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11/02/2026 04:50h

A LHG espera investir R$ 4 bilhões na região rural de Corumbá para duplicar a produção de minério de ferro e manganês das atuais 12 milhões de toneladas por ano para 25 milhões de toneladas anuais

O Governo do Estado do Mato Grosso do Sul declarou 845,9775 hectares de utilidade pública, localizados em 13 trechos de fazendas de Corumbá, para que a mineradora LHG Mining Corumbá S.A, empresa controlada pela JBS, possa utilizar as áreas para a passagem de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) e um Terminal Ferroviário/Pátio de Produtos. As obras abrangem plano de expansão da mineradora, que entrou no setor em 2022, em sucessão à MCR (Mineração Corumbaense Reunida). A LHG espera investir R$ 4 bilhões na região rural de Corumbá para duplicar a produção de minério de ferro e manganês das atuais 12 milhões de toneladas por ano para 25 milhões de toneladas anuais.

Os trechos mapeados para a estruturação da logística de transporte da LHG passam por nove propriedades, incluindo áreas próprias da mineradora. Pelo decreto, a LHG é autorizada a buscar solução amigável ou mesmo judicial para a utilização das áreas, assumindo as despesas. A LHG poderá, inclusive, invocar urgência para concretizar a posse das áreas. Com o término do transporte ferroviário, o minério de ferro passou a ser escoado pelo Rio Paraguai ou totalmente por rodovias quando o rio fica com o nível baixo, chegando a ser colocados 800 caminhões por dia pelas mineradoras que atuam na região do Pantanal. No caso da LHG, já havia sido noticiado por autoridades do Estado o interesse do grupo em criar um ramal ferroviário até um porto na margem do Rio. A empresa teve aprovado financiamento de R$ 3,7 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção de balsas e empurradores para reforçar a navegação.

A mineradora tem apostado no transporte hidroviário, uma vez que os investimentos na Malha Oeste são incertos. O Governo Federal vai levar a leilão o ramal entre Corumbá e Mairinque na tentativa de atrair capital privado, admitindo, inclusive, repartir o trecho em lotes para facilitar a concessão. Em outra frente, também deve fazer a concessão da Hidrovia Paraguai Paraná, o que permitirá dragagens pontuais e melhorar as condições de navegabilidade.

Após a criação de uma nova rota viária, caminhões das mineradoras passaram a circular pela região onde vivem moradores de Porto Esperança, motivando reclamações e até investigação do Ministério Público. A existência de outra alternativa para escoar o minério da mina até o embarque também diminuiria o impacto sobre a comunidade. No EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental) que apresentou para obter licença para a expansão, constou que o projeto, a 58 km de Corumbá e a 430 km de Campo Grande, tem acesso realizado pela BR-262. A região de Corumbá é uma das áreas mais ricas em minérios do Brasil, destacando-se especialmente pelas jazidas de minério de ferro e manganês. Em um debate sobre o uso da hidrovia, realizado em 2024, um executivo da empresa considerou o minério da região com a “melhor qualidade do mundo”, retirado em pedras grandes, chamadas “lamps”. (com informações de Campo Grande News)

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10/02/2026 04:50h

O prêmio é direcionado aos gestores tecnicamente responsáveis pela elaboração e implantação de projetos socioambientais, de desenvolvimento, culturais e educativos nas comunidades do entorno de operações de mineração

A Brasil Mineral informa que estão abertas as inscrições para o 2º. Prêmio Mineração & Comunidades de valorização e engajamento com comunidades em territórios com mineração. O prêmio, criado pela Brasil Mineral em 2025, visa “reconhecer, valorizar e incentivar iniciativas focadas na sustentabilidade socioamabiental, mostrando com transparência as ações do setor mineral relacionadas ao desenvolvimento e fortalecimento das comunidades e da qualidade de vida das pessoas em territórios mineradores”. 

O 2º Prêmio Mineração & Comunidades é direcionado aos gestores tecnicamente responsáveis pela elaboração e implantação de projetos socioambientais, de desenvolvimento, culturais e educativos nas comunidades do entorno de operações de mineração e abrange cinco categorias: 

  • Projetos de Responsabilidade socioambiental participativa, que devem evidenciar a forma de participação direta das comunidades;
  • Comunicação, relacionamento e engajamento com comunidades, inclusive tradicionais;
  • Desenvolvimento, cidadania e gestão de renda;
  • Resgate e valorização de cultura e tradições; e
  • Respeito e harmonia: equidade, diversidade e inclusão. 

Os trabalhos inscritos deverão representar um projeto prático implantado ou iniciado, no máximo, nos últimos dois anos (2024 e 2025). Trabalhos inscritos na edição de 2025 do Prêmio “Mineração & Comunidades” não poderão ser inscritos novamente nesta edição. 

Obrigatoriamente, o trabalho inscrito deverá ter sido implantado no território de entorno de um empreendimento minerário e ter ou estar contribuindo para o incremento da qualidade de vida das comunidades daquele território. 

