Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

IPCA-15 sobe 0,25% em dezembro e fecha 2025 dentro da meta de inflação

Prévia do IBGE mostra desaceleração ao longo do ano, com pressão de transportes e sinais de espaço para corte de juros em 2026

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O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (23). No acumulado de 2025, o índice alcançou 4,41%, resultado que confirma a desaceleração da inflação ao longo do ano e mantém o indicador dentro da meta de 3%, com teto de tolerância de 4,5%.

Em dezembro, sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram alta. O principal impacto veio de Transportes, que avançou 0,69% e respondeu por 0,14 ponto percentual do índice, pressionado sobretudo pelas passagens aéreas, que subiram 12,71%, e pelo transporte por aplicativo, com alta de 9,00%. 

Vestuário também teve elevação de 0,69%, puxado pelo encarecimento das roupas infantil, feminina e masculina. Já Habitação variou 0,17%, influenciada por reajustes de aluguéis e das tarifas de água e esgoto.

Regionalmente, o IBGE apurou aumento de preços em dez das onze áreas pesquisadas. Porto Alegre apresentou a maior variação, de 0,50%, impactada por passagens aéreas e energia elétrica. Também houve altas em regiões como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Goiânia e Brasília. A única queda foi registrada em Belém (-0,35%), puxada principalmente pela forte redução nos preços de hospedagem.
Quedas e desacelerações

Entre os recuos, Artigos de residência caiu 0,64% pelo quarto mês consecutivo, com destaque para a queda nos preços de eletrodomésticos e de itens de TV, som e informática. Alimentação no domicílio recuou 0,08%, acumulando o sétimo mês seguido de queda, influenciada por produtos como tomate, leite longa vida e arroz, apesar das altas observadas em carnes e frutas.

Para o economista Renan Pieri, o comportamento da inflação em 12 meses é uma sinalização positiva. Segundo ele, a convergência do índice para a meta abre espaço para um ciclo de redução da taxa Selic no primeiro semestre de 2026, em linha com o movimento de corte de juros nos Estados Unidos. 

Pieri ressalta, no entanto, que o mercado de trabalho segue aquecido, com geração recorde de empregos desde 2022, o que sustenta a pressão sobre os preços de serviços por meio do aumento da massa salarial. Ainda assim, o economista avalia que a inflação permanece sob controle e dentro do objetivo perseguido pelo Banco Central, cujo horizonte de atuação se estende até meados de 2027.

“Os sinais são positivos no sentido de se esperar um início de ciclo de corte de juros  já no começo do ano, não se sabe exatamente o mês, mas certamente teremos um ciclo de redução da taxa Selic no primeiro semestre do ano que vem, principalmente porque os americanos também reduziram suas taxas de juros, então isso torna nossos juros relativos a deles mais atrativos”, destaca.
 

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LOC:.  O IBGE divulgou, nesta terça-feira, 23, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, que subiu 0,25% em dezembro e fechou 2025 em 4,41%, dentro da meta. 

Sete dos nove grupos de produtos tiveram alta no mês. Transportes liderou com 0,69%, puxado por passagens aéreas, que saltaram 12,71% e aplicativos de transporte, em 9%. Vestuário subiu 0,69%, com roupas infantil, feminina e masculina mais caras. Habitação variou 0,17%, com aluguéis e água/esgoto pressionando.

Os combustíveis subiram 0,26%, com etanol em alta de 1,70%. Ônibus urbano caiu 0,69% por gratuidades em Belém e Brasília. 

Alimentação recuou 0,08% pelo sétimo mês, com tomate menos 14,53%, leite longa vida menos 5,37% e arroz em queda. Artigos de residência caíram 0,64%, com eletrodomésticos e eletrônicos mais baratos. Porto Alegre teve a maior alta regional, 0,50%; Belém, a menor, menos 0,35%.
Segundo o economista Renan Pieri, esta é uma boa notícia. 

 

TEC/SONORA: Renan Pieri, economista

“Os sinais são positivos no sentido de se esperar um início de ciclo de corte de juros, já no começo do ano, não se sabe exatamente o mês, mas certamente teremos um ciclo de redução da taxa Selic no primeiro semestre do ano que vem, principalmente porque os americanos também reduziram suas taxas de juros, então isso torna nossos juros relativos a deles mais atrativos.”


LOC:. O IPCA-15 foi coletado de 14 de novembro a 12 de dezembro, em capitais como Brasília e São Paulo.

Reportagem: Paula Coutinho