Saúde - Covid-19·25 de junho de 2021

Covid-19: comunidades quilombolas do Baixo Parnaíba Piauiense começam a ser vacinados

A região abrange os municípios de Piripiri, Batalha, Campo Largo do Piauí, Esperantina, Matias Olímpio e São João do Arraial. De acordo com o Ministério da Saúde, 1.510 quilombolas da região tomaram a primeira dose da vacina e 147 receberam a segunda dose

Por Larissa Abreu
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Quilombolas da região do Baixo Parnaíba Piauiense começaram a ser vacinados contra o novo coronavírus. A região abrange os municípios de Piripiri, Batalha, Campo Largo do Piauí, Esperantina, Matias Olímpio e São João do Arraial. Juntos eles concentram cerca de 6.600 quilombolas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Quilombolas são pessoas que moram em comunidades formadas por descendentes de escravos que fugiram da escravidão. O grupo é prioridade no cronograma nacional de imunização contra a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, 1.510 quilombolas da região tomaram a primeira dose da vacina e 147 receberam a segunda dose.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica a importância da imunização dos povos tradicionais. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, destacou. 

Quadro: Número de quilombolas que tomaram a vacina contra a Covid-19 na região do baixo parnaíba piauiense

Município1ª Dose2ª Dose
Piripiri4420
Batalha3020
Campo Largo do Piauí52083
Esperantina24664
Matias Olímpio00
São João do Arraial00

Fonte: Ministério da Saúde - Dados do dia 23/06/2021

Antonio Soares, de 63 anos, é morador do Quilombo de Sussuarana, zona rural de Piripiri. Ele conta que testou positivo para a Covid-19 no ano passado. “Eu peguei o coronavírus no mês de abril de 2020 e tive a felicidade de não ter tido nenhum problema. Quando eu fui fazer o teste, já estava curado e eu não sabia”, disse o agricultor. Antônio é um dos 400 quilombolas do município que já tomou a primeira dose da vacina. Agora, ele aguarda ansiosamente a dose reforço do imunizante. “Me vacinei com a primeira e estou aguardando com muita expectativa a segunda dose. Estou muito feliz de ter me vacinado, até porque me sinto mais seguro. Não totalmente, mas acho que mesmo após a segunda dose, tenho que ainda ter esse cuidado (de seguir as medidas de segurança sanitária)”, contou. 

Proteja-se

Mesmo após tomar as duas doses da vacina é necessário continuar seguindo os protocolos de segurança. A coordenadora Francieli Fantinato explica que a vacina é segura e eficaz contra o coronavírus, mas ela não impede que a pessoa seja infectada. “As vacinas não têm 100% de eficácia. As vacinas que estão disponíveis no momento têm como objetivo principal reduzir as complicações, as hospitalizações e as mortes pela doença. Então, ela não tem capacidade de prevenir a infecção do novo coronavírus. Mas é importante que todas as pessoas tomem”, alerta.
Segundo o diretor da Associação da Comunidade Quilombola do Marinheiro, em Piripiri, Denilson Santos, alguns quilombolas estão se recusando a tomar a vacina por medo de ter complicações. “Algumas pessoas não aceitaram se vacinar porque eles tiveram medo. Eles dizem que não têm coragem, pois têm medo de morrer. Então, eles não aceitaram”, afirmou. 

De acordo com Francieli, todas as vacinas que estão incorporadas no Programa Nacional de Vacinação (PNI) são seguras. Mas é comum os vacinados apresentarem eventos adversos após a vacinação. “Na maioria das pessoas esses eventos são leves. Os eventos mais comuns observados, em relação à vacina contra a Covid-19, são dor de cabeça, dor no local da aplicação, febre, náuseas, dores no corpo, tosse e até mesmo diarreia. Em caso de eventos adversos pós vacinação, orienta-se que os indivíduos procurem a unidade de saúde para serem acompanhados pelo serviço”, explicou. 

Membros quilombolas que ainda não se vacinaram devem procurar a liderança quilombola ou agentes de saúde do seu município para fazer cadastro e se vacinar. Denilson Santos faz um apelo para que todos os quilombos se imunizem. “A Covid já tem levado muito irmãos nossos. Então, se vacinem contra o Covid-19. Aqui em nosso município algumas pessoas não quiseram se vacinar. Nós estamos conscientizando essas pessoas para que se vacine. Você quilombola que ainda não se vacinou, se vacine, porque é importante”, destacou. 

Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações.

Vacinação no Piauí

A meta do Ministério da Saúde é vacinar até outubro todos os brasileiros maiores de 18 anos. Segundo a Secretaria de Saúde do Piauí, o estado possui 115 comunidades quilombolas situadas em 37 municípios piauienses. A meta do estado é vacinar 25.193 quilombolas. Até o fechamento desta reportagem, 15.547 quilombolas tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e 3.266, a segunda. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o País, acesse gov.br/saude.

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia.

Veja como está a vacinação Quilombola no seu município

SOBRE

Larissa Abreu

Graduada em jornalismo pela Universidade Católica de Brasília. Atuou como repórter na Rádio Nacional de Brasília, veículo de comunicação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Também esteve como repórter na TV Supren, braço de comunicação da ONG União Planetária.

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