Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Tesouro propõe ampliar verificações no Siconfi e acende alerta sobre desigualdades entre municípios

Medida fortalece controle e transparência fiscal, mas pode ampliar dificuldades para cidades com menor capacidade técnica

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A proposta do Tesouro Nacional de submeter à consulta pública a inclusão de 37 novas verificações automatizadas no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi) deve reforçar o monitoramento da qualidade dos dados fiscais no país, mas também pode ampliar desigualdades entre os municípios. A medida fortalece o Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal e busca maior aderência às normas internacionais, como as IPSAS.

Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a iniciativa representa um avanço, mas exige análise crítica quanto aos seus efeitos práticos. A entidade alerta que a ampliação dos critérios ocorre em um cenário de forte assimetria na capacidade técnica e na qualidade das informações prestadas pelos entes municipais.

Na avaliação da CNM, o fortalecimento do ranking tende a melhorar o padrão das informações públicas, estimular boas práticas contábeis e reduzir subjetividades por meio da automatização das verificações. Isso favorece a transparência e o controle social. Por outro lado, a exigência de maior nível de conformidade pode gerar dificuldades para municípios que não dispõem de estrutura técnica adequada.

Para a entidade, o risco é o aumento das desigualdades institucionais. Municípios com maior capacidade administrativa tendem a se adaptar mais rapidamente, enquanto os de pequeno porte podem enfrentar obstáculos para atender às novas exigências.

Impacto indireto na Capag

Outro ponto de atenção é a relação indireta com a Capacidade de Pagamento (Capag). Embora sejam instrumentos distintos, tanto o ranking quanto a Capag dependem da qualidade das informações fiscais declaradas pelos entes. Falhas ou inconsistências no envio de dados ao Siconfi podem afetar indicadores fiscais utilizados na avaliação da Capag, prejudicando o acesso a operações de crédito com garantia da União.

A CNM destaca que esse cenário pode levar à penalização de municípios por problemas formais ou operacionais, e não necessariamente por fragilidades fiscais.

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Estudos realizados pela entidade em 2025 indicam que, apesar de avanços graduais, ainda há um número significativo de prefeituras com dificuldades recorrentes para cumprir integralmente as verificações já existentes. Entre os principais problemas identificados estão:

  • inconsistências na padronização contábil e na classificação de receitas e despesas;
  • dificuldades na consolidação de dados entre Poderes e órgãos;
  • limitações nas equipes técnicas, especialmente em municípios de pequeno porte;
  • dependência de sistemas que não acompanham a evolução das normas.

Na avaliação da CNM, a ampliação das verificações sem o devido suporte técnico pode resultar em mais penalizações do que ganhos efetivos na qualidade da informação.

Consulta pública e ajustes necessários

A abertura da consulta pública é vista como uma oportunidade para que os municípios contribuam com o aperfeiçoamento das regras. A entidade defende a participação ativa de gestores e técnicos municipais para garantir que as novas exigências considerem a diversidade da realidade federativa.

A CNM também ressalta que o avanço da agenda deve ser acompanhado de medidas estruturantes, como capacitação contínua, melhoria dos sistemas, orientações claras e mecanismos de transição que evitem impactos abruptos.

Embora o fortalecimento da qualidade da informação contábil e fiscal seja considerado um objetivo comum, a entidade enfatiza que o sucesso da iniciativa depende do equilíbrio entre rigor técnico e viabilidade operacional, de forma a permitir que todos os municípios avancem de maneira sustentável.
 

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LOC.: Uma mudança proposta pelo Tesouro Nacional pode melhorar a qualidade das informações fiscais no Brasil, mas também acende um alerta para os municípios, principalmente os de menor porte.

Está em consulta pública a criação de TRINTA E SETE novas verificações automatizadas no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro, o Siconfi. A medida reforça o chamado Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal e busca alinhar os dados brasileiros a padrões internacionais.

Na prática, a iniciativa deve aumentar o controle, reduzir erros e tornar as informações mais comparáveis entre estados e municípios. Isso é visto como positivo para a transparência e o controle social. Mas nem todos os entes podem acompanhar esse ritmo.

A Confederação Nacional de Municípios alerta que ainda existem grandes diferenças na capacidade técnica das prefeituras. Municípios maiores tendem a se adaptar com mais facilidade, enquanto os menores enfrentam dificuldades, como falta de equipe especializada, problemas na consolidação de dados e limitações nos sistemas utilizados.

Outro ponto de preocupação é o impacto indireto na chamada Capacidade de Pagamento, pois, assim como o ranking, depende da qualidade das informações enviadas. Ou seja, erros formais no preenchimento dos dados podem acabar prejudicando a nota do município e dificultando o acesso a empréstimos com garantia da União.

Estudos da CNM mostram que, apesar de avanços recentes, muitas prefeituras ainda têm dificuldades para atender plenamente às exigências atuais — especialmente na padronização contábil e na classificação de receitas e despesas.

Por isso, a entidade defende que o aumento das exigências venha acompanhado de apoio técnico, capacitação e regras de transição. A avaliação é de que, sem esse suporte, a medida pode gerar mais penalizações do que melhorias reais.

A consulta pública está aberta, e os municípios podem participar. A expectativa é que o aprimoramento das regras aconteça com equilíbrio — garantindo mais qualidade na informação, sem deixar para trás quem ainda enfrenta limitações estruturais.

Reportagem, Marquezan Araújo