O projeto poderá ter sido implantado pela empresa, sua Fundação, Instituto, Fundos ou por uma consultoria contratada.

O envolvimento direto das comunidades na execução do projeto deverá ser comprovado, bem como o público beneficiado e os resultados/benefícios/impactos positivos obtidos com a implementação do trabalho.

As inscrições para o prêmio se encerram às 18 horas do dia 30 de março de 2026. A premiação dos trabalhos acontecerá durante o 11º. Seminário Mineração &/X Comunidades, nos dias 16 e 17 de junho, em Belo Horizonte – MG. 

O regulamento e as inscrições para o prêmio estão disponíveis clicando aqui.

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06/02/2026 04:45h

Apesar de oscilações nos preços, empresas brasileiras de minério de ferro seguem apostando na resiliência do mercado e direcionam produção para produtos de maior qualidade

Apesar de oscilações, os preços do minério de ferro se mantiveram, em média, acima de US$ 100 por tonelada, o que contribui para manter um otimismo cauteloso por parte dos produtores da commodity no Brasil. Em razão disso, os produtores brasileiros de maneira geral têm mantido seus projetos de crescimento, acreditando na resiliência do mercado, mesmo com a menor demanda da China, de longe o maior consumidor da matéria prima da indústria siderúrgica.

O que eles têm feito é um direcionamento da produção visando produtos de maior teor de ferro e níveis mais baixos de contaminantes, como uma das estratégias para manter-se competitivos.

A Anglo American segue com seus planos de expansão na região do Sistema Minas-Rio. Nos próximos anos serão dedicados à consolidação de estudos estratégicos e à incorporação de novas tecnologias ao processo produtivo. No campo da expansão da mina os esforços da companhia estão concentrados no estudo de viabilidade que irá definir a melhor estratégia para a incorporação dos recursos minerais da Serra da Serpentina e Serra do Sapo, onde está localizada a atual operação do Minas-Rio.

A logística segue como um dos pilares estruturantes do Sistema Minas-Rio. Com 529 quilômetros de extensão, o mineroduto atravessa 33 municípios entre Minas Gerais e Rio de Janeiro até chegar ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), onde o minério de ferro premium da Anglo American é filtrado e exportado.

A transformação digital tem papel central na estratégia da Anglo American. Soluções como Inteligência Artificial, sensores conectados e operação remota vêm redefinindo a forma de operar, com ganhos expressivos em produtividade, segurança, sustentabilidade e tomada de decisão baseada em dados.

A inovação está no centro da estratégia global Future Smart Mining. Um exemplo concreto desse movimento foi a inauguração, em 2025, do Centro de Operações Remotas (COR) do Minas-Rio, que centraliza o monitoramento e a operação de equipamentos da mina.

A ArcelorMittal deu início à operação da nova planta de beneficiamento de minério de ferro da Mina de Serra Azul, localizada em Itatiaiuçu (MG). O projeto demandou investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões e marca um salto expressivo na escala produtiva do empreendimento, cuja capacidade instalada praticamente triplicou, passando de 1,6 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais.

A Bemisa vem se consolidando como um player estratégico no mercado de minério de ferro em Minas Gerais, onde concentra um conjunto robusto de ativos formado pelos projetos Baratinha, Mongais e Pedra Branca. A estratégia de longo prazo da companhia prevê alcançar uma produção superior a 10 milhões de toneladas por ano até 2030 no Estado.

A Cedro Mineração tem intensificado os investimentos em tecnologia nas operações localizadas em Nova Lima e Mariana (MG), com o objetivo de ampliar significativamente a vida útil de suas minas — em muitos casos, por mais de uma década —, reduzir impactos ambientais e elevar a competitividade em um mercado global cada vez mais exigente.

A Gerdau vem consolidando uma estratégia robusta para garantir o suprimento de longo prazo à sua operação siderúrgica por meio de investimentos estruturantes na mineração em Minas Gerais. O principal aporte é a nova plataforma de mineração sustentável, que contempla investimentos de R$ 3,2 bilhões entre 2023 e 2026.

A Herculano direciona seus investimentos para ampliação da produção de pellet feed de alta qualidade na unidade de Itabirito (MG), agregando valor ao portfólio e contribuindo para a descarbonização da cadeia do aço. A estratégia reflete uma visão de longo prazo, alinhada às exigências dos mercados internacionais e às metas globais de sustentabilidade.

O projeto Ferro Verde, da Brazil Iron, promete colocar a Bahia e o Brasil no mapa mundial da descarbonização da indústria siderúrgica. Com previsão de início de produção em 2030 e investimento já superior a R$ 1,7 bilhão em pesquisas, a iniciativa será a primeira no País a fabricar o Hot Briquetted Iron (HBI) — um produto conhecido como ferro verde — com saldo líquido zero de emissões de gases de efeito estufa.

