

O câncer de fígado aparece entre os 10 mais incidentes na região Norte, estando relacionado a infecções hepáticas e doenças hepáticas crônicas. O câncer de pâncreas está entre os 10 mais incidentes na região Sul, sendo seus principais fatores de risco a obesidade e o tabagismo.

Diante desse cenário, é importante que a conscientização e a educação sobre a doença aumente entre a população brasileira. Esse é o objetivo do Dia Mundial do Câncer, que foi celebrado neste sábado (4). Neste ano, dia do câncer foi denominado como “unindo nossas vozes pelo controle do câncer”. 

Liz Almeida, diretora-geral substituta do Inca, contou que os esforços para conseguir melhorar o diagnóstico e tratamento da doença foram reforçados.

“Esse ano, nós avançamos no sentido de buscar todos os nossos parceiros, principalmente do terceiro setor da sociedade científica e sociedade civil, para se juntar, pensar, planejar e aí agir juntos, nas causas mais importantes que podem reduzir as desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer”, completa a diretora. 

Adriana Castelo, oncologista dos hospitais Santa Lúcia e Universitário de Brasília, afirma que cerca de 40% dos casos de câncer e metade das mortes causadas pela doença são resultados de hábitos de vida que podem ser alterados. “A prevenção de diversos tipos de cânceres envolve principalmente adoção de uma vida saudável, com bons hábitos alimentares, manter o peso saudável, não fumar, evitar o abuso de bebidas alcoólicas, praticar atividade física, tudo isso contribui para a diminuição dos casos de câncer.”

A médica explica que o surgimento do câncer pode ser esporádico ou hereditário. “A maioria dos casos são esporádicos. Cerca de 10% envolve uma herança genética familiar que predisponha o desenvolvimento de neoplasia”, conclui.

Tratamentos

Segundo informações do Ministério da Saúde, os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.

Para Adriana Castelo, o tratamento do câncer pode ser feito através de cirurgia, quimioterapia ou outros medicamentos como drogas alvo e imunoterapia e radioterapia ou combinação dessas terapias. “A indicação do tratamento depende da localização, estágio em que a doença se encontra e algumas características do tumor como presença e ausência de mutações”.

A médica informa que é possível a própria pessoa detectar a presença de um câncer. Por isso, é importante conhecer o corpo e ficar alerta para alterações como surgimento de nódulos, sangramentos ou sintomas persistentes, como tosse que não passa, ou sintomas inexplicáveis como perda de peso acentuada e fadiga intensa.

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Dr. Ajuda
25/01/2023 17:00h

Neste episódio a dermatologista Dra. Vivian Loureiro dá mais informações sobre o assunto

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Você sabia que o sol é o principal fator de risco para o aparecimento de câncer de pele? E sabia que a melhor estratégia para evitar esse tipo de câncer é a fotoproteção? Você sabe como usar corretamente o protetor solar? 

A primeira coisa que você precisa saber é que o câncer de pele é o tumor maligno mais frequente no mundo. Ele é dividido em dois grupos principais: o carcinoma, baso e espinocelular, que é o tipo mais comum, e o melanoma, que apesar de mais raro, costuma ter um comportamento mais agressivo. Como os dois estão relacionados à exposição solar, a fotoproteção é a melhor prevenção para esse tipo de câncer. 

Quando eu devo usar protetor solar?

Estima-se que 70% do sol que uma pessoa pega na vida não acontece em momentos de lazer, mas sim no dia a dia, no trânsito, na caminhada até o trabalho, na ida até o supermercado ou na saída para o almoço. 

O problema é que muita gente só se lembra de usar o protetor solar quando está na praia ou na piscina, o que é um erro enorme. Portanto, é extremamente importante o uso diário do protetor solar, mesmo em dias frios, nublados ou com chuva, pois os raios ultravioletas estão sempre presentes. 

Lembre-se: aplique protetor solar faça chuva ou faça sol, em qualquer estação do ano.

