Economia - Exportações·07 de dezembro de 2020

Após alta no mês anterior, exportações paranaenses caem em outubro

Cerca de US$ 1,3 bilhão em produtos foram exportados em outubro, valor 15% menor do que o registrado em setembro e 6% abaixo do de outubro de 2019

Por Rafaela Gonçalves
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Depois de um mês de alta, as exportações no Paraná voltaram a cair em outubro, segundo o resultado da Balança Comercial, divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia. Foram US$ 1,32 bilhão em produtos exportados em outubro, valor 15% menor do que o registrado em setembro e 6% abaixo do de outubro de 2019. 

Os meses de agosto e maio também tiveram resultados negativos tanto em relação ao mês anterior, quanto em relação ao mesmo mês do ano passado. Já as importações somaram US$ 868 milhões em outubro. Com isso, o saldo da balança comercial paranaense ficou em US$ 455 milhões no mês. No ano, as exportações do estado acumulam US$ 13,9 bilhões, valor 1,68% maior do que o verificado no mesmo período do ano anterior.

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O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Marcelo Alves, ressaltou que este ano é um ano atípico e totalmente influenciado pelo efeito da pandemia, o que por si só já explicaria boa parte dos problemas enfrentados na economia que causaram esta instabilidade, tanto no Paraná como no Brasil. 

Segundo Alves a queda no mês de outubro não tem nenhum motivo principal. “Alguns produtos vem apresentando resultados abaixo do seu normal, como veículos e materiais elétricos e eletrônicos, e isso impacta no resultado geral das exportações do estado. Por outro lado, produtos como soja, frango e açúcar continuam apresentando bons resultados”, explicou o economista. 

A venda de soja para o exterior foi o que segurou o resultado positivo no saldo da balança comercial em outubro, chegando a US$ 276 milhões, montante que representa quase 21% da pauta de exportações do estado. O segundo produto mais comercializado foi frango, que somou US$ 118 milhões e responde por 9% do total. Açúcar rendeu US$ 90 milhões; óleo de soja, US$ 79 milhões, e milho, US$ 56 milhões.

Enquanto o complexo da soja variou positivamente 36% de janeiro a outubro, o material de transporte, que engloba o segmento automotivo, perdeu 38% de participação no mesmo período. Um ponto de atenção, no entanto, é a exportação de carnes, que ao longo do ano acumula queda de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, reduziu sua participação nas exportações de 17% para 12% este ano.

O Subsecretário de Inteligência e Estatística de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, avaliou a queda nas exportações, sobretudo para a China, maior parceiro comercial brasileiro. “Eu associo principalmente a soja, tivemos um embarque mais concentrado nos meses anteriores, eu lembro que o pico do escoamento da safra de soja costuma ser de março a julho, agora estamos na entressafra, então é natural que haja essa queda. No ano passado tivemos uma exportação um pouco mais tardia para uma exportação mais diluída nesses últimos meses”, disse. 

Importações

Entre os principais itens importados, o óleo diesel ficou em primeiro lugar em outubro, com US$ 69 milhões. Seguido por soja (US$ 24 milhões); fertilizantes (US$ 22,4 milhões); automóveis (US$ 20 milhões); e inseticidas (US$ 19 milhões).

Enquanto as exportações oscilam, as importações têm registrado quedas acentuadas no ano. Em outubro ficaram 5,73% abaixo de setembro e 29% menores do que os valores de outubro de 2019. O saldo da balança cresceu 142% quando comparado com o mesmo mês do ano anterior justamente por conta deste recuo nas compras externas. 

Para o economista da Fiep o comércio exterior já começa a diminuir os impactos causados pela pandemia. “Estamos percebendo que, gradualmente, a atividade econômica está melhorando, esperamos que nos próximos meses nós voltemos à normalidade e alcançamos novos recordes de exportação”, afirmou Alves.

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SOBRE

Rafaela Gonçalves

Jornalista formada pela Universidade Católica de Brasília (UCB), com experiência em política e economia. Recentemente trabalhou no Correio Braziliense e fez cobertura política dos poderes Executivo e Legislativo nacionais.

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