Economia - Pandemia·15 de julho de 2020

Auxílio emergencial melhora padrão de vida em mais de 23 milhões de domicílios, diz estudo do Ministério da Economia

Segundo a pesquisa, benefício compõe 93% de toda a renda familiar nas casas mais carentes

Por Paulo Oliveira
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Estudo divulgado pelo Ministério da Economia constatou que o Auxílio emergencial compõe mais de 93% da renda dos domicílios mais pobres do país. Por pessoa, sem o benefício, cada um chega a ganhar R$ 11. O estudo concluiu que “em termos de renda absoluta, o auxílio emergencial elevou as famílias mais pobres a padrões que superam os limiares de extrema pobreza e pobreza no Brasil”. 

Ao todo, de acordo com o ministério, o benefício melhorou o padrão de vida em mais de 23 milhões de casas. 

Para Erik Figueiredo, subsecretário de Política Fiscal do Ministério da Economia, o auxílio tem conseguido atender aos brasileiros mais atingidos pela pandemia. “Contemplamos os informais, os mais pobres, os empregadores informais, o benefício atendeu os objetivos, porque ele consegue chegar a quem mais precisa.”

Gilson Garófalo, professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP), diz que R$ 600 mensais fazem diferença na renda de milhares de cidadãos, sobretudo entre os assalariados ou que não tenham renda. “O benefício tem feito com que pessoas das classes menos favorecidas cumpram compromissos financeiros, como o pagamento de aluguel, contas de eletricidade e água e tenham dinheiro para os gastos básicos”. 

Desempregada antes mesmo do início da pandemia, Mércia Sales, moradora do município de Afogados da Ingazeira, sustenta a casa com os R$ 1,2 mil, valor pago a mães chefes de família do Auxílio Emergencial. O marido precisou encerrar as atividades do salão de beleza por três meses, devido ao decreto do governo do Estado de Pernambuco, que determinou o fechamento do comércio. 

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“A sorte é que temos casa própria, porque senão, além dos gastos domésticos teríamos que pagar aluguel. Ficaria muito difícil. São R$ 1,2 mil para todas as despesas”, afirma a dona de casa. 

O corretor de imóveis Antônio Frutuoso, 23 anos, morador de Fortaleza, também viu os seus rendimentos caírem de uma hora para outra. “Eu já vinha guardando dinheiro, mas com o surgimento da pandemia e dependo dos honorários [de vendas de imóveis] isso dificultou. A principal função do auxílio é pagar as minhas despesas, como aluguel, internet e luz”.  

Contemplados

O Governo Federal afirma que o benefício já alcançou mais da metade da população brasileira. O orçamento previsto na concessão das cinco parcelas do auxílio emergencial é de R$ 200 bilhões. Entre as pessoas que têm direito ao auxílio emergencial de R$ 600, estão: trabalhadores sem carteira assinada, autônomos, microempreendedores individuais, desempregados e contribuintes individuais da Previdência. Mães chefes de família (inclusive menores de idade) recebem o benefício em dobro. A Caixa encerrou as solicitações do benefício em 2 de julho. 

Segundo a Caixa, a as regiões Norte e Nordeste concentram 46,6% dos pagamentos, totalizando R$ 35,7 bilhões liberados. Entre os estados, São Paulo aparece em primeiro (R$ 13,25 bilhões) em relação ao total empenhado; seguido pela Bahia (R$ 7,21 bilhões) e Minas Gerais (R$ 6,86 bilhões). 

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SOBRE

Paulo Oliveira

Paulo Oliveira é formado pela Universidade de Brasília (UnB), já foi repórter freelancer do jornal O Estado de São Paulo e repórter do SindSaúde DF. Como estagiário, passou pelo Jornal Destak, TV Câmara e Rede Globo.

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