E em que horário eu devo passar o protetor solar?

No dia a dia, é recomendável aplicar o protetor solar pela manhã nas áreas expostas, como rosto, pescoço e mãos. Pessoas que não possuem cabelo, não devem se esquecer de aplicar na cabeça.

Nos momentos de lazer, como praia e piscina, os cuidados devem ser redobrados. A primeira aplicação deve ser feita em casa, sem roupa, pelo menos 15 minutos antes da exposição para que haja tempo para a absorção do produto. 

Devemos reaplicar o protetor a cada 2 horas e toda vez após entrar no mar e na piscina ou após transpiração intensa. Mesmo os produtos à prova d 'água acabam saindo após um tempo e devem ser reaplicados.

Protetor solar: que fator de proteção eu devo usar?

O FPS nunca deve ser menor do que 30. Na escolha do seu protetor, é importante checar se existe proteção contra os raios UVA e UVB, pois ambos são perigosos para a pele. 

Qual a quantidade que devo passar?

Para garantir a proteção precisamos de uma quantidade mínima de produto. Para nos guiar existe a regra da colher de chá:

  • Rosto e pescoço: 1 colher de chá
  • Braços: 1 colher de chá em cada braço
  • Pernas: 2 colheres de chá em cada perna
  • Tronco: 2 colheres de chá na parte da frente e 2 na parte de trás

Uma alternativa é a aplicação em 2 camadas, ou seja, fazer uma segunda aplicação na sequência, para garantir a quantidade adequada. Quando aplicado de forma correta, o FPS 30 garante proteção de até 95%. Porém o grande problema é que a maioria das pessoas não costuma passar o suficiente. 

Todo mundo deve usar protetor solar?

Sim! Mesmo pessoas com peles escuras devem se proteger, pois o câncer de pele pode aparecer em qualquer fototipo. Atualmente existem inúmeras opções de produtos para os diferentes tipos de pele e com cosmética bastante agradável. Existem ainda opções com cor que funcionam como base, deixando a pele mais uniforme e disfarçando manchas. 

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda. 

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16/01/2023 14:30h

A oncologista Alessandra Leite explica que o adenocarcinoma é um tipo de tumor que pode surgir em diversos órgãos, mas, principalmente, nos órgãos digestivos.

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A cantora Preta Gil publicou em seu instagram, há poucos dias, que após seis dias de internação em um hospital no Rio de Janeiro, recebeu o diagnóstico de um adenocarcinoma na porção final do intestino. Desde então, as pesquisas para saber o que é esta doença dispararam.

A oncologista Alessandra Leite explica que o adenocarcinoma é um tipo de tumor maligno que nasce de uma glândula específica presente no revestimento de alguns órgãos, principalmente nos órgãos digestivos, mas também pode ser encontrado nos pulmões, útero, mamas e na próstata. 

Alessandra diz que os sintomas da enfermidade variam de acordo com a localização do tumor e cita o diagnóstico da cantora para exemplificar os sintomas. 

“Por exemplo, o caso mais recente que estamos vendo na mídia é o da Preta Gil, que é um adenocarcinoma de cólon. Nestes casos, o paciente pode apresentar desconforto abdominal, mudanças no hábito intestinal, ou seja, evacuava todos os dias normalmente e passa a ter diarreia ou intestino muito preso. Pode apresentar algum tipo de sangramento junto às fezes e perda de peso. Então, depende do local onde o adenocarcinoma se origina”, explica.

A especialista conta que, caso o adenocarcinoma seja encontrado na região do pulmão, os sintomas são totalmente diferentes. Então, o enfermo apresentaria sintomas como tosse, falta de ar e cansaço.

É importante ressaltar que, como em todos os tumores, os sintomas, às vezes, são muito discretos e quando está em estágio inicial, o paciente pode não apresentar sintomas. 

