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LOC.: O governo federal vai disponibilizar 14 bilhões de reais em linhas de crédito para investimentos em máquinas e implementos agrícolas por meio do Programa Move Agricultura.
O anúncio oficial está previsto para a próxima segunda-feira (8), durante a Bahia Farm Show, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, mas foi antecipado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, nesta terça-feira (2), durante a reunião aberta na sede da Associação Comercial de São Paulo, a ACSP.
TEC./SONORA: André de Paula, ministro da Agricultura e Pecuária
“O presidente Lula vai anunciar formalmente as bases do Programa Move Agricultura. Não serão R$ 10 bilhões, serão 14 bilhões disponibilizados, com juros de 8,5% — para operações realizadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) — e 9,5% para os outros 42 bancos credenciados.”
LOC.: Durante o debate, representantes do setor produtivo alertaram que o principal problema não é apenas o volume de recursos disponíveis, mas as dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar o crédito.
O presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Rio Verde, Goiás, José Carlos Cintra, que também é produtor rural, relatou que tem observado nas principais feiras agropecuárias do país um cenário de escassez de crédito e juros elevados.
TEC./SONORA: José Carlos Cintra, presidente da ACIRV
“Os recursos serão disponibilizados, mas hoje o produtor rural não está conseguindo acessar esse crédito. Hoje os bancos estão muito restritivos, com muitas exigências. Teremos recursos, mas muitos produtores não terão acesso a esse crédito.”
LOC.: André de Paula concordou com o diagnóstico e atribuiu parte das dificuldades de acesso ao crédito à falta de instrumentos de mitigação de risco, como o seguro rural.
O coordenador do Conselho do Agronegócio da ACSP, Cesário Ramalho, destacou que o maior problema do agro brasileiro não é a dívida do setor, mas a defasagem do seguro rural.
Segundo o ministro da Agricultura, tanto o seguro rural quanto o endividamento dos produtores são questões centrais para o governo e, inclusive, temas de projetos legislativos em tramitação no Congresso Nacional.
Apesar disso, ele admitiu que os avanços ainda são inferiores às necessidades do setor e disse que a pasta tem defendido essas pautas nas negociações internas do governo.
O evento também marcou a assinatura de um termo de cooperação institucional entre a ACSP e a Sociedade Rural Brasileira, com objetivo de fortalecer a atuação conjunta em temas estratégicos para o agronegócio e para o setor produtivo nacional.
O presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, afirmou que a iniciativa reforça a organização da sociedade civil em torno das demandas do campo.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP
“[Queremos mostrar] que a sociedade civil está cada vez mais organizada para que, junto com o governo, possa discutir as demandas, fortalecer as ações e melhorar cada vez mais as atividades do agronegócio no Brasil.”
LOC.: Já o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Sérgio Bortolozzo, também ressaltou a trajetória histórica das duas instituições e a importância da união entre entidades representativas do setor.
Reportagem, Paloma Custódio