Saúde - Covid-19·05 de agosto de 2020

Covid-19: Aplicativo vai identificar pessoas próximas que testaram positivo para a doença

O aplicativo Coronavírus-SUS foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Google e a Apple, e vai mapear pessoas infectadas em um raio de até dois metros de quem baixar o aplicativo; Governo Federal garante privacidade de usuários

Por Jalila Arabi
Ouvir · 00:03:30

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

Em até 24 horas, uma pessoa poderá saber, por meio de um alerta no celular, se alguém próximo esteve ou não infectado pelo novo coronavírus nos últimos 14 dias. É o que promete o aplicativo Coronavírus-SUS, anunciado pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Google e a Apple, na última semana (31). Segundo a pasta, o monitoramento da doença é importante para o controle da pandemia e para a retomada segura das atividades.

A tecnologia utilizada no app é a “API Exposure Notification”, que já vem sendo usada em países como Alemanha, Itália e Uruguai. Essa técnica de rastreamento de casos positivos da Covid-19, segundo o Ministério da Saúde, será um fator essencial da transição da população para a rotina pós-isolamento social e, ao mesmo tempo, de gerenciar o risco de novos surtos.

“Antes de chegar ao Brasil, essa tecnologia amadureceu muito. Antes de adotá-la, nosso sistema passou por um crivo internacional, que fez uma série de alertas e ajustes necessários antes de o aplicativo ficar disponível para ser baixado”, explica o diretor do Departamento de Informática do SUS, Jacson Venâncio de Barros. 

No Brasil, apenas o Ministério da Saúde terá licença para usar a funcionalidade desenvolvida pelo Google e pela Apple. Com o envio criptografado das informações de contágio, por meio do uso do bluetooth de baixa energia, o aplicativo reconhece contatos próximos a uma distância de 1,5 a dois metros e por um tempo mínimo de cinco minutos entre smartphones que possuam o aplicativo instalado. Nenhum dado de geolocalização, incluindo dados de GPS, é coletado. 

Governo Federal já investiu mais de R$ 1,6 bilhão em habilitação de leitos de UTI, diz Ministério da Saúde

O ministério esclarece, ainda, que para receber notificações de contato próximo com usuários positivos para Covid-19, é necessário que o interessado tenha o aplicativo e habilite a função de notificação de exposição no aparelho. O aplicativo funciona apenas com outras pessoas com o aplicativo oficial instalado. Se a pessoa optar por parar de receber as informações, basta desativar as configurações no aplicativo ou até mesmo excluí-lo, a qualquer momento. 

Privacidade 

Uma das preocupações relatadas por usuários era sobre a privacidade dos dados, já que é o próprio infectado que insere as informações no aplicativo. Funciona assim: a pessoa com resultado positivo para a doença informa no aplicativo Coronavírus-SUS, de forma voluntária e anônima, a validação do seu exame positivo para a doença (PCR ou sorológico). O dado é inserido a partir de um token (código de números) emitido pelo Ministério da Saúde. 

Segundo a pasta, para evitar informações falsas, antes de gerar esse código, o órgão faz o cruzamento entre o exame informado pela pessoa e os registros integrados da plataforma de vigilância (e-SUS Notifica) e da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), ambos integrados e que reúnem informações dos pacientes com Covid-19 no Brasil.

“É importante destacar que a privacidade será garantida. Eu não vou saber quem foi a pessoa com a qual eu tive contato, e que possivelmente esteja doente. O usuário apenas vai tomar conhecimento de que teve contato com alguém infectado”, garante o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco. 

Em caso de alerta positivo da doença para os usuários do aplicativo, Elcio Franco detalha o procedimento. “A orientação é a mesma de quem teve algum sintoma. A pessoa deve tomar os cuidados, as medidas de higienização, de etiqueta respiratória – com o uso da máscara –, e, ao surgir algum sintoma, procurar a rede de atenção básica para buscar orientação médica.”

Para a infectologista Joana D'arc, o aplicativo é uma ferramenta interessante. Na luta contra o coronavírus, a médica considera que toda tecnologia é bem-vinda. “Todas as ferramentas que possam aumentar a prevenção, o distanciamento social e que as pessoas evitem exposição são úteis. A única questão é que vai depender da vontade da pessoa de inserir no aplicativo se o exame foi positivo ou não. Tem que ter uma campanha de conscientização para que as pessoas utilizem esse meio como forma de auxílio no combate à pandemia”, frisa. 