Tratamento

O tratamento do adenocarcinoma depende de onde o tumor nasceu. Geralmente, para tumores pequenos ou medianos localizados no cólon, primeiro é realizada uma cirurgia e depois, dependendo da extensão da doença, do tamanho do tumor e se tinha ou não linfonodos comprometidos, pode-se fazer uma complementação com um período de quimioterapia de reforço. Após esse tratamento, o paciente passa por um período de controle que tem a duração aproximada de cinco anos. 

Os adenocarcinomas localizados em qualquer órgão têm a possibilidade de serem totalmente curados, desde que diagnosticados em estágios iniciais, para que possa haver um tratamento completo e bem sucedido. 

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Causas

De acordo com a oncologista, assim como o tratamento, a causa dos adenocarcinomas também depende do órgão. “Os adenocarcinomas de cólon são causados por alguns fatores. O primeiro e mais importante diz respeito ao caso de pacientes que têm o funcionamento intestinal pior, então o intestino preso é um dos grandes fatores de risco para o desenvolvimento com o envelhecimento do adenocarcinoma de cólon, mas claro que o envelhecimento está também associado como todos os tipos de câncer, consumo excessivo de carne, consumo excessivo de bebida alcoólica, tabagismo, dentre outros fatores”, completa.
Alessandra acentua que o consumo excessivo e diário de carne vermelha dificulta o processo digestivo, o que se torna um fator de risco indireto. Mas não quer dizer que as pessoas não possam comer carne vermelha, apenas procurar, sempre que possível, moderar na quantidade e variar a proteína, como por exemplo optar por carnes brancas. 

Precauções

Existem formas para se evitar o surgimento do tumor, que são:

  • Não ingerir bebidas alcóolicas em excesso;
  • Não fumar;
  • Ter dietas equilibradas;
  • Evitar o consumo excessivo de carne vermelha.

Realizar a colonoscopia com certa frequência a partir da data estipulada pelo médico e conhecer o histórico familiar para saber se existe algum caso dentro da família são requisitos importantes para o diagnóstico precoce de um possível tumor.
 

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Dr. Ajuda
13/01/2023 17:00h

Neste episódio a Dra. Allyne Queiroz dá mais detalhes sobre o assunto

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Você conhece alguém que teve câncer de intestino quando era jovem, com menos de 50 anos? Sua família tem casos de câncer do trato digestivo? Neste episódio a Dra. Allyne Queiroz dá mais detalhes sobre o assunto.

Quando você deve suspeitar de câncer de intestino hereditário na sua família?

  • Se você ou algum parente teve câncer de intestino com menos de 50 anos de idade.
  • Se tem casos de câncer de intestino, estômago, pâncreas ou fígado na família. 
  • Pólipos intestinais (crescimento de tecido anormal em uma membrana mucosa).  Você já retirou pelo menos 10 pólipos nas suas colonoscopias durante a sua vida? Ou mais de 100 pólipos em uma única colonoscopia?
  • Já teve dois tumores do trato digestivo mesmo que em momentos diferentes? Por exemplo: câncer de estômago aos 40 anos e câncer de intestino aos 46 anos. Então o problema também pode ser hereditário.
  • Se na sua família existe algum caso de câncer de intestino hereditário.

Como usar essa informação a seu favor? É importante destacar dois aspectos.

  1. Saber que você faz parte desse grupo possibilita que um médico cuide melhor de você. Ele colocará você num programa de rastreio de tumores conhecido como rastreio de alto risco, no qual você provavelmente fará pelo menos uma colonoscopia ao ano, além de endoscopias periódicas e outros exames.
  2. Se você está tratando um câncer de intestino, seu oncologista poderá utilizar essa informação para definir o melhor tratamento para o seu tumor, às vezes até modificando seu tratamento.

Além disso, ter essa informação é muito importante para toda sua família, que poderá se beneficiar de rastreamento de tumores diferenciado. Afinal de contas eles também podem estar em risco.

Se você já sabe que é portador de uma síndrome de câncer de intestino hereditário, quanto o seu risco de ter câncer é maior que o da população em geral?

