Agronegócios - Agronegócio·10 de fevereiro de 2023

Produção de grãos em 2023 deve atingir recorde de 302 milhões de toneladas

Após quebra de safra em 2022, IBGE aponta produção recorde para soja e milho

Por Evelin Mendes
Ouvir · 00:03:38

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar o recorde de 302 milhões de toneladas, segundo estimativa do Levantamento Sistemático de Produção Agrícola de janeiro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  A previsão é 14,7% maior que a safra obtida em 2022 de 263,2 milhões de toneladas e 1,9% acima das 5,7 milhões de toneladas da estimativa de dezembro para a safra de 2023. A expectativa é de recorde nas produções de soja e milho. A soja, principal commodity do país, deve crescer 23,4% em relação a 2022, atingindo mais de 147,5 milhões de toneladas. Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE, avalia os fatores que influenciam a alta.

“Esse crescimento se deve, principalmente, ao aumento de 18% na produtividade e de 4,6% na área a ser colhida, mas o percentual maior que está realmente influenciando esse aumento da soja é a recuperação da produtividade da lavoura, que em 2022 foi muito afetada pela seca na região sul. Esse ano, ainda temos problemas climáticos no Sul,  a estiagem, mas está mais restrito ao estado do Rio Grande do Sul”, explica. 

Para a safra total de milho a estimativa é de 122,5 milhões de toneladas, alta de 11,2% em relação a 2022. “Do mesmo jeito que a seca afetou a soja, também afetou o milho primeira safra. Então a melhoria nas condições climáticas estão ajudando na recuperação da produção total de milho”, destaca Carlos Alfredo Guedes.

Outro destaque é o café. A produção aumentou 5,7% em relação a 2022. Considerando as duas espécies - arábica e canephora - a produção somou mais de 55 milhões de sacas de 60 quilos. Com isso, a estimativa para o café arábica é de um crescimento de 13,7%, apesar de 2023 ser um ano de bienalidade negativa. 

“Em 2022, tivemos uma bienalidade positiva, mas as lavouras sofreram devido aos problemas climáticos. Por isso, tivemos um crescimento de 5,9%, bem abaixo do esperado. Porém, de 2022 pra cá, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras,  principalmente a produção de café em Minas Gerais, praticamente 70% da nossa produção se concentra neste estado, por isso a gente está tendo essa inversão da bienalidade”, explica o gerente. 

Por outro lado, os dados do levantamento destacam que é esperada uma queda anual de 3,6% na produção de arroz, para 10,3 milhões de toneladas. O produtor de arroz Marco Antônio Tavares explica que o resultado é reflexo principalmente da redução significativa de área e menor atratividade financeira do setor orizícola (cultura de arroz) em relação às culturas como soja e milho. “A falta de estímulo devido aos preços baixos praticamente não deram rentabilidade ao produtor. Os dados mostram que realmente teremos uma safra menor, com baixa oferta do cereal no mercado e queda nos estoques. A gente tem ainda uma expectativa de uma quebra maior na produção de arroz, em especial no Rio Grande do Sul, devido à falta de chuvas”, afirma Tavares.

O Instituto avalia que apesar da queda nas safras de arroz e feijão,  a produção deve ser suficiente para abastecer o consumo interno. Ao todo, arroz, milho e soja, os três principais produtos da safra, representam 92,9% da estimativa de produção de grãos no ano e respondem por 87,5% da área a ser colhida

Mato Grosso lidera produção de grãos

O levantamento destaca ainda alta nas estimativas de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou alta nas cinco regiões em comparação com 2022, destaque para o Sul (38,6%), Centro-Oeste (8,65%) e Norte (11,1%). O Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 29,3%, seguido pelo Paraná com 14,9% e Rio Grande do Sul com 13%. Completam a lista: Goiás (9,2%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,8%). Somados, os seis estados representam 80,3% do total da produção do país. 

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Evelin Mendes

Brasiliense, formada pela Universidade Católica de Brasília. Passou pelas redações do Correio Braziliense, Globo, Band e CNN. Sempre na cobertura política e do Agro.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Agronegócio

Ver editoria completa
Agronegócios14 de outubro de 2026

El Niño: agro da Região Centro-Oeste deve antecipar medidas para reduzir efeitos da seca

Em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal a previsão é de secas severas, atraso no início das chuvas e ondas de calor; já Mato Grosso do Sul deve ter precipitações acima da média histórica na primavera

Soja30 de setembro de 2026

Soja recua no Paraná e em Paranaguá nesta quarta-feira (30)

Saca de 60 quilos é negociada a R$ 153,90 no Paraná e a R$ 161,27 em Paranaguá; trigo sobe nos dois estados

Agronegócio28 de setembro de 2026

Recuperações judiciais no agro brasileiro sobem 56% e secretário de São Paulo cobra previsibilidade para o setor

Em evento na ACSP, Geraldo Melo Filho apresentou os números do agronegócio paulista e comparou as ações estaduais de apoio ao setor com a redução de recursos federais para crédito e seguro rural

t-page