Brasil - Violência·08 de janeiro de 2024

Índices de violência caem no Brasil em 2023, mas especialistas avaliam gestão da segurança como negativa

Números de homicídio, feminicídio e latrocínio, entre outros crimes, recuaram 4% no ano passado

Por Yumi Kuwano
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os principais índices de violência —  como homicídio, feminicídio, latrocínio —, recuaram 4% no ano passado, de janeiro a outubro, no Brasil, em comparação com 2022. 

No entanto, regiões como o Norte do país viram um aumento nos números. Foram 8.361 vítimas, o equivalente a 28 por dia, incluindo tentativas de homicídio — um aumento de 5,72%. A Bahia foi o estado com o maior número de homicídio doloso do país: 3.895, cerca de 102 mortes desse tipo a cada dia. 

O professor do Centro de Pesquisas e Pós-graduação sobre as Américas (Ceppac), da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Rocha avalia que quando observamos alguns estados e municípios há uma incidência muito alta de crimes. 

“É algo que a gente não pode olhar de forma macro e esquecer que esses problemas estão cada vez mais regionalizados. E aí, é necessário que tenhamos um sistema de integração para compreender a segurança pública e que novas fronteiras estão sendo apresentadas, por exemplo, na região Norte e Nordeste, em que o crime organizado tem avançado, tem estabelecido disputa por espaço e gerado criminalidade nessas regiões”, diz. 

No Rio de Janeiro foram 6.669 vítimas, uma redução de 5,92%. Já São Paulo teve 6.471 mortes e queda de 23,34%. 

O número de feminicídios caiu 2,44% no país, mas ainda é um dos dados mais preocupantes: foram 1.158 vítimas. O estado de São Paulo é o que mais registrou (181), seguido de Minas Gerais (136) e Rio de Janeiro (85).

De acordo com o professor Rocha, o estado não tem estabelecido medidas efetivas para mitigar esses crimes, já que não existe algo coordenado entre os estados e governo federal. 

Na opinião do cientista político Antônio Flávio Testa, pesquisador da Universidade de Brasília, a segurança pública brasileira está muito mal gerida. 

“O governo federal tem dito que o presidente Lula não quer recriar o Ministério da Segurança Pública, alegando que é ano eleitoral e que a responsabilidade constitucional da segurança pública é dos governadores. Isso só é verdade em parte, porque a maior parte dos recursos vem do governo federal e você poderia aumentar o contingente da força nacional para dar suporte aos estados mais frágeis”, comenta. 

Intervenção policial

Um outro número expressivo é o de morte por intervenção policial. Na Bahia foram 1.410 mortes, um aumento de 7,63%, enquanto no país a taxa caiu 3,64% em relação ao ano anterior. Alexandre Rocha diz que a letalidade policial está diretamente ligada ao discurso do governo. 

“Houve uma dinâmica crescente de mercados ilegais da criminalidade e por outro lado houve uma demanda da população por maior recursos de atividades de segurança pública e a política adotada foi de repressão. Mais operações, maior conflito entre agentes de estado e aqueles que compõem o circuito da criminalidade, que acabam gerando a possibilidade de confronto”, analisa. 

Em relação ao número de drogas apreendidas no país foram 1.071.132 quilos de maconha (+85%) e 117.831 quilos de cocaína (+36%). Também subiu para 85.388 mil o número de armas de fogo apreendidas — cerca de 281 armas por dia, um aumento de 1,54% em relação a 2022.

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