Esse risco varia a depender da síndrome. Na síndrome de Lynch o risco de desenvolver câncer de intestino é de 60%, na polipose adenomatosa familiar de 100%. 

Enquanto o risco da população em geral, ou seja, pessoas sem mutações é de 5% ao longo da vida, devemos nos lembrar de que o risco é aumentado não só para câncer de intestino, mas também para câncer de endométrio, sistema nervoso central e outros tumores do aparelho digestivo. 

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda.

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12/01/2023 17:30h

De acordo com dados do INCA, mais de 65 mil novos casos foram diagnosticados ano a ano, entre 2020 e 2022.

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Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) revelam que mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata foram  diagnosticados a cada ano, entre 2020 e 2022. Os homens mais propensos a desenvolverem o tumor são aqueles com mais de 55 anos, com excesso de peso e obesidade. 

O médico patologista do Grupo Oncoclínicas, Leonard Medeiros, é líder de uma pesquisa que identificou que o diagnóstico da enfermidade se tornou mais preciso a partir da utilização da inteligência artificial. O estudo, denominado “Aplicação independente no mundo real de um sistema automatizado de detecção de câncer de próstata de nível clínico”, mostra que o processo ganhou eficiência com a nova tecnologia.

“Com a introdução da inteligência artificial, em vez de essa análise ser feita através de um microscópio, ela pode ser feita na tela de um computador. Nós somos capazes de digitalizar a imagem daquele tecido prostático e um software de computador auxilia na interpretação dessa imagem digitalizada”, destaca o médico.

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O câncer de próstata é um tumor que afeta a glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. É o tipo de câncer mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele. 

O especialista conta que a evolução da tecnologia com a inteligência artificial resultou na capacidade da detecção do câncer em pequenas áreas, diminuindo a possibilidade de um falso negativo.

“A utilização desse software trouxe a possibilidade de detectar áreas menores do câncer de próstata na biópsia. Áreas que eventualmente poderiam não ser detectadas pelo médico patologista no microscópio, por serem muito pequenas ou por conta da natureza humana e do processo de análise. Hoje, nós conseguimos detectar com mais acurácia, mais celeridade e mais rapidez pequenas áreas de tumor, e isso reduz o que a gente chama na prática médica de resultado falso negativo. Que é uma situação onde o câncer está presente na lâmina, mas não foi detectado por aquele método utilizado”, completa. 

De acordo com a pesquisa, a inteligência artificial proporcionou uma redução estimada de 65,5% no tempo de diagnóstico do material analisado. 
 

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Dr. Ajuda
21/12/2022 17:00h

Neste episódio a Dra. Flávia Luz dá mais detalhes sobre o assunto

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Você já ouviu falar em retinoblastoma? Sabe o que fazer caso seu filho tenha sido diagnosticado com essa doença? Neste episódio a Dra. Flávia Luz dá mais detalhes sobre o assunto.

Retinoblastoma é um tumor maligno da retina, ocorre em crianças entre 0 a 5 anos, e é mais frequente nos primeiros dois anos de vida. 

Apesar de ser um câncer raro, ele é o tumor intraocular mais frequente e está relacionado a questões genéticas. Para ter uma ideia, ele atinge um a cada 20 mil nascidos vivos. Infelizmente, no Brasil há uma alta incidência dessa doença. Mas como essa doença se manifesta? 

O sinal mais frequente nesse caso é o reflexo branco da pupila, chamado de leucocoria e popularmente conhecido como olho de gato. Mas a doença também pode se apresentar com o desvio ocular (estrabismo), tremor dos olhos (nistagmo), vermelhidão e baixa de visão, que nem sempre é informada por se tratar de crianças muito pequenas. Os sintomas podem ser de um lado só ou bilateral.

