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LOC.: Um levantamento realizado pela reportagem do portal Brasil 61, cruzando dados do Tesouro Nacional e do IBGE, mostra que, dos 195 municípios do país com orçamentos bilionários, 147 tiveram aumento de habitantes.
No total, a população somada dessas quase 200 cidades saiu de cerca de 99,5 milhões para cerca de 102 milhões de habitantes, um crescimento agregado de aproximadamente 2,4%.
Da amostra, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná concentram quase 62% da população.
Mas apesar do crescimento populacional do grupo, a análise apresenta um Brasil com dinâmicas populacionais bem distintas: cidades do Norte e do interior tiveram crescimento em ritmo acelerado, ao passo que capitais tradicionais, a começar pela própria São Paulo, a maior cidade do país, registram queda no número de moradores.
Em níveis absolutos, nenhuma cidade recebeu mais pessoas do que Manaus, que ganhou 272 mil habitantes, mais que o dobro do Rio de Janeiro, com 105 mil. Boa Vista (RR) lidera o ranking de crescimento proporcional, com alta de 22,7% na população, seguida por Canaã dos Carajás (PA), que cresceu 22,4%.
Para a economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas, parte dessas mudanças populacionais está diretamente ligada a eventos relevantes recentes e modificações nas relações de trabalho.
TEC./SONORA: Carla Beni, professora de economia da FGV
“Nós temos uma grande mudança importante pós pandemia, que foi a possibilidade do trabalho remoto. Então, isso daí propiciou um movimento entre as cidades muito significativo. Então, algumas cidades ganharam muitos habitantes e outras perderam. Cidades do interior, cidades do litoral acabaram recebendo mais.”
LOC.: Por outro lado, mesmo dispondo do maior orçamento do país, de mais de 109 milhões de reais, São Paulo registrou a maior queda absoluta, com menos 288 mil moradores, queda de 2,4%, mas ainda assim segue como a mais populosa do país.
No interior paulista, Cubatão teve a maior queda proporcional do país, de 10,9%.
Beni chama a atenção para o possível descompasso que a mudança no perfil populacional pode gerar a partir da nova demanda por serviços públicos.
TEC./SONORA: Carla Beni, professora de economia da FGV
“Se a entrada populacional foi, uma parte grande, por exemplo, de crianças, então toda a estrutura de saúde e educação pode ser direcionada para essa área. Então, você vai precisar de mais pediatra, mais escolas de educação básica ou fundamental. Mas, se você tiver mais população da terceira idade, é o contrário: você vai precisar de mais geriatra, mais tratamentos de fisioterapia, por exemplo, de aparelhos e infraestrutura.”
LOC.: Os números do IBGE servem de parâmetro para o Tribunal de Contas da União calcular as quotas do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios, além de serem usados como referência para indicadores sociais, econômicos e demográficos.
Reportagem, Álvaro Couto.