Saúde - Covid-19·25 de junho de 2021

Vacinação contra Covid-19 reduz número de internações e mortes de quilombolas em Guamá

Liderança quilombola convoca comunidades para serem vacinadas. Em São Miguel do Guamá, mais de um terço da população já foi imunizada

Por Janary Bastos Damacena
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A vacinação é uma das principais formas de prevenir a Covid-19 e de manter preservadas as comunidades quilombolas, diminuindo a quantidade de pessoas com sintomas, casos graves e óbitos pela doença. Por isso, o governo federal está empenhado nas ações do plano de enfrentamento da pandemia de Covid-19 para as populações dessas comunidades.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica a importância da vacina nos grupos prioritários. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito.”

A microrregião quilombola do Guamá possui mais de 15 mil pessoas e está distribuída por dez municípios do Pará: São Miguel do Guamá, Capitão Poço, Viseu, Irituia, Cachoeira do Piriá, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim, Garrafão do Norte, Ourém e Aurora do Pará. Destes, o que concentra a maior parte dessa população é São Miguel do Guamá, com quase três mil quilombolas. 



No município, segundo dados do Ministério da Saúde, até o momento, foram mais de 600 quilombolas vacinados na região. Com a realização de uma estratégia de vacinação diferenciada entre a população da cidade, os quilombos e comunidades ribeirinhas, para otimizar o trabalho dos agentes de saúde e conseguir melhores resultados no quantitativo de pessoas protegidas da doença.

“Nós marcamos dias específicos e avisamos com antecedência nas comunidades quilombolas para, depois, os agentes irem até o local realizar a imunização. Além disso, disponibilizamos locais na cidade onde essa população poderia comparecer para receber a vacina, tanto em unidades como em drive-thru, independente da faixa etária”, destacou o prefeito do município, Eduardo Pio X.

Além disso, a prefeitura está realizando uma campanha de divulgação da vacina para incentivar as pessoas e desmistificar as notícias falsas que circulam. Isso inclui um contato de Whatsapp (91) 98598-2322, pelo qual toda população pode tirar dúvidas ou buscar informações. 

De acordo com o prefeito Eduardo Pio X, os benefícios e a importância da vacinação já podem ser mensurados em números. “Algo fantástico que nós temos presenciado é que quanto mais avançamos na vacinação, melhores são os números no hospital municipal. Nós tivemos uma queda acentuada no número de pessoas internadas e no número de óbitos. Aqui no município de São Miguel do Guamá estamos completando 60 dias sem óbitos e isso é um reflexo da vacinação”, comemorou.  

Apesar disso, 10% da população quilombola está com medo da vacina e não procura as unidades para se proteger e nem permite que as equipes apliquem o imunizante. E quem fala mais sobre esse assunto é Iraci Nascimento dos Santos, uma liderança entre a comunidade quilombola por toda a microrregião do Guamá, e atualmente coordenador regional das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará – MALUNGU. 

De acordo com Iraci, a vacina tem sido bem aceita pela maior parte dos quilombolas, mas a religião adotada por algumas comunidades tem influenciado uma parcela pequena dessa população, com o objetivo de evitar a vacina contra a Covid-19. “Percebemos que em algumas comunidades quilombolas a religião interfere. São algumas informações que levam as pessoas a não querer se vacinar, a ter receio, mas isso é uma quantidade bem pequena”, afirmou. 

Sabendo da importância da vacinação contra a Covid-19, e os resultados obtidos com a proteção da população de forma geral, Iraci Santos faz um apelo para que os quilombolas aceitem a vacinação e compareçam às unidades de saúde. “Procurem se vacinar, porque as nossas comunidades e nosso povo têm uma chance maior de contrair o vírus e evoluir para o caso mais grave. A nossa oportunidade de lutar e combater esse vírus é receber a vacina”, convocou. 



Prevenção contra a Covid-19

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a doença, mas hábitos saudáveis também são importantes para se manter bem longe da Covid-19:

  • Lave as mãos constantemente com água e sabão;
  • Se você estiver em um local onde não é possível lavar as mãos, pode usar um álcool em gel para fazer a higienização – é preciso ser álcool 70%;
  • Evite ficar em lugares fechados com muitas pessoas;           
  • Mantenha uma distância de, pelo menos, um metro e meio de outras pessoas quando estiver fora de casa;
  • Sempre que sair, use a máscara;
  • Não toque nos olhos, no nariz ou na boca.

É importante lembrar que, ao sentir qualquer sintoma da doença, procure uma unidade de saúde mais próxima da sua comunidade, para evitar transmitir a doença, e receber atendimento médico imediato – o que pode ajudar a reduzir a forma grave da Covid-19. 

Importância dos agentes comunitários 

Para que esse trabalho de vacinação pelas comunidades quilombolas seja realizado de forma mais rápida e segura, é importante ainda entender o papel dos agentes comunitários de saúde e as equipes de Saúde da Família – que são fundamentais no cuidado à saúde e, também, podem tirar dúvidas sobre a vacinação.

Mais conhecidos pela sigla ACS, os agentes comunitários de saúde têm o papel de realizar a prevenção em âmbito familiar, indo de casa em casa de uma determinada comunidade – e que geralmente é onde o próprio agente mora. O papel exercido por esses profissionais é a ligação entre os domicílios, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a comunidade. O agente também atua em espaços comunitários, com objetivo de esclarecer a população e ajudar na prevenção de doenças e a saúde, desenvolvendo, junto à sociedade, ações empreendedoras.

Entre os esforços dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) estão:

  • Cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros atualizados;
  • Acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas as famílias e indivíduos sob sua responsabilidade. As visitas deverão ser programadas em conjunto com a equipe, considerando os critérios de risco e vulnerabilidade de modo que famílias com maior necessidade sejam visitadas mais vezes, mantendo como referência a média de uma visita/família/mês;
  • Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e agravos e de vigilância à saúde, por meio de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade, por exemplo, combate à dengue, malária, leishmaniose, entre outras, mantendo a equipe informada, principalmente a respeito das situações de risco;

Plano de enfrentamento da pandemia da Covid-19 para as populações quilombolas 

O governo federal lançou, agora em maio, um painel interativo para que a população possa acompanhar a execução das ações relativas ao plano.  O plano tem objetivo de beneficiar mais de 1,4 milhão de quilombolas em todo o país com ações de segurança alimentar e de saúde. Os dados da plataforma são referentes às iniciativas realizadas em 2021 e estão divididos em seis grupos:

  • Execução do plano
  • Cestas Alimentares
  • Merenda Escolar
  • Auxílio Emergencial
  • Vacinação contra Covid-19
  • Comunidades Certificadas

Para mais informações sobre a vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude.

Veja como está a vacinação Quilombola no seu município

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SOBRE

Janary Bastos Damacena

Com formação em jornalismo e pós-graduação em linguística, Janary Damacena se especializou em Narratologia e no Storytelling para reportar notícias. Com participação em redações de jornais impressos, revistas, rádios, televisão e assessorias de imprensa; alguns de seus trabalhos mais marcantes foram realizados em lugares como a Agência do Rádio Brasileiro, Rádio Nacional, Jornal de Brasília, Agência Rádio Web, Jornal Tribuna do Brasil, TV Educativa, Presidência da República, Ministério da Saúde, Revista Plano Brasília, Agência Gralha Comunicação e Vídeo e Organização das Nações Unidas (ONU).

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