Diagnóstico

O primeiro exame dos olhos do bebê quem faz é o pediatra, ainda na maternidade, e ele se chama reflexo vermelho, popularmente conhecido como teste do olhinho. Ele consiste em observar se o reflexo que se vê através da pupila é vermelho, o que indica normalidade. Esse exame serve também para detectar outras doenças, como catarata congênita, glaucoma e infecções.

O reflexo vermelho deve ser repetido pelo pediatra pelo menos 3 vezes ao ano, durante os primeiros três anos de vida da criança. A qualquer sinal de alteração a criança deve ser encaminhada ao oftalmologista para exames mais detalhados. 

Em geral, o primeiro exame oftalmológico completo de rotina de uma criança deve ser solicitado entre seis meses e um ano de vida, pois a maioria das doenças oculares infantis têm melhor chance de sucesso no tratamento quando detectadas o quanto antes.

O diagnóstico precoce de retinoblastoma é fundamental, pois em 90% dos casos iniciais ele é curável e em muitos é possível preservar a visão. 

E essa doença tem tratamento?

O tratamento varia de acordo com o estágio em que a doença se encontra no momento do diagnóstico, que inclui radioterapia, quimioterapia ou até mesmo a retirada do globo ocular para evitar que a doença se espalhe e cause danos piores. 

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda. 

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17/12/2022 04:00h

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, 33% dos tumores malignos diagnosticados no Brasil correspondem ao câncer de pele

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Com a chegada do verão a atenção com a pele deve se intensificar.  A exposição ao sol pode ser danosa para a saúde da pele se feita de forma excessiva e sem os devidos cuidados. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos da doença no Brasil. A cada ano, cerca de 185 mil novos casos são registrados em todo o país. 

Por conta dos altos números de diagnósticos, a campanha Dezembro Laranja surge com o propósito de conscientizar sobre os riscos do câncer de pele e ressaltar a importância da prevenção.
Esse tipo de câncer é caracterizado por todo tipo de “tumor maligno que se origina da pele. Os principais tipos de câncer de pele que nós conhecemos são o carcinoma espinocelular, o basocelular e o melanoma”, explica a oncologista Lucila Soares. 

Dentro desse grupo de câncer de pele, o mais frequente é o diagnóstico de tumores não melanoma, ou seja, o espinocelular e basocelular. Segundo a dermatologista Lucila Soares “são tumores de uma baixa letalidade, mas que podem trazer complicações locais” e merecem diagnóstico e tratamento precoce. Já o melanoma é um “tumor mais raro por outro lado, que deve ser diagnosticado precocemente por apresentar uma alta agressividade, uma letalidade muito alta. Esse tipo de lesão merece muita atenção, apesar de ser menos frequente”, esclarece a dermatologista.

 De acordo com o assessor do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Guilherme Augusto Gadens, além da exposição solar outros fatores podem  aumentar o risco de se ter câncer de pele. “Pessoas que já tiveram um câncer de pele ou que tiveram familiares com câncer de pele, principalmente quando esse câncer for melanoma, que é um câncer que tem uma carga genética maior, pessoas com pele muito clara, que se queimam facilmente ao sol também merecem atenção, aquelas pessoas que, muitas vezes ou por uma atividade de lazer ou por trabalho, se expõe muito ao sol ficam muito tempo ao ar livre também estão sob um risco maior”.  

A dermatologista Lucila Soares destaca que a idade também pode ser considerado um fator de risco, uma vez que a radiação ultravioleta na pele é cumulativa. “Idosos tendem a apresentar uma maior incidência das neoplasias de pele, então, ficar atento, aquele idoso com uma lesão de pele, principalmente no rosto e braço que são locais mais expostos ao sol. Aquelas lesões que estão crescendo, que sangram, que não cicatrizam, sempre atentar para fazer a avaliação do dermatologista”. 

Segundo o médico dermatologista Guilherme Gadens, é necessário estar atento aos sinais. “sempre que perceber, por exemplo, uma mancha escura que foge muito do padrão do restante das pintinhas da pessoa, isso deve ser um sinal alerta ou uma mancha escura que teve uma mudança na sua coloração, no seu formato, no seu tamanho ou até que tenha apresentado algum sintoma, em especial um sangramento”. 