Leia a matéria completa na edição 454 da Brasil Mineral

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05/02/2026 04:50h

Os dados apresentados no dashboard foram levantados no projeto Avaliação do Potencial de Níquel do Brasil – Fase 1, e referem-se a empreendimentos na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rondônia e São Paulo

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) acaba de lançar um novo dashboard (painel digital) que reúne e organiza dados técnicos sobre o níquel no Brasil. A ferramenta consolida informações de 30 depósitos e dez minas distribuídos em diferentes estados, permitindo uma visão integrada sobre a distribuição, o tipo de minério e a viabilidade dos recursos minerais. Os dados apresentados no dashboard foram levantados no projeto Avaliação do Potencial de Níquel do Brasil – Fase 1, e referem-se a empreendimentos na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rondônia e São Paulo. Essa iniciativa faz parte do Programa Mineração Segura e Sustentável.

“As informações contribuem para atração de investimentos, pois fornecem segurança jurídica e geológica para investidores ao detalhar o teor e o tipo de minério (sulfetado vs. laterítico). Além disso, permitem acompanhar a evolução dos empreendimentos junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), ajudando a identificar gargalos e oportunidades de expansão em sistemas supergênicos e magmáticos”, explica a pesquisadora do SGB Lorena Meireles, idealizadora do dashboard. Do ponto de vista da transição energética, o dashboard também tem um papel relevante: “O níquel é um componente essencial para baterias de veículos elétricos. Portanto, ter esse mapeamento claro coloca o Brasil em posição estratégica na cadeia global de energia limpa”, ressalta Lorena Meireles.

O painel interativo mostra dados como nome do projeto, estado, status junto à ANM, sistema mineral, tipo de minério (laterítico ou sulfetado), classificação (depósito ou mina) e estimativas de recursos. A plataforma também permite acompanhar o estágio de maturidade dos empreendimentos, com projetos em diferentes fases, incluindo requerimentos e concessões de lavra. “A interface amigável permite que qualquer cidadão ou interessado utilize filtros por estado, empreendimento ou status para explorar o patrimônio mineral brasileiro, promovendo a democratização da informação científica”, reforça a pesquisadora.

Os dados do SGB revelam que o Brasil tem aproximadamente 2,37 bilhões de toneladas em recursos e cerca de 19,7 milhões de toneladas de níquel contido. A maior parte dos depósitos identificados é do tipo laterítico, que responde por cerca de 83,6% do total, com destaque para o estado do Pará, onde se concentram projetos de grande escala, como Jacaré. Já a Bahia se destaca pela identificação de depósitos sulfetados de alto recurso potencial, como Lagoa Grande e Caboclo dos Mangueiros. O dashboard está disponível no link.

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04/02/2026 04:50h

O segmento de minério de ferro lidera as intenções de investimento, com US$ 19,8 bilhões (+ 1,1% em relação ao período anterior), seguido pelo item Projetos Socioambientais, contemplado com US$ 14,7 bilhões (um expressivo aumento de 29,7%).

O setor mineral brasileiro deverá investir US$ 76,9 bilhões no período 2026-2030, de acordo com estimativas divulgadas pelo IBRAM. O valor representa um aumento de 12,5% em relação à estimativa anterior, para o período 2025-2029, que somava US$ 68,4 bilhões.

O segmento de minério de ferro lidera as intenções de investimento, com US$ 19,8 bilhões (+ 1,1% em relação ao período anterior), seguido pelo item Projetos Socioambientais, contemplado com US$ 14,7 bilhões (um expressivo aumento de 29,7%). Os outros segmentos com maior volume de investimentos planejados são: Logística, com US$ 11,3 bilhões (+ 3,4%); Cobre, com US$ 8,6 bilhões (aumento de 18%); Fertilizantes, com US$ 6,88 bilhões (+23,3%); Níquel, com US$ 4,7 bilhões (+24,2%), Terras Raras, com 2,4 bilhões (+ 10,4%); Ouro, com US$ 2,4 bilhões (aumento de 14,7%); Bauxita, com US$ 1,2 bilhão (redução de -5,4%); Lítio, com US$ 1,17 bilhão (+7,1%); Titânio, com US$ 900 milhões (+ 7,1%); e Zinco, com US$ 382 milhões (aumento de 981,9%).

Ainda de acordo com o IBRAM, houve um crescimento de 15,2% nas projeções de investimentos em projetos de minerais críticos e estratégicos, que aumentaram de US$ 18,5 bilhões para US$ 21,3 bilhões.

Produção cresce 10,3% em 2025

O IBRAM também divulgou que o valor da produção mineral brasileira registrou crescimento de 10,3% em 2025, totalizando R$ 298,8 bilhões, puxado pelo minério de ferro, que apesar dos preços mais baixos respondeu por R$ 157,2 bilhões do total da produção no ano, o que equivale a 52,6% do faturamento total da indústria mineral em 2025. Os estados de Minas Gerais, Pará e Bahia, lideraram o faturamento do setor no ano.

