Foto: SENAI/PE/Divulgação
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Hidrogênio verde ganha escala industrial no Brasil

Expansão do setor é impulsionada por grandes projetos industriais e expectativa de liderança global até 2030

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O Brasil começa a dar passos mais concretos no desenvolvimento do hidrogênio verde, com investimentos e iniciativas de grandes empresas que buscam posicionar o país na transição energética global.

Nesse contexto, a White Martins inaugurou, em 15 de abril, sua segunda fábrica de hidrogênio verde no país, localizada em Jacareí (SP). Trata-se da primeira unidade em escala industrial no Brasil, segundo informações divulgadas pelo Estadão.

A unidade anterior, em Pernambuco, segue em operação, mas tem porte de planta piloto, com capacidade equivalente a cerca de um quarto da nova fábrica.

A nova instalação tem potencial para produzir até 800 toneladas de hidrogênio por ano. Segundo a empresa, o volume diário seria suficiente para atender uma indústria de porte médio por até 35 dias. A operação deve funcionar com uma equipe enxuta, gerando aproximadamente 15 empregos diretos.

Alternativa estratégica

Produzido a partir da eletrólise da água com uso de energia renovável, o hidrogênio verde é visto como uma alternativa estratégica para substituir combustíveis fósseis e reduzir emissões de carbono. Nesse cenário, o Brasil desponta como um candidato competitivo, principalmente pela disponibilidade de fontes renováveis de menor custo, como energia solar e eólica.

Apesar do potencial, o avanço do setor ainda enfrenta entraves importantes. O alto custo de produção continua sendo o principal desafio global, dificultando a expansão de projetos, especialmente aqueles voltados à exportação. 

A própria companhia avalia que o cenário geopolítico atual e a baixa demanda internacional tornam pouco atrativa a instalação de plantas voltadas ao mercado externo, além dos custos elevados de transporte do hidrogênio.

Por outro lado, o mercado interno apresenta oportunidades mais imediatas. Cerca de 20% da produção da unidade de Jacareí será destinada à fábrica de vidros da Cebrace, localizada na mesma cidade. O restante atenderá indústrias dos setores metalúrgico, químico e alimentício — segmentos que já utilizam hidrogênio em seus processos produtivos. Atualmente, a White Martins possui cerca de 400 clientes para esse insumo.

Um dos fatores que contribuem para a competitividade do projeto é o modelo de autoprodução de energia adotado pela empresa. Nesse arranjo, parceiros constroem e operam usinas renováveis dedicadas ao fornecimento energético, garantindo custos mais baixos. No caso da planta paulista, a energia é proveniente de fontes solar e eólica, em parceria com Eneva e Serena.

Outros investimentos 

O Brasil já contabiliza um conjunto expressivo de projetos voltados à produção de hidrogênio a partir de fontes renováveis. Segundo dados consolidados, são mais de 20 iniciativas anunciadas que, juntas, representam investimentos da ordem de R$ 188,7 bilhões.

Esse movimento é impulsionado pela combinação de energia renovável abundante e relativamente barata, o que confere ao país uma vantagem competitiva no setor. Diante desse cenário, há a expectativa de que o Brasil esteja entre os produtores de hidrogênio de menor custo do mundo até 2030.

Parte relevante desses projetos está associada à estruturação de hubs portuários de hidrogênio de baixo carbono — polos integrados que reúnem atividades de produção, logística, armazenamento e distribuição para diferentes usos industriais e energéticos.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o Porto do Pecém lidera em volume de investimentos previstos, com cerca de R$ 110,6 bilhões. Em seguida aparecem o Porto de Parnaíba, com R$ 20,4 bilhões, o Porto de Suape, com R$ 19,6 bilhões, e o Porto do Açu, com R$ 16,5 bilhões.

O avanço desses projetos também está ligado ao interesse internacional, especialmente europeu, na importação de hidrogênio e seus derivados. A perspectiva de exportação, somada ao potencial brasileiro de geração de energia renovável em larga escala, tem sustentado o entusiasmo em torno da consolidação do país como um grande exportador dessa nova matriz energética.

