Covid - Covid-19·11 de setembro de 2021

Covid-19: sequelas de longo prazo geram alerta para pacientes no pós-alta

Pesquisa da Coalizão COVID-19 Brasil, que integra estratégia da OMS para o enfrentamento à Long COVID, mostra que o número de mortalidade geral pós-alta, em 6 meses, chega a 7%

Por Manuela Correa
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Dados do Ministério da Saúde revelam que, até o momento, cerca de 20 milhões de pessoas infectadas com o coronavírus já se recuperam da Covid-19. O problema é que boa parte desses pacientes ainda sofre com as sequelas da doença, mesmo no pós-alta, como explica o médico intensivista e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, Regis Rosa.

“Os pacientes frequentemente apresentam fraqueza muscular, cansaço e, eventualmente, até dor crônica. Os pacientes que tiveram ventilação mecânica podem apresentar lesões na traqueia, redução da sua capacidade física, alteração de memória e também redução da velocidade de raciocínio”, destaca.

O especialista é o representante brasileiro no grupo de trabalho formado pela OMS para o enfrentamento da Long COVID e reabilitação dos pacientes. Um dos estudos elaborados pelo grupo é o Coalisão VII. Dados parciais da pesquisa apontam que o número de mortalidade geral pós-alta, em 6 meses, chega a 7%.

Quando se trata de pacientes que precisaram de ventilação mecânica, esse número é de 24%. A reospitalização geral, no mesmo período, é de 17%, enquanto a de pacientes que necessitaram de ventilação mecânica chega a 40%.

Regis Rosa afirma, ainda, que, tanto pacientes graves quanto de casos leves ou moderados estão sujeitos às sequelas duradouras. Esses problemas, segundo ele, causam prejuízos à saúde física, mental e até social das vítimas, como é o caso de quem não consegue retornar ao trabalho ou aos estudos.

“Eles precisam ser avaliados por um médico, por uma equipe interdisciplinar, para que se faça um diagnóstico e, a partir disso, se estabeleça um plano de reabilitação. Porque grande parte dessas sequelas, tanto em pacientes graves quanto não graves, são reversíveis. Quanto mais rápido o paciente tiver acesso a medidas de reabilitação, mais rápido ele vai recuperar a qualidade de vida”, considera.

O estudo é um dos nove desenvolvidos pela aliança formada por Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).

Entre as principais sequelas da Covid-19, algumas estão relacionadas à parte psicológica das vítimas. É comum que pacientes que passaram por todos os transtornos provocados pela doença sofram, por exemplo, com ansiedade ou depressão. Os dados parciais da coalizão mostram que casos de ansiedade, seis meses após alta médica, atingem 22% dos pacientes. Já o estresse pós-traumático acomete 11%.

Covid-19 afeta sistema renal das vítimas

Câncer: entenda o diagnóstico

Camila de Oliveira, 31 anos, foi diagnosticada com Covid-19 em outubro de 2020. Ela mora na França e, por lá, nessa mesma época, a pandemia estava no auge da segunda onda e o governo local decretava lockdown. O distanciamento social levou a estudante a ter problemas psicológicos.

“A gente fica angustiada, porque surge um cansaço. Eu não saí da cama e fiquei com medo de não conseguir mais respirar, de ninguém poder me socorrer. Com isso, a gente fica apreensivo, se perguntando se vai ficar em estado grave, se vai parar de respirar durante a noite e não ter ninguém para ajudar”, relata.

Segundo o médico Fabrício da Silva, especialista em cardiologia, clínica médica e emergências clínicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pelo Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, os problemas psicológicos relacionados à pandemia não são exclusividade de pessoas que foram infectadas pelo coronavírus.

“Isso não é exclusivo ao paciente que foi acometido pela Covid-19, mas aos familiares que acompanharam de perto internações ou que eventualmente perderam um ente querido. Já temos um tema do transtorno do estresse pós-traumático. O paciente que tem uma internação prolongada em UTI tem depois dificuldade com o sono, transtorno de ansiedade, e que necessitam de um apoio profissional de psicólogo ou de psiquiatras”, pontua.

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SOBRE

Manuela Correa

Graduada em Jornalismo, Manuela faz parte da produção de reportagem do Brasil 61. Também já atuou como repórter e assessora de imprensa. Durante a graduação trabalhou no SBT, TV Câmara e na Associação dos Magistrados Brasileiros.

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