Segundo Fernando Azevedo, vice-presidente do IBRAM, que assume interinamente a presidência após o falecimento de Raul Jungmann, “os resultados apurados pelo IBRAM evidenciam uma indústria com desempenho econômico robusto, forte inserção no comércio exterior e ampliação do ciclo de investimentos, em especial em minerais considerados estratégicos para o futuro da economia”. Ele reforça que o momento geopolítico global amplia o interesse pelos minerais críticos por parte de nações e blocos de países interessados em concretizar planos de desenvolvimento em diferentes áreas, em especial energia limpa e tecnologia.

Em termos de comércio exterior, o setor mineral exportou cerca de 431 milhões de toneladas de produtos, com uma alta de 7,1% em volume, resultando em receitas de aproximadamente US$ 46 bilhões (+6,2% em dólares frente a 2024), sendo que o minério de ferro respondeu por 62,8% do total exportado. Já as importações minerais somaram US$ 8,5 bilhões em 2025, com leve alta de 0,1% em valor e queda de 1,3% em toneladas, refletindo menor dependência externa em alguns insumos estratégicos.

O saldo da balança comercial mineral alcançou US$ 37,6 bilhões no ano, montante equivalente a 55% do saldo total da balança comercial brasileira, que fechou em US$ 68,3 bilhões.

A arrecadação total de tributos e encargos do setor, segundo o IBRAM, cresceu cerca de 10% em 2025, alcançando R$ 103 bilhões. Desse total, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) somou R$ 7,9 bilhões. Em 2024 o setor havia recolhido R$ 93,4 bilhões em tributos e encargos.

No que se refere ao mercado de trabalho, a indústria mineral registrou 229.312 empregos diretos em novembro de 2025, excluídos petróleo e gás. Entre janeiro e novembro, foram criadas 8.330 novas vagas formais no setor.

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29/01/2026 04:40h

A identificação de novas ocorrências abre também a possibilidade de produção local de fosfato para suprir a demanda da região e, dessa forma, potencializar a produtividade agrícola.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou estudo e constatou o potencial mineral para fosfato na Bacia do Jatobá, em Pernambuco. A partir da reavaliação de dados históricos e levantamentos recentes, a pesquisa identificou novas ocorrências e a definição de áreas prioritárias para a prospecção do mineral, usado na produção de fertilizantes. Os dados são apresentados no Informe de Recursos Minerais Avaliação do Potencial Mineral de Fosfato do Brasil - Área: Formação Inajá, Bacia do Jatobá (PE).

A pesquisadora do SGB Silvana Barros explica que os dados obtidos ampliam o conhecimento sobre a Bacia do Jatobá e reforçam seu papel como uma nova fronteira para a pesquisa de fosfato no Brasil, reduzindo a dependência externa por fertilizantes. A identificação de novas ocorrências abre também a possibilidade de produção local de fosfato para suprir a demanda da região e, dessa forma, potencializar a produtividade agrícola. “O trabalho favorece a integração entre os setores mineral e agrícola, podendo estimular a expansão produtiva nos municípios situados na bacia do Jatobá, gerar empregos e renda além de fortalecer a cadeia brasileira de fertilizantes. Os impactos positivos a médio e longo prazo, contribuem para o desenvolvimento regional e para a soberania do país na produção de alimentos”, diz Silvana.

O Brasil está entre os maiores produtores de alimentos do mundo e ocupa posição estratégica no mercado agrícola global. Nesse contexto, as pesquisas desenvolvidas pelo SGB contribuem para orientar investimentos, reduzir riscos exploratórios e apoiar decisões relacionadas à implantação de novos projetos minerários. A publicação foi organizada pelas pesquisadoras do SGB Silvana Barros, Cleide Silva, Viviane Ferrari e Tamara Manfredi. O estudo está vinculado ao Programa Mineração Segura e Sustentável e à Ação Pesquisa Mineral, da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM). A iniciativa conta com financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do governo federal, e tem o objetivo de estimular a pesquisa e a produção mineral brasileira, com foco no suprimento de matérias-primas essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura e da agricultura no Brasil.

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24/01/2026 04:50h

Apesar do País ter um potencial geológico diversificado, ainda ocupa papel limitado nas cadeias de valor globais de minerais críticos, insumos essenciais à transição energética, como lítio, níquel, grafita e terras raras.

Segundo o estudo “Brasil na Era dos Minerais Críticos: Potencial, Desafios e Rotas para o Protagonismo” realizado pela PwC Brasil, o Brasil detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas representa apenas 1% da produção global, um contraste que revela o desafio de transformar potencial geológico em protagonismo industrial. Apesar do País ter um potencial geológico diversificado, ainda ocupa papel limitado nas cadeias de valor globais de minerais críticos, insumos essenciais à transição energética, como lítio, níquel, grafita e terras raras.

