A taxa de incidência de dengue na região de Alto Médio Gurguéia é a maior do Piauí: 675,34. O índice é calculado levando em consideração a quantidade de pessoas com a doença a cada 100 mil habitantes. O Ministério da Saúde considera críticas regiões em que esse resultado é maior do que 500. Em um ano, os 10 municípios da região registraram 614 casos de dengue e 9 de zika.
As doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a chikungunya. O piauiense Márcio Farias, de 41 anos, teve chikungunya em 2018. “Dói o corpo todo, quando eu colocava uma camisa, eu não aguentava de dor. Tomei medicamentos e fiz muito repouso”, relata. A irmã dele também foi picada pelo mosquito e pegou a doença. Segundo o infectologista, Hemerson Luz, é comum que pessoas próximas se contaminem, "O mosquito tem uma autonomia pequena, voa no máximo 200 metros. Pica uma pessoa infectada e atua como um vetor espalhando o vírus entre pessoas próximas", explica.
Dengue: sintomas costumam ser leves, mas podem evoluir para casos graves
Entre os municípios Gilbués (PI), por exemplo, registrou uma alta incidência de dengue no ano passado, com 135 casos confirmados da doença em uma população de 10 mil habitantes. Bom Jesus confirmou 129 adoecimentos por dengue. Para evitar a doença, a forma mais eficaz é eliminar focos do mosquito, que precisa de água parada para nascer.
Situação do País
O Brasil registrou queda 42,6% no número de casos prováveis de dengue entre 2020 e 2021. No ano passado, foram notificadas 543.647 infecções, contra 947.192 em 2020. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Entre os casos de zika, houve uma pequena redução de 15%, passando de 7.235 notificações em 2020 para 6.143 em 2021. Já a chikungunya registrou aumento de 32,66% dos casos, com 72.584 em 2020 e 96.288 no ano passado.
O sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília, Claudio Maierovitch, destaca que 2020 foi um ano de muitos casos e, por isso, não se deve relaxar com a queda de contágios em 2021. “Mesmo não tendo havido aumento de um ano para o outro, essa não é boa comparação, uma vez que o ano anterior foi de números altos”, alerta.
Cuidados necessários
Devido às altas temperaturas e às chuvas abundantes, o verão é o período do ano em que os ovos eclodem e acarretam o aumento de infecção por dengue, chikungunya e zika. Por isso, fique atento às dicas para evitar a proliferação do mosquito:

- Vire garrafas, baldes e vasilhas para não acumularem água.
- Coloque areia nos pratos e vasos de plantas.
- Feche bem os sacos e lixo.
- Guarde os pneus em locais cobertos.
- Tampe bem a caixa-d´água.
- Limpe as calhas.
Para o combate é necessário unir esforços com a sociedade para eliminar a possibilidade de locais que possam acumular água. Os ovos da fêmea do Aedes aegypti podem ficar incubados durante um ano e eclodir em apenas cinco dias quando entram em contato com a água. "É preciso manter os cuidados durante todo o ano por 365 dias”, reforça o coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka.