LOC.: Segundo estado com maior Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do País, o Paraná deve ter o setor da agroindústria com manutenção de empregos até o final de 2021. Pelo menos essa é expectativa do Congresso Nacional após a derrubada, em novembro, do veto presidencial à prorrogação da desoneração da folha de pagamento. Tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, a maioria absoluta dos parlamentares teve entendimento pela prorrogação da desoneração da folha.
Os segmentos de máquinas e equipamentos e proteína animal estão entre os que devem ser beneficiados. Os dois fazem parte da base que sustenta a economia da agroindústria no estado do Paraná. Segundo dados de outubro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a unidade da Federação teve faturamento bruto de R$ 109 bilhões da pecuária e das principais lavouras. O estado da região Sul fica atrás apenas do Mato Grosso, que teve faturamento de R$ 156 bilhões em outubro.
Para o deputado federal Enio Verri (PT/PR), a derrubada do veto presidencial é fundamental para a manutenção de empregos me território nacional. O parlamentar ressalva, todavia, que a medida não gerará novos postos de trabalho.
TEC./SONORA: Enio Verri, deputado federal.
“A desoneração garante a manutenção de empregos. Mantém incentivo à iniciativa privada e portanto é positiva em um momento de grande crise como esse. Pelo menos até o final do ano que vem, o desempregos nesses 17 setores não serão ampliados, visto que mantém a vantagem com a manutenção do emprego.”
LOC.: A atual legislação garante o benefício somente até o final deste ano. Com a derrubada do veto pelo Legislativo, a renúncia fiscal será prorrogada até o final do ano que vem. A desoneração atende 17 segmentos da economia que, juntos, reúnem mais de 6 milhões de trabalhadores. Entre eles estão os setores calçadista, têxtil, de tecnologia da informação, construção civil e companhias do transporte rodoviário coletivo de passageiros.
A desoneração da folha permite ainda que empresas desses setores possam contribuir para a Previdência Social com um percentual que varia de 1% a 4,5% sobre o faturamento bruto, em vez de 20% de contribuição sobre a folha de pagamento.
Para o deputado federal Gustavo Fruet, do PDT do Paraná, a prorrogação da desoneração da folha será fator fundamental para evitar a informalidade no país.
TEC./SONORA: Gustavo Fruet, deputado federal.
“A desoneração tem um impacto enorme na geração formal de empregos nesse período (até 2021), principalmente se considerar que estamos saindo de uma crise, mas com impactos muito fortes até 2021 com certeza. A desoneração mostra que tem efeito muito maior para evitar informalidade.”
LOC.: A desoneração da folha de pagamento foi criada em 2011, durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, para incentivar a manutenção de empregos. Em 2018, durante o governo de Michel Temer, o Congresso decidiu que aquela seria a última prorrogação e que a desoneração acabaria em dezembro de 2020.
Todavia, neste ano, a prorrogação foi incluída no texto da legislação pelo Legislativo em maio, durante apreciação da Medida Provisória 936, que criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.