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TERMO DE USO E PARCERIA

TERMO DE USO E PARCERIA

1º - A utilização gratuita e livre dos materiais produzidos pelo Brasil 61 só será permitida depois que este termo de parceria for aceito pelo usuário, prevendo as seguintes regras:

a) A utilização do material - na íntegra, ou em partes - só será permitida desde que as informações não sejam distorcidas, manipuladas ou alteradas.

b) Não é necessário a identificação do Brasil 61 na hora da replicação do conteúdo. Mas toda e qualquer veiculação de áudios produzidos pelo Brasil 61 prevê o cadastro no site, com a disponibilização de dados que serão utilizados para a organização do mailing desta empresa,

2º - OBRIGAÇÕES DO BRASIL 61

a) O Brasil 61 se compromete, a partir deste termo de uso, a produzir conteúdo particularizado diariamente, trazendo informações de dia-a-dia e bastidores do Planalto Central, além de outras temáticas de relevância do noticiário nacional. 

b) O acesso ao conteúdo jornalístico (na versão de leitura) é livre e gratuito, podendo ser replicado por qualquer usuário que acesse o site. O download do áudio para que seja utilizado na programação das rádios requer que o usuário realize o login no site do Brasil 61 - informando e-mail e senha cadastrados. 

3º - OBRIGAÇÕES DOS COMUNICADORES PARCEIROS

Não alterar o sentido dos materiais, ou distorcer fala de entrevistados ou mudar a conotação das mensagens dos materiais. 

ADENDOS IMPORTANTES SOBRE A PARCERIA

a) O Brasil 61 poderá distribuir conteúdo patrocinado com ou sem assinatura dos clientes patrocinadores do boletim e sem aviso prévio ao comunicador. 

b) As rádios parceiras não vão ter participação financeira sobre o faturamento do Brasil 61.

c) Os comunicadores podem patrocinar os conteúdos do Brasil 61, desde que não alterem o sentido e a conotação dos conteúdos oferecidos. Nesses casos, o Brasil 61 não terá participação nos lucros conquistados pelos veículos parceiros. 

Ao clicar em ACEITO, a emissora aqui cadastrada afirma concordar e estar ciente de todas as condições apresentadas neste Termo de Utilização de Conteúdo.

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 Última atualização: 24 de dezembro de 2020 

Foto: Raoni Libório/ UNICEF
Foto: Raoni Libório/ UNICEF

Hábitos alimentares de crianças e adolescentes foram alterados na pandemia, segundo pesquisa

De acordo com dados do Ibope e do UNICEF, 54% dos entrevistados admitiram ter mudado a alimentação nesse período; pesquisa mostra aumento no consumo de alimentos industrializados


Um dos legados deixados pela pandemia do novo coronavírus na vida dos brasileiros foi a mudança dos hábitos alimentares. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), realizada pelo Ibope Inteligência, mostra que 54% dos entrevistados relataram alterações nesse quesito desde o início da pandemia. 

Para Taynara Ayres, 32 anos, a mudança foi positiva. Ela conta que era fã de restaurantes fast food e que a frequência com que pedia esse tipo de comida era grande. “Minha alimentação era muito desregrada, eu não tinha um padrão de horário e nem me alimentava bem. Comia muito fast food, sempre gostei, mas hoje como uma vez a cada dois meses, porque realmente gosto, mas não faz mais parte da minha dieta.” 

Taynara afirma que inseriu mais frutas e saladas na alimentação e que tem até se exercitado mais. De acordo com a pesquisa do UNICEF/Ibope, intitulada “Impactos primários e secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, Taynara está na contramão dos dados, que mostram que o consumo de alimentos industrializados aumentou 29% até novembro. Os alimentos preparados em restaurantes fast food também estiveram presentes em 16% dos lares brasileiros em julho, pulando para 21% em novembro.  

Nas casas com crianças e adolescentes de até 17 anos, os dados são ainda mais alarmantes. Durante a pandemia, 36% dos entrevistados residentes com crianças e adolescentes relataram aumento do consumo de industrializados. Além disso, 29% dos entrevistados perceberam aumento no consumo de refrigerantes e bebidas com açúcar, chegando a 34% nas famílias com crianças.

É o caso de Deborah Souza, 34 anos. Mãe da pequena Alice, de 6 anos, a jornalista conta que houve uma “inversão” na dinâmica da casa em relação à alimentação. Diabética, Deborah relata que tinha uma alimentação bagunçada antes da pandemia, chegando a pular refeições por conta da correria do dia a dia. “Por ser diabética, isso afetava minha saúde”, lembra.  

