Foto: Ton Molina/Agência Senado
Foto: Ton Molina/Agência Senado

Minerais críticos: proposta prevê incentivos a investimentos em estados e municípios produtores; entenda

Aprovado pelo Senado, projeto de lei que cria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2.780/2024) segue para a sanção presidencial

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O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 2.780/2024) que cria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta prevê até R$ 7 bilhões por meio de incentivos governamentais a projetos para estimular investimentos na pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses minerais no país. 

Pelo texto, o total de até R$ 7 bilhões em instrumentos de incentivo é dividido em duas frentes. 

Entre as medidas previstas está a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com aporte de até R$ 2 bilhões da União para atividades vinculadas à produção de minerais críticos e estratégicos. Também está previsto investimento de R$ 5 bilhões para beneficiamento e transformação desses minerais em território nacional. 

O FGAM terá a função de oferecer garantias a projetos considerados prioritários na produção de minerais críticos e estratégicos. Além do aporte da União, o fundo também poderá receber recursos de outros cotistas, bem como contribuições voluntárias de estados e municípios.

O projeto é de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) e foi aprovado sem mudanças no mérito, sob a relatoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Como o texto sofreu apenas alterações na redação, não precisará voltar à Câmara.

A proposta integra a lista de prioridades legislativas definidas pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), junto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O texto segue agora para sanção presidencial.

O que são minerais críticos e estratégicos?

A política de minerais críticos e estratégicos tem como foco o processamento em território nacional, rastreabilidade, inovação e fortalecimento da governança do setor mineral. 

Pelo texto, minerais críticos são aqueles cuja disponibilidade está em risco devido a limitações na cadeia de suprimento. Também entram na lista aqueles em que a escassez poderia afetar setores prioritários da economia nacional, como transição energética, segurança alimentar e soberania nacional.

Já os estratégicos são os que têm importância para o Brasil por conta do país ter reservas significativas essenciais para a balança comercial e para o desenvolvimento tecnológico com redução de emissões de gases do efeito estufa.

A lista de minerais classificados como críticos e estratégicos será revisada a cada quatro anos, em alinhamento com o Plano Plurianual, e poderá ser analisada de forma extraordinária pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), também instituído pelo projeto.

O Brasil possui grandes reservas de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para projetos de transição energética e de tecnologias de ponta, como painéis solares, smartphones, notebooks e carros elétricos. Além disso, são importantes para a indústria militar. 

Regras

O texto estabelece qua as empresas ligadas à mineração (pesquisa e lavra), beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos deverão direcionar 0,2% de sua receita operacional bruta ao fundo garantidor por seis anos. Outra parte, de 0,3%, será direcionada pela empresa a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica relacionados a pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais.

Após esse período, os 0,2% obrigatórios para o fundo poderão ser a ser destinados a projetos de pesquisa, indo de 0,3% para 0,5% no total. 

Segundo a Agência Senado, o projeto inclui, ainda, a prospecção e a pesquisa mineral no rol de projetos elegíveis à emissão de debêntures incentivadas, títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas para financiar projetos de infraestrutura.

Cadastro

Conforme a proposta, todos os instrumentos de fomento só poderão ser acessados por projetos de minerais críticos e estratégicos que estejam no cadastro nacional a ser criado e habilitados pelo conselho.

O cadastro unificará informações dos órgãos federais, estaduais, municipais e distritais ligados à atividade. O projeto estabelece, ainda, a criação do Certificado Mineral de Baixo Carbono, com benefícios para empreendimentos que aderirem voluntariamente.

Além disso, pela proposta, as áreas com potencial para a produção de minerais críticos e estratégicos deverão ser priorizadas em leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM), incluindo as desoneradas – que possuem direito minerário extinto por renúncia, desistência, caducidade ou indeferimento, retornando ao controle da agência.

A autorização de pesquisa em áreas com minerais críticos ou estratégicos terá prazo máximo improrrogável de dez anos. Após o período, caso o interessado não tenha apresentado relatório final de pesquisa, o direito minerário será extinto.

