Saúde - Mosquito·21 de janeiro de 2022

Pará tem alta nas taxas de transmissão de dengue

Estado confirmou quase 5 mil casos de dengue em 2021, um aumento de 38,56%.

Por Angélica Córdova
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Segundo maior estado do Brasil em extensão territorial, o Pará enfrenta desafios para o controle da reprodução do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, das doenças transmitidas por ele. Em 2021, o estado registrou aumento nos casos de adoecimento pelo vírus da dengue. Chikungunya, zika e até um caso de febre mayaro também foram registrados em 2021. Pesquisas recentes indicam que o famoso mosquito da dengue também pode ser o responsável pela transmissão de mayaro. 

Dos mais de 4893 casos confirmados de dengue, em 2021, no Pará, um veio  a óbito. O estado ainda registrou 257 casos de chikungunya, e 50 de zika no período. Para essas duas arboviroses a taxa de contágio reduziu quando comparada a 2020. O Pará realiza o LIRAa (Levantamento rápido de índices para Aedes aegypti) e faz boletins epidemiológicos mensais. As metodologias, segundo a coordenadora de Arboviroses da Secretaria de Saúde do Pará, Aline Carneiro, auxiliam na tomada de decisão e elaboração dos planos de contingenciamento. “Norteiam como faremos as estratégias de vigilância epidemiológica, o controle vetorial, o manejo do paciente e as atividades que você pode fazer nesse período mais crítico”, complementa.

O estado realizou, em 2021, cinco oficinas para capacitação de equipes de saúde para diagnóstico e tratamento das endemias. Neste ano, a ideia é ampliar a iniciativa nas outras oito regionais de saúde do estado. Além das atividades formativas, o estado presta apoio direto com o uso emergencial de métodos químicos como o fumacê onde há concentração de casos. Contudo, Aline Carneiro reforça que ações de mobilização e conscientização da comunidade são fundamentais e a primeira opção para o combate ao mosquito da dengue. “Trabalhamos sempre com campanhas tentando fomentar a população a participar do combate ao vetor. Já que, se tudo der certo,  nós só vamos ter visitas dos agentes uma vez a cada dois meses. E com a pandemia as visitas ficaram muito restritas”, avalia. 

O estado como um todo tem uma incidência de dengue que o coloca na zona vermelha de alerta. Mas dez municípios são foco da atenção da secretaria estadual: Belém, Itaituba, Altamira, São João do Araguaia, Trairão, Vitória do Xingu, Alenquer, Novo Repartimento, Redenção e Santarém.

O coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka, alerta que o vírus tem um potencial de distribuição geográfica muito rápido, em especial nas regiões metropolitanas. “As pessoas se movimentam dentro do país muitas vezes entre áreas com diferentes índices de transmissão. O mosquito pica alguém com o vírus e tem um alto potencial de distribuição naquela população”, elucida Peterka. 

Situação do País

O Brasil registrou queda 42,6% no número de casos prováveis de dengue entre 2020 e 2021. No ano passado, foram notificadas 543.647 infecções, contra 947.192 em 2020. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Entre os casos de zika, houve uma pequena redução de 15%, passando de 7.235 notificações em 2020 para 6.143 em 2021. Já a chikungunya registrou aumento de 32,66% dos casos, com 72.584 em 2020 e 96.288 no ano passado.

O sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília, Claudio Maierovitch, destaca que 2020 foi um ano de muitos casos e, por isso, não se deve relaxar com a queda de contágios em 2021. “Mesmo não tendo havido aumento de um ano para o outro, essa não é boa comparação, uma vez que o ano anterior foi de números altos”, alerta.

Brasil tem queda de 42,6% nos casos de dengue entre 2020 e 2021, mas números ainda são altos

Cuidados necessários 

Devido às altas temperaturas e às chuvas abundantes, o verão é o período do ano em que os ovos eclodem e acarretam o aumento de infecção por dengue, chikungunya e zika. Por isso, fique atento às dicas para evitar a proliferação do mosquito:

  1. Vire garrafas, baldes e vasilhas para não acumularem água.
  2. Coloque areia nos pratos e vasos de plantas.
  3. Feche bem os sacos e lixo.
  4. Guarde os pneus em locais cobertos.
  5. Tampe bem a caixa-d´água.
  6. Limpe as calhas.

Cerca de 80% dos criadouros do mosquito da dengue estão dentro das residências. Por isso, o combate aos criadouros do mosquito precisa durar o ano todo. “A campanha deste ano traz à tona a questão de cada um buscar a responsabilidade dentro do seu quintal, do seu local de trabalho e utilizar dez minutos da sua semana para fazer uma revisão nos principais locais onde possam ter criadouros do mosquito e eliminar esses criadouros, não deixar que o mosquito nasça.”, conclui Peterka. 

Não deixe água parada. Combata o mosquito todo dia. Coloque na sua rotina. 

Veja no mapa a incidência de dengue no seu município

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SOBRE

Angélica Córdova

Jornalista, produtora de conteúdo para diferentes linguagens (texto, imagem e áudio, para web e impressos). Com 17 anos de experiência no mercado de comunicação, já atuou como repórter, editora e gestora de comunicação em agências de comunicação e veículos midiáticos. Tem mestrado em Comunicação na área de Jornalismo, suas narrativas e linguagens. Estudou a representação das mulheres do campo em veículos urbanos. Atua como professora universitária nos cursos de Jornalismo e Publicidade desde 2006. Já passou por diferentes faculdades e, atualmente, leciona no Uniceub e no IDP. Além disso, é repórter na Agência 61 de Rádio e tem uma agência de comunicação Olaria7, em que faz produção de conteúdo para contas de instituições ligadas ao setor produtivo, organizações do terceiro setor entre outras.

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