Agora, trabalhando de casa, ela conta que a alimentação dela melhorou, mas admite que a da filha nem tanto. 

“Sempre tive muita preocupação em relação à alimentação da minha filha. Antes da pandemia, nossa rotina era bem intensa, mas eu conseguia organizar os horários das refeições dela e balancear o máximo possível. Com a pandemia, eu percebi que surgiram dois novos cenários aqui em casa, porque considero que a qualidade da alimentação da minha filha piorou. Apesar de ela comer frutas e verduras diariamente, ela passou a consumir mais industrializados, como biscoitos, sorvete e salgadinhos. E a minha alimentação melhorou. Passei a cozinhar mais e agora tenho uma rotina”, observa Deborah. 

A psicóloga infantil Mariana Dias explica que a ansiedade gerada pela necessidade do isolamento social, em meio à doença que já matou mais de 200 mil pessoas só no Brasil, pode ter aumentado a vontade de consumir alimentos industrializados ou ultraprocessados em crianças e adolescentes.

“Esse é um motivo que tem aparecido muito no consultório em função do momento. Por mais que algumas crianças relatem que estão gostando de ficar em casa, elas têm passado muito tempo na frente de eletrônicos – as aulas são pelo computador, os jogos, a socialização – e essa parte é geradora de ansiedade. O alimento industrializado, além de ser mais gostoso ao paladar das crianças, é mais rápido, mais acessível. Em vez de fazer um sanduíche natural, é mais fácil pegar um pacote de salgadinho”, pontua. 

Alimentação nos primeiros anos de vida é decisiva para a formação de hábitos alimentares, crescimento e desenvolvimento da criança

Insegurança alimentar atinge 12% das famílias do Nordeste

Mudança 

A professora do departamento de nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Paula Horta explica o que pode estar por trás dessa mudança nos hábitos alimentares. Para ela, a nova rotina nos lares pode ter contribuído para esse novo contexto. 

“O primeiro ponto a ser destacado é a dinâmica de home office e dos serviços da casa, o que mudou completamente. O tempo hoje para cozinhar está reduzido e muitas pessoas nunca cozinharam, nunca tiveram essa função dentro de casa. De repente, isso passa a ser uma realidade junto com os serviços domésticos, de cuidar das crianças, enfim. Isso impacta por si só numa mudança na oferta de alimentos”, avalia a docente. 

Outro fator determinante, ainda de acordo com a docente da UFMG, é a rotina de ir às compras, seja em um supermercado ou em uma feira livre na cidade. “As pessoas têm ido com menor frequência ou por menos tempo a esses lugares por questões de segurança. E certos alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes e hortaliças, precisam ser comprados com uma frequência maior e as pessoas estão comprando menos por conta da pandemia. Por isso, a gente tem uma menor incidência desses alimentos nos cardápios das famílias”, avisa. 

Publicidade infantil 

Monica Pessoa de Oliveira, de 32 anos, é moradora de Canaã dos Carajás, no interior do Pará. Segundo a empresária, a alimentação no início da pandemia foi mais difícil para ela e para a família. Ela, o marido e as duas filhas – uma de 6 e outra de 12 anos – passavam boa parte na frente da televisão. “Não tinha muito o que fazer. Era só assistir à TV, comer e aí batia aquela ansiedade”, relembra. 

Com a abertura do comércio, ainda que mais restrita, Monica diz que a alimentação melhorou.  “Elas [filhas] não são muito de comer besteira, mas ainda comem salgadinhos que já conhecem.” 

Frutas e verduras nem sempre estão no cardápio das refeições da família. “Nem todos gostam. Claro que é muito importante para a saúde, mas a gente não é de ter esse hábito de comer tudo certinho e regrado. Meu esposo não é fã de salada e fruta, assim como minha filha mais nova. Eu já como mais salada e minha filha mais velha também. Ela come o que tiver na mesa, mas também come mais doce.” 

Sobre salgadinhos e doces, que são mais frequentes na casa de Monica, Paula Horta destaca que a exposição das crianças e adolescentes à publicidade infantil também pode incentivar o consumo desse tipo de alimento não saudável. 

“Se elas não estão nas aulas virtuais ou em alguma outra atividade desse tipo, elas estão sendo expostas, na maior parte das vezes, à publicidade de alimentos nos meios de comunicação. E aí a gente já tem evidências muito interessantes que mostram como que esses meios de comunicação contemplam na maior parte do tempo os ultraprocessados. E essa publicidade vem acompanhada de estratégias de marketing altamente persuasivas para crianças, com uso de elementos do universo infantil, celebridades, personagens que elas conhecem bastante de filmes, desenhos. Isso tudo está relacionado a um maior desejo por esses alimentos que são anunciados”, lamenta a docente da UFMG. 

A chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque, defende uma intervenção mais dura do Estado em relação a essas propagandas. “É muito difícil, é uma competição de política pública de saúde contra os bilhões que são investidos pela indústria, principalmente nos alimentos ultraprocessados. E cada vez isso cresce mais, o País definitivamente precisa dar um basta nisso, estabelecer regras mais rígidas e informar melhor a população”, enfatiza. 

Na opinião dela, “as grandes indústrias de alimentos são extremamente competentes, com embalagem atrativa para criança, recheios de biscoitos recheados escorrendo chocolate, muitas cores. Eles são profissionais. Então fica difícil, é preciso uma intervenção do Estado, de limitar, de uma vez por todas, essas propagandas abusivas de alimentos não saudáveis voltadas para crianças e adolescentes. E isso a gente vê que ainda está muito devagar.”

Cristina ressalta que, no ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo modelo de rotulagem nutricional de alimentos embalados. De acordo com a autarquia, a medida visa dar mais clareza e melhorar a legibilidade das informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos, auxiliando o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes. 

“Dessa forma, as famílias vão poder ver o que estão consumindo, se o alimento tem muito açúcar, se tem muito sal, se a gordura do alimento é ruim. E aí, com essas informações, as famílias podem fazer suas escolhas. A família tem o direito de saber o que está comendo”, frisa. 

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LOC: Um dos legados deixados pela pandemia do novo coronavírus na vida dos brasileiros foi a mudança dos hábitos alimentares.  Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), realizada pelo Ibope Inteligência em novembro, mostra que 54% dos entrevistados relataram alterações nesse quesito desde o início da pandemia. 

Na pesquisa, intitulada “Impactos primários e secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, 29% declararam que o consumo de alimentos industrializados aumentou. Nas casas com crianças e adolescentes de até 17 anos, o número é ainda mais preocupante, chegando a 36%.

É o caso de Deborah Souza, 34 anos. Mãe da Alice, de 6 anos, a jornalista conta que houve uma “inversão” na dinâmica da casa em relação à alimentação. 

TEC./SONORA: Deborah Souza, mãe da Alice
“Sempre tive muita preocupação em relação à alimentação da minha filha. Antes da pandemia, nossa rotina era bem intensa, mas eu conseguia organizar os horários das refeições dela e balancear o máximo possível. Com a pandemia, eu percebi que surgiram dois novos cenários aqui em casa, porque considero que a qualidade da alimentação da minha filha piorou. Apesar de ela comer frutas e verduras diariamente, ela passou a consumir mais industrializados, como biscoitos, sorvete e salgadinhos. E a minha alimentação melhorou. Passei a cozinhar mais e agora tenho uma rotina.”
 

LOC.: A professora do departamento de nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Paula Horta explica o que pode estar por trás dessa mudança nos hábitos alimentares. Para ela, a nova rotina nos lares pode ter contribuído para esse novo contexto. 

TEC./SONORA: Paula Horta, professora da UFMG
“O primeiro ponto a ser destacado é a dinâmica de home office e dos serviços da casa, o que mudou completamente. O tempo hoje para cozinhar está reduzido e muitas pessoas nunca cozinharam, nunca tiveram essa função dentro de casa. De repente, isso passa a ser uma realidade junto com os serviços domésticos, de cuidar das crianças, enfim. Isso impacta por si só numa mudança na oferta de alimentos.”
 

LOC.: A chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque, destaca outro fator que pode ter colaborado para o aumento no consumo desse tipo de alimento: a publicidade infantil. Para ela, é preciso uma atuação mais dura do Estado para frear as propagandas abusivas para crianças e adolescentes. 

TEC./SONORA: Cristina Albuquerque, chefe de Saúde do UNICEF no Brasil
“É muito difícil, é uma competição de política pública de saúde contra os bilhões que são investidos pela indústria, principalmente nos alimentos ultraprocessados. E cada vez isso cresce mais, o País definitivamente precisa dar um basta nisso, estabelecer regras mais rígidas e informar melhor a população.” 
 

LOC.: No final do ano passado, a Anvisa aprovou um novo modelo de rotulagem nutricional de alimentos embalados. De acordo com a autarquia, a medida visa dar mais clareza e melhorar a legibilidade das informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos, auxiliando o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes. 

Reportagem, Jalila Arabi.