VEJA MAIS: 

Para o engenheiro químico e doutor pela Universidade Federal de São Carlos, João Guilherme Vicente, o potencial de aplicação do hidrogênio vai muito além da geração de energia, abrangendo diversos setores estratégicos da economia:

"Esse hidrogênio pode ser utilizado de diversas formas e em diversos processos. O hidrogênio cada vez mais está sendo visto como um vetor de energia limpa, especialmente para alimentar as células de combustíveis. Fora essa aplicação, o hidrogênio pode ser utilizado em indústrias químicas, como na produção de amônia, que é utilizada para produção de fertilizantes”, destaca. 

“Ele também pode ter uma grande aplicação para combustíveis de transporte e uma das grandes vantagens é que os veículos emitem somente vapor de água e não emitem gases de efeito estufa. Além disso, ele pode ser utilizado também nas indústrias de alimentos. Por exemplo, a gente utiliza muito o hidrogênio em processos de hidrogenação de gorduras", complementa.

Custo do hidrogênio verde

O hidrogênio verde precisará atingir um custo de cerca de US$ 2 por quilo — uma queda estimada entre 50% e 70% em relação aos níveis atuais — para se tornar competitivo. 

Mesmo nesse cenário, o preço final pode ultrapassar US$ 3 por quilo ao consumidor, devido a despesas adicionais com transporte e armazenamento, o que evidencia desafios logísticos relevantes. A avaliação é da Thymos Energia.
 

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LOC.: O Brasil avança na consolidação do hidrogênio verde como uma alternativa estratégica dentro da transição energética mundial. O país já conta com mais de VINTE projetos anunciados nessa área que, juntos, representam cerca de CENTO E OITENTA E OITO BILHÕES DE REAIS em investimentos.

Um dos destaques mais recentes é a nova planta da White Martins, inaugurada em Jacareí, no interior de São Paulo. A unidade é considerada a primeira produção em escala industrial de hidrogênio verde no Brasil, com capacidade de até OITOCENTAS toneladas por ano. 

A operação utiliza eletrólise da água a partir de fontes renováveis, como energia solar e eólica, e deve funcionar com uma equipe reduzida, de cerca de 15 trabalhadores diretos. Parte da produção já tem destino definido, como o fornecimento para a Cebrace, além de indústrias dos setores químico, metalúrgico e alimentício.

O projeto também se destaca pelo modelo de autoprodução de energia, em que a eletricidade utilizada vem de usinas renováveis dedicadas, o que ajuda a reduzir custos e aumenta a viabilidade econômica da operação.

Paralelamente a isso, o desenvolvimento do setor no país também está fortemente ligado à criação de polos portuários voltados ao hidrogênio de baixo carbono. Esses hubs devem integrar toda a cadeia, desde a produção até o armazenamento e a exportação. 

Entre os principais projetos estão o Porto do Pecém, no Ceará, que lidera em volume de investimentos, o Porto de Parnaíba, no Piauí, o Porto de Suape, em Pernambuco, e o Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

Apesar do avanço, especialistas apontam que o custo de produção ainda é o maior desafio para a expansão do hidrogênio verde, além das dificuldades logísticas para transporte e armazenamento.

O engenheiro químico e doutor pela Universidade de São Carlos, João Guilherme Vicente, detalha os usos possíveis do hidrogênio.
 

TEC./SONORA: João Guilherme Vicente, engenheiro químico e doutor pela Universidade Federal de São Carlos

“O hidrogênio pode ser aplicado em várias áreas e processos industriais. Ele vem sendo cada vez mais considerado um vetor de energia limpa, principalmente no uso em células de combustível. Também tem papel importante na indústria química, por exemplo na produção de amônia, usada em fertilizantes. No setor de transportes, pode ser utilizado como combustível com emissão apenas de vapor de água, sem gases poluentes.”
 


LOC.: Com base em sua matriz energética renovável e em projetos de grande escala, o Brasil busca se posicionar entre os principais produtores de hidrogênio verde do mundo até 2030.

Reportagem, Marquezan Araújo