Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

TCU identifica riscos nas finanças das entidades fechadas de previdência complementar

Auditoria considerou período de 2022 a 2025 para fiscalizar operações financeiras e desequilíbrios atuariais das EFPC patrocinadas por órgãos públicos federais; entre as situações de risco estão perdas em ativos de crédito privado e planos de benefícios previdenciários com déficit

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou situações de risco nas finanças de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) patrocinadas por órgãos públicos federais. A auditoria apontou problemas como perdas em ativos de crédito privado, déficits em planos de benefícios, problemas na avaliação de ativos sem preço de mercado e rentabilidade abaixo das metas atuariais. O monitoramento considerou dados de janeiro de 2022 a dezembro de 2025 e abrangeu 31 entidades responsáveis pela administração de 74 planos de benefícios.

O levantamento mostra que as EFPC que administram os planos de benefícios previdenciários, em conjunto, administravam cerca de R$ 675,2 bilhões em investimentos. Segundo dados de dezembro de 2025, esses planos reuniam aproximadamente 995,4 mil participantes, dos quais 623,6 mil participantes ativos, 283,8 mil aposentados e 88,0 mil pensionistas.

Segundo o TCU, foram identificadas quatro situações que merecem acompanhamento mais detalhado. Confira cada uma delas:

  • Perdas em ativos de crédito privado;
  • Planos de benefícios previdenciários com déficit, com ativos de maior volatilidade; 
  • Problemas na avaliação de ativos sem preço de mercado e 
  • Rentabilidade abaixo das metas atuariais.

Entre as possíveis consequências dos resultados identificados estão a possibilidade do saldo positivo geral mascarar problemas localizados, além de aumento do risco de não recuperação total do valor investido. Além disso, os planos de benefícios previdenciários com déficit atuarial que também possuem ativos de maior risco, como os de baixa liquidez ou alta volatilidade, podem dificultar o pagamento de benefícios no futuro.

O TCU concluiu que o modelo de monitoramento foi eficaz para identificar riscos e orientar ações de controle. No entanto, para o  Tribunal, é necessário ajustar a metodologia para aprimorar o processo. Apesar dos avanços, o Tribunal alertou que o saldo positivo geral não garante a solvência de todos os planos e que é preciso seguir acompanhando os casos específicos que apresentam maior risco. O relator do processo é o ministro Bruno Dantas.

Contribuições

O TCU informou, em nota, que no período de 2022 a 2025, os patrocinadores públicos federais realizaram contribuições em torno de R$ 40,8 bilhões. Conforme o Tribunal, o valor é igualmente aportado pelos participantes em observância à paridade contributiva, enquanto os pagamentos de benefícios totalizaram cerca de R$ 165,5 bilhões.

Em relação ao desempenho dos investimentos das EFPC, no período analisado, os resultados foram superiores à meta de referência, com uma rentabilidade acumulada de 47,5%, acima do índice de 44% (IPCA + 4,5%). Também houve mudanças na composição das carteiras de investimentos: a renda fixa aumentou sua participação de 59% para 68%, enquanto a renda variável caiu de 22% para 12%.

O TCU analisa que o movimento foi influenciado por juros altos, que favoreceu investimentos em títulos públicos e em fundos de renda fixa. 

Oscilação

Os dados mostram, ainda, que a situação atuarial das EFPC oscilou de forma significativa no período. Em 2022, havia um déficit agregado de R$ 18,7 bilhões, que evoluiu para um superávit de R$ 4,5 bilhões em 2023. Já em 2024, o déficit retornou, e alcançou R$ 15 bilhões. No entanto, o ano passado  terminou com um superávit de R$ 5,1 bilhões.

Apesar do cenário, a análise revelou que os déficits se concentravam em poucos planos de grande porte, enquanto a maioria dos planos apresentava superávit. “Essa concentração de desequilíbrios em planos específicos exige atenção, pois o saldo positivo geral pode disfarçar problemas localizados”, diz o TCU, em nota.
 

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LOC: O Tribunal de Contas da União identificou situações de risco nas finanças das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, as EFPC, patrocinadas por órgãos públicos federais.

O monitoramento analisou dados de 2022 a 2025 e envolveu 31 entidades, responsáveis por 74 planos de benefícios previdenciários.

Entre os problemas identificados pelo TCU estão as perdas em ativos de crédito privado, planos com déficit e ativos de maior volatilidade, dificuldades na avaliação de investimentos que não têm preço de mercado e rentabilidade abaixo das metas atuariais.

Segundo o Tribunal, esses fatores podem aumentar o risco de não recuperação total de valores investidos e dificultar o pagamento de benefícios no futuro, especialmente nos planos que já apresentam déficit atuarial e mantêm investimentos de maior risco.

As entidades analisadas administravam, juntas, cerca de SEISCENTOS E SETENTA E CINCO MILHÕES DE REAIS em investimentos e reuniam aproximadamente NOVECENTOS E NOVENTA E CINCO MIL participantes, entre ativos, aposentados e pensionistas.

Apesar dos riscos apontados, os investimentos das EFPC tiveram rentabilidade acumulada de 47,5% entre 2022 e 2025, sendo superior à meta de referência.

O monitoramento identificou que a situação atuarial oscilou. Em 2022, havia um déficit de R$ 18,7 bilhões. Em 2023, o resultado passou para um superávit de R$ 4,5 bilhões. Em 2024, o déficit voltou e chegou a R$ 15 bilhões. Já em 2025, houve superávit de 5 bilhões e 100 milhões de reais.

O TCU ressaltou, porém, que os déficits estão concentrados em poucos planos de grande porte. Por isso, é necessário ter atenção, já que o saldo positivo geral pode, segundo o Tribunal – ABRE ASPAS “disfarçar problemas localizados” – FECHA ASPAS;

O processo é relatado pelo ministro Bruno Dantas. E o Tribunal concluiu que o monitoramento foi eficaz para identificar riscos e orientar ações de controle, mas afirmou que a metodologia pode ser aprimorada nos próximos ciclos.

Com informações do Tribunal de Contas da União, Bianca Mingote