Funcionalidade do aplicativo

O servidor público Misael Costa, de 40 anos, foi uma das vítimas da Covid-19. Em julho, ele e a esposa apresentaram os sintomas da doença, como febre, falta de ar e perda do paladar e do olfato. O casal, que tem um filho de cinco anos de idade que não foi infectado, se manteve em isolamento durante o período indicado, de 14 dias, sem contato externo. Ao ser questionado sobre o aplicativo, Misael acredita que não há muita funcionalidade, já que ele pode gerar preconceito com quem contraiu a doença. 

“Vislumbro pontos negativos, e até mesmo um paradoxo, tendo em vista que a iniciativa deve partir de quem teve a doença. Isso pode gerar uma falsa percepção da realidade, uma vez que, não sendo alertada, a pessoa pode acreditar que ninguém próximo está infectado”, avalia. 

Para o servidor, o alerta poderia até gerar uma situação de “pânico”. “Isso porque, ao ser alertado que alguém próximo testou positivo, sem saber ao certo quem seria, levaria a um quadro de desconfiança geral”, pontua. 

O app reconhece contatos próximos a uma distância de 1,5 a dois metros e por um tempo mínimo de cinco minutos entre smartphones que possuam o aplicativo instalado./ Crédito: Érica Passos

Já o engenheiro elétrico e de segurança do trabalho Marcos José, de 48 anos, acredita que o aplicativo é uma boa saída. Ele também testou positivo para o vírus – não apresentou sintomas – e opina que a tecnologia pode ajudar no mapeamento e prevenção da doença. “Eu acredito nesse aplicativo. Com ele, acho que temos condição de identificar um mapeamento mais preciso e evitar o contágio de muitas pessoas”, defende. 

Marcos José cita como a melhor “arma” para prevenção o exame. “Somente com o teste a gente sabe se está infectado ou não, pois muitos assintomáticos estão contaminados e não sabem. Acho que o governo tem que investir no teste em massa, só assim a gente vai controlar e saber”, argumenta.  

Segundo dados das Secretarias de Saúde dos estados, o Brasil já acumulava 2,7 milhões de casos positivos da Covid-19 e quase 95 mil mortos até 4 de agosto. Na opinião do engenheiro Marcos José, com o aplicativo em mãos ainda no início da doença, talvez esse resultado poderia ter sido amenizado. “Se a gente tivesse o aplicativo em mãos antes, com certeza teríamos informações e poderia ter evitado, teríamos mais cuidado usando EPIs e mantendo distanciamento. Mas reafirmo sobre a importância dos testes. Eu sou um caso vivo. Se não tivesse feito o teste, estaria levando a vida normalmente, trabalhando, convivendo em família e transmitindo o vírus”, reforça. 

A infectologista Joana D’arc destaca o ponto principal, na opinião dela. “Espero que a população tenha essa consciência e esse altruísmo de proteger o próximo e lançar as informações solicitadas pelo Ministério da Saúde”, finaliza. 

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Jalila Arabi

Jornalista formada há 15 anos e pós-graduada em língua portuguesa, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Antes de ingressar na redação do Brasil61, passou por importantes órgãos, como Inep/ MEC, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frente Nacional de Prefeitos e Federação Nacional dos Policiais Federais, além de realizar cobertura dentro do Congresso Nacional. Experiência também em gerenciamento de crise, redação, edição e revisão de textos, produção de conteúdo de rádio e assessoria.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Covid-19

Ver editoria completa
Gripe14 de outubro de 2026

Fiocruz alerta para crescimento de casos graves de síndrome respiratória em AL, RR e SE

Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz no último dia 8, aponta os três estados com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco e sinal de crescimento na tendência de seis semanas; aumento é puxado por crianças e adolescentes

Gripe25 de julho de 2026

Hospitalizações por vírus respiratórios apresentam queda na maior parte do Brasil, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz indica redução de casos graves associados ao VSR e às influenzas A e B, mas alerta para a necessidade de vacinação e manutenção dos cuidados preventivos

Gripe19 de julho de 2026

Casos de VSR apresentam queda no país, mas permanecem elevados em diversos estados, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz mostra redução das internações por vírus sincicial respiratório, enquanto influenza A também perde força entre adultos e idosos

t-page