Saúde - Covid-19·07 de junho de 2021

Estudo da Fiocruz associa rápida disseminação de variantes do Covid a relatos de reinfecção

As novas mutações proporcionaram ao vírus a capacidade de escapar da resposta imune do organismo

Por Rafaela Gonçalves
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Um estudo realizado pela Fiocruz Pernambuco associou a rápida dispersão de algumas variantes do Covid a relatos de reinfecção. Os pesquisadores buscaram verificar quais seriam os reais mecanismos por trás das reinfecções.  A hipótese inicial era que as novas variantes se ligavam às células do hospedeiro humano.

Porém, segundo o coordenador do estudo e pesquisador da Fiocruz Pernambuco, Roberto Lins, os anticorpos gerados na primeira onda da pandemia não conseguiram neutralizar eficientemente as variantes de preocupação monitoradas. “O que a gente verificou é que de fato esses anticorpos não eram capazes de se ligar às variantes de preocupação, como o caso de P.1, predominante atualmente no País”, disse. 

Ainda não há um consenso sobre a duração e a eficácia dos anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus. Mas as novas mutações, na realidade, proporcionaram ao vírus a capacidade de escapar da resposta imune do organismo.

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Outro estudo conduzido pela Fiocruz mostrou, ainda, que a segunda infecção por Covid-19 pode provocar sintomas mais fortes do que a primeira. Essas reinfecções podem ser ainda mais comuns em pessoas com mais de 65 anos, conforme apontou estudo do Instituto Statens Serum, da Dinamarca.

Segundo o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Julival Ribeiro, uma preocupação mundial é que essas variantes possam escapar ao efeito da vacina. “A vacina, apesar de responder a essas variantes, têm sua efetividade diminuída e a grande preocupação do mundo é que com tantas variantes surgindo possa ocorrer um aumento, e que elas sejam resistentes a essas vacinas, tornando necessário que a gente tenha que fazer nova vacina”, afirmou.

De acordo com a Fiocruz, a Fundação está coordenando ou participando, atualmente, de três ensaios clínicos no Brasil para vacinas contra a Covid-19. Os ensaios clínicos em andamento se encontram todos em fase 3, ou seja, já são estudos multicêntricos que acompanham milhares de pacientes, a fim de verificar a segurança e eficácia dos diferentes possíveis imunizantes.

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SOBRE

Rafaela Gonçalves

Jornalista formada pela Universidade Católica de Brasília (UCB), com experiência em política e economia. Recentemente trabalhou no Correio Braziliense e fez cobertura política dos poderes Executivo e Legislativo nacionais.

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