Política - Vacina·29 de abril de 2021

Covid-19: imunização não será mais rápida com quebra de patente das vacinas, diz senador paranaense

Oriovisto Guimarães (PODE-PR) afirma que propostas em tramitação no Congresso Nacional são mal negócio para o Brasil e acarretam problemas para o país frente às relações diplomáticas

Por Raul Trindade dos Santos
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A quebra de patente de vacinas sugeridas nos projetos de lei 12/2021 e 171/2021 é um mal negócio para o Brasil e acarreta problemas para o país frente às relações diplomáticas. É o que defende o senador Oriovisto Guimarães (PODE-PR). Segundo o parlamentar, as medidas apresentadas não são garantias de que mais vacinas serão fabricadas, já que a patente remete apenas à forma de comércio e não sobre a fabricação.

“Não adianta nada fazer uma Lei e dizer que vai quebrar a patente. Isso não resolve. Isso não vai se transformar em vacina. Não vai porque a patente não tem todos os detalhes técnicos de como a vacina deve ser feita. Além disso, você precisa de laboratórios e uma indústria complexa. Então, não adianta você quebrar uma patente se você não tem os meios concretos para fabricar a vacina”, considera o parlamentar.

Ainda de acordo com Oriovisto Guimarães, as duas propostas podem manchar a imagem do Brasil, uma vez que podem representar o rompimento unilateral do Acordo Trips, por parte do Brasil. 

Até o momento, no Paraná, foram aplicadas mais de 2 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde. Todas as doses foram aplicadas em pessoas consideradas dos grupos prioritários definidos no Plano Estadual de Vacinação contra a doença. Do total, 1,4 milhão equivale ao primeiro ciclo da imunização, enquanto outras 548.086 se referem à dose de reforço.

O que é quebra de patente?

No Senado Federal, o PL’s 12/2021 e o 1171/2021 seguem a ideia de quebrar a patente de vacinas. Coma há semelhança entre as propostas, os textos serão apensados e votados em conjunto.

A quebra de patente, por assim dizer, é quando uma parte, de maneira unilateral e sem acordo, viola regras estabelecidas em tratados internacionais que tratam de propriedade intelectual, e a ação, possivelmente, passaria por medidas punitivas.

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No caso do PL 12/2021, por exemplo, há dispensa, por parte do Brasil, de cumprir algumas exigências adotadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto durar a situação de emergência provocada pela pandemia. Pelos termos da proposta, os titulares de patentes ficam obrigados a ceder ao Poder Público todas as informações necessárias para a produção de vacinas e medicamentos para o enfrentamento à Covid-19.

Advogado Especialista em Direito Público, Eliseu Silveira explica que a quebra de patentes das vacinas pode ter boas intenções, inicialmente. No entanto, pode acarretar complicações jurídicas e financeiras às companhias e ao governo, no futuro.

“Acontece que, o simples descumprimento temporário do acordo Trips pode causar implicações jurídicas mais graves no futuro. A suspensão do acordo Trips e a suspensão do direito dessas empresas de terem recebimento de royalties pode gerar, no futuro, uma implicação financeira tanto para o governo brasileiro quanto para essas empresas que estão comprando vacina”, afirma a especialista.

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SOBRE

Raul Trindade dos Santos

Publicitário e Jornalista formado desde 2011, pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Com dupla graduação, atuou no departamento de Mídia da Agência DeBrito Propaganda por 2 anos. Possui experiências profissionais em redações de rádio, televisão e assessoria de imprensa. Trabalhou como assessor de imprensa na Câmara Brasileira da Indústria e Construção (CBIC) e, também, na equipe da Profissionais do Texto, atendendo clientes como o IBRAM(Instituto Brasileiro de Mineração). Antes de ingressar na equipe do Brasil 61, trabalhou como produtor de telejornal no SBT Brasília e passou, também, pela redação da TV Justiça, no Supremo Tribunal Federal, produzindo matérias para o Jornal da Justiça e alguns outros programas como Saber Direito. Ingressando na família do Brasil 61 a partir de novembro de 2020.

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