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LOC.: Uma mudança proposta pelo Tesouro Nacional pode melhorar a qualidade das informações fiscais no Brasil, mas também acende um alerta para os municípios, principalmente os de menor porte.
Está em consulta pública a criação de TRINTA E SETE novas verificações automatizadas no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro, o Siconfi. A medida reforça o chamado Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal e busca alinhar os dados brasileiros a padrões internacionais.
Na prática, a iniciativa deve aumentar o controle, reduzir erros e tornar as informações mais comparáveis entre estados e municípios. Isso é visto como positivo para a transparência e o controle social. Mas nem todos os entes podem acompanhar esse ritmo.
A Confederação Nacional de Municípios alerta que ainda existem grandes diferenças na capacidade técnica das prefeituras. Municípios maiores tendem a se adaptar com mais facilidade, enquanto os menores enfrentam dificuldades, como falta de equipe especializada, problemas na consolidação de dados e limitações nos sistemas utilizados.
Outro ponto de preocupação é o impacto indireto na chamada Capacidade de Pagamento, pois, assim como o ranking, depende da qualidade das informações enviadas. Ou seja, erros formais no preenchimento dos dados podem acabar prejudicando a nota do município e dificultando o acesso a empréstimos com garantia da União.
Estudos da CNM mostram que, apesar de avanços recentes, muitas prefeituras ainda têm dificuldades para atender plenamente às exigências atuais — especialmente na padronização contábil e na classificação de receitas e despesas.
Por isso, a entidade defende que o aumento das exigências venha acompanhado de apoio técnico, capacitação e regras de transição. A avaliação é de que, sem esse suporte, a medida pode gerar mais penalizações do que melhorias reais.
A consulta pública está aberta, e os municípios podem participar. A expectativa é que o aprimoramento das regras aconteça com equilíbrio — garantindo mais qualidade na informação, sem deixar para trás quem ainda enfrenta limitações estruturais.
Reportagem, Marquezan Araújo