Saúde - Covid-19·29 de março de 2021

Punir ou conscientizar? O que a sociedade deve obedecer durante o isolamento

Apesar de diversos decretos e medidas que geram penalidades, nem sempre a imposição causa mobilização

Por Laísa Lopes
Ouvir · 00:00:30

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

As medidas de lockdown e toque de recolher vêm sendo usadas de forma mais incisiva por estados e municípios na tentativa de diminuir a propagação da Covid-19. Apesar de diversos decretos e medidas que geram penalidades, nem sempre a imposição causa mobilização na sociedade. 

O uso de campanhas nas cidades, empresas privadas e meios de comunicação também são comuns, mas nem sempre essas iniciativas causam sensibilização e as aglomerações continuam. O Brasil ultrapassou a marca de 300 mil mortes por coronavírus, de acordo com o Ministério da Saúde. 

O psiquiatra Luan Diego Marques, explica que a obediência às regras é relativa a cada indivíduo de acordo com experiências de vida e o quão cercado por agentes motivadores a pessoa está. “Se o indivíduo é cercado por pessoas que apoiam o isolamento, seja de esfera familiar, amigos ou até políticas públicas, ele se sentirá integrado. Nossos comportamentos são influenciados, muitas vezes, por fatores externos”, diz. 

Lockdown e toque de recolher: inconstitucional ou não?

Bolsonaro anuncia criação de comitê contra pandemia

Medicações para intubação estão em falta e nova crise preocupa saúde

O lockdown e toque de recolher foi adotado por alguns estados, e a não obediência pode gerar multa de R$2 mil reais, como é o caso do Distrito Federal. O especialista aponta ainda que medidas punitivas têm efeito frágil no comportamento humano, pois se a penalidade tem um valor baixo ou não possui fiscalização, a tendência é o não cumprimento do isolamento. “Tentar mostrar para o indivíduo a importância do isolamento, não apenas por ele, mas pela vida de outros, é o caminho mais saudável para que ele consiga cumprir as regras sem burlar o sistema e se auto boicotar.”

Alguns estados e municípios apostam em campanhas com maior cunho de sensibilização, como foi o caso de Amarante (PI). A prefeitura da cidade piauiense criou a campanha “Amarante em ação: todos contra a Covid-19”, que consistiu em espalhar cerca de 60 profissionais da saúde em pontos estratégicos da cidade orientando a população por meio de panfletos e faixas, que enfatizaram os riscos do vírus.

Também foram distribuídas máscaras de proteção e o próximo passo da campanha é intensificar por meio das emissoras de rádio, para que as orientações cheguem até a população da zona rural. 
Ao contrário de Amarante (PI), a capital federal optou por campanha com imagens reais de pacientes intubados e em leitos de UTI para mostrar a gravidade da doença. O governo do Distrito Federal afirma que o objetivo é mostrar a “verdade nua e crua” do problema quando as recomendações de segurança não são levadas a sério. 

O consultor jurídico da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Ricardo Hermany, afirma que para obter uma conscientização da população é necessário campanhas de educação sanitária que envolvam uma coordenação nacional. “A criação do comitê nacional de enfrentamento a Covid-19 é algo importante e vai auxiliar, porque tem município que faz medidas restritivas de isolamento e outros não.”
Hermany reitera ainda que a CNM orienta os gestores locais sobre as competências e atribuições em relação às medidas de restrição, mas que todas precisam estar documentadas e alicerçadas em parecer técnico e médico. 

O lockdown é a versão mais rígida do distanciamento social que consiste em restringir a circulação da população em lugares públicos, permitindo apenas, e de forma limitada, para questões essenciais, como ir a farmácias, supermercados ou hospitais. Toque de recolher é quando o cidadão precisa se manter dentro de casa por um determinado horário. 

A docente do curso de saúde coletiva da Universidade de Brasília (UnB), Carla Pintas, afirma que a população precisa ser orientada de forma mais incisiva pelos gestores de cada cidade para compreender melhor a necessidade de se manter isolado.

O psiquiatra Luan Diego Marques, analisa que faz parte da cultura brasileira manter contato físico, fazendo com que dificulte ainda mais o isolamento social. Por outro lado, a saúde mental costuma ser afetada diante de um longo período dentro de casa. “O contato sempre foi uma ferramenta de melhorar o bem estar emocional, como ver a família, sair com os amigos e etc.”

A estudante de letras inglês Ingryd Duarte, conta que o isolamento social afetou a saúde mental, agravando sintomas de ansiedade e depressão. “Minhas aulas pararam e me senti ociosa. Viver sem previsão de quando as coisas normalizam me deixam pior. Com o tempo, para me sentir bem, comecei a fazer terapia online e a praticar exercícios físicos dentro de casa”, disse a estudante.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Laísa Lopes

Repórter com atuação em rádio, TV e assessoria de imprensa. Trabalhou no portal Metrópoles, na Rádio Senado e na assessoria de comunicação da Polícia Federal. Além disso, fez parte da equipe do programa Ricardo Noronha Show, da TV Brasília.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Covid-19

Ver editoria completa
Gripe14 de outubro de 2026

Fiocruz alerta para crescimento de casos graves de síndrome respiratória em AL, RR e SE

Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz no último dia 8, aponta os três estados com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco e sinal de crescimento na tendência de seis semanas; aumento é puxado por crianças e adolescentes

Gripe25 de julho de 2026

Hospitalizações por vírus respiratórios apresentam queda na maior parte do Brasil, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz indica redução de casos graves associados ao VSR e às influenzas A e B, mas alerta para a necessidade de vacinação e manutenção dos cuidados preventivos

Gripe19 de julho de 2026

Casos de VSR apresentam queda no país, mas permanecem elevados em diversos estados, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz mostra redução das internações por vírus sincicial respiratório, enquanto influenza A também perde força entre adultos e idosos

t-page