A transição energética e a corrida global por autonomia tecnológica impulsionam uma demanda sem precedentes por minerais estratégicos. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda por lítio pode crescer até 42 vezes até 2040, enquanto grafita, cobalto e níquel devem registrar aumentos entre 20 e 25 vezes. Nesse cenário, o Brasil aparece como um fornecedor estratégico, com reservas expressivas de níquel, manganês, nióbio, grafita e lítio, além de uma matriz energética majoritariamente renovável. “O País tem todas as condições para se posicionar como líder global na nova economia verde, desde que avance em infraestrutura, tecnologia e regulação. A oportunidade é transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação e sustentabilidade”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.

O estudo aponta ainda que o Brasil se concentra nas etapas de menor valor agregado, enquanto as fases de refino, transformação química e manufatura avançada permanecem pouco desenvolvidas. A diferença de retorno é expressiva, uma vez que uma tonelada de espodumênio (lítio bruto) é exportada por cerca de US$ 800, enquanto o hidróxido de lítio grau bateria pode superar US$ 8.000 por tonelada. Entre os principais gargalos estão a falta de plantas de refino, a burocracia e a ausência de uma política industrial estruturada, de acordo com o estudo da PwC. Por outro lado, o Brasil possui vantagens competitivas como a estabilidade institucional relativa, a base mineral diversificada e a experiência consolidada em setores eletrointensivos, que podem ser articulados à nova cadeia de valor dos minerais críticos.

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) estima R$ 100 bilhões em investimentos entre 2025 e 2029 e o relatório destaca projetos que quadruplicaram a produção na região de Minas Gerais e investimentos para ampliação da capacidade produtiva. O mercado de fusões e aquisições (M&A) também reflete o interesse crescente no tema. Segundo o estudo da PwC Brasil, as transações no setor de mineração no Brasil cresceram, em média, 26% ao ano entre 2021 e 2024, impulsionadas pela busca global por minerais estratégicos. O relatório da PwC Brasil propõe um conjunto de estratégias para que o Brasil converta potencial em liderança global, como a criação de polos industriais de refino e manufatura, ampliação de linhas de financiamento específicas (BNDES, Finep), regulação estável e parcerias internacionais com países como EUA, Alemanha e Japão.

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21/01/2026 04:55h

É o que defende Carlo Pereira, CEO da GIN Capital que organizou a participação brasileira no FMF 2026

O Brasil foi um dos países que mais se destacaram no FMF (Future Minerals Forum) 2026, realizado em Riade, na Arábia Saudita, de 13 a 15 de janeiro, participando com uma delegação de mais de 60 pessoas, que incluiu representantes de governo, de empresas de mineração, investidores e prestadores de serviços.

De acordo com Carlo Pereira CEO da GIN Capital, empresa que organizou a participação brasileira no evento, além de empresas como Vale e Sigma Lithium, chamou atenção este ano o grande número de junior companies como Meteoric, Viridis e St. George, dentre outras, que buscam investidores para seus empreendimentos, sobretudo no universo das terras raras.

Veja detalhes da participação brasileira na entrevista a seguir.

BRASIL MINERAL - Como avalia a participação brasileira no FMF 2026?

CARLO PEREIRA - Em 2025, o FMF fez um esforço específico para trazer brasileiros — organizações, imprensa, executivos. Por isso, o número de participantes foi maior naquela edição. Mas este ano a participação foi qualitativamente diferente: mais estratégica, mais focada. Foram cerca de 60 brasileiros, entre representantes do governo, empresas de mineração, investidores e prestadores de serviços.

Houve participação de “habitués” como a Vale — cujo CEO Gustavo Pimenta foi speaker — e a Sigma Lithium, com a sua CEO Ana Cabral também na programação. Porém, o que chamou atenção foi o grande número de junior companies brasileiras, como a Meteoric Resources, a Viridis e a St. George, entre outras. Essas empresas estão na linha de frente dos projetos de terras raras no Brasil, especialmente no complexo alcalino de Poços de Caldas.

Um ponto importante: não foram apenas mineradoras. Empresas de serviços geológicos brasileiras, como a Geosol, estão estabelecendo escritórios na Arábia Saudita. Isso demonstra que o setor brasileiro está entendendo que a presença local é fundamental para capturar oportunidades no Reino.

Brasileiros participaram de vários painéis ao longo da semana. Houve uma mesa focada na América Latina, co-liderada pelo FMF e pelo Banco Mundial, para discutir modelos de financiamento de infraestrutura para mineração na região — incluindo os dois corredores de infraestrutura identificados na América Latina, parte de um total de sete corredores globais priorizados pelo FMF.

