Saúde - Covid-19·09 de abril de 2021

Apenas três estados brasileiros têm ocupação de UTI abaixo de 80%

Novo boletim da Fiocruz aponta colapso no sistema de saúde brasileiro. Taxa de letalidade aumentou de 3,3% para 4,2% em abril

Por Laísa Lopes
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O Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 divulgado, nesta terça-feira (6), pela Fiocruz, aponta que ao longo da última semana o Brasil bateu recordes no número de óbitos causados pelo coronavírus. A sobrecarga dos hospitais, principalmente observada pela ocupação de leitos de UTI, se mantém em níveis críticos. 

Dezenove estados e o Distrito Federal se encontram com taxas de ocupação superiores a 90%. São eles: Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul (106%), Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Em contrapartida, entre os dias 29 de março e 5 de abril, cinco estados apresentaram redução nas taxas de ocupação de leitos de UTI adulto no SUS. Roraima (de 62% para 49%), Amapá (de 100% para 91%), Maranhão (de 88% para 80%), Paraíba (de 84% para 77%) e Rio Grande do Sul (de 95% para 90%). Assim, Roraima saiu da zona de alerta intermediário para fora da zona de alerta, e a Paraíba da zona de alerta crítico para a zona de alerta intermediário, juntando-se ao Amazonas (75%). 



Na última pesquisa realizada pela Fiocruz foi observado um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%. A instituição aponta que o resultado pode ser consequência da falta de isolamento social, capacidade de diagnóstico correto e oportunamente aos casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais. No final de 2020, este indicador estava em torno de 2%. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil chegou a marca de 336.947 óbitos em decorrência da doença.

O coordenador do Observatório Fiocruz Covid-19, Carlos Machado, destaca que a abertura de novos leitos é necessária, mas que medidas para evitar o contágio são mais eficientes, pois o país se encontra no limite das equipes que estão na linha de frente há mais de um ano. “É preciso usar as medidas de prevenção que são o fortalecimento da atenção primária para evitar que os casos se agravem, conectados também com a vigilância para o isolamento e quarentena. Tudo isso associado às medidas de bloqueio são fundamentais agora para reduzir a carga sobre os hospitais”, pontua.

A aposentada de 76 anos, Elena Gomes, é uma das tantas brasileiras que aguardam um leito de UTI. Durante tratamento para trombose em um hospital do Distrito Federal, a aposentada contraiu o vírus da Covid-19. Mas, por não haver vaga, teve que se cuidar em casa. Na sexta-feira (2) Elena teve piora nos sintomas e foi encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No domingo (4), a aposentada já necessitava de intubação.

A ocupação de leitos de UTI no Distrito Federal chegou a 99% e, assim como Elena, outros 263 pacientes aguardam uma vaga em leito na capital, de acordo com o painel InfoSaúde. Diante disso, o representante comercial Antônio Carlos Gomes, filho da aposentada, fez um apelo público com faixas próximo a UPA em que a mãe se encontra internada para pedir ajuda. “Ela precisa dessa UTI para ontem. Peço para a UPA me fornecer o relatório médico para entrar com pedido judicial na defensoria pública e eles me tratam com descaso. Estou desesperado, fico o dia inteiro tentando ajuda e não consigo”, diz. 

Além do pedido de socorro, o representante comercial também fez uma homenagem à mãe. “Era aniversário dela e quis fazer algo para minha mãe ainda em vida. Fiquei das 6h às 18h com as placas pedindo ajuda, mas ninguém apareceu.”



O Ministério da Saúde autorizou a reabilitação de 4.418 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto do SUS para assistência às pessoas com infecção pela Covid-19. De acordo com as portarias publicadas pela pasta (472, 478, 499, 501), esses leitos voltam a ter financiamento federal de custeio a partir das competências de fevereiro e de março de 2021. Apenas o estado de São Paulo habilitou leitos de UTI Pediátrico para Covid-19.

Os valores mensais somam quase R$ 212,5 milhões e serão transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) no bloco de custeio aos Fundos de Saúde dos Estados e dos Municípios. Esses valores equivalem ao incentivo financeiro diário de R$ 1,6 mil para cada leito.

Reabertura de hospitais de campanha

Com a alta demanda de pacientes que precisam de tratamento para o coronavírus, estados e municípios optaram por reabrir os hospitais de campanha. O governo do Ceará, por exemplo, já iniciou a montagem no município de Sobral, anexo ao Hospital Regional Norte. 

Serão 60 novos leitos de enfermaria exclusivos para atender pacientes com a Covid-19 e todas as unidades são construídas com recursos do governo cearense. O estado já entregou à população outras unidades de campanha nos municípios de Fortaleza, São José, Sertão Central e Messejana. 

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O governo do Distrito Federal prometeu entregar três novos hospitais de campanha na primeira quinzena de abril. Cada hospital deve ter 100 leitos de UTI para infectados com a Covid-19 em estado grave.

Na semana passada, a Secretaria de Saúde do DF publicou o edital para contratação emergencial da empresa que vai gerir os novos hospitais de campanha. Caberá à contratada oferecer serviços de gestão integrada de leitos hospitalares, com suporte ventilatório pulmonar e terapia renal substitutiva beira-leito.

Para implantar uma unidade de saúde temporária o município deve observar alguns critérios elencados na Portaria 1.514/2020, como buscar outras estratégias para ampliação da oferta de leitos; priorizar a estruturação e ampliação dos leitos clínicos e de UTIs, exclusivos para pacientes da Covid-19, em unidades permanentes e já existentes; considerar a contratação de leitos clínicos e de UTI na rede de saúde privada, entre outros. 

O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire, acredita que a mobilização dos municípios pode diminuir os casos da Covid-19. “Esperamos que os estados e cidades que tiveram o maior cuidado nesse momento em proteger e aplicar as medidas restritivas, principalmente as de isolamento social, tenham uma virada positiva no mês de abril.”

Hospitais em 35 dias

Para que o processo de construção de hospitais de campanha seja mais ágil, prefeituras estão investindo em empresas privadas que entregam a obra em 35 dias. A startup Brasil ao Cubo trabalha com essa agilidade e já construiu hospitais em tempo recorde no Distrito Federal, São José dos Campos, Porto Alegre, São Paulo e Rondônia.

O Hospital de Retaguarda em São José dos Campos, por exemplo, teve um custo de R$12,9 milhões, sendo 4,5 milhões da prefeitura do município e o restante de empresas parceiras. Inicialmente foi construído para auxiliar no enfrentamento da pandemia e, futuramente, vai se tornar Pronto Socorro do Hospital Municipal. 

A ideia da empresa é elevar a capacidade de produção para auxiliar nesse período que o país enfrenta e que as estruturas montadas possam ser usadas pela população no pós-covid.

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SOBRE

Laísa Lopes

Repórter com atuação em rádio, TV e assessoria de imprensa. Trabalhou no portal Metrópoles, na Rádio Senado e na assessoria de comunicação da Polícia Federal. Além disso, fez parte da equipe do programa Ricardo Noronha Show, da TV Brasília.

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