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LOC.: Quatro em cada dez empresas industriais projetam aumentar a dívida bancária nos próximos três meses. É o que mostra uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, a CNI. A expectativa é influenciada pelos juros altos e pela necessidade de financiar despesas do dia a dia, como compra de matérias-primas, pagamento de salários e tributos.
Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, apesar de três cortes de juros realizados em 2026, a taxa Selic — atualmente em 14,25% ao ano — permanece em nível elevado e continua pressionando a atividade industrial.
TEC./SONORA: Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI
“Uma boa parte dessas empresas que esperam ter que buscar mais crédito, também esperam ter que fazer essa operação a um custo mais elevado. Isso mostra uma maior pressão, não só sobre o caixa, mas também para que elas consigam honrar seus compromissos financeiros e operacionais. Esse cenário tende a se refletir no endividamento e na rentabilidade das empresas.”
LOC.: Segundo o levantamento, 53% das empresas consultadas acreditam que precisarão aumentar a busca por crédito para financiar contas a pagar. A estratégia é utilizada para cumprir compromissos com fornecedores, pagar tributos e outras despesas operacionais. Além disso, 38% dos empresários esperam contratar esses recursos a juros mais altos.
A pesquisa também revela uma percepção predominantemente negativa dos empresários em relação à rentabilidade no curto prazo. Mais da metade dos entrevistados prevê redução da margem de lucro líquida nos próximos três meses. Maria Virginia Colusso avalia que esse cenário leva os empresários a projetarem encolhimento da rentabilidade.
TEC./SONORA: Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI
“Além de as empresas estarem esperando um maior endividamento, quase 58% delas também estão esperando um achatamento da sua rentabilidade. Elas estão imaginando, então, uma compressão na sua margem financeira e isso pode se refletir nos próprios preços de vendas.”
LOC.: Diante desse cenário, 37% das empresas pretendem aumentar os preços de venda nos próximos três meses, enquanto 51% esperam mantê-los estáveis.
O levantamento completo está disponível na aba Publicações do site: portaldaindustria.com.br.
Reportagem, Paloma Custódio