E houve um painel específico sobre o Brasil, que tive a honra de liderar, com participação de Ricardo Fonseca (Sócio e Head de Mineração da Prisma Capital), Marcelo Carvalho (CEO da Meteoric Resources), Eduardo Gamma (Head de Ouro do Ouribank) e Klaus Petersen (Country Manager da Viridis no Brasil). Nesse painel, foram apresentados os cinco pilares que tornam o Brasil um parceiro estratégico para a Arábia Saudita:

  1. Brasil como parceiro confiável: 30 anos de democracia, Banco Central autônomo, grandes mineradoras globais operando há décadas sem mudanças nas regras do jogo.
  2. Diversificação natural: O Brasil oferece exatamente o que a Visão 2030 busca — os minerais do futuro. Temos o capital geológico; eles têm o capital financeiro e a visão. É um match perfeito.
  3. Friendshoring genuíno: O Brasil dialoga com todos — EUA, China, Europa, Oriente Médio. Num mundo de blocos, somos a Suíça dos minerais críticos.
  4. ESG intrínseco: Nossos minerais nascem verdes. Energia renovável, água abundante, regulação ambiental séria. Não é greenwashing, é geografia.
  5. Escala para ambição: Quando a Arábia Saudita pensa grande, o Brasil acompanha. Temos território, reservas e capacidade para projetos de classe mundial.

BRASIL MINERAL - Quais empresas e organizações governamentais formaram a delegação brasileira?

CARLO - A delegação brasileira foi compacta, mas qualificada — cerca de 60 pessoas. Do lado governamental, o destaque foi o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que participou ativamente da Mesa Ministerial — a maior reunião ministerial sobre minerais do mundo, com mais de 100 países representados — e assinou o MoU com a Arábia Saudita. O Ministro também teve reuniões bilaterais com o Príncipe Abdulaziz bin Salman, Ministro de Energia saudita, para discutir colaboração em eletricidade, renováveis, óleo e gás, e intercâmbio técnico.

No setor privado, tivemos presença de grandes players como a Vale e J&F, além de uma forte representação de junior companies focadas em terras raras e minerais críticos — Meteoric Resources, Viridis Mining, St. George. Do lado financeiro, participaram representantes do Ouribank e da Prisma Capital, que estão estruturando veículos de investimento para mineração.

Um movimento interessante foi a presença de empresas de serviços geológicos, como a Geosol, que estão estabelecendo operações na Arábia Saudita. Isso reflete o entendimento de que, para capturar oportunidades no Reino, presença local é condição sine qua non. Além de alguns investidores, como a GIN Capital.

BRASIL MINERAL - Que resultados o Brasil alcançou com a participação este ano?

CARLO - Entendo que o principal resultado, fruto de uma participação mais qualificada, foi a aproximação concreta com a Arábia Saudita, que planeja investir mais de 30 bilhões de dólares em mineração nos próximos anos.

O grande marco foi a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia do Brasil e o Ministério de Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita. O acordo, válido por cinco anos, prevê cooperação técnica em geologia, exploração, mineração e avaliação mineral, além de intercâmbio de especialistas, programas de treinamento e compartilhamento de tecnologia. Mais importante: o MoU também contempla a possibilidade de investimentos privados de ambos os países em licenças de exploração e mineração, e fala explicitamente em uma “Aliança Brasil-Arábia Saudita para Investimentos em Mineração”.

Ficou evidente, durante o evento, a estratégia saudita para mineração, que está totalmente alinhada com três pilares da Visão 2030: transição energética, defesa e inteligência artificial. Os sauditas não estão interessados em minério pelo minério. Eles querem os minerais críticos que alimentam baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e sistemas de defesa. Terras raras, lítio, cobre, grafita — tudo isso está no radar porque são insumos estratégicos para essas três verticais.

Mas vale lembrar: os sauditas são relacionais. Além de bons projetos, é necessário presença frequente no país e contato constante. Portanto, não acredito que contratos tenham sido fechados nesta semana. Porém, contatos foram firmados e certamente nos próximos meses acontecerão anúncios de coinvestimentos. A porta está aberta.

BRASIL MINERAL -- Além do acordo firmado pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil e a contraparte da Arábia Saudita, houve algum outro?

CARLO -- O FMF é tradicionalmente utilizado para a construção e assinatura de vários acordos. Este ano não foi diferente. Ainda não divulgaram o balanço completo de 2026, mas ao longo dos dias foram anunciados diversos MoUs significativos.

No primeiro dia (13 de janeiro), a Arábia Saudita assinou memorandos de cooperação em recursos minerais com três países: Brasil, Canadá e Chile. O acordo com o Canadá foi acompanhado de uma parceria concreta: a Northern Graphite canadense e o grupo saudita Obeikan anunciaram a construção de uma planta de processamento de materiais anódicos para baterias na Arábia Saudita — exemplo perfeito do modelo saudita de “invisto, mas processa aqui”.

A Mesa Ministerial desta edição foi a maior da história, com representantes de mais de 100 países (incluindo todos os membros do G20) e 59 organizações multilaterais. Um resultado institucional importante foi o anúncio do Grupo Ministerial Permanente de Direção, com 19 países em sistema de rodízio, para dar continuidade às iniciativas do FMF. Além disso, o Banco Mundial, através da Vice-Presidente de Infraestrutura, Valerie Levkoff, apresentou sua nova estratégia de minerais para apoiar países fornecedores, com foco nos sete corredores de infraestrutura prioritários.