Além disso, não só as manchas escuras são problemáticas. “o aparecimento de uma ferida espontânea sem história de traumatismo, isso é um sinal de alerta. O câncer de pele pode se manifestar também como uma mancha avermelhada em especial, como uma ferida que não cicatriza, então, se você percebeu uma ferida, mas passam semanas ou até meses e aquela lesão permanece no local sem dúvida, essa é uma lesão a ser avaliada por um dermatologista”, explica o médico dermatologista. 

Dentre as medidas de prevenção estão aquelas focadas na diminuição do dano, da radiação ultravioleta como por exemplo o uso do protetor solar, não só nos dias de exposição intensa, mas também no dia a dia e em quantidades adequadas relembrando sempre de reaplicar o produto.

O uso do protetor não se limita aos adultos, sendo fundamental começar desde cedo, ainda na infância. “O fator de proteção do filtro solar deve ser de pelo menos 30 e os extremos de idade são mais suscetíveis aos danos do sol, então os idosos, crianças e os bebês se beneficiam também com o uso de outros métodos de barreira”, explica a dermatologista Lucila Soares.

De acordo com Lucila Soares é importante lembrar também que o protetor isoladamente não resolve todos os problemas. “Além disso, deve-se evitar a exposição ao sol nos momentos de pico da radiação ultravioleta, então, se for tomar banho de sol antes das 10 da manhã ou depois das 16, o uso de barreiras mecânicas também da radiação ultravioleta, como óculos escuro, chapéu, boné, roupas com proteção ultravioleta, camisas de manga cumprida, quando vai se expor ao sol de maneira mais relevante”, atenta a dermatologista. 

Segundo previsão do INCA, no triênio 2023 a 2025 vão ser registrados, por ano, 9 mil novos casos de câncer de pele do tipo melanoma, que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele), e mais de 220 mil casos de câncer de pele não melanoma.


 

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13/12/2022 17:00h

Neste episódio o Dr. Guilherme Novita dá mais detalhes sobre o assunto

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Você já teve ou conhece alguém que teve nódulo de mama? Pode ser câncer? Quando você deve se preocupar? Neste episódio o Dr. Guilherme Novita dá mais detalhes sobre o assunto.

Os nódulos de mama costumam causar muita angústia nas mulheres porque podem ser confundidos com câncer de mama, mas na maioria das vezes são problemas benignos. Se você está com suspeita de nódulo na mama, procure um médico para avaliação.

Ele irá entender a sua história clínica levando em consideração se você tem ou não os fatores de risco, que geralmente são a idade acima de 50-60 anos e a presença de histórico familiar de câncer de mama ou ovário.

Além disso, o médico vai checar outras informações importantes, como quanto tempo você tem o nódulo, qual o tamanho e as características da palpação.

Os nódulos benignos normalmente são mais macios e possuem bordas regulares na palpação. Já os nódulos suspeitos são duros e possuem bordas irregulares.

O exame dos nódulos de mama sempre deve incluir o ultrassom de mamas. Quando a imagem for suspeita, é necessário também fazer uma biópsia por agulha.

Os nódulos benignos são diagnosticados como Birads (sistema que indica quais as chances de haver câncer de mama) 2 ou 3 no ultrassom. Já as imagens suspeitas são categorizadas como Birads 4 ou 5. Nesses casos é recomendada biópsia para melhor avaliação do diagnóstico.

Ao final dessa avaliação teremos o diagnóstico do nódulo na mama. Se for maligno, deve ser entendido e tratado como Câncer de mama. E se for benigno, que é a maioria dos casos, o que fazer?

Na maioria das vezes, é recomendado acompanhar este nódulo por um período, para ter certeza de que ele não crescerá mais. Mas, todos os casos precisam ser avaliados.

Quais são os tipos de nódulos benignos?

