Brasil - IBGE·23 de julho de 2022

População brasileira está mais velha: número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 41% nos últimos dez anos

Dados do IBGE evidenciam que mais de 10% da população é formada por idosos. Segundo especialista, além da tendência natural, a falta de emprego e a fome são fatores para uma menor natalidade

Por Luciano Marques
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A população brasileira está mais velha. A constatação veio com os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa sexta-feira (22), que mostram um crescimento superior a 41% das pessoas com 65 anos ou mais no país. Na última década, a população geral cresceu 7,6%, mas o número de brasileiros abaixo dos 30 anos caiu 5,4%. No ano passado, o número de idosos superou os 10%.

O levantamento do IBGE mostra que a população do Brasil alcançou a marca de 212,5 milhões em 2021, sendo que 21,6 delas têm mais de 65 anos. No início da série histórica da pesquisa, em 2012, o país tinha 197,7 milhões de habitantes e 15,2 milhões de idosos. No mesmo período, se contarmos os maiores de 60 anos, o salto foi de 39,8%: o grupo dessa faixa etária passou de 22,3 milhões para 31,2 milhões.

Aldo Paviani, pesquisador e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) do Departamento de Geografia, explica que esse envelhecimento da população é uma tendência mundial, principalmente porque muitos casais, nas últimas décadas, preferem conter a natalidade. Segundo ele, algumas nações já estão preocupadas com a questão, principalmente no que diz respeito à escassez de mão de obra no futuro, mas que o Brasil ainda tem lastro.

“A China teve que estimular a população a ter mais que um filho. Antes era proibido ter dois filhos, agora, é admitido ter dois filhos ou mais. Na China, que é um país que está tendo grande importância internacional, sobretudo no comércio e na indústria, está se prevendo faltar mão de obra. Certos países vão ter de estimular os casais a terem mais do que dois filhos. No Brasil, a tendência é de uma certa folga ainda”, destaca.

Aldo também ressalta que a falta de emprego que assola o país nos últimos anos é um dos fatores da diminuição da natalidade e que essa é uma questão que deve ser levada em conta para planos futuros. “É preciso ter uma melhoria nas condições econômicas, porque o desemprego é um dos maiores desestímulos para a geração de filhos. Num país com milhões passando fome, o que se vai observar é uma procriação ainda menor e um índice ainda maior de envelhecimento, o que deve ser comprovado nos próximos dez anos.”

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Garantias para o futuro

Como a tendência é que a população brasileira envelheça ainda mais nos próximos anos, questionamentos como saúde e aposentadoria ganham ainda mais destaque na pauta. Segundo o pesquisador, a preocupação com a saúde dessa faixa etária não deve ser grande graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), “um dos melhores programas de saúde pública do mundo”. Já a questão da aposentadoria não depende da natalidade, mas, sim, da manutenção do mercado de trabalho. Ele explica que o governo precisa atentar cada vez mais para o ensino técnico, a fim de preparar melhor os jovens e diminuir o desemprego – o que consequentemente melhora a solidez do sistema de aposentadoria do país.

“O que precisa se fazer no Brasil é abrir mais escolas preparatórias de uma indústria efetiva que está rumando para a informática, para modelos diferentes do que eram nos anos 1950 e 1960. Tem de ter mão de obra preparada para um futuro em que a população precisa ter habilidades diversas, do que era há 30, 40 ou 50 anos atrás”, destaca Aldo.

Mais pessoas pretas e pardas na população

De acordo com os dados levantados na última década, a participação da população que se declara branca caiu de 46,3% para 43%, ao passo em que houve crescimento da participação das pessoas autodeclaradas pretas (de 7,4% para 9,1%) e pardas (de 45,6% para 47,0%).

Segundo o IBGE, entre 2012 e 2021 a população preta do país cresceu 32,4% e a parda, 10,8%, ou seja, em ambos os casos o crescimento foi maior em relação ao aumento geral da população (7,6%).

A maior concentração de brasileiros que se declaram pretos está no Nordeste, com 11,4%, seguido por Sudeste (9,6%) e Centro-Oeste (8,7%). Já as regiões que mais concentravam a população parda foram Norte (73,4%), Nordeste (63,1%) e Centro-Oeste (55,8%).

Mulheres são maioria

Em relação ao número superior de mulheres no país, a situação é similar à verificada em 2012. No ano passado, as mulheres representavam 51,1% da população, totalizando 108,7 milhões. Os homens respondem por 48,9%, ou 103,9 milhões. A relação é de 95,6 homens para cada 100 mulheres residentes no país.

Quando o recorte é feito por regiões, aí sim, há diferenças. O Norte é a única região em que há mais homens: 102,3 para cada 100 mulheres. No Nordeste, por exemplo, a diferença em relação às mulheres é mais acentuada: são 93,9 homens para cada 100 mulheres.

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SOBRE

Luciano Marques

Jornalista há 20 anos, com experiência em diversas mídias, passando por rádio e a TV, mas, mais especificamente, nos principais jornais impressos da capital, Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Além disso, exerceu a profissão em importantes órgãos, como Ministério da Educação, Procuradoria Geral da República, Ministério da Saúde, Banco Central e Ministério do Meio Ambiente. Em todos eles, desempenhou as funções de redação, edição, revisão de textos, fotojornalismo, assessoria, entre outros.

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