Para referência: na edição de 2025, o FMF havia facilitado 126 acordos avaliados em 107 bilhões de riais sauditas (aproximadamente US$ 28,5 bilhões).

BRASIL MINERAL - Quais as possibilidades reais de que as empresas brasileiras atraiam investidores para seus empreendimentos a partir da participação no FMF?

CARLO - As possibilidades são reais, mas é preciso entender a lógica saudita. Os sauditas não vão investir simplesmente pensando no retorno financeiro. A Arábia Saudita revisou suas prioridades dentro da Visão 2030. A estratégia para mineração ficou muito clara no FMF: eles buscam minerais críticos que alimentem três setores prioritários — transição energética, defesa e inteligência artificial. Eles continuarão investindo em setores estratégicos, mesmo em outros países, mas desde que parte da cadeia de valor seja no Reino.

Por exemplo: podem investir em minério de ferro desde que haja uma contrapartida do parceiro e a pelotização seja feita na Arábia Saudita. Ou a extração de terras raras pode acontecer no Brasil, mas a separação ou metalização deve ser feita em terras sauditas.

Ou seja, todas as conversas das empresas que foram ao FMF foram promissoras, mas com essas premissas claras. O modelo canadense ilustra bem isso: a Northern Graphite firmou parceria com a Obeikan para processar grafita na Arábia Saudita, não no Canadá.

Além disso, é necessário ter contatos e relacionamento local. A cultura árabe não é transacional, é relacional. E os sauditas são ainda mais assim. Por isso é tão relevante que empresas brasileiras de serviços, como a GeoSol, estejam estabelecendo escritórios no Reino. Quem quer fazer negócio com saudita precisa estar lá, com frequência, construindo confiança.

Empresas que foram ao FMF com projetos sólidos — como a Viridis com o projeto Colossus, a Meteoric com Caldeira, ou mesmo projetos de ouro como os apresentados pelo Ouribank — saíram com portas abertas. Mas fechar negócio requer presença constante, paciência e disposição para adaptar a estrutura do projeto às prioridades estratégicas do Reino.

O Brasil tem o que a Arábia Saudita busca: diversificação, minerais críticos para a transição energética, credenciais ESG naturais, e escala. Somos o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo, com apenas 23% do subsolo mapeado. O FMF é o palco onde essas vantagens se conectam diretamente ao capital global e às decisões geopolíticas que estão redesenhando as cadeias produtivas mundiais. A GIN Capital levou um portfólio de projetos que foi muito bem recebido por instâncias governamentais sauditas, investidores institucionais e family offices. Saímos de Riade com reuniões já agendadas para dar seguimento às conversas. (Por: Francisco Alves) 

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15/01/2026 04:45h

A publicação reúne informações de mais de 100 ocorrências minerais e indica novas áreas promissoras com condições favoráveis para aproveitamento econômico

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) acaba de lançar um novo estudo com informações inéditas e atualizadas sobre os recursos minerais destinados à construção civil na Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina (RIDEGT). A publicação reúne informações de mais de 100 ocorrências minerais e indica novas áreas promissoras com condições favoráveis para aproveitamento econômico. Além disso, o estudo traz mapas geológicos e de potencial mineral elaborados para a região.

O trabalho mostra resultados de levantamentos de campo sistemáticos, análises laboratoriais e integração de dados em Sistema de Informações Geográficas (SIG), o que permite uma visão abrangente do potencial mineral da região. “Mesmo diante da intensa ocupação do solo e da competição por áreas, o trabalho demonstra que ainda existe um expressivo potencial mineral para insumos da construção civil, capaz de atender à demanda regional de forma técnica e planejada”, explicam as pesquisadoras do SGB Angélica Batista e Klaryanna Alcântara, autoras do estudo.

A região do RIDEGT tem ocorrências de areia, argila, brita, saibro, cascalho e arenito silicificado. As pesquisadoras apontam o diferencial do Informe de Recursos Minerais (IRM) - Materiais de Construção da Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina está em consolidar e qualificar esse conhecimento. “O IRM organiza, qualifica e atualiza esse conhecimento, associando as ocorrências ao contexto geológico regional, avaliando o potencial real dos depósitos e indicando novas áreas promissoras, o que não existia de forma integrada para toda a RIDEGT”, afirmam.

Os dados da publicação permitem saber detalhes sobre a qualidade e aplicabilidade dos insumos e, entre os destaques, está o potencial da RIDEGT para arenitos silicificados usados para a confecção de paralelepípedos. As propriedades físicas e mecânicas desses arenitos, como elevada resistência, baixa porosidade e alta durabilidade, tornam o recurso uma alternativa regional estratégica, com impactos positivos na redução de custos logísticos, na geração de emprego local e no fortalecimento da cadeia produtiva da construção civil. Outro ponto relevante é a identificação e delimitação de oito áreas com condições favoráveis ao aproveitamento mineral, considerando o potencial geológico e também restrições ambientais, áreas urbanizadas e riscos geológicos. Essa abordagem reforça a importância do estudo para o planejamento territorial e a tomada de decisão, apoiando o desenvolvimento regional sustentável do estado do Piauí. Os dados do IRM da região piauiense estão disponíveis aqui.

