Brasil - Exportações·10 de novembro de 2020

MS: Indústria sucroenergética amplia em 3,5 vezes o volume de açúcar exportado em 2020

Segundo projeção da Semagro, foram exportadas 171 mil toneladas em 2019 e mais de 615 mil toneladas neste ano; os principais destinos são Argélia, Canadá e China

Por Jalila Arabi
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O estado sul-mato-grossense ampliou em 3,5 vezes o volume de açúcar exportado no acumulado dos meses de janeiro a setembro de 2020, se comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), foram mais de 171 mil toneladas de açúcar exportadas entre janeiro e setembro de 2019 e 615,41 mil toneladas em 2020. 

Os principais destinos das exportações de açúcar de Mato Grosso do Sul são Argélia (16,68%), Canadá (14,77%) e China (10,07%). Em termos de evolução de janeiro a setembro deste ano, mesmo com o aumento de 1,33% para 2,57%, o resultado aponta para uma queda de posição como exportador de açúcar de quinto para sexto. 

De acordo com o secretário da Semagro, Jaime Verruk, o governo local tem feito esforços no sentido de impulsionar a produção de biocombustíveis, que tem como uma das matérias-primas a cana-de-açúcar. Além disso, ele destaca como o setor sucroenergético contribuiu para a geração de emprego e renda em meio à pandemia. 

“Um dos pontos principais é que, hoje, temos 21 indústrias do setor sucroenergético que geram mais de dez mil empregos. Esse setor vinha, há alguns anos, com margem negativa, restrita, e isso acabou com uma série de empresas em recuperação judicial. Mas nos últimos dois anos, a gente sente uma recuperação de margem, principalmente oriunda do açúcar. Tivemos um incremento na exportação de praticamente cinco vezes o que já vínhamos exportando, exatamente por causa da demanda internacional”, afirma Verruk. 

A taxa de câmbio favorável, segundo o secretário, também favoreceu esse cenário. “Muitas usinas que tinham também essa possibilidade de, além do etanol e do anidro, produzir açúcar. Daí a expansão significativa”, observa. 

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Outro fator importante para esse crescimento foi atribuído ao RenovaBio, programa do governo federal, lançado em 2016, para expandir a produção de biocombustíveis no País, com base na previsibilidade e na sustentabilidade ambiental, econômica e social, compatível com o crescimento do mercado. 

“Já temos praticamente todas as empresas habilitadas no RenovaBio. Isso se caracteriza como um movimento extremamente importante, é o setor de bioenergia mostrando a captura de carbono e compensando todas as emissões causadas pelo diesel e pela gasolina por meio dos CBIOs (Crédito de Descarbonização)”, acrescenta. 

Com a pandemia, muitos setores da economia tiveram que reduzir e até parar com as atividades por conta dos protocolos de segurança. “Em março, quando foi declarado o estado de calamidade, trabalhamos junto ao setor sucroenergético no desenvolvimento dos protocolos de biossegurança. O objetivo era que o setor não precisasse parar e reduzir a capacidade produtiva”, lembra Verruk. 

Representação 

O setor sucroenergético tem uma representação significativa no estado. As 21 usinas alcançam boa parte dos municípios de Mato Grosso do Sul, segundo dados da Semagro. A cana já ultrapassa a marca de 850 mil hectares no estado e com potencial de mais crescimento. 

“Não em novas unidades, mas as já existentes têm melhorado em termos de tecnologia, na produção de etanol, de anidro, de açúcar, de energia e estamos com uma experiência inicial na produção do biogás oriundo da vinhaça. É um setor que aumenta seu adensamento na cadeia produtiva do estado e representa praticamente 7% do PIB do estado”, relata o secretário da Semagro, Jaime Verruk.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019 mostram, ainda, que a receita bruta do setor corresponde a cerca de R$ 11 bilhões. Juntos, os segmentos do campo e da indústria produzem cerca de 22 mil empregos, sendo dez mil na fabricação de açúcar e álcool.

Safra 2020/2021

Dados apresentados pela Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (BioSul) mostram que, até 30 de setembro deste ano, a quantidade de cana-de-açúcar processada no estado alcançou 35 milhões de toneladas. O resultado é 6% menor se comparado ao mesmo período da temporada anterior. A qualidade da matéria-prima, no entanto, aumentou em 5%, alcançando cerca de 141,5 kg de Açúcares Totais Recuperáveis por Tonelada de Cana (ATR/TC).

Ainda de acordo com as informações da Associação em relação à safra 2020/2021, a produção de etanol somou 2,1 bilhões de litros de abril até setembro. O volume é 19% menor com relação ao período no ano anterior. A produção de açúcar atingiu 1,3 milhão de toneladas, quantidade 107% maior com relação ao mesmo período do ano passado, quando registrou 627 mil toneladas do adoçante.

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SOBRE

Jalila Arabi

Jornalista formada há 15 anos e pós-graduada em língua portuguesa, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Antes de ingressar na redação do Brasil61, passou por importantes órgãos, como Inep/ MEC, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frente Nacional de Prefeitos e Federação Nacional dos Policiais Federais, além de realizar cobertura dentro do Congresso Nacional. Experiência também em gerenciamento de crise, redação, edição e revisão de textos, produção de conteúdo de rádio e assessoria.

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