A imensa maioria dos nódulos benignos de mama são os fibroadenomas (tumor de mama não cancerígeno), que são nódulos arredondados e que atingem normalmente cerca de 2 a 3 cm. Esses nódulos não se transformam em câncer. Nódulos que não incomodam e são pequenos podem ser acompanhados por 2 anos. Nódulos maiores ou que incomodam a paciente podem ser retirados através de uma pequena cirurgia.

Os outros tipos de nódulos benignos são o fibroadenoma juvenil e o tumor filóide benigno, que são lesões parecidas com o fibroadenoma, mas costumam ter crescimento rápido e atingir volumes grandes e nestes casos, geralmente a cirurgia é indicada. 

Para saber mais, assista ao vídeo no canal Dr. Ajuda no Youtube. 

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Saúde
06/12/2022 04:30h

Sudeste e Nordeste concentram as estimativas mais altas de incidência da doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer

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Câncer mais frequente entre o público infanto-juvenil, segundo especialistas, a leucemia tem estimativa de mais de 11 mil casos no Brasil entre 2023 e 2025, segundo informações da publicação Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil, lançada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). A publicação é a principal ferramenta de planejamento e gestão na área oncológica no Brasil.

O câncer que acomete crianças e adolescentes se origina em células primitivas, chamadas embrionárias, diferente do câncer que atinge adultos. “Em geral, os tumores de células embrionárias têm uma capacidade maior de respostas à quimioterapia. Em crianças, em quase a totalidade, vamos precisar combinar quimioterapia, cirurgia, e, menos possivelmente, a radioterapia. Os tumores pediátricos têm menos relação com hábitos de vida e exposição a fatores ambientais _ o que é evidente como fator de risco para desenvolvimento de câncer em adultos”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOP), Neviçolino Pereira de Carvalho Filho. 

No cenário entre as regiões brasileiras, o Sudeste, com 4.610/100 mil habitantes, e Nordeste, com taxa de 3.300/100 mil habitantes, são os locais com maiores estimativas no país. Na sequência, aparecem Sul (2.190), Norte (790) e Centro-Oeste (650). 

Já entre os estados, a estimativa mais alta de incidência de leucemia está no Ceará (8,39 casos para 100 mil habitantes), seguido por Santa Catarina (8,04) e Rio de Janeiro (6,48). Na outra ponta, no locais com menores incidências previstas, estão Goiás (1,91 casos para cada 100 mil habitantes), Tocantins (3,00) e Roraima (3,42). 

Segundo o INCA, o cálculo dessas estimativas de câncer utiliza as bases de dados de incidência (casos novos), provenientes dos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) e dos óbitos, do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). A partir da relação entre incidência e mortalidade, modelos estatísticos são utilizados para definir a melhor predição.

Sinais do câncer infanto-juvenil

Os sinais e sintomas do câncer entre crianças e adolescentes são muito semelhantes a doenças próprias da infância, como febre, perda de peso, cansaço, vômitos, aumento do volume abdominal, tosse e dor de cabeça, por exemplo. 

“Para fazer o diagnóstico, para o médico conseguir identificar que isso é um câncer e não uma doença comum, ele precisa ter tido algum tipo de contato, de conhecimento nessa área, ou então fica muito difícil diferenciar”, diz Mônica Cypriano, diretora médica assistencial do Hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC).

Sobre as orientações para pais e responsáveis, a recomendação, segundo Cypriano, é     levar a criança ao pediatra assim que surgir algo que indique alteração do estado de saúde estável. “Mesmo que o pediatra não acerte da primeira vez, já que é difícil fazer o diagnóstico diferencial porque os sintomas se parecem bastante com doenças próprias da infância, procure novamente, de preferência o mesmo profissional. Porque se os pais procurarem três ou quatro pediatras diferentes, todos vão pensar no que é mais comum_ e não no que é mais raro, que é o caso do câncer”, conclui. 

Veja aqui a Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil.

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Brasil 61