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10/01/2026 04:25h

O ano de 2026 se desenha como um período de intensa movimentação para o setor mineral, influenciado por fatores políticos e econômicos que impactam diretamente a dinâmica dos investimentos e das políticas públicas no Brasil e no mundo.

O ano de 2026 se desenha como um período de intensa movimentação para o setor mineral, influenciado por fatores políticos e econômicos que impactam diretamente a dinâmica dos investimentos e das políticas públicas no Brasil e no mundo.

No cenário internacional, a persistência de conflitos armados e o acirramento das disputas geopolíticas seguem moldando as cadeias globais. Nesse contexto, os minerais críticos possuem um papel central, tornando-se ativos fundamentais para a segurança energética e industrial.

No plano nacional, as eleições tendem a influenciar diretamente a agenda legislativa, regulatória e institucional, especialmente em setores estratégicos como a mineração.

Sob a ótica setorial, a transição energética permanece como principal vetor de crescimento da mineração. A perspectiva de demanda por minerais críticos — essenciais para a produção de baterias, energias renováveis, eletromobilidade e tecnologias avançadas — impulsionará novos projetos e a ampliação de operações existentes.

Pelo menos é o que todos nós do setor esperamos!

No âmbito das políticas públicas, ganham destaque os Projetos de Lei 2.780/2024, que tramita na Câmara dos Deputados, e  4.443/2025, no âmbito do Senado Federal, que tratam da instituição da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, além do PL 3025/2023, que trata da implantação de uma sistemática de rastreabilidade de ouro, todos debates com forte atuação e representatividade da Frente Parlamentar da Mineração Sustentável.

Nesse contexto da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, os principais pontos a serem discutidos serão a criação de mecanismos de garantia para fins de financiamento, a concessão de benefícios fiscais voltados à agregação de valor, e a rastreabilidade de minérios ao longo da cadeia. Essas medidas são fundamentais para ampliar a competitividade da mineração nacional, estimular a verticalização produtiva e atrair investimentos de longo prazo.

Espera-se, ainda, que o urânio passe a integrar de forma definitiva a pauta estratégica do País. Questões relevantes permanecem em aberto, como a definição do futuro de Angra 3, a edição de um decreto que discipline a relação público-privada no segmento de mineração de minerais radioativos e o avanço do licenciamento ambiental do projeto de Santa Quitéria, considerado essencial para o modelo de negócios do setor.

No campo regulatório, a Agência Nacional de Mineração (ANM) possui uma agenda robusta prevista para 2026, com a edição de diversas resoluções, como garantias financeiras para a execução do fechamento de mina; simplificação dos processos de outorga; Declaração de Utilidade Pública, servidão minerária e desapropriação.

Soma-se a isso a expectativa diante das mudanças ocorridas em 2025, como a entrada de novos servidores, a introdução da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Compensação Financeira pela Exploração Mineral e a publicação da versão final da resolução que dispõe sobre os procedimentos para apuração das infrações, sanções e os valores das multas. Não obstante, e para a infelicidade do setor, a aguardada modernização tecnológica da instituição, que permita uma melhor gestão e celeridade dos processos, ainda não se concretizou.

Nesse contexto, as associações do setor tendem a ganhar relevante protagonismo. Entidades representativas, como a recém-criada Associação de Minerais Críticos (AMC), passarão a desempenhar papel fundamental na interlocução com o poder executivo, com o Congresso Nacional e com os atores políticos envolvidos no processo eleitoral, o que, sem dúvida alguma, ensejará o debate de temas relevantes. A crescente relevância do tema dos minerais críticos coloca a mineração de forma definitiva no centro do debate.

Apesar das oportunidades e dos avanços legislativos relacionados à matéria ambiental, os desafios persistem. O licenciamento ambiental segue como um dos principais pontos de imprevisibilidade e insegurança jurídica. O setor deverá ampliar o debate com órgãos federais inseridos no processo de licenciamento e com o Ministério Público, nos quais, por vezes, acidentes envolvendo barragens continuam a impactar a percepção de risco e a segurança jurídica.

Infelizmente, um pequeno sentimento pessimista assola o setor, pois ficam dúvidas se o processo eleitoral, as ações políticas e as alterações regulatórias promoverão a segurança jurídica e a desburocratização necessárias para atração de investimentos e desenvolvimento do potencial mineral do País.

Ainda assim, é inegável que a nova economia, a transição energética e a melhoria da qualidade de vida demandada pela sociedade somente serão viáveis com a mineração.

Frederico Bedran - Advogado e Geólogo, sócio do Frederico Bedran Advogados, Diretor da AMC – Associação de Minerais Críticos, membro do Conselho Consultivo de Brasil Mineral.

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