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LOC.: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou, nesta segunda-feira, o projeto que aumenta o limite de faturamento do microempreendedor individual ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A proposta prevê ampliação gradual do teto de receita da categoria para R$ 110 mil, em 2027, e R$ 140 mil em 2028.
O texto permite ainda a contratação de até dois empregados por MEIs. Segundo o governo, a atualização atende a um pleito do setor ao corrigir a defasagem desde 2018, quando o teto atual entrou em vigor.
A medida também surge como aceno aos empreendedores em período eleitoral, público com o qual o atual governo não é tão bem avaliado. Diante disso, Lula pediu a Motta que o projeto seja votado o mais rapidamente possível.
Ao receber a proposta, o presidente da Câmara lembrou que ela faz parte da negociação para aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1. Motta, no entanto, avisou que o texto vai ser analisado na comissão especial que trata do tema e servirá como insumo para o parecer final do colegiado, que deve ser votado nas primeiras semanas de julho.
Antes mesmo de analisar o conteúdo, o relator do projeto na comissão, Jorge Goetten (Republicanos-SC), celebrou a mudança de posição do Executivo.
TEC./SONORA: Jorge Goetten, deputado federal (Republicanos-SC)
“Há uns meses, a área econômica e o governo não aceitavam nem discutir a atualização dos MEIs e do Simples. Agora, o próprio governo tanto aceitou como, melhor ainda, mandou um PLP [Projeto de Lei Complementar] aqui para a Câmara, que já atende bem clamor dos MEIs, dos microempreendedores individuais.”
LOC.: A proposta de reajuste do MEI era esperada para a semana passada, mas o governo encontrou dificuldades para fechar o texto, principalmente para equilibrar o impacto fiscal da medida. Inicialmente, no cenário com um novo teto de R$ 130 mil anuais, o impacto fiscal estimado era de R$ 2 bilhões na arrecadação, valor considerado suportável pelas contas públicas. O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte estima que há cerca de 13 milhões de profissionais na condição no país. Não foi divulgado um balanço atualizado dos custos.
O setor produtivo reivindica que as mudanças não fiquem restritas ao MEI. Além de elevar o teto da categoria para aproximadamente R$ 145 mil anuais, empresários tentam atualizar os limites das demais faixas de enquadramento do Simples Nacional, programa que facilita o recolhimento de impostos: cerca de R$ 870 mil para microempresas, e R$ 8 milhões e 700 mil para empresas de pequeno porte.
Em vigor desde 2018, os limites atuais de faturamento são de 81 mil reais por ano para o MEI, 360 mil reais para microempresas e 4 milhões e 800 mil reais para empresas de pequeno porte.:
Além dessa matéria, o Planalto prepara também um conjunto de medidas voltadas aos empreendedores, como um programa de renegociação de dívidas e linhas especiais de crédito.
Reportagem, Álvaro Couto.