Política - Renegociação de dívidas·21 de maio de 2021

Renegociação de dívidas com fundos constitucionais é aprovada na Câmara e MP vai à sanção

A MP estabelece descontos de até 90% para quitação de débitos até 31 de dezembro de 2022

Por Manuela Correa
Ouvir ·

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

A Medida Provisória 1016/20 teve a votação concluída pela Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (20). A proposta prevê renegociação extraordinária de dívidas junto os fundos constitucionais do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro Oeste (FCO).

A MP estabelece descontos de até 90% para quitação de débitos até 31 de dezembro de 2022. Agora, a matéria segue para sanção presidencial. Relator da proposta, o deputado federal Júlio Cesar (PSD-PI) afirma que a medida já vinha contribuindo para melhorar a situação dos empreendedores dessas regiões. Agora a aprovação garantirá mais abrangência.

“Quando foi votada a Lei nº 13.340, de 2016, que foi objeto de estudos nossos, só o Banco do Nordeste tinha 846 mil operações e um total de 22 milhões de reais. Já foram regularizadas 360 mil operações e o valor de 12 milhões de reais. E há ainda para serem regularizadas, que deve ser boa parte por esta medida provisória, 496 mil operações”, considerou.

Os deputados aprovaram uma de dez emendas do Senado acrescentadas ao texto. Essa emenda inclui dispositivo para suspender durante o ano passado, em razão da pandemia, a contagem dos prazos de carência de projetos financiados com recursos dos fundos.

“Esse projeto traz muitos benefícios para permitir a renegociação de dívidas de, especialmente, pequenos agricultores familiares no Nordeste e pelo Brasil afora”, pontuou o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), durante a sessão plenária.

Pequenas empresas baianas terão melhores condições com MP que permite renegociação de débitos junto ao Finam e Finor

Investimentos no Arco Norte são fundamentais para escoamento de cargas no Brasil

CGU e TCU lançam plataforma para prevenir a corrupção na administração pública de todo o país

Pelos termos da MP, a solicitação de renegociação de empréstimos adquiridos com recursos dos fundos constitucionais poderá ser realizada sempre que o interessado reunir as condições exigidas. No entanto para os que renegociarem até 31 de dezembro de 2022 aplicam-se descontos e bônus maiores.

Descontos de 60% a 90%

Aqueles que fizerem a renegociação até 31 de dezembro do próximo ano, os descontos variam de acordo com o porte do beneficiário. Encerrado esse período, um regulamento estabelecerá os descontos e bônus que podem ser aplicados.

De acordo com o texto aprovado, para quitação da dívida, os descontos variam de 60% a 90%, conforme o empréstimo seja rural ou não rural, segundo o porte do beneficiário e caso o empreendimento esteja ou não localizado no Semiárido.

Quem parcelar poderá pagar as prestações com juros vigentes do fundo para atividade econômica semelhante à originalmente financiada, com prazo de pagamento de dez anos, ou seja, de 2023 a 2032.

Já os descontos para pagamento em dia das parcelas para quem refinanciar a dívida variam de 20% a 50%, levando em conta os mesmos critérios de enquadramento utilizados no desconto para quitação.

Juros mais baixos

A MP aborda outra hipótese de renegociação. Esta ocorre quando houver a transferência a terceiros do empreendimento financiado ou da obrigação de pagar a dívida ou quando ocorrer alteração do controle societário direto ou indireto da empresa mutuária.

Para quem ficar responsável pela dívida, a vantagem será renegociá-la pelos juros usados atualmente para contratar novas operações, mais baixos em relação ao cobrado nas dívidas antigas.

Se houver a transferência do empreendimento para empresa cuja principal atividade econômica seja passível de financiamento pelo fundo, os juros serão os da linha de financiamento em vigor para essa atividade, segundo o porte do novo titular no momento da renegociação.

Por outro lado, caso não haja transferência do negócio ou se o novo titular não exercer atividade passível de financiamento pelo fundo, os juros serão da linha de crédito que financie itens semelhantes aos financiados originalmente pela operação renegociada, levando-se em conta a atividade econômica e o porte do devedor original no momento da contratação do crédito renegociado.

Agricultores familiares

O texto aprovado permite, ainda, a suspensão do pagamento das parcelas devidas ou a vencer no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2021 quanto aos empréstimos concedidos a miniprodutores e agricultores familiares prejudicados economicamente pela pandemia de Covid-19.

Essas parcelas vão começar a ser pagas depois de um ano da última prestação normal do financiamento feito com recursos dos três fundos. A suspenção será para quem tiver com as prestações em dia em dezembro de 2019. Além disso, também ficam mantidos os bônus por pagamento em dia, descontos e outros benefícios originalmente previstos.

Em relação aos outros créditos, poderão ser suspensos os pagamentos das parcelas devidas no período de janeiro a dezembro deste ano. Nesse caso, a suspensão poderá ser solicitada pelos que estavam em dia com as prestações em dezembro do ano passado.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Manuela Correa

Graduada em Jornalismo, Manuela faz parte da produção de reportagem do Brasil 61. Também já atuou como repórter e assessora de imprensa. Durante a graduação trabalhou no SBT, TV Câmara e na Associação dos Magistrados Brasileiros.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Renegociação de dívidas

Ver editoria completa
Desenrola Brasil30 de julho de 2026

Desenrola 2.0 é prorrogado e consumidores terão até 31 de agosto para renegociar dívidas bancárias

Governo Federal amplia prazo do programa sem alterar as regras; medida busca dar mais tempo para regularização de pendências e acesso ao crédito

Agronegócios09 de julho de 2026

Bancada do Agro analisa contraproposta do governo sobre dívidas rurais

Em análise preliminar, parlamentares avaliam texto aquém do esperado mas tentam viabilizar redação convergente

Renegociação de dívidas07 de junho de 2026

O que é o Novo Desenrola Brasil 2.0 e como funciona em 2026? - Cópia

Nova etapa do programa permite descontos de até 90%, renegociação de dívidas com parcelamento em até 48 vezes e uso de parte do FGTS para quitar ou reduzir débitos bancários; Medida Provisória terá duração de 90 dias

t-page