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LOC: O setor produtivo quer que a discussão sobre o fim da escala 6x1 seja adiada para depois das eleições. A PEC 221 de 2019, que prevê mudanças na jornada de trabalho, pode avançar nesta semana no Senado Federal. A proposta está pronta para ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ.
A possibilidade de avanço da proposta mobilizou a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB. Em nota divulgada nesta segunda-feira, dia 31, a CACB afirma que o ritmo de tramitação da PEC no Senado não foi acompanhado de uma discussão suficiente com os setores diretamente afetados.
A entidade questiona a ausência de novas audiências públicas e defende que estudos técnicos e dados econômicos sejam considerados antes de uma eventual votação.
A Confederação também manifesta preocupação com a proximidade do período eleitoral e afirma que uma mudança constitucional com impacto sobre milhões de negócios não deve ter seu ritmo determinado pelo calendário das eleições.
Para o presidente da CACB, da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, o adiamento permitiria ampliar o diálogo entre trabalhadores, empresas e governo.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB
“O posicionamento do setor produtivo, das micro e pequenas empresas, é para que a discussão do fim da jornada 6x1 seja adiada para após as eleições dando tempo para que empresas, governo e trabalhadores possam sentar, discutir e encontrar o melhor caminho e o melhor modelo para a jornada de trabalho aqui no Brasil.”
LOC: Cotait defende que o debate seja retomado em 2027, fora do período eleitoral, e questiona a necessidade de uma mudança constitucional diante da possibilidade de negociação entre trabalhadores e empregadores prevista na legislação trabalhista.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de SP (ACSP)
“Nossa proposta é termos o debate de fato, ele vale a pena o debate, porém, vamos discutir isso em 2027, fora do período eleitoral, fora dessa eventual interferência eleitoreira. Eu acho que a sociedade civil está pronta para debater, tanto os trabalhadores, como os empresários, e encontrar qual é a melhor solução, mas sem nunca esquecer que na reforma trabalhista já pode haver a negociação, porque o negociado prevalece sobre o legislado. Por que temos que engessar o tema numa nova legislação? Essa é uma grande discussão.”
LOC: A posição da CACB será encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao presidente da CCJ, Otto Alencar, e ao relator da PEC, Omar Aziz. A entidade afirma que não é contrária à discussão sobre a jornada de trabalho, mas defende que uma eventual mudança seja precedida por amplo debate, participação dos setores envolvidos e avaliação dos impactos econômicos e sociais.
Reportagem, Juline Pogorzelski