Impactos da medida

Segundo a revista Brasil Mineral, os valores em instrumentos financeiros e fiscais buscam enfrentar um problema da cadeia mineral brasileira: apesar de o país ter grandes reservas de nióbio, lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, parte da produção é exportada em forma de concentrado, enquanto produtos com maior grau de transformação são importados.

A proposta pretende estimular que etapas como separação, refino, produção de ligas metálicas e manufatura sejam realizadas no Brasil, agregando valor à produção mineral e fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

Entre os possíveis impactos da medida estão o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias relacionadas aos minerais críticos e estratégicos, além da atração de investimentos nacionais e estrangeiros para o setor, favorecida pela criação do fundo garantidor e pelos incentivos fiscais. 

Posicionamento das instituições sobre o PL

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) considera a aprovação do projeto um avanço para as políticas públicas voltadas aos minerais críticos e estratégicos. A política é apontada como relevante para que o país aproveite, de forma estruturada, as oportunidades estimuladas pela transição energética e pelo aumento da demanda global por minerais essenciais às novas tecnologias.

Já a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) questiona se os investimentos previstos no projeto vão, de fato, permanecer nos municípios onde ocorre a exploração mineral. A entidade afirma que a falta de clareza em relação ao que efetivamente ficará nos municípios onde os minerais serão explorados pode repetir um padrão histórico: a extração ocorre nos municípios, mas as etapas de maior valor agregado, os investimentos e os empregos qualificados ficam em outras regiões. Para a entidade, o investimento precisa permanecer onde está o impacto da atividade.

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LOC.: O Senado aprovou o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta prevê até SETE BILHÕES de reais em incentivos governamentais para estimular investimentos na pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses minerais no país.

Do total, até DOIS bilhões de reais serão destinados ao Fundo Garantidor da Atividade Mineral, o FGAM. O fundo vai oferecer garantias a projetos considerados prioritários e também poderá receber recursos de outros cotistas, incluindo estados e municípios.

Outros CINCO bilhões de reais estão previstos para o beneficiamento e a transformação de minerais críticos e estratégicos em território nacional.

A política tem como foco ampliar o processamento desses minerais no Brasil, além de estimular a rastreabilidade, a inovação e o fortalecimento da governança do setor mineral.

Pelo texto, minerais críticos são aqueles cuja disponibilidade está em risco por limitações na cadeia de suprimento ou cuja escassez pode afetar setores prioritários, como a transição energética, a segurança alimentar e a soberania nacional.

Já os minerais estratégicos são aqueles considerados importantes para o país por causa das reservas significativas e da relevância para a balança comercial, o desenvolvimento tecnológico e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil possui grandes reservas de minerais críticos e estratégicos, utilizados em tecnologias como painéis solares, smartphones, notebooks e carros elétricos, além de terem importância para a indústria militar.

Segundo a revista Brasil Mineral, a medida busca enfrentar um problema da cadeia mineral brasileira: o país possui grandes reservas de minerais como nióbio, lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras, mas parte da produção é exportada como concentrado, enquanto produtos com maior grau de transformação são importados.

A expectativa é estimular etapas como separação, refino, produção de ligas metálicas e manufatura no Brasil, agregando valor à produção e fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

O Instituto Brasileiro de Mineração, o Ibram, considera a aprovação um avanço para as políticas públicas voltadas aos minerais críticos e estratégicos.

Já a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores, a AMIG Brasil, questiona se os investimentos previstos vão, de fato, permanecer nos municípios onde ocorre a exploração. A entidade afirma que não há clareza suficiente sobre a permanência dos investimentos e dos empregos qualificados nas regiões produtoras.

O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é de autoria do deputado Zé Silva, do Solidariedade de Minas Gerais, e foi relatado no Senado pelo senador Eduardo Braga, do MDB do Amazonas. 

A proposta segue agora para sanção presidencial.

Com informações da Agência Senado, da revista Brasil Mineral, da AMIG e do Ibram, Bianca Mingote