Saúde - Covid-19·22 de junho de 2020

Ministério da Saúde autoriza uso de cloroquina em crianças, grávidas e puérperas

Decisão vai na contramão de pesquisas científicas e análises de agências reguladoras internacionais

Por Daniel Marques
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Sem estudos científicos conclusivos, o Ministério da Saúde ampliou o uso da cloroquina, permitindo agora a aplicação em grávidas, puérperas, crianças e adolescentes. Apesar da permissão do governo federal, fica a critério de médicos prescreverem ou não o medicamento. No caso de crianças, é necessário que pais ou responsáveis concordem com a aplicação. De acordo com o Ministério da Saúde, a decisão foi amparada em pesquisas e em protocolos de tratamento de outros países, como Turquia, Índia e Estados Unidos. Contudo, o uso não é mais permitido no país norte-americano. Na última semana, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a U.S. Food & Drug Administration (FDA), revogou a permissão de uso emergencial da cloroquina em pessoas infectadas pelo novo coronavírus. O argumento da agência americana é que não há evidências científicas sobre a eficiência da droga. Também argumenta que o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina é arriscado por causar problemas cardíacos nos pacientes. 

Também na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que realizava experimentos para checar a efetividade da hidroxicloroquina, decidiu interromper os testes após não encontrar benefícios no uso da droga. O estudo conta com a participação de 400 hospitais em 35 países.

Frente a esse contexto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) se posicionou contrária à decisão do governo federal. De acordo com a sociedade médica, não há confirmação sobre possíveis efeitos terapêuticos positivos da cloroquina contra a Covid-19 e os possíveis efeitos colaterais não foram mensurados com exatidão.

SOBRE

Daniel Marques

Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.

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