Economia - Economia·08 de setembro de 2026

Tarifas dos EUA já reduzem pedidos para 69% das indústrias paulistas

Entre as empresas que registraram redução, 42,9% tiveram queda acima de 25% no volume de encomendas

Por Marquezan Araújo
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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O aumento das tarifas dos Estados Unidos já afetou os pedidos recebidos por 69% das indústrias paulistas que exportam para o país. É o que releva uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Entre as empresas que registraram redução, 42,9% tiveram queda acima de 25% no volume de encomendas.

Os dados fazem parte da nova edição da pesquisa Rumos da Indústria Paulista, que ouviu 174 indústrias de transformação exportadoras de São Paulo entre 10 e 28 de agosto de 2026.

As sobretaxas impostas pelo país norte-americano podem chegar a 37,5% para produtos que estão sujeitos simultaneamente às duas medidas: uma tarifa adicional de 25%, que entrou em vigor em 22 de julho, e outra de 12,5%, aplicada a partir de 24 de julho.

Empresas ajustam preços e produção

Diante do problema, que pode aumentar os custos de exportação, 28,6% das indústrias reduziram as próprias margens para absorver parte do impacto das tarifas. Outras 26,2% mantiveram os preços dos produtos e repassaram o custo adicional aos compradores nos Estados Unidos.

Já em relação à produção, 41,4% das empresas reduziram o uso da capacidade instalada. O mesmo percentual informou ter renegociado preços com clientes afetados pelas novas tarifas.

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Ainda segundo o levantamento, apesar da queda nos pedidos, a maior parte das empresas pesquisadas ainda não alterou o número de funcionários. Esse foi o caso de 55,2% das indústrias.

A preservação dos empregos pode estar relacionada ao mercado de trabalho aquecido e à dificuldade de contratação de profissionais qualificados. A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo a Pnad Contínua do IBGE. O período também registrou recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas.

Empresas têm dificuldade para substituir os EUA

O levantamento também mostra que encontrar outros destinos para os produtos tem sido um ponto de dificuldade. Entre os principais mercados atendidos pelas empresas, além dos Estados Unidos, estão o Mercosul, citado por 66,7% das indústrias, a América Latina e o Caribe, com 50%, e a União Europeia, também com 50%.

Mesmo com a queda dos pedidos norte-americanos, 45,2% das empresas não cogitam buscar novos mercados. Entre as que consideram essa alternativa, 57,1% não têm prazo definido para fazer essa substituição totalmente.

Parte das indústrias tenta compensar a redução das vendas aos Estados Unidos com o mercado brasileiro. Cerca de 40% já redirecionaram produtos para o mercado nacional. Contudo, essa estratégia também encontra obstáculos, já que 36% das empresas afirmaram não ter compradores no Brasil para esses produtos.

Entre as que conseguiram transferir parte das vendas, o nível de absorção varia. Para 28% delas, o mercado interno recebeu até 5% do volume que seria destinado aos Estados Unidos. Em 24% dos casos, a absorção foi total.

Produção em outros países

Outra possibilidade seria fabricar os produtos fora do Brasil para continuar atendendo aos compradores norte-americanos. Essa alternativa, no entanto, não é considerada pela maioria.

Seis em cada dez empresas disseram não cogitar a produção no exterior. Por outro lado, 21,4% afirmaram já ter unidades produtivas em outros países capazes de realizar esse movimento.

Entre as medidas apontadas como prioritárias para enfrentar os efeitos das tarifas, quase 70% das empresas citaram o diálogo e a negociação entre Brasil e Estados Unidos. A busca por novos acordos comerciais foi mencionada por 40,8% das indústrias. Outras 38,2% defenderam medidas de desoneração tributária e drawback.

A pesquisa da Fiesp ouviu 174 indústrias de transformação exportadoras do estado de São Paulo. Do total, 1,7% são microempresas, 55,2% pequenas, 33,3% médias e 9,8% grandes. Nas questões que permitiam mais de uma resposta, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.

SOBRE

Marquezan Araújo

Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) desde 2013, atua no Brasil 61 como setorista do Congresso Nacional e em campanhas de utilidade pública produzidas em parceria com o Ministério da Saúde. Também cobre assuntos relacionados à educação, economia, meio ambiente e infraestrutura.

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