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LOC: O possível fim da chamada “taxa das blusinhas” acendeu um alerta entre representantes do setor produtivo brasileiro. A cobrança corresponde a uma alíquota de 20% do Imposto de Importação aplicada a compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas.
Criada em 2024, a cobrança foi zerada em maio deste ano pela Medida Provisória 1.357/2026, que perde a validade no dia 8 de setembro. Contudo, a expectativa é que o texto seja analisado pelo Congresso Nacional durante o esforço concentrado, previsto para o período entre 31 de agosto e 4 de setembro.
Para o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB, Alfredo Cotait Neto, manter a isenção dos importados sem uma medida equivalente para os produtos brasileiros prejudica a concorrência.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB
“A longo prazo, se você não restabelece a isonomia, você prejudica a indústria nacional, prejudica as empresas brasileiras e prejudica a geração de emprego e renda, que está problemática no nosso país. Portanto, é fundamental a volta da cobrança. Porém, se o governo não quer que volte a cobrança para atender o seu público, eventualmente o seu eleitorado, então dê o mesmo direito para as empresas brasileiras também poderem vender os seus produtos de 50 dólares para baixo, ou seja, 250 reais, com a mesma isenção de impostos. O que nós pedimos é isonomia.”
LOC: Para o economista sênior do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo, Ulisses Ruiz de Gamboa, o fim da tarifa também pode afetar o emprego e a arrecadação.
TEC./SONORA: Ulisses Ruiz de Gamboa, economista sênior do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo
“O emprego, principalmente no setor de comércio, mas também na indústria, deveria diminuir e a arrecadação tributária também, inclusive no momento em que as contas públicas estão se deteriorando. Então, o governo precisa dessa arrecadação e o comércio brasileiro, como a gente falou, perde competitividade. Ele já não é competitivo mesmo com a cobrança cheia da taxa das blusinhas e agora, essa competitividade diminui ainda mais. Essa isonomia tributária fica ainda mais ferida, digamos assim.”
LOC: Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que a cobrança contribuiu para preservar mais de 135 mil empregos e manter quase 20 bilhões de reais na economia brasileira.
Reportagem, Juline Pogorzelski