Saúde - Varíola dos macacos·10 de agosto de 2022

MONKEYPOX: Ministério da Saúde lança Plano de Contingência Nacional para a varíola dos macacos

Documento reúne informações estratégicas para contenção e controle da monkeypox, além de orientar as ações a serem definidas pelos estados e municípios brasileiros

Por Paloma Custódio
Ouvir · 00:03:00

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

O Ministério da Saúde lançou o Plano de Contingência Nacional para Monkeypox, a varíola dos macacos. O documento reúne informações estratégicas para contenção e controle da doença, que já infectou 2.293 pessoas no Brasil até esta quarta-feira (10), segundo a pasta. O material contém orientações assistenciais, epidemiológicas e laboratoriais para a gestão dos casos de monkeypox, além de orientar as ações a serem definidas pelos estados e municípios brasileiros.

O infectologista Julival Ribeiro, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), avalia que é fundamental que o governo direcione todas as ações para o controle da varíola símia.

“Esse plano é muito importante, porque estabelece uma cadeia de comando de todas as ações pelo governo federal, estadual, distrital e municipal, visando ter ações coordenadas no diagnóstico clínico laboratorial, na prevenção e, sobretudo, no controle da doença monkeypox.”

O documento também apresenta as definições de caso suspeito, provável, confirmado e descartado da varíola dos macacos, além do modo de transmissão e os grupos vulneráveis. A doutora Natalia Pasternak, bióloga e pesquisadora da Universidade de Columbia, destaca a importância do compartilhamento dessas informações.

“O mais importante para a varíola símia é que as pessoas estejam informadas de como se dá o contato, como é a maior probabilidade de contágio, o que fazer se eu estou infectado. Tudo isso tem que ficar muito claro. Lembrando que qualquer um pode pegar essa doença.”

Nível de Emergência

Conforme classificação utilizada internacionalmente, o plano apresenta três níveis de emergência baseados na avaliação do risco da doença, na situação epidemiológica e no impacto para a saúde pública e os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o Brasil encontra-se no nível III, que é estabelecido quando há transmissão comunitária de casos, os insumos para tratamento e prevenção não estão disponíveis e o impacto sobre o SUS exige ampla resposta governamental.

“É muito importante este nível três, que eleva o nível de emergência para a doença monkeypox, para se buscar mais recursos e distribuição de mais kits para o diagnóstico da doença feito por laboratórios públicos ou privados. Além de aplicar as medidas preventivas para controlar a doença”, ressalta o infectologista Julival Ribeiro.

O nível I é usado para  classificar locais que não possuem todos os recursos necessários, requerem orientação técnica e mobilização de recursos, com possibilidade de envio de equipe. Já o nível II é para localidades com risco significativo, superando a capacidade de resposta local, necessitando de recursos adicionais e apoio complementar da esfera federal, com envio de equipe de resposta à Emergência em Saúde Pública.

Vacinas contra a varíola símia

Em nota, o Ministério da Saúde informa que “o controle da varíola dos macacos é prioridade para a pasta, que está em constante monitoramento da situação epidemiológica para orientar ações de vigilância e resposta à doença no Brasil. A pasta aguarda tratativas da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) junto ao fabricante para aquisição de medicamento e também da vacina contra a varíola dos macacos”.

Segundo a doutora Natalia Pasternak, a vacina contra a varíola humana deve proteger contra a símia, mas a comunidade científica ainda tem poucos dados sobre a dimensão dessa proteção.

“A vacina para varíola humana oferece o que chamamos de proteção cruzada. Como são vírus parecidos, ela deve proteger contra a varíola símia. Mas não sabemos dizer exatamente o quanto ela protege, porque isso nunca foi efetivamente testado em um grande número de pessoas. Mas acreditamos, por alguns experimentos menores que foram feitos no passado com profissionais de saúde e por causa dos anticorpos produzidos com a vacina de varíola humana, que ela oferece uma proteção cruzada.”

Brasil negocia compra de vacinas contra a varíola dos macacos

Varíola dos macacos: temos vacina? Infectologista explica

VARÍOLA DOS MACACOS: Drª Natalia Pasternak esclarece dúvidas sobre a doença

Sintomas, contágio e prevenção

A varíola dos macacos, ou monkeypox, é uma doença viral, causada por um vírus semelhante ao da varíola humana. O sintoma mais conhecido é o surgimento de pústulas ou lesões pelo corpo, mas o paciente também pode sentir febre alta, dor no corpo e de cabeça, náusea, cansaço e o aparecimento de gânglios, ou ínguas, que podem acometer a região do pescoço, axila e perigenital.

O contágio ocorre pelo contato, seja por pele, secreções ou objetos pessoais do paciente infectado. 

“Ela é uma doença contagiosa que passa de pessoa para pessoa, por contato íntimo prolongado. Então, contato de pele: se você abraça, beija, tem contato sexual, qualquer tipo de contato íntimo e prolongado, demorado - não é uma coisa rapidinha -, você pode pegar a varíola símia”, explica a doutora Pasternak.

A principal forma de prevenção é evitar contato direto com pessoas contaminadas ou com objetos pessoais desses pacientes.

O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde em caso de sintomas da doença.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Paloma Custódio

Paloma Custódio é jornalista, radialista e graduada em Relações Internacionais. Atuou como produtora e repórter na Rede Boa Vontade de Comunicação (LBV), integrou a equipe de comunicação da ONU Brasil, foi roteirista do Grupo Bandeirantes e repórter do Agro Estadão.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Varíola dos macacos

Ver editoria completa
Vacinação01 de setembro de 2024

Anvisa renova dispensa de registro para vacinas contra Monkeypox por 180 dias

A decisão temporária visa acelerar o acesso à vacinação no Brasil, mantendo a proteção enquanto o registro definitivo é analisado. Especialista destaca importância da medida para o controle da doença

Vacina24 de fevereiro de 2023

Anvisa prorroga liberação para uso da vacina da Monkeypox no Brasil

Agência estipulou prazo para uso do imunizante em território nacional por mais de seis meses. Vacina é destinada para adultos a partir de 18 anos

Saúde30 de janeiro de 2023

Mpox ainda é problema de saúde pública, dizem especialistas

O início de pesquisas para o desenvolvimento de um antiviral específico para a doença é considerado um importante passo para o combate ao vírus, que já infectou quase 11 mil pessoas no Brasil e matou 15

t-page